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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Uso excessivo do celular pode causar dores e desgastes nas mãos, alerta ortopedista. Jovens buscam cada vez mais ajuda médica

 Estudos apontam que usuários intensivos de celulares apresentam maior incidência de dores musculoesqueléticas, especialmente em pescoço, ombros, mãos e punhos. O uso repetitivo dos polegares, associado ao tempo prolongado segurando o aparelho, tem sido relacionado ao aumento de processos inflamatórios e sobrecarga articular

 

O smartphone se tornou uma ferramenta indispensável na rotina moderna, seja para trabalhar, estudar, fazer compras, assistir vídeos ou interagir nas redes sociais, milhões de pessoas passam horas com o aparelho e realizando movimentos repetitivos com os polegares.  

O que poucos percebem é que esse hábito pode ter consequências para a saúde das mãos e dos punhos, o que favorece dores, inflamações e até agrava quadros de artrose já existentes. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a artrose afeta aproximadamente 528 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo uma das principais causas de dor e incapacidade física. Embora joelhos, quadris e coluna estejam entre as regiões mais acometidas, as mãos também figuram entre as articulações frequentemente afetadas, especialmente entre mulheres após os 50 anos. 

Estudos apontam que usuários intensivos de celulares apresentam maior incidência de dores musculoesqueléticas, especialmente em pescoço, ombros, mãos e punhos. O uso repetitivo dos polegares, associado ao tempo prolongado segurando o aparelho, tem sido relacionado ao aumento de processos inflamatórios e sobrecarga articular.

Segundo o médico ortopedista Dr. Mateus Jerônimo, o celular não causa artrose diretamente, mas pode acelerar sintomas e agravar condições já existentes. “O polegar humano não foi projetado para realizar milhares de movimentos repetitivos diariamente com a intensidade exigida pelos smartphones. Quando esse uso se torna excessivo, ocorre uma sobrecarga importante sobre articulações, tendões e músculos das mãos, favorecendo dores e inflamações”, explica. 

Uma das áreas mais afetadas é a articulação localizada na base do polegar, responsável por boa parte dos movimentos realizados durante a digitação e navegação nas telas. O esforço contínuo também pode contribuir para o surgimento de tendinites e da tenossinovite de De Quervain, inflamação que provoca dor na lateral do punho e dificulta atividades simples do cotidiano, como abrir embalagens, segurar objetos ou até mesmo escrever. 

“A artrose é uma doença multifatorial, associada ao envelhecimento, predisposição genética, traumas e alterações biomecânicas. No entanto, movimentos repetitivos e sobrecarga mecânica podem acelerar o aparecimento dos sintomas em pessoas predispostas ou que já apresentam algum grau de desgaste articular”, afirma o especialista. 

Entre os principais sinais de alerta estão dor ao movimentar os dedos, desconforto ao segurar objetos, perda de força, sensação de rigidez, estalos articulares, inchaço e dificuldade para realizar tarefas rotineiras. Em muitos casos, os sintomas surgem inicialmente apenas após o uso prolongado do celular, mas podem evoluir para dores mais frequentes e persistentes. 

O médico ressalta que o problema não está apenas no tempo de uso, mas também na forma como o aparelho é utilizado, “muitas pessoas passam horas com o celular sempre da mesma maneira, utiliza apenas um polegar para digitar ou navegar. Essa repetição constante gera microtraumas que, ao longo do tempo, podem desencadear processos inflamatórios e aumentar o desgaste das articulações”, observa. 

Para reduzir os impactos, o ortopedista recomenda pequenas mudanças de hábito, como fazer pausas regulares durante o uso do aparelho, alternar as mãos, utilizar recursos de comando por voz quando possível e realizar exercícios de alongamento para mãos e punhos. 

“Assim como fazemos pausas quando trabalhamos em frente ao computador, também é importante criar intervalos durante o uso do smartphone. Essas medidas simples ajudam a reduzir a sobrecarga e podem prevenir o aparecimento de dores e limitações futuras”, orienta. 

O especialista destaca ainda que os consultórios têm recebido cada vez mais pacientes jovens com queixas relacionadas ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, um cenário que antes era mais comum em pessoas de idade avançada. “Observamos um aumento significativo de dores nos polegares, mãos e punhos associadas ao uso prolongado de smartphones. Nem sempre se trata de artrose, mas muitas vezes são inflamações e lesões por esforço repetitivo que, sem tratamento adequado, podem comprometer a qualidade de vida e a funcionalidade das mãos”, conclui. 

 

Dr. Mateus Jerônimo - Especializado em prótese total do quadril, o médico realiza cirurgias em hospitais de excelência como Sírio-Libanês, Vila Nova Star, Beneficência Portuguesa, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Santa Casa de Santos. É membro titular da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Foi coordenador de ortopedia em hospitais de referência. Além da prótese do quadril, tem experiência em cirurgias complexas da pelve e do acetábulo, área restrita a poucos especialistas. Ao longo de sua formação, também serviu como médico no Exército Brasileiro e no Batalhão da Guarda Presidencial.

 

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