No Dia Mundial do Vitiligo, especialista explica as causas, os tratamentos disponíveis e desfaz equívocos que ainda cercam a doença.
Apesar de afetar cerca de 1% da população mundial, o vitiligo ainda é cercado por desinformação e preconceitos. A doença autoimune, caracterizada pelo surgimento de manchas esbranquiçadas na pele devido à destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pode surgir em qualquer idade e impactar não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional dos pacientes.
A data de 25 de junho marca o Dia Mundial do Vitiligo, criado para ampliar a conscientização sobre a doença e combater o estigma que ainda acompanha quem convive com a condição. A escolha da data faz referência ao cantor Michael Jackson, um dos casos mais conhecidos mundialmente de pessoas diagnosticadas com vitiligo.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia
(SBD), a doença costuma surgir antes dos 30 anos e tem origem multifatorial,
envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Embora não seja
contagiosa nem represente risco direto à vida, ainda desperta dúvidas e
concepções equivocadas.
Para a dermatologista e coordenadora nacional
da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica, Dra. Maria de Fátima
Maklouf, ampliar o acesso à informação é fundamental para reduzir o
preconceito. “O vitiligo não deve ser motivo de exclusão social. Quanto mais a
população compreende a doença, maiores são as chances de combatermos estigmas e
garantirmos acolhimento e qualidade de vida para os pacientes”, afirma.
Mitos e verdades sobre o vitiligo
Mito:
o vitiligo é causado por nervosismo
Embora o estresse emocional possa influenciar o surgimento ou a evolução das lesões em algumas pessoas, ele não é considerado a causa da doença.
“O vitiligo tem origem multifatorial,
envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. O estresse pode
funcionar como um gatilho em indivíduos predispostos, mas não é responsável
pelo desenvolvimento da doença por si só”, explica a especialista.
Mito:
as manchas sempre aumentam e se espalham pelo corpo
A evolução do vitiligo varia de paciente para
paciente. Enquanto algumas pessoas apresentam progressão rápida, outras
permanecem anos com a doença estabilizada.
“Existe a falsa ideia de que as manchas inevitavelmente vão se espalhar. Na prática, cada caso apresenta um comportamento diferente e a evolução não segue um padrão único. É preciso avaliar clinicamente cada caso”, destaca.
Verdade:
pessoas com vitiligo precisam redobrar os cuidados com o sol
As áreas despigmentadas possuem menor
proteção natural contra a radiação ultravioleta, tornando-se mais vulneráveis a
queimaduras.
“O uso diário de protetor solar é indispensável para quem convive com o vitiligo. Além de proteger a pele, essa medida ajuda a prevenir danos causados pela exposição excessiva ao sol”, orienta.
Mito:
não existe tratamento para o vitiligo
Embora ainda não haja cura definitiva, os
avanços da dermatologia ampliaram significativamente as opções terapêuticas
disponíveis.
“Hoje contamos com recursos capazes de controlar a progressão das lesões e, em muitos casos, promover uma melhora importante da repigmentação da pele. O tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um especialista”, explica.
Verdade:
o vitiligo vai além de uma questão estética
Além das alterações na pele, a doença pode
afetar a autoestima, a confiança e as relações sociais dos pacientes.
“Muitas pessoas enfrentam desafios emocionais
decorrentes do preconceito e da exposição das lesões. Por isso, o cuidado com o
paciente deve considerar não apenas a saúde da pele, mas também os aspectos
psicológicos envolvidos na convivência com a doença”, conclui a dermatologista.
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