Dra. Ariane Maywald desmistifica preconceitos sobre contágio, alerta para o impacto na autoestima e destaca novos tratamentos imunológicos
Celebrado
em 25 de junho, o Dia Mundial do Vitiligo propõe uma
reflexão profunda sobre uma condição que, historicamente, é cercada de
preconceitos e desinformação. Longe de ser um problema puramente estético, o
vitiligo é uma doença crônica de origem autoimune que atinge a autoestima e a
saúde mental dos pacientes. De acordo com a Profa. Dra. Ariane Maywald,
dermatologista e docente do curso de Medicina da Universidade
de Franca (Unifran), o combate ao estigma social começa com a
informação correta sobre o diagnóstico e as novas opções de tratamento disponíveis.
"O
maior mito que ainda enfrentamos é a falsa crença de que o vitiligo é
contagioso. A doença não é transmitida por contato físico, compartilhamento de
objetos ou convivência próxima. Trata-se de uma condição autoimune em que o
próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos, as células
responsáveis por produzir a melanina, que dá cor à pele. Com isso, surgem as
manchas brancas características em diferentes regiões do corpo", explica a
especialista da Unifran.
Segundo
a médica, fatores genéticos, imunológicos e ambientais estão envolvidos no
desenvolvimento da condição. Outro equívoco comum é acreditar que não há
tratamentos eficazes. "Felizmente, os avanços da dermatologia têm ampliado
significativamente as opções terapêuticas, permitindo controlar a atividade da
doença e promover a repigmentação das manchas em muitos casos", destaca.
O
impacto na saúde mental e o acolhimento
Por se
tratar de uma alteração visível na pele, o impacto emocional do vitiligo pode
ser tão desafiador quanto as manifestações físicas. Muitos pacientes relatam
sentimentos de constrangimento, insegurança, isolamento social, ansiedade e até
sintomas depressivos, especialmente quando as lesões acometem áreas expostas,
como rosto e mãos.
No
consultório, a Dra. Ariane reforça a importância de um atendimento integral e
multidisciplinar. "O valor e a identidade de uma pessoa não são definidos
pela aparência de sua pele. O tratamento não deve focar apenas nas manchas, mas
também na qualidade de vida e no bem-estar emocional do paciente, trabalhando
em conjunto com psicólogos e psiquiatras quando necessário", pontua a
professora da Unifran.
Inovações
clínicas e a importância do diagnóstico precoce
O
cenário terapêutico do vitiligo evoluiu de forma acelerada nos últimos anos.
Atualmente, o tratamento é individualizado e conta com opções tradicionais
consagradas, como corticoides tópicos, inibidores da calcineurina e a
fototerapia com ultravioleta B de banda estreita (UVB-NB), considerada
altamente eficaz para estimular a repigmentação.
Entre
as novidades científicas mais promissoras, a especialista destaca a chegada dos
inibidores da via JAK, medicamentos de ponta que atuam diretamente nos
mecanismos imunológicos da doença. "Alguns desses novos compostos já
apresentam resultados bastante animadores, especialmente quando associados à
fototerapia. Além disso, a terapia regenerativa vem despertando grande
interesse na comunidade médica internacional", revela a dermatologista.
A Dra.
Ariane reforça que a chave para o sucesso do tratamento é a agilidade. "O
diagnóstico precoce é fundamental porque permite iniciar o protocolo clínico
antes que ocorra uma perda mais extensa dos melanócitos. Quanto mais cedo a
doença for identificada e estabilizada, maiores são as chances de recuperar a
pigmentação da pele", diz.
Ao
finalizar, a especialista reforça a importância da empatia e do respeito:
"O vitiligo não define quem a pessoa é. Embora seja uma doença visível,
ela não reduz capacidades, talentos ou potencialidades de ninguém. O combate ao
preconceito passa pela informação, pela empatia e pelo respeito às diferenças.
Buscar avaliação com um dermatologista é o primeiro passo para um
acompanhamento adequado, individualizado e baseado nas melhores evidências
científicas disponíveis", conclui.
Unifran
www.unifran.edu.br
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