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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Frio pode intensificar dores nos ombros

Freepik
Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo orienta como aliviar o desconforto no inverno

 

Com a queda das temperaturas típicas do inverno, muitas pessoas relatam o aumento das dores e da rigidez nos ombros. Embora o frio não seja responsável pelo surgimento de questões ortopédicas, ele pode agravar os sintomas de quem já convive com problemas na articulação, tornando movimentos simples do dia a dia mais difíceis e dolorosos. 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta, a relação entre o inverno e o aumento das queixas está ligada a uma combinação de fatores fisiológicos e comportamentais. 

“O frio provoca maior contração da musculatura, reduz a flexibilidade dos tecidos e pode aumentar a sensação dolorosa em articulações e tendões que já apresentam algum processo inflamatório ou degenerativo. Além disso, durante a estação, as pessoas costumam se movimentar menos, o que favorece a rigidez e o desconforto”, explica. 

Entre as condições que mais costumam provocar sintomas nessa época do ano estão as lesões do manguito rotador, as tendinopatias, a bursite, a capsulite adesiva (conhecida popularmente como "ombro congelado") e a artrose do ombro. “Em pessoas que já possuem esses diagnósticos, o frio pode tornar a limitação dos movimentos ainda mais evidente”, fala o ortopedista. 

O presidente da SBCOC ressalta que nem toda dor persistente deve ser atribuída apenas à estação. “Quando a dor dura várias semanas, limita atividades simples, como pentear os cabelos, vestir uma camisa ou alcançar objetos acima da cabeça, ou ainda desperta o paciente durante a noite, é importante procurar avaliação com um médico especializado em cirurgia do ombro. Esses sinais podem indicar doenças que exigem tratamento específico”.

 

Cuidados ajudam a reduzir o desconforto 

Algumas medidas podem contribuir para aliviar os sintomas durante o inverno. Manter-se fisicamente ativo é uma das principais recomendações, já que o movimento ajuda a preservar a mobilidade da articulação e reduz a rigidez muscular. 

“O repouso prolongado costuma piorar o quadro. O ideal é manter uma rotina de exercícios orientados, respeitando os limites de cada pessoa. Alongamentos, fortalecimento muscular e atividades de baixo impacto ajudam a preservar a função do ombro e podem reduzir as crises de dor”, pontua o especialista. 

Outra orientação é manter o corpo aquecido, especialmente antes da prática de atividades físicas. O uso de roupas adequadas e, quando indicadas pelo médico, compressas quentes, podem favorecer o relaxamento da musculatura e proporcionar alívio temporário dos sintomas. 

“Também é importante evitar carregar peso excessivo, realizar movimentos repetitivos sem preparo ou permanecer por longos períodos na mesma posição, fatores que podem sobrecarregar a articulação”, ressalta o médico.

 

Tratamento 

De acordo com o presidente da SBCOC, o tratamento depende da causa da dor e pode incluir fisioterapia, medicamentos, mudanças de hábitos e programas específicos de reabilitação. Em alguns casos, quando há lesões estruturais importantes ou falha do tratamento conservador, a cirurgia pode ser indicada. 

"O frio pode aumentar a percepção da dor, mas ele não é a causa da doença. Por isso, o mais importante é identificar corretamente a origem do problema. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas, recuperar os movimentos e evitar a evolução das lesões", conclui Malavolta.

  

Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo - SBCOC

 

FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

Baixa percepção de risco, falta de registro vacinal, consultas rápidas e custo de algumas vacinas ainda dificultam a imunização de mulheres adultas

 

A vacinação não deve ser lembrada apenas na infância. Para mulheres acima dos 40 anos, manter o calendário vacinal atualizado é uma medida importante de prevenção, especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento do risco de doenças infecciosas e complicações associadas. O alerta é da Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, ginecologista e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

 

A médica conta que a mulher adulta precisa incluir a revisão vacinal como parte do cuidado regular com a saúde. Entre as principais vacinas estão o reforço contra tétano, que deve ser feito a cada 10 anos; hepatite B, quando o esquema não foi completado ou quando a mulher não sabe se foi vacinada; tríplice viral, de acordo com o histórico vacinal e a indicação médica; influenza, que deve ser anual; e dengue, indicada até os 59 anos (obs: a vacina da dengue inativada produzida pelo Butantã, que estava sendo administrada para profissionais de saúde, foi descontinuada temporariamente de acordo com anúncio do Ministério da Saúde em 08/06/2026, veja aqui).

 

A partir dos 60 anos, a atenção deve ser ampliada. Além da influenza anual e dos reforços contra tétano e difteria, entram no calendário vacinas como as pneumocócicas, voltadas à prevenção de pneumonia, e a vacina contra o herpes-zóster. “Na mulher 40 mais, incluindo a idosa, temos todas essas vacinas como parte de uma estratégia importante de prevenção”, reforça a especialista.

 

No caso de gestantes com 40 anos ou mais, o calendário vacinal é o mesmo indicado para gestantes de outras idades. A vacina contra coqueluche deve ser aplicada em cada gestação, a partir de 20 semanas. A vacina contra influenza deve ser feita durante a gestação, independentemente da idade gestacional. A vacina contra covid-19 deve ser aplicada em pelo menos uma dose a cada seis meses, já que a gestante é considerada grupo de risco.

 

A hepatite B também deve ser completada ou iniciada quando a gestante não sabe se foi vacinada. Outra vacina importante é a contra o vírus sincicial respiratório, o VSR, indicada para prevenir bronquiolite no bebê. “Essas vacinas da gestante, seja ela antes ou depois dos 40 anos, visam proteger a mãe e favorecer a transferência de anticorpos para o bebê”, explica Dra. Cecilia.

 

Uma das principais barreiras na vacinação de mulheres adultas é a baixa percepção de risco. “A mulher adulta não tem a mesma noção de risco que costuma ter em relação a uma criança. Ela leva os filhos para vacinar, mas nem sempre percebe que também precisa ser vacinada”, afirma a ginecologista.

 

Outros obstáculos também interferem na adesão: dificuldade de acesso a serviços preparados para vacinação de adultos, ausência de registros vacinais, consultas médicas cada vez mais rápidas, pouco tempo para o profissional revisar o calendário e, em alguns casos, o custo das vacinas. Na população adulta e idosa, algumas vacinas, como zóster e vírus sincicial respiratório para adultos, ainda não estão disponíveis no serviço público. Esse custo pode contribuir para a hesitação vacinal.

 

Para a FEBRASGO, o ginecologista ocupa posição estratégica na atualização vacinal das mulheres, pois muitas vezes é o médico que acompanha a paciente de forma mais regular ao longo da vida. “O ginecologista é o clínico da mulher. Por isso, temos a obrigação de reservar um tempo no início da consulta para atualizar o calendário vacinal dessa paciente”, orienta Dra. Cecilia.

 

A especialista lembra que a vacinação de adultos não protege apenas contra infecções agudas. Doenças como influenza, herpes-zóster, covid-19 e infecção pelo vírus sincicial respiratório também podem estar associadas a riscos aumentados de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral.

 

Por isso, a orientação é que a mulher acima dos 40 anos converse com seu ginecologista sobre seu histórico vacinal e leve, sempre que possível, a carteira de vacinação para a consulta. Quando o registro não existe ou está incompleto, o médico pode avaliar a necessidade de atualização.

 

A FEBRASGO reforça que vacinação é parte do cuidado integral da mulher. A consulta ginecológica deve ser uma oportunidade não apenas para rastrear doenças, mas também para prevenir infecções, reduzir riscos e promover envelhecimento mais saudável. 



Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher
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Lei torna obrigatória prevenção à trombose em hospitais públicos e privados

 

Sancionada pela Presidência da República e considerada pela SBTH um marco para a saúde no Brasil, nova legislação determina que hospitais públicos e privados e unidades de saúde com internação mantenham estrutura para ações profiláticas relacionadas ao tromboembolismo venoso.

 

Hospitais públicos e privados e unidades de saúde com serviços de internação deverão manter estrutura destinada a promover ações de prevenção ao tromboembolismo venoso. A medida está prevista na Lei nº 15.448, de 30 de junho de 2026, aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidência da República. Para a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia – SBTH, a sanção representa um marco histórico para a segurança dos pacientes no Brasil e um avanço importante na prevenção da trombose e na redução de complicações associadas à internação, ao transformar a prevenção da trombose hospitalar em compromisso institucional de saúde pública. O texto legal determina que as ações profiláticas relacionadas ao tromboembolismo venoso sejam mantidas por hospitais públicos e privados e por unidades de saúde com internação, podendo ser realizadas pelos Núcleos de Segurança do Paciente, onde houver. A nova lei entra em vigor 180 dias após sua publicação oficial.

 

O tromboembolismo venoso, ou TEV, abrange principalmente a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar. A condição ocorre quando há formação de coágulos nas veias, geralmente nos membros inferiores, com possibilidade de deslocamento pela corrente sanguínea até os pulmões, o que pode gerar obstrução da circulação pulmonar e risco de morte. A Câmara dos Deputados, ao registrar a tramitação do projeto, destacou que a proposta buscava expandir a legislação para incluir medidas práticas de profilaxia em hospitais com internação.

 

Esta é uma conquista de grande relevância para a saúde pública brasileira. A prevenção do tromboembolismo venoso em pacientes internados precisa ser tratada como uma prática sistemática de segurança assistencial. Quando o risco é identificado corretamente e as medidas preventivas são adotadas de forma adequada, é possível evitar complicações graves, reduzir mortes e melhorar a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes”, afirma a Profa. Dra. Joyce M. Annichino, presidente da SBTH, hematologista, professora titular da FCM Unicamp e coordenadora do Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro da Unicamp.

 

A nova lei tem origem no Projeto de Lei nº 2.940/2023, de autoria da senadora Daniella Ribeiro. O projeto foi sancionado integralmente e deu origem à Lei nº 15.448/2026. Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou a proposta em março de 2026, com relatoria do deputado Hildo Rocha, após tramitação também pela Comissão de Saúde, onde a relatora foi a deputada Iza Arruda. No Senado, a matéria teve relatório do senador Otto Alencar na Comissão de Constituição e Justiça e relatório do senador Humberto Costa na Comissão de Assuntos Sociais, com atuação do senador Alessandro Vieira como relator ad hoc na CAS.

 

Segundo a SBTH, a aprovação da nova lei demonstra a importância da integração entre conhecimento científico, prática assistencial e formulação de políticas públicas. O próximo passo será a regulamentação e implementação da medida, de forma a permitir que hospitais e unidades de saúde com internação incorporem rotinas efetivas de prevenção, avaliação de risco e condutas profiláticas baseadas em evidências científicas. “O grande mérito desta lei é transformar uma diretriz essencial de cuidado em compromisso institucional. A trombose hospitalar pode e deve ser prevenida. A SBTH permanece à disposição das autoridades de saúde, dos gestores hospitalares e das equipes assistenciais para colaborar tecnicamente na implementação desta conquista em benefício da população brasileira”, afirma Joyce Annichino. “Ao mesmo tempo, temos que agradecer à Deputada Roseana Sarney e ao Sr. Jorge Murad, cujo empenho, dedicação e incansável articulação política foram fundamentais para impulsionar o avanço da proposta em sua fase final, contribuindo de maneira decisiva para que o Projeto de Lei se transformasse em lei.”

 

A trombose é uma doença caracterizada pela formação de coágulos (trombos) nas veias ou artérias de qualquer parte do corpo, mas principalmente nas veias das pernas, e que pode evoluir para uma embolia pulmonar caso o trombo se movimente pela corrente sanguínea, uma complicação grave e fatal em 30% dos casos. A correta informação ao público pode salvar vidas, pois, na grande maioria dos casos, essa doença pode ser evitada com ações como prática frequente de exercícios, ingestão regular de água, controle de peso, não fumar, entre outras, e, quando necessário, o uso de anticoagulantes recomendados pelo médico. Os primeiros sintomas podem incluir inchaço, dor súbita e desconforto na região afetada. De acordo com a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH), da qual a SBTH faz parte, são cerca de 10 milhões de casos de trombose venosa no mundo a cada ano. Destes, cerca de 100 mil casos resultam em morte. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, apenas nos seis primeiros meses de 2025, foram contabilizados mais de 36 mil novos diagnósticos, uma média de 200 internações por dia. 



Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia – SBTH
www.sbth.org.br
@sbth.bsth


O que os trilhões de microrganismos do seu corpo revelam sobre sua saúde

Especialistas explicam as diferenças entre microbiota e microbioma


Muito além da digestão, os trilhões de microrganismos que habitam o corpo humano podem influenciar a imunidade, o metabolismo, a saúde ginecológica e até a fertilidade. Esse universo invisível, conhecido como microbiota, tem ganhado destaque na ciência por seu papel fundamental na manutenção da saúde e por sua associação com o desenvolvimento de diversas doenças. Embora muitas vezes sejam usados como sinônimos, microbiota e microbioma têm significados distintos.

A microbiota corresponde ao conjunto de microrganismos que habitam naturalmente diferentes regiões do corpo. Já o microbioma refere-se ao patrimônio genético desses microrganismos e às funções que eles desempenham no organismo.O corpo humano abriga um verdadeiro ecossistema invisível, formado por trilhões de microrganismos que vivem na pele, na boca, no intestino e no trato reprodutivo. Longe de serem apenas passageiros, esses micróbios desempenham funções essenciais para a nossa saúde.

Estudos do Human Microbiome Project (HMP), iniciativa coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), identificou mais de 10 mil espécies microbianas no organismo humano e estimou que o microbioma reúne cerca de 8 milhões de genes um número muito superior aos aproximadamente 20 mil genes presentes no genoma humano¹. Apesar da crescente popularidade do tema, ainda existe confusão entre os conceitos de microbiota e microbioma. A microbiota corresponde ao conjunto de bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos que vivem naturalmente em diferentes regiões do corpo. Já o microbioma refere-se ao patrimônio genético desses organismos e às funções que eles desempenham.

"Quando falamos em microbiota, estamos nos referindo ao conjunto de microrganismos que vivem naturalmente em determinada região do corpo, como bactérias, fungos e vírus. Já o microbioma corresponde ao patrimônio genético desses microrganismos, ou seja, ao conjunto de genes que eles carregam e às funções que desempenham no organismo", explica Dr. Cristovam Scapulatempo Neto, patologista da Dasa Genômica



Um universo invisível que influencia a saúde

Durante décadas, bactérias, fungos e outros microrganismos foram associados quase exclusivamente ao surgimento de doenças. Nos últimos anos, porém, os avanços da ciência revelaram uma realidade muito mais complexa: grande parte desses organismos exerce funções fundamentais para a manutenção da saúde. Eles participam de processos ligados à digestão, ao metabolismo, à regulação do sistema imunológico e até a comunicação entre diferentes órgãos e sistemas do corpo.

"Hoje sabemos que a saúde humana não depende apenas dos nossos próprios genes. Existe uma interação dinâmica e contínua entre o organismo e os trilhões de microrganismos que vivem nele. Quando esse equilíbrio é alterado, diferentes funções biológicas podem ser afetadas. Essa mudança de entendimento só foi possível graças ao avanço de tecnologias capazes de analisar o material genético desses microrganismos em larga escala. A partir dessas descobertas, pesquisadores passaram a identificar associações entre a composição da microbiota e diversos aspectos da saúde, incluindo fertilidade, resposta imunológica, metabolismo e predisposição a determinadas doenças", explica Angela Cristina Gouveia Carvalho, patologista do laboratório Sérgio Franco.


O papel da microbiota na saúde feminina

Entre as descobertas mais recentes sobre o microbioma, uma das que mais têm chamado a atenção da comunidade científica está relacionada à saúde da mulher. Pesquisas vêm demonstrando que os microrganismos presentes no trato reprodutivo feminino podem influenciar muito mais do que a proteção contra infecções, desempenhando um papel relevante na fertilidade, na gestação e na saúde ginecológica como um todo. A microbiota vaginal saudável é caracterizada pela predominância de bactérias do gênero Lactobacillus, responsáveis por manter o ambiente vaginal equilibrado e protegido.

Quando esse ecossistema sofre alterações, aumentam os riscos de infecções ginecológicas, processos inflamatórios e possíveis impactos na saúde reprodutiva. Outro campo que vem despertando interesse crescente é o estudo da microbiota endometrial, conjunto de microrganismos presente no revestimento interno do útero. Pesquisas recentes investigam como essa comunidade microbiana pode influenciar a implantação embrionária e os desfechos gestacionais, ampliando a compreensão sobre fatores envolvidos na fertilidade feminina."Estamos ampliando a forma de compreender a saúde reprodutiva da mulher. Hoje sabemos que fertilidade e gestação não dependem apenas de hormônios, idade ou fatores genéticos.

Existe também um ecossistema de microrganismos que interage constantemente com o organismo e pode influenciar diferentes etapas da reprodução, além de contribuir para a manutenção da saúde ginecológica ao longo da vida", Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista e médica colcopista da Dasa e do Alta Diagnósticos"

Os avanços do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) transformaram a análise do microbioma em uma importante ferramenta da prática clínica. Hoje, conseguimos avaliar com alta precisão diferentes ecossistemas do organismo. O microbioma intestinal auxilia na compreensão de alterações relacionadas à saúde digestiva, ao metabolismo e à resposta imunológica; o microbioma vaginal permite identificar desequilíbrios associados à saúde íntima feminina; e o microbioma endometrial oferece informações complementares na investigação de infertilidade, falhas de implantação embrionária e perdas gestacionais recorrentes. Na Dasa Genômica, esses exames ampliam as possibilidades de uma investigação clínica mais personalizada e apoiam o médico na tomada de decisão", finaliza Cristovam Scapulatempo Neto, patologista da Dasa Genômica.

 

.Referências

National Institutes of Health (NIH) – Healthy Human Microbiome. Disponível em: Link

O que o tempo faz com quem perde os dentes

Sorriso com perda ossea  
Banco de imagem
Enquanto os anos aumentam a perda óssea e a complexidade do tratamento, os avanços da implantodontia tornam possível reabilitar até os casos mais desafiadores.

 

Na odontologia, o tempo faz toda a diferença. Muitos pacientes chegam ao consultório acreditando que perderam apenas alguns dentes. Na realidade, ao longo dos anos, também perderam o osso responsável por sustentar a arcada dentária.

Essa é uma das consequências mais severas de adiar o tratamento. Quanto mais tempo uma pessoa permanece sem dentes, maior é a reabsorção do osso maxilar. Em alguns casos, a perda óssea é tão avançada que nem mesmo uma prótese total consegue permanecer estável, comprometendo funções essenciais como mastigar, falar e sorrir com segurança.

A explicação é simples: após a perda dos dentes, o organismo entende que aquele osso deixou de exercer sua função. Sem estímulo, ele passa a ser reabsorvido gradualmente. É um processo silencioso que acontece ano após ano e torna a reabilitação cada vez mais complexa.

“O maior erro é acreditar que a perda de um dente afeta apenas a estética. O tempo continua agindo e, sem tratamento, o organismo vai perdendo também a estrutura óssea que sustentava aqueles dentes. Quanto mais o paciente espera, mais complexo tende a ser o tratamento”, explica a Dra. Juliana.

A boa notícia é que existe tratamento, mesmo para os casos mais avançados.

Hoje, a odontologia moderna permite reconstruir o osso perdido por meio de enxertos ósseos, muitos deles produzidos em laboratório, dispensando a necessidade de retirar osso de outras regiões do corpo. Após a cicatrização, são instalados implantes dentários que servirão de base para próteses fixas, devolvendo estabilidade, função mastigatória, conforto e um sorriso com aparência natural.

“Mesmo quando há uma perda óssea severa, é possível reabilitar o paciente e devolver qualidade de vida. O importante é que as pessoas saibam que não precisam conviver com essa limitação. Existe solução. No entanto, quanto antes o tratamento começar, mais simples, previsível e menos invasivo ele costuma ser”, destaca a Dra. Juliana.

A mensagem é clara: ninguém precisa aceitar a perda dos dentes ou acreditar que não há mais o que fazer. A odontologia evoluiu e hoje oferece alternativas para recuperar até situações consideradas extremamente complexas.

Mas uma coisa continua sendo verdade: o tempo nunca deixa de agir. Por isso, buscar tratamento o quanto antes é a melhor forma de preservar estrutura óssea, reduzir a complexidade do procedimento e recuperar a saúde bucal com mais rapidez.

Porque, quando se trata do seu sorriso, sempre existe tratamento. O que muda é o quanto esperar pode tornar esse caminho mais longo e mais complexo.

 

9 infecções comuns do diabetes e por que elas ocorrem

Pacientes com diabetes são mais suscetíveis a infecções bacterianas e fúngicas

 

Uma das principais preocupações de quem convive com o distúrbio metabólico é a propensão ao desenvolvimento de quadros infecciosos. Normalmente, eles afetam os pulmões, a pele, o trato urinário, entre outras estruturas, e, quando não tratadas corretamente, colocam a vida em risco.


Por que infecções no diabetes ocorrem?

A hiperglicemia é uma das características do distúrbio metabólico e acarreta uma série de complicações, como a vulnerabilidade do corpo a bactérias, fungos e vírus. Além disso, as infecções preocupam porque desencadeiam processos que contribuem para o descontrole glicêmico – o que prejudica o tratamento e potencializa o desenvolvimento de complicações.  

Ou seja, ao mesmo tempo que a elevação ou queda dos níveis de glicose no organismo favorece infecções, os processos infecciosos também alteram e dificultam o controle do diabetes. Pensando nisso, Thaisa Helena de Paula, endocrinologista, do dr.consulta lista abaixo infecções comuns  e por que elas ocorrem.


As infecções associadas ao diabetes



1. Influenza

A gripe é uma das infecções agudas possíveis, conforme explica a Secretária de Saúde do Paraná. Causa febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e na cabeça, mal-estar, prostração e, em alguns casos, vômito, diarreia, rouquidão e olhos avermelhados. A vacinação contra o vírus da influenza é fundamental para a proteção do organismo, especialmente em pessoas com diabetes.

 

2. Tuberculose

A Secretaria de Saúde da Bahia reforça que diabéticos têm de duas a três vezes mais chances de apresentar a patologia do que a população em geral. Os sintomas da tuberculose são: tosse por 3 semanas ou mais, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso, segundo o Ministério da Saúde. Sua principal forma de prevenção é pela vacina BCG – aplicadas, preferencialmente, ao nascer ou em crianças com até 5 anos.

 

3. Pneumonia pneumocócica

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBIm), o risco de infecção dos pulmões em pessoas com diabetes é 50% maior. Assim como outros tipos de pneumonia, a pneumocócica causa febre alta, tosse seca ou com catarro, dificuldade respiratória, dor no tórax e na cabeça. O quadro pode levar à hospitalização do paciente, inclusive em unidades de terapia intensiva.  

Vacinas, como a Conjugada ou a de Polissacarídeos, são destinadas a crianças e idosos acima de 65 anos e adultos imunocomprometidos ou com condições crônicas, respectivamente.

 

4. Infecções urinárias

O trato urinário é comumente afetado pelo distúrbio metabólico, sendo a nefropatia diabética uma das complicações geradas pelo distúrbio metabólico. São frequentes também os casos de infecções na região. Segundo estudo realizado no México, pessoas com diabetes tipo 1 apresentam maior frequência de pielonefrite (infecção nos rins); já o tipo 2 aumenta as chances de cistite bacteriana (infecção causada na bexiga por bactéria).  

De acordo com a Secretaria de Saúde do Ceará, algumas medidas contribuem para a prevenção: não deixar de beber água (o recomendado é de 35mL por quilo de peso da pessoa), urinar sempre que sentir vontade (não segurar o xixi).  

No caso de mulheres, a recomendação da Secretaria de Saúde do Amazonas é que se evite vestir roupas muito apertadas na região genital, urinar após relações sexuais, além de evitar a ducha higiênica e limpar com papel higiênico – fazendo movimentos de frente para trás e nunca ao contrário para evitar o contágio de bactérias na região anal.

 

5. Candidíase

Conforme a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, é comum mulheres com diabetes desenvolverem candidíase – cujos sintomas são: corrimento branco, vermelhidão, dor ao urinar e no ato sexual. A infecção fúngica não se restringe à região genital, aponta o Conselho Federal de Odontologia, sendo observada sua ocorrência na boca também. De acordo com o Ministério da Saúde, a candidíase oral causa placas cremosas e esbranquiçadas na boca (língua, gengivas e demais estruturas), além de aftas. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais recomenda as seguintes práticas para a prevenção da infecção: 

·  evitar o compartilhamento de talheres e outros objetos que vão à boca;

·  manter uma boa higiene bucal;

·  manter roupas íntimas limpas e secas.


6. Periodontites

A saúde bucal também é prejudicada pelo diabetes. Neste caso, a hiperglicemia não só afeta a resposta imunológica, como também diminui a produção de saliva – o que altera o pH da saliva e prejudica mecanismos naturais de higienização da boca, como aponta a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Consequentemente, é comum que pacientes desenvolvam periodontite – um agravamento da gengivite, que pode ter formação de pus. Para evitar esse tipo de infecção, é importante não só manter a higiene bucal, mas também:

·  cuidar da alimentação, priorizando uma dieta saudável;

·  evitar o tabagismo e o consumo de álcool em excesso;

·  realizar avaliações odontológicas periodicamente.

 

7. Pé diabético

Consiste na presença de úlceras, lesões infecciosas e destruição dos tecidos dos pés. Cerca de um quarto das pessoas com o distúrbio metabólico desenvolvem a condição, informa a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) – e muitos podem ter o membro amputado. Os sintomas variam conforme o tipo de complicação, mas normalmente incluem alteração na temperatura da região (mais quente ou mais frio), na textura da pele, formação de úlceras, entre outros sinais. 

A prevenção do pé diabético envolve os cuidados com a higiene dos pés, usar calçados e meias adequadas e estar sempre atento a possíveis machucados que não cicatrizam.

 

8. Fasciíte necrotizante

De ordem bacteriana e considerada grave, afeta a fáscia (tecido que reveste e une órgãos, vasos sanguíneos, ossos, músculos e fibras nervosas do corpo) em regiões como abdômen, períneo e membros do corpo.  Segundo estudo publicado na Revista Científica da Faculdade de Medicina de Campos, o quadro é marcado por dor intensa, edema (inchaço), rápida progressão, necrose do tecido atingido e resposta ruim a antibióticos.  

A condição causa a destruição rápida e irreversível dos tecidos, o que pode levar à amputação dos membros atingidos ou ao óbito. Por isso, o diagnóstico precoce é a melhor estratégia de condução do caso. 

A bactéria Streptococcus é a principal responsável pela infecção. Não existe vacina para prevenção, informa o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos. Ainda assim, alguns hábitos podem ajudar a evitar o quadro: 

·  lavar as mãos, especialmente após tossir, espirrar e antes de comer ou cozinhar;

·  higienizar, monitorar e proteger feridas com produtos específicos;

·  em casos de infecção, evitar nadar em piscinas, lagos, rios e mares. É importante tratá-la corretamente também (sendo necessário o uso de medicamento prescrito por médico).


9. Síndrome de Fournier

Rara, a condição atinge a fáscia do períneo, tecido que reveste a musculatura da região perineal, área entre o ânus e o pênis – ou a vagina. Pode ocorrer em diferentes faixas de idade, desde a infância até que a pessoa se torne idosa. O paciente pode sentir dor intensa e observar bolhas, escaras, manchas e inchaço na região perineal (podendo se estender para a coxa), informa artigo da Revista de Medicina da Universidade de São Paulo. Em alguns casos, há secreção com odor. 

É tida como uma emergência urológica e sua evolução é extremamente rápida (a cada hora, cerca de 2,54 centímetros da fáscia são comprometidos), segundo estudo publicado no periódico Trauma e Emergência. Pode evoluir para a sepse, choque séptico e óbito em 40% dos casos.

 

Por que sentimos mais fome no inverno?

 

Saiba o que a ciência diz sobre esse fenômeno e confira estratégias para não ganhar peso extra durante a estação


Com a chegada das temperaturas mais baixas, muita gente percebe uma mudança no apetite. A vontade de consumir alimentos mais calóricos, porções maiores e refeições quentes parece aumentar.
 

Segundo a médica endocrinologista Cecilia Solís-Rosas García, membro do Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife, fatores biológicos, hormonais e comportamentais ajudam a explicar por que a fome pode ficar maior durante o inverno. 

“Em ambientes frios, o corpo precisa gastar energia para manter a temperatura corporal. Embora esse aumento no gasto energético não seja tão expressivo na maioria das pessoas, ele pode contribuir para uma maior percepção de fome e procura por alimentos com mais calorias, como massas, doces, chocolates e preparações mais gordurosas”, explica. 

A ciência sugere que essa percepção não é apenas uma impressão. Uma revisão científica publicada na revista Frontiers in Nutrition observou que, em diversos países, a ingestão energética tende a ser maior no inverno e menor no verão. Segundo os autores, temperaturas mais baixas, menor exposição à luz solar, alterações em hormônios relacionados ao apetite, mudanças de humor e hábitos sociais típicos da estação podem ajudar a explicar esse comportamento. 

“Além das mudanças fisiológicas, passamos mais tempo em ambientes fechados e buscamos refeições que proporcionem conforto e sensação de bem-estar. Isso pode favorecer o consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras”, afirma Cecilia. 

Por isso, o desafio não é ignorar a fome, mas fazer escolhas que promovam saciedade e ajudem a manter o equilíbrio alimentar ao longo da estação. Segundo a nutricionista Clara Lucía Valderrama, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife, pequenas adaptações no cardápio podem ajudar a aquecer o corpo sem favorecer o ganho de peso. 

Confira algumas estratégias para atravessar os meses mais frios sem abrir mão da saúde:

• Priorize refeições equilibradas, com boa oferta de proteínas e fibras, pois elas ajudam a promover maior saciedade ao longo do dia.

• Invista em caldos e sopas à base de legumes e combine com uma proteína magra (frango ou patinho, por exemplo).
• Adicione canela ao café, leite, mingau ou frutas. Além de trazer uma sensação de conforto e aroma característico do inverno, a especiaria ajuda a aumentar a percepção de sabor sem necessidade de adicionar açúcar.

• Prefira preparos assados e grelhados ao invés de frituras.

• Beba chá quente logo pela manhã. Isso ajuda a aquecer o corpo e dar mais ânimo para sair de casa para treinar.

• Experimente consumir seu whey protein ou seu shake com leite aquecido como lanche. Além de trazer mais conforto nos dias frios, essa estratégia pode funcionar como uma alternativa para controlar a vontade de doces entre as refeições.



Herbalife
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Câncer de mama em homens: como a genética pode ajudar a identificar riscos hereditários

Embora represente uma parcela pequena dos casos, a doença pode estar associada a alterações em genes como BRCA1, BRCA2 e PALB2, reforçando a importância da investigação genética e do histórico familiar


O câncer de mama em homens é uma doença rara, representando aproximadamente 1% de todos os casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). . Apesar da baixa frequência, o diagnóstico merece atenção porque parte dos casos pode estar relacionada a alterações herdadas no DNA, o que reforça a importância da investigação genética na identificação de riscos hereditários. 

Variantes hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, estão associadas a maior predisposição para diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de mama em homens.Um estudo recente publicado no Journal of Medical Genetics em 2024 mostrou que homens diagnosticados com câncer de mama apresentam maior probabilidade de carregar variantes germinativas em genes relacionados ao reparo do DNA, especialmente BRCA2, reforçando o papel do teste genético na identificação de síndromes hereditárias de predisposição ao câncer. 

"Quando avaliamos um paciente com câncer de mama masculino, a investigação genética pode trazer informações que vão além do diagnóstico individual. Uma alteração identificada pode ajudar a compreender riscos futuros e também orientar familiares que podem compartilhar essa predisposição", afirma o Dr. Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da Centogene.
 

O papel da genética na prevenção e no diagnóstico personalizado 

A investigação genética em pacientes com câncer de mama masculino pode contribuir para identificar famílias com maior predisposição hereditária e orientar estratégias de acompanhamento mais adequadas. Além dos genes BRCA1 e BRCA2, estudos também apontam a participação de outras alterações genéticas, incluindo variantes em CHEK2, RAD51De PALB2. 

É fundamental levar em consideração que pacientes portadores de variantes patogênicas nesses genes, apresentam uma susceptibilidade ao desenvolvimento não apenas ao câncer de mama. Por exemplo, variantes em BRCA1 e BRCA2 estão associadas ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de pâncreas e de próstata. Variantes em PALB2 também estão associadas ao câncer de pâncreas, enquanto que variantes em CHEK2 estão associadas a risco aumentado de desenvolvimento de câncer de próstata, rim, cólon, tireoide, estômago, dentre outros. 

Esses dados reforçam que a identificação de variantes hereditárias pode auxiliar na compreensão dos fatores genéticos associados à doença e reforçam a importância do aconselhamento genético para pacientes e familiares. 

Segundo Parmeggiani, o avanço da medicina de precisão permite que o diagnóstico genético seja utilizado como uma ferramenta para orientar decisões médicas. "Durante muito tempo, a genética esteve associada principalmente à confirmação de diagnósticos. Hoje, ela também tem um papel importante na avaliação de risco, no acompanhamento de famílias e na construção de estratégias de cuidado mais personalizadas", explica o especialista. 

Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que o acesso à informação genética e a interpretação adequada dos resultados continuam sendo desafios importantes. A presença de uma alteração genética não significa necessariamente que uma pessoa desenvolverá um câncer, mas pode indicar uma predisposição que merece acompanhamento individualizado. 

"A genética oferece uma nova camada de informação para a medicina. O objetivo é transformar esses dados em conhecimento que ajude médicos e pacientes a tomar decisões mais precisas, considerando as características únicas de cada pessoa", conclui o especialista.

 

CENTOGENE


Como os avanços da ortopedia têm reduzido o tempo de recuperação de lesões graves no esporte

 

Divulgação

Especialista do Hospital IGESP explica os riscos das fraturas de alta energia e a importância do atendimento imediato para preservar a recuperação do atleta 

 

A grave fratura sofrida pelo meio-campista canadense Ismaël Koné durante a partida contra o Catar, pela Copa do Mundo, voltou a chamar a atenção para os riscos das lesões traumáticas no futebol profissional. O lance, marcado por um forte impacto e pela rápida intervenção da equipe médica em campo, reforça a importância do atendimento especializado nos primeiros minutos após acidentes de alta gravidade. 

Segundo o Dr. Alberto Marañon Terrivel, diretor técnico médico do Hospital IGESP Paulista, especialista em ortopedista e traumatologista, lesões desse tipo exigem avaliação imediata para identificar a extensão do trauma e definir as condutas que podem influenciar diretamente o prognóstico e o tempo de recuperação do atleta. 

“Fraturas da tíbia, principal osso de sustentação da perna, costumam estar associadas a traumas de alta energia, provocados por impactos diretos ou torções intensas. Nesses casos, é fundamental avaliar possíveis lesões associadas, incluindo comprometimento da fíbula, articulações, músculos, vasos sanguíneos e estruturas ligamentares”, explica o especialista. 

Uma das principais preocupações médicas em situações como essa é descartar a ocorrência de uma fratura exposta, considerada uma emergência ortopédica devido ao elevado risco de infecção e complicações. Ainda no gramado, a prioridade é estabilizar e imobilizar o membro lesionado, reduzindo a movimentação do osso, controlando a dor e prevenindo danos adicionais aos tecidos ao redor. 

Para o especialista do Hospital IGESP, o caso também evidencia a evolução da medicina esportiva nas últimas décadas. Atualmente, atletas lesionados contam com protocolos cada vez mais avançados de diagnóstico, tratamento cirúrgico e reabilitação, conduzidos por equipes multidisciplinares formadas por ortopedistas, fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas e profissionais de saúde mental. 

“Os avanços nas técnicas de osteossíntese, que utilizam placas, parafusos e hastes para estabilização óssea, aliados ao desenvolvimento de novos biomateriais e protocolos modernos de reabilitação funcional, ampliaram significativamente as possibilidades de recuperação e retorno ao esporte de alto rendimento”, afirma Dr. Alberto Terrível. 

Embora cada caso exija avaliação individualizada, o ortopedista destaca que fraturas complexas da tíbia normalmente demandam um período de recuperação entre quatro e seis meses. O prazo pode variar conforme o padrão da lesão, a necessidade de intervenção cirúrgica, a resposta biológica do paciente e a evolução durante o processo de reabilitação. 

“Hoje conseguimos oferecer tratamentos muito mais precisos e seguros do que há alguns anos. A rapidez no atendimento, o planejamento cirúrgico adequado e uma reabilitação bem conduzida são fatores decisivos para que o atleta retorne às atividades com segurança e desempenho”, finaliza o especialista do Hospital IGESP.

 

Rede IGESP

 

Câncer de tireoide: IA e algoritmos clínicos reduz biópsias desnecessárias para o diagnóstico


A Inteligência Artificial está transformando os mais variados setores da sociedade, consolidando-se como uma ferramenta estratégica no mundo atual. Na medicina de precisão não seria diferente.

O exemplo dessa evolução está no diagnóstico do câncer de tireoide: algoritmos avançados estão sendo utilizados para filtrar nódulos inofensivos e reduzir drasticamente o número de biópsias invasivas e desnecessárias1. Este avanço é crucial diante do cenário previsto para 2026: o Brasil deve registrar 16.450 novos casos da doença, segundo o INCA2.

Assim, a IA e algoritmos clínicos surgem para sanar uma das principais dificuldades na detecção do câncer na tireoide que é, justamente, identificar com precisão a natureza dos nódulos que se desenvolvem na glândula1. Estima-se que 95% deles sejam benignos3, mas o temor do câncer ainda gera uma alta taxa de exames invasivos que poderiam ser evitados, impactando diretamente os custos e a eficiência da saúde pública e privada.
 

Câncer de tireoide é prevalente em mulheres 

Vale lembrar que, do total de novos casos de câncer de tireoide previstos Brasil para este ano, mais de 13 mil são em mulheres.2

Isso significa que, em média, a doença é de 3 a 4 vezes mais comum no público feminino que no masculino2. Um conjunto de fatores biológicos e hormonais3 explica a prevalência desse tipo de câncer nesse grupo de pessoas. 

Sabe-se, por exemplo, que a tireoide é um órgão sensível a hormônios sexuais. Estudos mostram que os tecidos tireoidianos possuem receptores de estrogênio, o que pode favorecer a proliferação celular e o desenvolvimento tumoral (nem sempre malignos) em mulheres4. Chama atenção também o fato de que a detecção de nódulos na tireoide (benignos e malignos) atinge, normalmente, cerca de 60% das mulheres acima dos 50 anos5. 

Nesse cenário, o principal desafio clínico não é apenas identificar lesões, mas evitar intervenções desnecessárias, especialmente em pacientes com maior propensão ao desenvolvimento de nódulos. Nesse contexto, a inteligência artificial ganha relevância ao apoiar a análise de características suspeitas, contribuir para a tomada de decisão médica e ajudar a reduzir a realização de biópsias evitáveis, sobretudo em populações com maior prevalência da condição, como as mulheres1. 

A Dra. Ana Luiza Maia, Professora Titular e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Membro da American Thyroid Association (ATA) Task Force, está à disposição para uma entrevista sobre a atual mudança de paradigma, que coloca a Inteligência Artificial e algoritmos de ecografia para refinar o diagnóstico do câncer de tireoide. 

A pesquisadora fará uma palestra no International Merck Summit 2026, que acontece no próximo sábado (11), em Santiago (Chile), um evento que reúne especialistas internacionais para discutir as principais inovações científicas em cardiometabolismo e fertilidade. Dra Ana Luiza é a única representante da América Latina no Task Force para elaboração dos guidelines de nódulos Tireoidianos da American Thyroid Association (ATA). Ana Luiza é reconhecida nacional e internacionalmente por sua contribuição científica em nódulos tireoidianos e câncer de tireoide. 

Durante a conversa, a Dra. Ana Luiza poderá antecipar informações sobre:

  • IA na Prática Clínica: como os algoritmos estão ajudando profissionais de saúde no diagnóstico do câncer de tireoide ao excluir nódulos de baixo risco com alta precisão, evitando biópsias por agulha fina (PAAF)4 desnecessárias.
  • Eficiência em Saúde: diferenciar tumores malignos e benignos sem procedimentos desnecessários contribui para reduzir custos no sistema de saúde.
  • Abordagem foca na jornada do paciente: prioriza o diagnóstico e o acompanhamento, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos e potencialmente dolorosos, sem comprometer a segurança clínica.

 

Merck
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Referências

  1. Ni JH, et al. Optimizing thyroid nodule management with artificial intelligence: multicenter retrospective study on reducing unnecessary fine needle aspirations. JMIR Med Inform. 2025;13:e71740. Disponível em: https://doi.org/10.2196/71740. Acesso em: 1 abr. 2026.
  2. BRASIL. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2026 . Disponível em: Link. Acesso em: 1 abr. 2026.
  3. DERWAEL M, JOSÉ M et al. Role of estrogen in thyroid cancer. Endocrine-Related Cancer, v. 20, n. 6, p. R273–R283, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1530/ERC-13-0082. Acesso em: 1 abr. 2026.
  4. DERWAEL, M; JOSÉ, M et al.Role of estrogen in thyroid cancer. Endocr Relat Cancer. 2013;20(6):R273–R283. Disponível em: https://doi.org/10.1530/ERC-13-0082. Acesso em: 1 abr. 2026.
  5. Guth S, Theune U, Aberle J, Galach A, Bamberger CM. Very high prevalence of thyroid nodules detected by high frequency (13 MHz) ultrasound examination. Eur J Clin Invest. 2009;39(8):699–706. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1365-2362.2009.02162.x. Acesso em: 1 abr. 2026.

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