Campanha Julho Turquesa reforça a
importância do diagnóstico precoce, já que o problema pode comprometer a
qualidade de vida e a saúde ocular quando não recebe tratamento adequado 
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Os olhos ardem ao fim do expediente, a visão fica
embaçada depois de horas diante do computador e a sensação de areia parece
fazer parte da rotina de muita gente. Embora esses sinais sejam frequentemente
ignorados ou atribuídos apenas ao excesso de tempo em frente às telas, eles
podem indicar a presença da Doença do Olho Seco, condição que exige diagnóstico
precoce e tratamento adequado. O Julho Turquesa é a campanha dedicada à
conscientização sobre a enfermidade e busca alertar a população para a
importância de reconhecer os primeiros sintomas e procurar avaliação
oftalmológica.
De acordo com o Dr. Bernardo Cavalcanti, médico oftalmologista do
Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), a Doença do Olho Seco é uma condição
cada vez mais frequente e está diretamente relacionada aos hábitos da vida
moderna. "O estilo de vida atual transformou esse problema em uma
verdadeira epidemia silenciosa. Quando utilizamos celulares, computadores ou
tablets, a frequência das piscadas pode diminuir em até 60%, fazendo com que a
lágrima evapore mais rapidamente. O ar-condicionado reduz a umidade do
ambiente, enquanto períodos de estiagem, poluição e variações bruscas de
temperatura também prejudicam a superfície ocular."
O oftalmologista explica que outros fatores também favorecem o
desenvolvimento do problema. "O envelhecimento, alterações hormonais,
principalmente durante a menopausa, o uso prolongado de lentes de contato e
determinados medicamentos de uso contínuo também aumentam o risco da
doença", afirma.
Segundo o especialista, a Doença do Olho Seco não se resume à
diminuição da produção de lágrimas. "Trata-se de uma enfermidade
multifatorial, com importante componente inflamatório, que provoca
instabilidade do filme lacrimal e pode causar danos à superfície ocular. Por
isso, o tratamento vai muito além da simples lubrificação dos olhos e deve ser
individualizado para controlar a inflamação e tratar a causa do problema”,
ressalta.
Entre as manifestações mais comuns estão sensação de areia,
ardência, queimação, vermelhidão, visão embaçada e até lacrimejamento excessivo.
"Muitas pessoas acreditam que produzir muita lágrima significa que os
olhos estão saudáveis, porém isso pode ser uma resposta de defesa do organismo,
com produção de uma secreção de baixa qualidade", esclarece.
O médico alerta que qualquer mudança na intensidade das queixas
merece avaliação especializada. "É importante procurar atendimento quando
houver necessidade de utilizar colírios lubrificantes repetidas vezes ao longo
do dia sem melhora, além de dor, sensibilidade intensa à luz ou oscilação
visual. Colírios utilizados por conta própria, principalmente aqueles
destinados a retirar a vermelhidão, podem mascarar infecções, provocar
dependência, agravar a inflamação e, dependendo da formulação, causar danos
adicionais à superfície ocular", pontua.
Sem tratamento adequado, as consequências podem ultrapassar o
desconforto diário. "A doença reduz a capacidade de concentração diante
das telas, provoca fadiga ocular precoce, dores de cabeça e interfere
diretamente no desempenho profissional. Atividades simples, como ler ou dirigir
durante a noite, tornam-se cansativas. Nos quadros mais avançados, a inflamação
persistente pode evoluir para ceratite, úlceras na córnea e cicatrizes capazes
de comprometer a visão", alerta.
A adoção de medidas preventivas ajuda a preservar a saúde dos
olhos. Entre as recomendações estão a regra do 20-20-20, que consiste em, a
cada 20 minutos diante das telas, direcionar o olhar para um ponto localizado a
cerca de seis metros durante 20 segundos, além de piscar voluntariamente,
manter boa hidratação, utilizar umidificadores de ar, investir em alimentação
rica em ômega 3, realizar higiene adequada das pálpebras com produtos
específicos e recorrer, quando indicado, às compressas mornas.
Em relação aos recursos terapêuticos disponíveis, o especialista
destaca que os avanços permitem abordagens cada vez mais personalizadas.
Existem colírios lubrificantes sem conservantes que procuram reproduzir a
composição natural da lágrima. Em muitos casos, também é necessário utilizar
medicamentos anti-inflamatórios, sempre com prescrição e acompanhamento do
oftalmologista, para controlar a inflamação da superfície ocular. Entre as
tecnologias, a Luz Pulsada Intensa estimula as glândulas responsáveis pela
camada oleosa do filme lacrimal, reduzindo o processo inflamatório e melhorando
significativamente sua qualidade. Também contamos com dispositivos de expressão
térmica para desobstrução dessas estruturas e, quando há baixa produção
lacrimal, podemos recorrer aos plugs lacrimais", explica.
Durante o Julho Turquesa, o oftalmologista reforça a importância
de reconhecer os primeiros sinais e buscar diagnóstico precoce. "Não
normalize o desconforto nos seus olhos. Ardência, ressecamento e sensação de
cansaço ao final do dia não fazem parte do novo normal da vida digital. A
Doença do Olho Seco possui diagnóstico rápido, tratamento eficaz e tecnologias
modernas. Cuidar da saúde ocular é proteger a visão e preservar a qualidade de
vida", finaliza o Dr. Bernardo Cavalcanti.
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