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sábado, 18 de julho de 2026

Adolescentes estão cada vez menos satisfeitos com o próprio corpo, aponta IBGE

Especialista da Amil explica quando a preocupação com a aparência deixa de ser natural e passa a exigir atenção

 

Os adolescentes brasileiros estão cada vez menos satisfeitos com a própria imagem corporal. É o que mostra a edição mais recente da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2015, 70,2% dos adolescentes afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a própria imagem corporal. Em 2019, esse percentual caiu para 66,5%. Já na edição de 2024, apenas 58% relataram satisfação, uma redução de 12,2 pontos percentuais em relação ao primeiro levantamento comparável. 

A pesquisa foi realizada com estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de todo o país, identificando uma queda contínua na satisfação com o próprio corpo nas três últimas edições do levantamento. 

O estudo mostra diferenças importantes entre meninos e meninas. Enquanto 36,1% das adolescentes disseram estar insatisfeitas com o próprio corpo, entre os meninos esse percentual foi de 18,2%, praticamente a metade. Quando questionados sobre o que estavam fazendo em relação ao próprio peso, as meninas concentraram as respostas relacionadas ao emagrecimento, enquanto os meninos indicaram mais frequentemente a tentativa de ganhar peso. 

Para Andresa Belsito, psicóloga da Gestão de Saúde Amil, os resultados chamam atenção porque a adolescência é um período marcado pela construção da identidade e da autoestima, tornando a percepção da imagem corporal especialmente sensível. “Adolescentes que se sentem pouco acolhidos, apresentam baixa autoestima ou vivenciam sentimentos frequentes de tristeza, irritação ou solidão, tendem a desenvolver uma percepção mais negativa sobre o próprio corpo”, explica. 

No caso das meninas, a psicóloga ressalta que existe uma pressão estética ainda mais forte. “As mudanças naturais da puberdade e a diversidade corporal, nem sempre correspondem a esses padrões, o que pode gerar sentimentos de inadequação, baixa autoestima e insatisfação corporal”. 

Segundo Belsito, sentir algum grau de insegurança com a aparência faz parte do desenvolvimento de muitos adolescentes. O problema surge quando essa preocupação passa a dominar o dia a dia, interfere na alimentação, nas relações sociais, no desempenho escolar ou provoca sofrimento emocional persistente. 

Para ela, diversos fatores podem contribuir para esse cenário, como maior exposição à comparação social, padrões estéticos idealizados, mudanças próprias da puberdade, relações interpessoais e aspectos emocionais. 

A conversa dentro de casa continua sendo um dos principais fatores de proteção. “Fortalecer a autoestima significa ajudar o adolescente a perceber que seu valor e sua identidade vão muito além da aparência. Em casa, isso acontece quando a família valoriza qualidades como esforço, responsabilidade, criatividade, empatia e conquistas pessoais” acrescenta Belsito. 

Mudanças persistentes de comportamento merecem atenção. Comentários frequentes de insatisfação em relação ao corpo, evitar tirar fotos ou participar de atividades por vergonha da aparência, alterações importantes nos hábitos alimentares, prática excessiva de exercícios físicos, isolamento social e sofrimento intenso diante da própria imagem podem indicar a necessidade de acompanhamento especializado. 

“Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores são as chances de prevenir o agravamento do sofrimento emocional e o desenvolvimento de transtornos relacionados à imagem corporal”, alerta.
 

Rede Total Care


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