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| crédito: Albert Andrade |
Iniciativa consolida uma década de estratégia institucional, reunindo saberes transdisciplinares, residências de pesquisa e parcerias com a educação básica
O Museu do Amanhã, equipamento cultural da Prefeitura do Rio de
Janeiro sob gestão do idg – Instituto de Desenvolvimento e Gestão, anuncia a
criação da Escola de Ciências do Amanhã, um novo centro de encontro e diálogo
entre pessoas, ciências e saberes, para refletir, aprender e pesquisar os temas
emergentes da sociedade, que orientarão a atuação da instituição pelos próximos
dez anos. Diferente de uma escola tradicional, a iniciativa se estrutura por
meio da integração entre projetos de formação, pesquisa e documentação: três
frentes interligadas que vão ampliar o papel do museu na produção de conteúdo
científico e na articulação com a sociedade.
Coordenada pelos cientistas Fabio Scarano e Nina Pougy, a Escola
de Ciências do Amanhã adota uma visão expandida do que se entende por ciência -
uma ciência dialógica, que acredita na pluralidade e na convivência entre todas
as formas de conhecimento. Essa abordagem plural será traduzida em entregas
como podcasts, seminários de pesquisa, artigos acadêmicos e relatórios
técnicos, além de manter diálogos constantes com as exposições e demais programações
do Museu. Assim, a Escola promove uma circulação de saberes dentro e fora do
cânone científico.
“A Escola de Ciências do Amanhã vem da percepção do Museu do
Amanhã como um polo de pensamento. Ao longo de dez anos, acumulamos um
conhecimento significativo, fruto dos projetos e pesquisas científicas realizados
nesses períodos. Agora, queremos expandir ainda mais essa produção de
conhecimento”, explica Fabio Scarano, que também é curador do Museu do Amanhã.
“A Escola parte de uma pergunta incômoda: como produzir conhecimento e formar
pessoas para lidar com o cenário de policrise que estamos vivendo? Conhecimento
que nos ajude a antecipar ações necessárias para que outros futuros sejam
possíveis. Acreditamos que as pistas estão num encontro plural entre Academia,
saberes ancestrais, e experiências empíricas resultantes da arte e da cultura”,
complementa.
Pesquisa como pilar central
Um dos grandes diferenciais da Escola de Ciências do Amanhã é a
Frente de Pesquisa, apresentada como eixo estruturante do lançamento. Os temas
prioritários iniciais são: a relação entre Cultura e Clima e Futuros, com um
marco importante a partir de 15 de junho: o início das residências de duas
pesquisadoras, Tatiana Castelo Branco e Thuane Bochorny, que seguirão até o fim
do ano.
Para a frente de Cultura e Clima, que objetiva explorar como o
entrelaçamento entre esses dois temas pode contribuir para os processos de
enfrentamento das mudanças climáticas, a pesquisadora escolhida foi Tatiana
Castelo Branco. Ela é doutora em Relações Internacionais pela PUC-Rio, com
experiência em engajamento com movimentos sociais que promovem equidade de
gênero em contextos locais e nacionais, bem como em políticas públicas e
atuação subnacional no contexto internacional. Trabalhou em projetos junto ao
g7+, ao Clipping CACD e Ibmec, ao SESC-RJ e ao PACS (Instituto Políticas
Alternativas para o Cone Sul), além de ter sido coordenadora de Mudanças
Climáticas na Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio de
Janeiro (2023-2026). Suas produções mais recentes têm foco nos temas de
mudanças climáticas e meio ambiente, pós-colonialismo e decolonialidade,
desenvolvimento e gênero.
Já a frente de pesquisa em Futuros, enquanto cerne da Cátedra de
Bem-estar Planetário e Antecipação Regenerativa, que tem como objetivo explorar
temas emergentes e relevantes para futuros coletivos de forma a identificar
amanhãs mais ou menos desejáveis, bem como caminhos para alcançá-los ou
evitá-los, selecionou Thuane Bochorny. Pesquisadora com doutorado em Biologia
Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas, e estágio de pesquisa no New
York Botanical Garden. Possui pós-doutorado na Universidade Federal do Paraná e
no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,onde atuou na gestão e desenvolvimento do
Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil, projeto dedicado à
publicação da flora marinha e terrestre das áreas protegidas do Brasil. Foi
professora colaboradora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e, desde
2025, atua também como pesquisadora associada da The Red List Project. Integra
a Coletiva Papel Mulher, iniciativa dedicada ao incentivo e à divulgação da
escrita de mulheres através de intervenções urbanas. Além disso, Thuane foi
aluna da última turma do curso Futuros Regenerativos, realizado pela Escola de
Ciências ao longo do mês de abril de 2026.
“Na prática, é uma escola sem paredes, cujo compromisso é com o
pensamento crítico, a pluralidade epistemológica e a ousadia de imaginar outras
possibilidades. Primeiro definimos as linhas de pesquisa e o formato da
residência, depois, abrimos o processo seletivo, que nos trouxe pesquisadoras
maravilhosas para dar início aos trabalhos. Já nos cursos, nosso ponto de
partida nunca é um público pronto, mas sim os temas que queremos provocar.
Escolhemos os assuntos e, então, convidamos públicos que dialoguem com eles, e
fazemos questão de que esse diálogo seja plural, tão diversos quanto o próprio
museu. Acreditamos que a troca entre diferentes olhares enriquece cada
experiência e amplia o alcance do conhecimento”, destaca Nina Pougy, gerente da
Escola de Ciências do Amanhã.
Projetos da Escola
A Escola de Ciências do Amanhã já começa com projetos concretos em
andamento, destacando a disciplina Sustentabilidade e Futuros, criada em
conjunto com a Escola Fundação Darcy Vargas. A disciplina está sendo
desenvolvida para estudantes do 1º e 2º anos do Ensino Médio, com o objetivo de
formar jovens que compreendam as dimensões científicas, sociais e culturais da
sustentabilidade e atuem como protagonistas de futuros mais justos e
regenerativos. Esta lógica guia o desenho de todos os nossos projetos: a
escolha de públicos não parte de perfis pré-definidos, mas da seleção de temas,
formatos e abordagens; uma metodologia que garante relevância e adequação a
diferentes contextos.
Em breve, serão lançados projetos inéditos, como a formação em
Justiça Climática, um ciclo formativo com etapa online para todo o Brasil e
imersão presencial no Rio de Janeiro, dedicado ao aprofundamento da agenda
climática a partir da perspectiva da justiça climática; e a nova temporada do
podcast do Museu do Amanhã, que irá abordar a cultura e o uso do fogo. A proposta
do podcast é trazer diferentes narrativas e visões sobre o mundo, a partir dos
conhecimentos tradicionais, para nos fazer refletir sobre as relações entre
humanidade e natureza.
Em paralelo, projetos do antigo setor científico do Museu agora
passam a ser geridos pela Escola de Ciências do Amanhã. Entre eles, destaques
como Mulheres na Ciência e Inovação – iniciativa de fomento ao empreendedorismo
e à liderança de mulheres em ciência e tecnologia –; o Prêmio Elisa Frota
Pessoa, destinado a mulheres pesquisadoras do município do Rio de Janeiro; e a
Cátedra UNESCO de Bem-estar Planetário e Antecipação Regenerativa, que
desenvolve atividades que visam refletir e projetar possibilidades de futuros
desejáveis, desenvolvendo competências essenciais para o século XXI.
Sobre o Museu do
Amanhã
O Museu do Amanhã é gerido pelo
Instituto de Desenvolvimento e Gestão — idg. O projeto é uma iniciativa da
Prefeitura do Rio de Janeiro, concebido em conjunto com a Fundação Roberto
Marinho, instituição ligada ao Grupo Globo. Exemplo bem-sucedido de parceria
entre o poder público e a iniciativa privada, por meio da Lei Federal de Incentivo
à Cultura, Lei Rouanet, conta com o Itaú como patrocinador estratégico, Shell,
Vale e Motiva como mantenedores e patrocinadores que inclui IBM e TAG. Tem a
Globo como parceiro estratégico, copatrocínio da Águas do Rio, Heineken e
Saint-Gobain, apoio da Bloomberg, Engie, B3, White Martins, Caterpillar,
Granado, Mattos Filho, EMS e Porto. Através da Lei de Incentivo Municipal tem o
apoio da Accenture e Fitch Ratings e conta com a parceria de mídia da Rádio
Mix, NovaParadiso, JB FM, Revista Piauí e Canal Curta ON.
idg

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