Médica explica como fungos se
proliferam na rotina praiana e dão orientações contra frieiras, irritações e
outros problemas de pele
Com o período de férias, sol, mar e piscina costumam ser uma boa
combinação para momentos de lazer. Mas a junção de calor, suor, areia e roupas
molhadas também aumenta o risco de alguns problemas de pele. A alta busca por
destinos praianos no Brasil ajuda a explicar a relevância do tema. Em 2025, por
exemplo, somente a cidade do Rio de Janeiro recebeu 12,5 milhões de turistas,
um recorde para o setor. Com praias cheias em diferentes épocas do ano, aumenta
também a exposição a condições que favorecem o surgimento de problemas como
micoses, foliculites, dermatites e infecções bacterianas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 20%
da população convive com algum tipo de micose, percentual que pode chegar a 35%
entre os idosos. Já dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que mais
de 3,8 milhões de brasileiros enfrentam doenças fúngicas graves, incluindo
casos de onicomicose, infecção que afeta as unhas.
De acordo com Lourdes Amália, médica da área de clínica médica do
AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, e pós-graduada em
dermatologia, alguns hábitos comuns da rotina praiana acabam favorecendo o
surgimento desses problemas.
"Durante os dias de praia, a pele fica exposta a fatores que favorecem a proliferação de fungos e bactérias, principalmente quando há excesso de umidade, suor e permanência prolongada com roupas molhadas. Por isso, alguns cuidados simples fazem toda a diferença na prevenção", explica.
O que são as micoses?
As micoses são infecções causadas por fungos que encontram
condições favoráveis para se desenvolver em ambientes com calor, umidade e
pouca ventilação. Segundo o Ministério da Saúde, elas podem atingir diferentes
partes do corpo, como pele, cabelos e unhas, sendo as chamadas micoses cutâneas
as mais comuns na população.
Embora geralmente não representem risco grave à saúde, essas
infecções podem causar coceira, vermelhidão, descamação, ardência e
desconforto, além de exigir tratamento médico quando não são identificadas
precocemente.
5 problemas de pele que podem aparecer após dias de praia
Nem toda alteração na pele após um dia de mar está relacionada à
exposição solar. Algumas condições tendem a se tornar mais frequentes
justamente por causa da combinação de umidade, suor e atrito.
1) Frieira (pé de atleta)
A frieira é uma das micoses mais frequentes. Ela costuma surgir
entre os dedos dos pés, região que permanece úmida por mais tempo após banhos
de mar, piscina ou uso prolongado de calçados fechados. Os principais sinais
incluem, coceira intensa, descamação, vermelhidão, pequenas rachaduras na pele
e sensação de ardência.
2) Micoses em outras regiões do corpo
Além dos pés, os fungos também podem atingir áreas de dobra, como
virilha, axilas, região sob as mamas e pescoço. Os sintomas mais comuns são
manchas claras ou avermelhadas, descamação, coceira persistente e irritação
local.
3) Foliculite
A foliculite ocorre quando os folículos pilosos ficam inflamados.
O problema pode ser favorecido pelo suor excessivo, pelo atrito da roupa de
banho e pela permanência prolongada com a pele úmida. Entre os sinais mais
frequentes estão pequenas bolinhas vermelhas, lesões semelhantes à acne,
sensibilidade ou dor local e coceira.
4) Dermatites e irritações
A pele também pode reagir ao atrito da areia, ao contato
prolongado com a água salgada, ao suor e até mesmo a produtos cosméticos
utilizados durante o passeio. Nesses casos, é comum observar vermelhidão,
coceira, ardência e sensação de ressecamento.
5) Infecções bacterianas
Pequenos machucados, cortes ou lesões podem servir como porta de
entrada para bactérias. Embora menos frequentes, essas infecções exigem atenção
para evitar complicações.
Por que esses problemas são mais frequentes na praia?
Os fungos e bactérias estão naturalmente presentes no ambiente e
até mesmo na pele humana. O problema surge quando encontram condições
favoráveis para se multiplicar. Segundo Lourdes, a praia reúne vários desses
fatores ao mesmo tempo.
“Calor, suor, umidade e roupas molhadas criam um ambiente
favorável para a proliferação de microrganismos. Regiões do corpo que
permanecem abafadas ou úmidas por longos períodos costumam ser as mais
vulneráveis”, afirma. As áreas que merecem maior atenção incluem:
- Entre os dedos dos pés;
- Virilha;
- Axilas;
- Região sob as mamas;
- Dobras da pele;
- Áreas cobertas por roupas molhadas.
Quando uma irritação merece avaliação médica?
Nem toda coceira ou vermelhidão representa um problema grave. Muitas vezes, a pele apenas reage ao calor, ao atrito ou ao contato com o sal. No entanto, a médica alerta para alguns sinais que indicam a necessidade de procurar ajuda profissional, como sintomas que persistem por vários dias, coceira intensa, dor local, presença de secreção, mau cheiro, lesões que aumentam de tamanho e febre associada às alterações na pele.
“Quando os sintomas não melhoram espontaneamente ou
começam a evoluir, é importante buscar avaliação médica. O diagnóstico correto
permite identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado”,
orienta a profissional.
Como prevenir micoses e infecções de pele na praia
A boa notícia é que medidas simples ajudam a reduzir
significativamente o risco de desenvolver essas condições. “Grande parte das
infecções de pele pode ser evitada com hábitos simples de higiene e com o
cuidado de não permanecer por muito tempo com a pele úmida. A prevenção
continua sendo a melhor estratégia”, destaca Lourdes. Entre os principais
cuidados recomendados pela médica estão:
- Trocar a roupa de banho molhada assim que possível;
- Secar bem o corpo após o banho;
- Dar atenção especial à região entre os dedos dos pés;
- Utilizar toalhas limpas e de uso individual;
- Evitar compartilhar objetos pessoais;
- Usar chinelos em vestiários e áreas compartilhadas;
- Preferir roupas leves e arejadas;
- Tomar banho após retornar da praia ou piscina.
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