Josiane Tonelotto, neuropsicóloga e superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes, destaca o papel da arte na infância, no envelhecimento e na aprendizagem
A neuroarte é um campo de conhecimento que
integra estudos da neurologia e da expressão artística. Segundo a
neuropsicóloga e superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes,
Josiane Tonelotto, essa ciência tem direcionado atenção especial para dois momentos
da vida em que as mudanças e a vulnerabilidade cerebral se tornam mais evidentes:
a infância e o envelhecimento.
De acordo com a especialista, a neuroarte
tem contribuído para a compreensão de como ocorrem as perdas cognitivas,
identificando áreas do cérebro que podem ser afetadas ao longo da vida. Ao
mesmo tempo, a arte se apresenta como uma importante ferramenta para estimular
o desenvolvimento infantil e potencializar habilidades cognitivas desde os
primeiros anos. No envelhecimento, sua aplicação pode ajudar a retardar
processos relacionados ao declínio cognitivo.
Arte
e desempenho escolar: uma relação que vai além da cognição
Para Josiane, o desempenho escolar não pode
ser compreendido como um fator isolado nem associado exclusivamente aos aspectos
cognitivos. Segundo ela, existe uma interação constante entre fatores cognitivos
e emocionais, ambos fundamentais para a aprendizagem.
Nesse contexto, a arte desempenha um papel
relevante ao estimular o cérebro e promover diferentes conexões e experiências.
Ao incentivar o potencial artístico das crianças, cria-se um conjunto de condições
favoráveis para o desenvolvimento em diversas áreas.
Entre os benefícios observados estão
melhorias em processos cognitivos essenciais para a aprendizagem, como atenção
e memória. Essas habilidades são determinantes tanto para o processamento cognitivo
quanto para o desempenho escolar.
O
papel da arte no engajamento dos estudantes
A especialista ressalta que o engajamento
dos alunos é um elemento fundamental no processo educativo e que a arte possui
um componente decisivo nesse aspecto.
Segundo ela, as experiências artísticas
agregam fatores que contribuem para a permanência da criança na escola,
fortalecendo seu vínculo com o ambiente escolar. A arte favorece o interesse, a
participação e o prazer em aprender, tornando a experiência educacional mais
significativa.
A
importância da arte nos materiais didáticos
Segundo Josiane Tonelotto, a presença da
arte nos materiais didáticos representa uma forma de legitimar e tornar
sustentável o processo de ensino artístico dentro da escola.
Ela destaca que materiais pedagógicos bem
estruturados e fundamentados oferecem benefícios tanto para professores quanto
para alunos. Enquanto os educadores recebem orientações mais claras sobre como
utilizar a arte em suas práticas, os estudantes têm acesso a experiências de
aprendizagem mais qualificadas.
Nesse sentido, a arte não deve ser encarada
como um complemento ou atividade extracurricular. A especialista defende que,
especialmente nos primeiros anos da educação, ela seja considerada uma
disciplina obrigatória.
Continuidade
e preparação são fundamentais para os resultados
Quando questionada sobre a melhor forma de
trabalhar a arte para gerar resultados efetivos, Josiane enfatiza a importância
da integração curricular. Para ela, a arte deve estar verdadeiramente inserida
no processo educacional e não ser tratada como uma atividade pontual.
A continuidade também é um fator essencial.
O contato com a arte deve começar desde o início da vida escolar e acompanhar o
estudante ao longo de toda a sua trajetória, potencializando processos
cognitivos e afetivos em diferentes fases do desenvolvimento.
Além disso, a especialista destaca a
necessidade de formação adequada dos profissionais responsáveis por conduzir
essas experiências. Nem todo educador está preparado para trabalhar com a arte
de maneira estruturada, o que torna indispensável investir na capacitação
desses profissionais.
Para que a arte cumpra plenamente seu papel
educacional, é necessário compreender as características do desenvolvimento
infantil, garantir a continuidade das práticas artísticas, tratá-las como um
processo formal de aprendizagem e assegurar que os educadores estejam
devidamente preparados para conduzi-las.
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