A democracia não foi muito amiga das mulheres ao longo da história. Estivemos à margem da vida democrática brasileira por muito tempo. Até 1932 quando conquistamos o direito ao voto fomos excluídas dos espaços de decisão política. Isso significa que não podíamos interferir nos rumos da nação, pois além de não votar não podíamos ser eleitas. E tudo que nos sobrava era fé, militância e participação em movimentos sociais. Nízia Floresta, por exemplo, foi uma feminista e fundou a federação brasileira para o progresso feminista. Mas até o século xx estávamos de fora.
As
mulheres conquistaram o direito ao voto apenas em 1932, muito depois dos
homens. A política frequentemente funciona por relações construídas ao longo de
décadas, tradicionalmente dominadas por homens.
Atualmente,
elas representam cerca de 53% do eleitorado brasileiro, e continuam sendo
minoria nos cargos políticos. Em 2026, as mulheres ocupam apenas 18% das vagas
no Congresso Nacional, colocando o Brasil na 139° posição global em
representatividade feminina.
Com
a proximidade das eleições este ano, o cenário político se concentra
principalmente no papel das mulheres não apenas como eleitoras majoritárias,
mas como as principais defensoras da democracia. O debate nacional insere a
igualdade de gênero no centro da gestão pública, buscando transformar a presença
feminina de estática para critério decisivo de poder.
A
base legal está no artigo 10, § 3º, da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições),
que determina que cada partido ou federação deve preencher o mínimo de 30% e o
máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais.
Isso
quer dizer em tese que nenhum sexo pode ter menos de 30% das candidaturas
apresentadas pelo partido. Mas isso não garante absolutamente nada! A lei
reserva 30% das candidaturas.
Por
isso, um partido pode lançar 30% de mulheres candidatas e, ainda assim, eleger
um número muito menor de mulheres. Em suma, o Brasil adotou cota de entrada
(candidaturas), mas não cota de resultado (cadeiras).
Mesmo
sendo maioria da população e do eleitorado, as mulheres permanecem sub-representadas
nos cargos legislativos. Metaforicamente convidaram a mulher brasileira para um
baile democrático, mas a maioria das cadeiras ela não conseguirá ocupar. De
qualquer forma celebramos. São conquistas importantes, que transformaram a
posição feminina na sociedade e ampliaram sua voz nas instituições.
Hoje
podemos votar. Parece um gesto simples, mas é o resultado de décadas de luta de
mulheres que acreditaram que democracia também significa participação. A força
da mulher está na liberdade de escolher; essa sim é a essência da democracia.
Maria Inês Vasconcelos - advogada e escritora
Nenhum comentário:
Postar um comentário