Julho, mês em que é celebrado o Dia Mundial da Alergia, reforça a importância da conscientização sobre as doenças alérgicas, especialmente as alergias alimentares, que vêm crescendo entre crianças em todo o mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a prevalência acompanha a tendência mundial e estima-se que cerca de 8% das crianças com até dois anos apresentem algum tipo de alergia alimentar.
Os alimentos mais frequentemente associados às reações são leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. A condição ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a proteínas presentes nesses alimentos, podendo provocar sintomas que vão desde urticária e vômitos até dificuldade para respirar e anafilaxia, considerada uma emergência médica.
Segundo o médico alergista Dr. Marcio Barros, o aumento dos casos é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, além de uma maior capacidade de diagnóstico nos últimos anos.
“Hoje
reconhecemos melhor as alergias alimentares, mas também observamos um
crescimento real da doença. Ainda não existe uma única explicação para esse aumento,
mas alterações no estilo de vida, na microbiota intestinal e fatores ambientais
estão entre as principais hipóteses estudadas.”
Alergia não é intolerância
O especialista explica que ainda é comum haver confusão entre alergia alimentar e intolerância.“A alergia envolve o sistema imunológico e pode desencadear reações graves, inclusive anafilaxia. Já a intolerância está relacionada à dificuldade de digerir determinados alimentos e, em geral, provoca sintomas gastrointestinais, sem envolver uma resposta imunológica.”
Retirar alimentos da dieta sem orientação pode ser um erro
Outro alerta é sobre a exclusão de alimentos por iniciativa própria, principalmente durante a infância.“Alguns pais eliminam leite, ovo ou trigo da alimentação apenas por suspeita de alergia ou após exames interpretados de forma isolada. Sem um diagnóstico adequado, essa restrição pode comprometer o crescimento e favorecer deficiências nutricionais. Toda suspeita deve ser investigada por um especialista.”
O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica, complementada por exames específicos e, quando indicado, pelo teste de provocação oral, considerado o padrão ouro para confirmar a alergia alimentar.
Para o
Dr. Barros, o principal recado é que informação e acompanhamento médico são
fundamentais.
“Quanto
mais cedo a alergia alimentar é identificada, maiores são as chances de evitar
reações graves, garantir uma alimentação segura e, em alguns casos, oferecer
tratamentos que ajudam muitas crianças a reduzir o tempo de restrições
alimentares e recuperar a qualidade de vida.”
Fonte:
Dr. Márcio Barros - Pediatra, alergista e imunologista, com atuação especializada em alergias infantis. É professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico voluntário do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde integra os ambulatórios de Alergia Alimentar, Esofagite Eosinofílica e Dermatite Atópica. Desenvolve seu trabalho com foco em alergias respiratórias e alimentares, asma, dermatite atópica e imunoterapia.
Instagram: @dr.marciobarros
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