Mitos e verdades
"Depois
do infarto, o coração não aguenta exercícios."
❌ Mito. Exercícios
supervisionados fazem parte do tratamento e são prescritos de acordo com a
condição clínica de cada paciente.
"Quem
colocou stent já está curado."
❌ Mito. O stent trata uma
obstrução específica, mas não elimina a doença cardiovascular nem seus fatores
de risco.
"A
reabilitação melhora a qualidade de vida."
✅ Verdade. O programa aumenta a
capacidade física, reduz sintomas, favorece o retorno às atividades diárias e
está associado a menor risco de novas internações e eventos cardiovasculares.
Receber alta hospitalar após um infarto costuma ser
interpretado como o fim de uma etapa difícil. Mas, para os cardiologistas, é
justamente nesse momento que começa uma das fases mais importantes do
tratamento. Apesar de ser recomendada pelas principais diretrizes nacionais e
internacionais, a reabilitação cardíaca ainda permanece pouco conhecida pela
população e, muitas vezes, acaba sendo negligenciada por pacientes que
acreditam que o procedimento realizado no hospital, como um cateterismo ou a
implantação de um stent, resolveu definitivamente o problema.
Segundo a cardiologista Dra. Bianca Maria Prezepiorski, do Hospital
Cardiológico Costantini, essa percepção está entre os principais obstáculos
para uma recuperação completa.
"Muitas pessoas acreditam que o tratamento termina
quando recebem alta ou quando o stent é implantado. Na realidade, aquele
procedimento resolveu um evento agudo, mas a doença cardiovascular continua
existindo. A reabilitação cardíaca é a etapa que ajuda o paciente a reduzir o
risco de novas complicações, recuperar a capacidade física e voltar a viver com
mais segurança e autonomia."
Muito além da prática de exercícios, a reabilitação
cardíaca é um programa estruturado e supervisionado por uma equipe
multidisciplinar. Ela reúne treinamento físico individualizado, acompanhamento
médico, educação sobre fatores de risco, orientação nutricional, ajuste de
medicamentos e suporte psicológico, tratando o paciente de forma integral. As
diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da American Heart
Association apontam que esse modelo reduz reinternações, melhora a capacidade
funcional, aumenta a qualidade de vida e está associado à redução da
mortalidade cardiovascular.
O medo que afasta pacientes da recuperação
Depois de um infarto ou de uma cirurgia cardíaca, o receio
de fazer esforço físico é frequente. Muitos pacientes acreditam que qualquer
atividade poderá provocar um novo evento cardíaco.
Para a especialista, esse é um dos mitos mais perigosos.
"O exercício realizado de forma orientada é
justamente uma das ferramentas mais importantes para fortalecer o coração. O
que representa risco é permanecer sedentário por medo. Durante a reabilitação,
cada paciente passa por avaliação individual e realiza atividades compatíveis com
sua condição clínica, sempre com monitoramento e segurança."
Outro equívoco comum é acreditar que será preciso abrir
mão definitivamente de uma vida ativa.
"O objetivo da reabilitação não é limitar o
paciente. Pelo contrário: é devolver independência, confiança e qualidade de
vida. Muitas pessoas voltam a caminhar, viajar, trabalhar, praticar atividades
físicas e retomar projetos que imaginavam ter perdido para sempre."
Recuperar hábitos é tão importante quanto
recuperar o coração
Além do condicionamento físico, a reabilitação trabalha
aspectos que frequentemente contribuíram para o desenvolvimento da doença
cardiovascular, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo, estresse,
obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
Por isso, cada etapa do tratamento é planejada para
estimular mudanças permanentes no estilo de vida.
"Não basta tratar a artéria. É preciso tratar a
pessoa. A reabilitação ajuda o paciente a compreender sua doença, participar
ativamente do tratamento e desenvolver hábitos que reduzem o risco de um novo
infarto ou da progressão da insuficiência cardíaca."
Estrutura especializada para acompanhar toda a
jornada do paciente
No Hospital Cardiológico Costantini, a reabilitação
cardíaca faz parte de uma linha de cuidado que acompanha o paciente desde a
internação até o retorno às atividades cotidianas.
A estrutura reúne programas de exercícios supervisionados
na Academia do Coração,
acompanhamento com nutrição
clínica, orientação multiprofissional e iniciativas como o Clube do Coração, voltado à
educação continuada, incentivo à adesão ao tratamento e fortalecimento dos
hábitos saudáveis.
Segundo a Dra. Bianca, um dos grandes desafios ainda é
fazer com que os pacientes compreendam que a reabilitação não é um complemento
opcional, mas parte essencial do tratamento.
"Assim como ninguém interrompe um antibiótico antes
do tempo, também não faz sentido abandonar a reabilitação quando o paciente
começa a se sentir melhor. É justamente a continuidade desse acompanhamento que
consolida os resultados conquistados e protege o coração no longo prazo."
Embora os benefícios sejam amplamente comprovados pela
ciência, estudos mostram que a participação em programas de reabilitação
cardíaca ainda está abaixo do ideal em diversos países, tornando a
conscientização da população um dos principais desafios da cardiologia
contemporânea.
Reabilitação cardíaca: quem deve fazer?
A reabilitação cardíaca é indicada, entre outros casos,
para pacientes que tiveram:
- Infarto
agudo do miocárdio;
- Angioplastia
com implantação de stent;
- Cirurgia
de revascularização do miocárdio (ponte de safena);
- Insuficiência
cardíaca;
- Troca
ou reparo de válvulas cardíacas;
- Algumas
cardiopatias crônicas, conforme indicação médica.
https://hospitalcostantini.com.br
telefone: (41) 3013-9000

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