Raimundo Nonato, presidente da ABRADEB, explica os principais cuidados que os consumidores devem tomar antes de abrir uma conta em um banco digital e alerta para os riscos de fraudes financeiras.
A praticidade para abrir uma conta
pelo celular, a redução de tarifas e a oferta de serviços cada vez mais
completos fizeram dos bancos digitais uma das principais escolhas dos
brasileiros nos últimos anos. O avanço da tecnologia transformou a relação dos
consumidores com o sistema financeiro e impulsionou o crescimento dessas
instituições. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que é preciso adotar alguns
cuidados antes de escolher um banco digital, especialmente diante do aumento
das fraudes financeiras e dos golpes virtuais.
Segundo a Pesquisa Febraban de
Tecnologia Bancária 2026, 83% das transações bancárias realizadas no Brasil já
acontecem por canais digitais, sendo 78% feitas pelo celular. O levantamento
também mostra que o sistema financeiro registrou 240,8 bilhões de transações em
2025, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Além disso, a abertura de
contas por meios digitais segue em expansão, refletindo a preferência dos
consumidores pela praticidade e rapidez desse modelo.
Para Raimundo Nonato, presidente
da ABRADEB (Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de
Operações Financeiras e Bancárias), embora a transformação digital tenha
democratizado o acesso aos serviços financeiros, a escolha da instituição deve
ser feita com cautela.
“O consumidor precisa ir além da
praticidade. Antes de abrir uma conta, é fundamental verificar se a instituição
é autorizada pelo Banco Central, pesquisar sua reputação no mercado e conhecer
os mecanismos de segurança oferecidos para proteger os dados e o patrimônio dos
clientes.”
Uma das primeiras recomendações é
consultar se a instituição financeira está regularmente autorizada a funcionar
pelo Banco Central. A consulta pode ser feita gratuitamente no site da
autarquia e ajuda a evitar que consumidores sejam vítimas de empresas
irregulares ou de plataformas falsas criadas para aplicar golpes.
Outro aspecto importante é avaliar
os recursos de segurança disponibilizados pelo banco, como autenticação em dois
fatores, reconhecimento biométrico, criptografia das informações, confirmação
de transações e alertas em tempo real sobre movimentações na conta.
“Os criminosos utilizam cada vez
mais técnicas de engenharia social para enganar as pessoas. Links falsos,
aplicativos fraudulentos e mensagens que simulam comunicações oficiais dos
bancos continuam entre as principais formas de golpe. Por isso, é indispensável
conferir se o aplicativo foi baixado em lojas oficiais e nunca compartilhar
senhas ou códigos de autenticação.”
Além da segurança, o consumidor
também deve analisar as condições de uso da conta. Embora muitas instituições
ofereçam contas sem tarifa de manutenção, alguns serviços específicos podem
gerar cobranças, como saques, emissão de segunda via de cartão ou
transferências diferenciadas.
“É importante ler atentamente o
contrato, verificar quais serviços são gratuitos, entender os limites de
movimentação da conta e conhecer os canais de atendimento disponíveis. Um bom
suporte ao cliente faz toda a diferença quando surge algum problema.”
Outro cuidado é observar como a
instituição trata a proteção dos dados pessoais e quais são os canais oficiais
de comunicação. A recomendação é evitar acessar links enviados por mensagens,
e-mails ou redes sociais e sempre conferir se o endereço eletrônico pertence
realmente ao banco.
Relatórios recentes da área de
segurança digital também apontam crescimento nas tentativas de fraudes
bancárias por meio de aplicativos falsos, páginas fraudulentas e programas
maliciosos que capturam dados financeiros dos usuários. O cenário reforça a
necessidade de atenção tanto na abertura quanto na utilização das contas
digitais.
“O crescimento dos bancos digitais
representa um avanço importante para o sistema financeiro brasileiro, mas
inovação precisa caminhar ao lado da segurança. O consumidor que pesquisa antes
de contratar um serviço, verifica a regularidade da instituição e adota medidas
básicas de proteção reduz significativamente os riscos de prejuízos
financeiros”, conclui Raimundo Nonato.

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