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Confira orientações de educadores para
quem pretende encarar o exame depois de muito tempo longe da sala de aula
Todos os anos, milhares de brasileiros enxergam no
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) uma oportunidade de ingressar no ensino
superior, mudar de carreira ou retomar projetos profissionais que ficaram em
segundo plano ao longo da vida. Entre esses candidatos estão pessoas que
concluíram a educação básica há muitos anos e que agora precisam enfrentar o
desafio de voltar a estudar após um longo período longe dos livros, provas e da
rotina escolar.
Embora a tarefa possa parecer intimidadora à primeira vista,
especialistas em educação afirmam que a experiência de vida adquirida ao longo
dos anos pode se tornar uma vantagem importante durante a preparação. Com
planejamento, disciplina e estratégias adequadas, é possível recuperar
conteúdos, desenvolver habilidades exigidas pela prova e conquistar um bom
desempenho.
Identifique seus pontos fracos
Antes de mergulhar nos estudos, é importante entender qual é o seu
ponto de partida. Para isso, a recomendação é realizar simulados e resolver
provas de edições anteriores do Enem, uma das formas mais eficazes de
identificar lacunas de aprendizagem e compreender o formato do exame.
“Quem está há muitos anos sem estudar costuma ter uma percepção
imprecisa sobre suas dificuldades. Os simulados ajudam a revelar quais
disciplinas precisam de mais atenção, quais conteúdos foram esquecidos e até
como está a capacidade de interpretação de textos e produção escrita”, explica Alessandra Delegá, coordenadora do Ensino Médio do
Colégio Progresso Bilíngue, de Itu (SP).
Segundo a educadora, esse diagnóstico inicial também deve incluir
a redação, responsável por uma parcela significativa da nota final. “Muitos
candidatos percebem que têm facilidade para determinados conteúdos, mas
encontram dificuldades para organizar argumentos ou estruturar um texto
dissertativo. Identificar isso logo no início permite direcionar melhor os
estudos”, afirma.
Como planejar os estudos
Após identificar as áreas que exigem maior
dedicação, o próximo passo é construir um plano de estudos compatível com a
rotina do candidato. Diferentemente dos estudantes mais jovens, muitos
participantes que retornam aos estudos precisam conciliar a preparação com
trabalho, responsabilidades familiares e outros compromissos.
“O segredo não é estudar o maior número possível
de horas, mas construir uma rotina sustentável. É melhor manter constância ao
longo dos meses do que tentar compensar o tempo perdido com jornadas
exaustivas”, afirma o coordenador pedagógico do Brazilian
International School – BIS, de São Paulo (SP), Henrique Barreto Andrade Dias.
Segundo o educador, a criação de hábitos de estudo é um dos
pilares mais importantes nesse processo. Para isso, é fundamental que o
candidato compreenda sua própria rotina, estabeleça horários possíveis e
organize um cronograma que distribua as disciplinas ao longo da semana,
alternando áreas do conhecimento para tornar a preparação mais dinâmica e
evitar a fadiga mental.
Dias também destaca a importância de estudar de maneira
estratégica. Antes de avançar no conteúdo, o estudante deve identificar suas
fragilidades acadêmicas, compreender quais habilidades precisam ser
fortalecidas e direcionar mais tempo às áreas em que apresenta maior
dificuldade. Essa análise permite uma preparação mais eficiente, objetiva e
alinhada às reais necessidades do candidato.
Também vale combinar diferentes ferramentas de
aprendizagem, como livros didáticos, videoaulas, aplicativos de exercícios,
podcasts educativos e plataformas de questões. “Variar os recursos ajuda a
tornar o estudo mais interessante. Além disso, estabelecer metas realistas
aumenta a motivação e reduz as chances de abandono”, destaca Dias.
O coordenador do BIS reforça, ainda, que a preparação não deve se
tornar um processo traumático. É preciso ter atenção aos sinais de estresse,
cansaço excessivo e sobrecarga emocional. Pausas, momentos de descanso e uma
rotina equilibrada fazem parte de uma estratégia inteligente de aprendizagem.
“Estudar bem não significa estudar até o limite do esgotamento. O
processo precisa ser possível, organizado e emocionalmente saudável. Quando o
estudante cria hábitos consistentes, reconhece suas dificuldades e avança com
estratégia, ele aumenta as chances de sucesso sem comprometer seu bem-estar”,
afirma Dias.
Fique ligado aos temas atuais
Estar bem informado é uma etapa importante da preparação para o
Enem. Tradicionalmente, a prova aborda questões relacionadas à sociedade,
ciência, tecnologia, meio ambiente, cultura e cidadania, tanto nas questões
objetivas quanto na redação. Por isso, acompanhar notícias, reportagens,
documentários e conteúdos produzidos por fontes confiáveis pode contribuir
significativamente para ampliar o repertório do candidato.
Temas como mudanças climáticas, inteligência artificial, inclusão
social, saúde pública, sustentabilidade, conflitos internacionais e
transformações no mercado de trabalho estão entre os assuntos que
frequentemente aparecem nas discussões contemporâneas e podem servir como
referência para a prova.
“O Enem valoriza a capacidade de relacionar conhecimentos
acadêmicos com situações reais. Quem acompanha os acontecimentos do Brasil e do
mundo desenvolve uma visão mais crítica e amplia o repertório necessário para
interpretar textos e construir argumentos”, explica Peter Rifaat, coordenador
pedagógico da Escola Internacional de Alphaville. “Esse acompanhamento também contribui para o desenvolvimento
do repertório sociocultural, uma competência essencial para uma boa redação no
Enem”, diz.
Cuide da saúde emocional
Para quem retorna aos estudos na fase adulta, a
preparação para o Enem e vestibulares apresenta características próprias.
Diferentemente da adolescência, essa fase costuma trazer maior clareza de
objetivos pessoais e profissionais, o que pode favorecer o engajamento. Por
outro lado, estudos indicam que estudantes adultos tendem a apresentar níveis
elevados de autocobrança e ansiedade de desempenho, especialmente pela conciliação
entre estudo, trabalho e responsabilidades familiares.
“A experiência de vida ajuda o candidato adulto a
lidar com frustrações e desafios, mas isso não significa que ele esteja imune
ao estresse. A preparação deve ser planejada e encarada como uma maratona, não
como uma corrida de velocidade”, afirma Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador
pedagógico da Escola Bilíngue
Aubrick,
de São Paulo (SP). “Níveis elevados de estresse e a sobrecarga cognitiva impactam
diretamente funções executivas, como memória de trabalho, atenção e tomada de
decisão, comprometendo o rendimento acadêmico. Ou seja, não se trata apenas de
estudar mais, mas de criar condições emocionais para aprender melhor”.
Segundo Rodrigues, manter atividades além dos
estudos é fundamental para sustentar a motivação ao longo dos meses. Evidências
científicas mostram que a prática regular de exercícios físicos pode reduzir
sintomas de ansiedade e melhorar a capacidade de concentração. Da mesma forma,
o sono de qualidade está diretamente associado à consolidação da memória, etapa
essencial para a aprendizagem de longo prazo.
Além disso, reservar momentos de lazer, cultivar
hobbies e preservar a convivência social contribuem para o equilíbrio emocional,
prevenindo o esgotamento. Estratégias como planejamento realista dos estudos,
pausas regulares e definição de metas alcançáveis também são recomendações
importantes para evitar a sensação de fracasso e manter a consistência.
“O cérebro aprende melhor quando existe
equilíbrio. Descanso, sono de qualidade e atividades prazerosas não são perda
de tempo; fazem parte da estratégia para que o estudo seja mais produtivo e
sustentável”, conclui Rodrigues.
Alessandra Delegá - graduada em Química, com mestrado em Química Orgânica pela USP Ribeirão Preto e pós-graduada em Física pela Unicamp. Atua na educação há mais de 20 anos. É coordenadora e professora do Ensino Médio do Progresso Bilíngue Itu há 4 anos, onde também foi responsável pela implementação e coordenação de um cursinho pré-vestibular.
Henrique Barreto Andrade Dias - licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
Paulo Rogerio Rodrigues - psicólogo, licenciado em Letras (Português e Inglês) e coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Possui ampla trajetória na Educação Básica, com atuação voltada à gestão pedagógica e educacional, da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental II. É pós-graduado com MBA em Gestão Escolar e possui especializações em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia, áreas que fundamentam sua prática na formação integral dos estudantes e no desenvolvimento de equipes educacionais.
Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.
International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site
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