Estatuto dos
Direitos do Paciente consolida garantias, exige mais transparência e fortalece
a segurança jurídica na assistência
Em vigor
desde abril deste ano, a Lei nº 15.378, que institui o Estatuto dos Direitos do
Paciente, já demonstra uma nova rotina para a saúde brasileira. O dispositivo
não cria direitos inéditos, mas reúne em uma única legislação garantias que antes
estavam dispersas em normas éticas, sanitárias e administrativas.
Basicamente,
o estatuto assegura a participação do paciente nas decisões sobre o próprio
tratamento, com direito a informações claras sobre diagnóstico, prognóstico,
riscos, benefícios e alternativas terapêuticas, além de permitir ao paciente
mais autonomia sobre o que lhe inflige. Por outro lado, para os profissionais
de saúde, a nova legislação amplia a necessidade de documentar adequadamente
todas as etapas do atendimento.
“É muito importante
dizer para a sociedade que esse Estatuto é um avanço importante porque
transforma em uma lei federal princípios que já orientavam a boa prática
médica, mas que agora passam a ter maior clareza e força jurídica. Na prática,
isso amplia a proteção do paciente, ao garantir mais autonomia, acesso à
informação e segurança durante o atendimento, e também traz mais previsibilidade
para os profissionais de saúde, que passam a ter parâmetros mais objetivos
sobre documentação, consentimento e sigilo”, disserta o advogado Thayan
Fernando Ferreira,
especialista em direito público e direito de saúde, membro da Comissão de
Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados.
Na prática,
o principal efeito para os pacientes é o fortalecimento do direito à informação
clara, ao consentimento informado, à confidencialidade dos dados, à não
discriminação, à segunda opinião, aos cuidados paliativos e à presença de
acompanhante durante consultas e internações, salvo quando houver justificativa
técnica para restrição. “O grande propósito da norma é fortalecer a relação de
confiança entre paciente e equipe assistencial, reduzindo conflitos e
estimulando um cuidado mais transparente, humanizado e compartilhado’, completa
Thayan.
E para os
profissionais da saúde, o alerta é de mais cuidado. Isso porque o consentimento
informado deixa de ser apenas um formulário e passa a exigir diálogo efetivo,
registro das informações prestadas, esclarecimento de riscos, benefícios e
alternativas terapêuticas, além da comprovação de que o paciente compreendeu as
orientações. O estatuto também reforça o respeito às diretivas antecipadas de
vontade, à autonomia do paciente e ao sigilo das informações, inclusive em
relação a familiares não autorizados.
Outra
mudança relevante está na organização dos serviços de saúde. “Hospitais, clínicas
e operadoras de planos passam a ter maior responsabilidade na divulgação dos
direitos e deveres dos pacientes, na criação de canais para reclamações, na
realização de pesquisas de qualidade e na adoção de protocolos que garantam
segurança, acessibilidade e tratamento igualitário. Essas medidas tendem a
elevar o nível de fiscalização e a exigência de conformidade por parte das
instituições”, acrescenta o advogado especialista.
O estatuto
também estabelece responsabilidades para os pacientes, como fornecer
informações corretas sobre seu histórico de saúde, seguir as orientações
médicas, esclarecer dúvidas, comunicar eventual desistência do tratamento e
respeitar as normas dos serviços. Com isso, a lei busca fortalecer um modelo de
assistência baseado na corresponsabilidade entre pacientes e profissionais,
aumentando a transparência, a segurança e a qualidade do cuidado prestado.
"Nos
últimos anos, o Brasil tem assistido a um aumento da judicialização da saúde e
das discussões envolvendo erros assistenciais, muitos deles decorrentes de
falhas de comunicação, documentação e definição de responsabilidades. O
Estatuto dos Direitos do Paciente surge como um marco para enfrentar esse
cenário ao estabelecer regras mais claras para pacientes, profissionais e
instituições. Quando há transparência, respeito à autonomia, informação
adequada e registros consistentes, reduz-se a insegurança jurídica e cria-se um
ambiente mais seguro para todos os envolvidos no cuidado”, finaliza Thayan.
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