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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Alta de doenças respiratórias exige atenção a sintomas que costumam ser ignorados

Especialista da UVA alerta para sinais de agravamento, reforça os riscos da automedicação e destaca a importância da vacinação e de medidas preventivas durante o período de maior circulação de vírus respiratórios

 

O aumento dos casos de doenças respiratórias neste inverno tem acendido um alerta entre profissionais de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, até 4 de junho de 2026 o estado já havia registrado 996 internações por influenza e 7.042 por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), além de 424 óbitos por SRAG. Este cenário reforça a importância de reconhecer quando sintomas comuns, como febre, tosse e coriza, deixam de indicar apenas uma infecção viral leve e podem sinalizar a evolução para quadros mais graves, como pneumonia e síndrome respiratória aguda grave. 

Segundo Renata Kuschnir, alergista e professora de Medicina da Universidade Veiga de Almeida (UVA), a maioria das infecções respiratórias apresenta evolução favorável, mas alguns sinais exigem atenção imediata: "Febre prolongada, dificuldade para respirar, dor no peito, sonolência excessiva, recusa alimentar e sinais de desidratação podem indicar que a infecção evoluiu para um quadro mais grave. O reconhecimento precoce desses sintomas é fundamental para que o paciente receba atendimento médico no momento adequado e reduza o risco de complicações", afirma. 

O aumento da circulação de vírus respiratórios durante o inverno não ocorre por causa do frio, mas pelas condições que a estação favorece. Com as temperaturas mais baixas, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, o que facilita a transmissão de vírus como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e SARS-CoV-2. Além disso, o ar frio e seco pode comprometer os mecanismos naturais de defesa das vias aéreas. 

Outro ponto de atenção é a automedicação. Como a maior parte das infecções respiratórias é causada por vírus, o uso de antibióticos não acelera a recuperação, aumenta o risco de efeitos adversos e contribui para a resistência bacteriana, um dos principais desafios atuais da saúde pública. A recomendação é que o tratamento seja definido somente após avaliação de um profissional de saúde. 

A prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios e evitar complicações. Manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios são medidas comprovadamente eficazes, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. 

Entre os avanços recentes está o fortalecimento das estratégias de prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de bronquiolite e hospitalização em bebês. Além das vacinas contra influenza e Covid-19, já estão disponíveis a vacinação de gestantes contra o VSR e o nirsevimabe, anticorpo monoclonal de longa duração indicado para lactentes e outros grupos elegíveis, capaz de reduzir significativamente o risco de infecção grave, hospitalizações e complicações. 

"A prevenção continua sendo nossa principal aliada. Manter o calendário vacinal atualizado e adotar medidas simples de proteção reduz a circulação dos vírus e protege principalmente os grupos mais vulneráveis durante o inverno", afirma Renata Kuschnir.

 

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