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sábado, 18 de julho de 2026

PMMA já estava sob restrição quando pacientes denunciaram complicações após harmonização de glúteos

Caso investigado no Rio de Janeiro reacende o debate sobre os riscos dos preenchedores permanentes e reforça o motivo que levou o Conselho Federal de Medicina a proibir o uso da substância para preenchimento estético 


As denúncias de mulheres que relatam dores intensas, deformidades e complicações persistentes após procedimentos de harmonização de glúteos em uma clínica de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, colocaram novamente o polimetilmetacrilato (PMMA) no centro das discussões sobre segurança em procedimentos estéticos. 

O caso, investigado pela Delegacia do Consumidor (Decon), ocorre poucas semanas depois de o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibir o uso médico da substância para preenchimentos estéticos e reparadores em todo o país, mantendo exceção apenas para pacientes com HIV em tratamento específico no SUS.

Para o cirurgião plástico Dr. Alexandre Peruzzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a principal dificuldade é que muitas pessoas ainda desconhecem que o PMMA não se comporta como outros preenchedores absorvíveis. A preocupação, segundo ele, não está apenas no momento da aplicação, mas na resposta que cada organismo pode desenvolver ao longo do tempo.

A defesa por técnicas que provoquem o menor impacto possível ao organismo faz parte da filosofia de atuação do especialista, que associa cirurgia plástica à preservação da saúde e não apenas ao resultado estético."O PMMA é basicamente um plástico. Na forma injetável, ele é composto por microesferas suspensas em um gel. Esse gel é absorvido pelo organismo, mas as microesferas permanecem para sempre no tecido. O corpo reconhece esse material como um corpo estranho e passa a produzir colágeno ao redor dele, criando volume. Por isso ele é considerado um preenchedor definitivo", explica.

O problema, segundo o cirurgião, é que essa reação biológica não acontece da mesma forma em todos os pacientes. "Essa resposta é individual e imprevisível. Algumas pessoas apresentam apenas uma reação discreta, enquanto outras desenvolvem nódulos, granulomas, acúmulo de líquido e processos inflamatórios que podem surgir meses ou até anos depois da aplicação. Em alguns casos, o organismo passa a expulsar esse material espontaneamente", aponta.

É justamente essa característica que torna o tratamento das complicações especialmente difícil. Diferentemente de preenchedores absorvíveis, o PMMA não desaparece naturalmente. "Quando surgem complicações, muitas vezes o tratamento passa a ser cirúrgico. O material fica entremeado ao tecido saudável e não pode simplesmente ser dissolvido ou absorvido pelo organismo. Isso torna a retirada extremamente complexa", explica Peruzzo.

Segundo o especialista, esse conjunto de evidências científicas foi determinante para a publicação da Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina, que proibiu o uso médico do PMMA para preenchimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil. A decisão foi fundamentada em estudos que associam a substância a reações inflamatórias tardias, granulomas, infecções persistentes, necrose e sequelas permanentes.

Peruzzo ressalta que ainda existe uma diferença importante entre a regulamentação médica e a situação regulatória do produto. "É uma proibição ética para médicos. A Anvisa ainda mantém o registro da substância porque existe uma indicação muito específica, que é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV, realizado exclusivamente em centros de alta complexidade do SUS. Fora dessa situação excepcional, a própria medicina vem abandonando progressivamente o PMMA", destaca.

Na avaliação do cirurgião plástico, a evolução dos materiais disponíveis também contribuiu para essa mudança. "Hoje existem alternativas que oferecem resultados semelhantes, mas com um perfil de segurança muito superior, como a hidroxiapatita de cálcio e o ácido poli-L-lático. Não se trata de preconceito contra uma substância. Trata-se da evolução da ciência. Quando há uma opção mais segura para o paciente, esse deve ser o caminho escolhido pelo médico", diz.

Para o especialista, casos como o investigado no Rio de Janeiro reforçam a importância de que pacientes procurem profissionais habilitados e compreendam exatamente qual substância será utilizada antes de qualquer procedimento estético. "A decisão não pode ser baseada apenas na promessa de um resultado estético. O paciente precisa saber o que está sendo implantado no seu corpo e quais são as consequências que esse material pode trazer ao longo da vida", conclui.

 



Dr. Alexandre Peruzzo - cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade. Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.
Para mais informações, acesse Linkedin e Instagram.

Clínica do Dr. Alexandre Peruzzo


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