Com cerca de 20 milhões de brasileiros
convivendo com a doença, especialista reforça a importância do controle
glicêmico e do acompanhamento oftalmológico na prevenção da perda visual 
Imagem gerada por IA
ChatGPT
OpenAI
No próximo dia 26 de junho, o Dia Nacional do
Diabetes reforça a importância da conscientização sobre uma condição crônica
que avança de forma silenciosa e pode comprometer diferentes órgãos, incluindo
a visão. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 20 milhões de
brasileiros convivem com a enfermidade, sendo o tipo 2 responsável por
aproximadamente 90% dos diagnósticos. O aumento da obesidade, do sedentarismo e
do envelhecimento populacional tem contribuído para o crescimento expressivo
dos registros no país.
Entre as complicações mais preocupantes está a retinopatia
diabética, alteração que afeta os vasos sanguíneos da retina e figura entre as principais
causas de perda visual evitável em adultos. O quadro costuma evoluir sem
sintomas nas fases iniciais, o que torna o acompanhamento oftalmológico
periódico indispensável.
“A elevação persistente da glicose provoca dano progressivo aos
pequenos vasos da retina, levando à retinopatia diabética, que, na maioria das
vezes, não apresenta sintomas no início; por isso, muitos pacientes só procuram
atendimento quando já há comprometimento visual importante”, alerta a Dra.
Vania Ewert de Campos, oftalmologista do H.Olhos.
A especialista explica que o risco de desenvolver a alteração
aumenta conforme o tempo de convivência com a doença e está diretamente
relacionado ao controle inadequado da glicemia, da pressão arterial e dos
níveis de colesterol.
“Manter hábitos saudáveis, seguir corretamente o tratamento
indicado pelo médico e realizar exames oftalmológicos regulares são medidas
fundamentais para o diagnóstico precoce e para reduzir o risco de complicações
oculares. O diagnóstico precoce é decisivo para preservar a visão e,
consequentemente, a qualidade de vida”, comenta.
Nos últimos anos, os avanços terapêuticos ampliaram as
possibilidades de controle da retinopatia diabética e contribuíram para
melhores resultados visuais. Atualmente, além da fotocoagulação a laser, o
tratamento pode incluir aplicações intraoculares de medicamentos
antiangiogênicos, conhecidos como anti VEGF, terapias com corticoides e
procedimentos cirúrgicos, como a vitrectomia, indicados conforme a gravidade de
cada caso.
“Hoje dispomos de recursos mais precisos para identificar
alterações ainda em estágios iniciais e de abordagens terapêuticas capazes de
controlar a progressão da doença. Quanto mais cedo o paciente inicia o
acompanhamento, maiores são as chances de evitar danos irreversíveis”, destaca
a oftalmologista.
Além da retinopatia, o excesso de glicose no organismo também pode
favorecer o surgimento de outras alterações oculares, como edema macular
diabético, catarata precoce, glaucoma e oscilações temporárias na capacidade
visual.
“A visão embaçada, a dificuldade para enxergar detalhes e as mudanças
frequentes no grau dos óculos podem ser sinais de descompensação metabólica.
Mesmo na ausência de sintomas, pessoas com diabetes precisam incluir a
avaliação oftalmológica na rotina de cuidados”, orienta a médica.
De acordo com ela, a integração entre diferentes especialidades é
essencial para reduzir o impacto da enfermidade sobre a saúde ocular.
“O cuidado com a visão começa pelo controle adequado da glicemia.
Quando endocrinologistas, clínicos e oftalmologistas atuam de forma conjunta, é
possível identificar precocemente alterações e oferecer tratamentos mais
eficazes”, conclui a Dra. Vania Ewert de Campos.
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