Especialista da UVA alerta para sinais de agravamento, reforça os riscos da automedicação e destaca a importância da vacinação e de medidas preventivas durante o período de maior circulação de vírus respiratórios
O
aumento dos casos de doenças respiratórias neste inverno tem acendido um alerta
entre profissionais de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de
Janeiro, até 4 de junho de 2026 o estado já havia registrado 996 internações
por influenza e 7.042 por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), além de 424
óbitos por SRAG. Este cenário reforça a importância de reconhecer quando
sintomas comuns, como febre, tosse e coriza, deixam de indicar apenas uma
infecção viral leve e podem sinalizar a evolução para quadros mais graves, como
pneumonia e síndrome respiratória aguda grave.
Segundo
Renata Kuschnir, alergista e professora de Medicina da Universidade Veiga de
Almeida (UVA), a maioria das infecções respiratórias apresenta evolução
favorável, mas alguns sinais exigem atenção imediata: "Febre prolongada,
dificuldade para respirar, dor no peito, sonolência excessiva, recusa alimentar
e sinais de desidratação podem indicar que a infecção evoluiu para um quadro
mais grave. O reconhecimento precoce desses sintomas é fundamental para que o
paciente receba atendimento médico no momento adequado e reduza o risco de
complicações", afirma.
O
aumento da circulação de vírus respiratórios durante o inverno não ocorre por
causa do frio, mas pelas condições que a estação favorece. Com as temperaturas
mais baixas, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes
fechados e pouco ventilados, o que facilita a transmissão de vírus como
influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e SARS-CoV-2. Além
disso, o ar frio e seco pode comprometer os mecanismos naturais de defesa das
vias aéreas.
Outro
ponto de atenção é a automedicação. Como a maior parte das infecções
respiratórias é causada por vírus, o uso de antibióticos não acelera a
recuperação, aumenta o risco de efeitos adversos e contribui para a resistência
bacteriana, um dos principais desafios atuais da saúde pública. A recomendação
é que o tratamento seja definido somente após avaliação de um profissional de
saúde.
A
prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão dos
vírus respiratórios e evitar complicações. Manter a vacinação em dia,
higienizar frequentemente as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar
contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios são medidas
comprovadamente eficazes, especialmente para crianças, idosos, gestantes e
pessoas com doenças crônicas.
Entre
os avanços recentes está o fortalecimento das estratégias de prevenção contra o
vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de bronquiolite e
hospitalização em bebês. Além das vacinas contra influenza e Covid-19, já estão
disponíveis a vacinação de gestantes contra o VSR e o nirsevimabe, anticorpo
monoclonal de longa duração indicado para lactentes e outros grupos elegíveis,
capaz de reduzir significativamente o risco de infecção grave, hospitalizações
e complicações.
"A
prevenção continua sendo nossa principal aliada. Manter o calendário vacinal
atualizado e adotar medidas simples de proteção reduz a circulação dos vírus e
protege principalmente os grupos mais vulneráveis durante o inverno",
afirma Renata Kuschnir.

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