Especialista alerta que decisões baseadas apenas na mensalidade podem resultar em coberturas incompatíveis com a realidade da família; orientação técnica tem se tornado decisiva na escolha do plano ideal
O preço ainda é o principal critério utilizado pelos
brasileiros na hora de contratar um plano de saúde. Mas especialistas em saúde
suplementar alertam que uma decisão baseada exclusivamente no valor da
mensalidade pode esconder custos muito maiores no futuro. Coberturas
incompatíveis com as necessidades da família, redes credenciadas insuficientes,
carências desconhecidas e mecanismos de coparticipação mal compreendidos estão
entre os problemas que mais geram frustração entre consumidores.
Em um mercado que reúne mais de 53 milhões de
beneficiários, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a escolha
de um plano exige uma análise cuidadosa de fatores técnicos que vão muito além
do preço. A própria agência orienta que o consumidor avalie a cobertura
assistencial, a abrangência geográfica, a rede credenciada, as regras de
carência, os reajustes, o modelo de contratação e a situação da operadora antes
da assinatura do contrato.
Para Wanderlei Machado, coordenador nacional do Grupo
AllCross, é justamente nesse cenário que o papel do corretor de planos de saúde
vem passando por uma transformação.
"Cada pessoa tem uma realidade diferente. Uma
família com crianças pequenas possui necessidades completamente distintas de um
aposentado ou de um empresário que viaja constantemente. Nosso trabalho é
entender esse contexto para orientar uma escolha que realmente ofereça proteção
quando ela for necessária, e não apenas vender um produto."
Segundo o especialista, um dos equívocos mais frequentes
é acreditar que todos os planos de saúde oferecem praticamente os mesmos
serviços.
"Na prática, pequenas diferenças contratuais podem
representar impactos enormes no momento em que o beneficiário precisa utilizar
o plano. É comum encontrarmos pessoas pagando por coberturas que nunca
utilizarão ou descobrindo, somente durante uma internação ou um procedimento
importante, que contrataram um produto incompatível com suas
necessidades."
Além da diversidade de modalidades, planos individuais,
familiares, coletivos por adesão e empresariais, o consumidor também precisa
compreender conceitos como coparticipação, acomodação hospitalar, portabilidade
de carências, abrangência regional ou nacional, regras de reajuste e o Rol de
Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.
Para Machado, essa complexidade faz com que o corretor
assuma cada vez mais um papel consultivo.
"A maioria das pessoas contrata um plano de saúde
poucas vezes na vida. Já o corretor acompanha diariamente as atualizações da
legislação, as mudanças regulatórias e as características de cada operadora.
Nosso papel é traduzir toda essa linguagem técnica em informações claras para
que o consumidor faça uma escolha consciente."
Essa orientação, segundo ele, não termina na assinatura
do contrato. Mudanças na composição familiar, inclusão de dependentes,
portabilidade, troca de plano, revisão de coberturas e esclarecimentos sobre
utilização da rede credenciada fazem parte do acompanhamento realizado pelos
profissionais especializados.
"Quando nasce um filho, quando alguém muda de
cidade, abre uma empresa ou entra na terceira idade, as necessidades mudam. O
corretor acompanha essas transformações e ajuda o cliente a manter uma proteção
adequada em cada fase da vida. Hoje, muito mais do que vender planos, atuamos
como agentes de proteção patrimonial e da saúde das famílias."
O crescimento da oferta de planos por canais digitais
também ampliou o acesso às informações, mas nem sempre garante uma decisão
segura. Para Wanderlei Machado, comparar apenas preços pode induzir o
consumidor a uma falsa percepção de economia.
"Saúde não é uma compra por impulso. Quando a pessoa
precisa utilizar o plano, normalmente está vivendo um momento de
vulnerabilidade. É justamente nessa hora que ela percebe se a contratação foi
feita com planejamento ou apenas pelo menor preço."
Segundo a ANS, antes de contratar um plano de saúde, o
consumidor deve verificar se a operadora possui registro ativo, analisar
cuidadosamente a cobertura contratada, conferir a rede credenciada, entender as
regras de carência e coparticipação, consultar os indicadores de qualidade da
operadora e ler atentamente toda a documentação contratual disponibilizada.
Para Machado, informação continua sendo a principal
ferramenta de proteção do consumidor.
"Um bom plano de saúde não é necessariamente o mais
barato nem o mais caro. É aquele que faz sentido para a realidade de quem vai
utilizá-lo. Quando existe orientação técnica e transparência na contratação,
diminuem as chances de surpresas desagradáveis e aumenta a segurança de toda a
família."
Sete cuidados antes de contratar um plano de
saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
recomenda que o consumidor:
- Verifique
se a operadora e o plano possuem registro ativo na ANS;
- Analise
se a cobertura atende às necessidades da família;
- Confira
a rede credenciada de hospitais, clínicas e laboratórios;
- Entenda
as regras de carência, coparticipação e reajustes;
- Avalie
a abrangência geográfica do atendimento;
- Consulte
os indicadores de qualidade e o histórico de reclamações da operadora;
- Leia
atentamente o Guia de Leitura Contratual e o Manual de Orientação para
Contratação antes de assinar o contrato.
www.allcross.com.br

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