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sábado, 18 de julho de 2026

Neuroarte fortalece o desenvolvimento cognitivo, emocional e escolar, afirma especialista

Josiane Tonelotto, neuropsicóloga e superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes, destaca o papel da arte na infância, no envelhecimento e na aprendizagem


A neuroarte é um campo de conhecimento que integra estudos da neurologia e da expressão artística. Segundo a neuropsicóloga e superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes, Josiane Tonelotto, essa ciência tem direcionado atenção especial para dois momentos da vida em que as mudanças e a vulnerabilidade cerebral se tornam mais evidentes: a infância e o envelhecimento.

 

De acordo com a especialista, a neuroarte tem contribuído para a compreensão de como ocorrem as perdas cognitivas, identificando áreas do cérebro que podem ser afetadas ao longo da vida. Ao mesmo tempo, a arte se apresenta como uma importante ferramenta para estimular o desenvolvimento infantil e potencializar habilidades cognitivas desde os primeiros anos. No envelhecimento, sua aplicação pode ajudar a retardar processos relacionados ao declínio cognitivo.


 

Arte e desempenho escolar: uma relação que vai além da cognição


Para Josiane, o desempenho escolar não pode ser compreendido como um fator isolado nem associado exclusivamente aos aspectos cognitivos. Segundo ela, existe uma interação constante entre fatores cognitivos e emocionais, ambos fundamentais para a aprendizagem.

 

Nesse contexto, a arte desempenha um papel relevante ao estimular o cérebro e promover diferentes conexões e experiências. Ao incentivar o potencial artístico das crianças, cria-se um conjunto de condições favoráveis para o desenvolvimento em diversas áreas.

 

Entre os benefícios observados estão melhorias em processos cognitivos essenciais para a aprendizagem, como atenção e memória. Essas habilidades são determinantes tanto para o processamento cognitivo quanto para o desempenho escolar.

 


O papel da arte no engajamento dos estudantes


A especialista ressalta que o engajamento dos alunos é um elemento fundamental no processo educativo e que a arte possui um componente decisivo nesse aspecto.

 

Segundo ela, as experiências artísticas agregam fatores que contribuem para a permanência da criança na escola, fortalecendo seu vínculo com o ambiente escolar. A arte favorece o interesse, a participação e o prazer em aprender, tornando a experiência educacional mais significativa.


 

A importância da arte nos materiais didáticos


Segundo Josiane Tonelotto, a presença da arte nos materiais didáticos representa uma forma de legitimar e tornar sustentável o processo de ensino artístico dentro da escola.

Ela destaca que materiais pedagógicos bem estruturados e fundamentados oferecem benefícios tanto para professores quanto para alunos. Enquanto os educadores recebem orientações mais claras sobre como utilizar a arte em suas práticas, os estudantes têm acesso a experiências de aprendizagem mais qualificadas.

 

Nesse sentido, a arte não deve ser encarada como um complemento ou atividade extracurricular. A especialista defende que, especialmente nos primeiros anos da educação, ela seja considerada uma disciplina obrigatória.


 

Continuidade e preparação são fundamentais para os resultados


Quando questionada sobre a melhor forma de trabalhar a arte para gerar resultados efetivos, Josiane enfatiza a importância da integração curricular. Para ela, a arte deve estar verdadeiramente inserida no processo educacional e não ser tratada como uma atividade pontual.

 

A continuidade também é um fator essencial. O contato com a arte deve começar desde o início da vida escolar e acompanhar o estudante ao longo de toda a sua trajetória, potencializando processos cognitivos e afetivos em diferentes fases do desenvolvimento.

Além disso, a especialista destaca a necessidade de formação adequada dos profissionais responsáveis por conduzir essas experiências. Nem todo educador está preparado para trabalhar com a arte de maneira estruturada, o que torna indispensável investir na capacitação desses profissionais.

 

Para que a arte cumpra plenamente seu papel educacional, é necessário compreender as características do desenvolvimento infantil, garantir a continuidade das práticas artísticas, tratá-las como um processo formal de aprendizagem e assegurar que os educadores estejam devidamente preparados para conduzi-las.

 

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