Cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com a
diabetes, mas o acompanhamento e o trabalho coordenado multiprofissional ainda
não é regra entre os pacientes para a melhora dos indicadores clínicos
O
brasileiro nunca se preocupou tanto com a balança, a alimentação e a rotina de
treinos. Um levantamento recente da Sami Saúde trouxe dados que, em um primeiro
momento, são bastante positivos: 73% das pessoas afirmam praticar atividades
físicas pelo menos três vezes por semana, e a busca por acompanhamento com
nutricionistas e conteúdos de saúde na internet é elevada. Os dados apontam
para uma geração cada vez mais interessada em viver melhor.
Mas
há um contraponto que o setor de saúde suplementar ainda não conseguiu
resolver. Mesmo com a população teoricamente mais ativa e atenta, o diabetes
tipo 2 continua avançando silenciosamente. Já são cerca de 20 milhões de
brasileiros convivendo com a doença, segundo a Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
O
questionamento então que aparece é: por que a explosão do mercado de bem-estar
e a busca por especialistas isolados não estão sendo suficientes para conter os
diagnósticos e as consequências de uma doença crônica?
De
acordo com Lilian Chaves, Médica de Família, da Sami, a resposta está na raiz
do modelo tradicional de saúde: a falta de direção. Fomos ensinados a consumir
saúde em fatias. O paciente percebe que precisa mudar de hábitos, marca uma
consulta com o nutricionista por conta própria, faz alguns exames laboratoriais
aleatórios e tenta encaixar a academia na rotina. O problema é que a diabetes
não é uma condição simples, mas sim complexa, que evolui sem dar sinais por
anos. Sem um fio condutor que una esses pontos, o esforço do paciente pode não
estar sendo utilizado da maneira mais eficiente.
“O
nutricionista sozinho, por melhor que seja, não consegue vencer a engrenagem do
diabetes se o paciente estiver solto no sistema. Para que a mudança na dieta ou
o treino na academia se transformem em um indicador clínico real, é preciso
haver coordenação. E esse é o papel fundamental do médico de família, que
consegue acompanhar e evitar a piora de quadros clínicos, ou mesmo antecipar
futuros problemas”, explica.
No
Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o grande debate não deveria
ser apenas sobre o que comer ou quanto treinar, mas sobre como estamos
gerenciando o paciente. “Quando há um médico pessoal liderando o caso, o
cenário muda. É ele quem olha o histórico completo, identifica o estágio de
"pré-diabetes" anos antes de a doença se consolidar e aciona a equipe
de nutrição e enfermagem com uma estratégia integrada, com dieta, exercício,
exames e medicações. O enfermeiro ajuda a monitorar a rotina e o uso correto
dos remédios pelo chat, o nutricionista ajusta o plano alimentar, e o médico
acompanha a evolução das taxas de glicemia de perto”, complementa.
Para
a médica, viver o avanço das doenças crônicas no Brasil exige parar de tratar a
saúde de forma fragmentada. “O futuro da medicina e a própria sustentabilidade
financeira do setor dependem da transformação da busca isolada por bem-estar em
um cuidado contínuo e coordenado, feito por profissionais preparados e
trabalhando em equipe”, finaliza Lilian.
A pesquisa foi realizada em junho de 2026 por meio de chatbots inteligentes, em substituição aos questionários tradicionais. Foram acionados mais de 1,2 mil homens e mulheres de 18 a 55 anos, das classes A, B e C, decisores de benefícios em MEIs e microempresas da capital paulista. Os dados foram coletados em quatro etapas, entre 2022 e 2026.
Sami
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