A requalificação da região vai priorizar a conclusão de grandes obras de infraestrutura iniciadas em anos anteriores, a expansão do mercado habitacional via retrofit e a modernização da mobilidade
Em 2026, o Centro de São Paulo
terá grandes obras, como a continuação da revitalização dos calçadões, o início
da mudança do Centro Administrativo Estadual para a região de Campos Elíseos,
que envolve desapropriações, e projetos de infraestrutura urbana (VLT, BRT,
parques), previstos para licitação.
Essas obras são parte de um
plano maior, que envolve cerca de R$ 6,3 bilhões da gestão municipal e que visa
transformar o centro histórico da capital paulista em um polo mais vibrante,
cultural e comercial, impulsionando a economia local, além de melhorar a
infraestrutura de mobilidade e a drenagem urbana.
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| Copan faz parte do programa de subvenção econômica da Prefeitura com incentivos para retrofit de prédios antigos. FOTO: ILION PARTNERS/DIVULGAÇÃO |
Principais projetos previstos para 2026:
Continuação
da revitalização dos calçadões: A
reforma das 23 vias que compõem o centro histórico (como rua São Bento, rua
Direita e rua XV de Novembro) tem previsão de entrega final para janeiro de
2026. As principais mudanças envolvem a substituição do pavimento por concreto
de alta resistência, instalação de valetas técnicas subterrâneas (para eliminar
fios aéreos no futuro) e novos sistemas de drenagem. Tudo isso para tornar o
espaço mais acessível e atrativo para pedestres e para o comércio. Hoje, a obra
alcança 70% da execução concluída, segundo a AMF Company Ambiental, empresa
responsável pela execução do projeto.
Novo
Centro Administrativo (Campos Elíseos): Neste ano,
o projeto de transferência da sede do Governo do Estado para a região de Campos
Elíseos também entrará em uma fase decisiva. Após alguns ajustes no cronograma,
2026 será o ano do leilão, da assinatura do contrato e do início das
desapropriações e realocações de moradores na região, com previsão de
investimento de R$ 5,4 bilhões.
Remarcado, o leilão da PPP do
Novo Centro Administrativo está previsto para o final de fevereiro e o projeto
estima um investimento de R$ 6 bilhões. O governo estadual aportará cerca de R$
3,6 bilhões e o restante será de responsabilidade da concessionária vencedora.
A empresa ou consórcio vencedor terá um contrato de 30 anos para construir e
gerir o complexo.
Com o contrato assinado
(previsto para o segundo semestre de 2026), começam as intervenções físicas no
bairro. O projeto abrange quadras próximas ao Largo Coração de Jesus e à Praça
Princesa Isabel. Estima-se que cerca de 650 famílias e diversos comércios serão
desapropriados. Em 2026, o foco será a negociação dessas áreas e o oferecimento
de unidades habitacionais (via CDHU) para os moradores de baixa renda da região.
A desativação e transferência
do terminal de ônibus Princesa Isabel para uma nova área próxima à Estação da
Luz também devem ganhar corpo em 2026. O novo distrito administrativo terá sete
edifícios e dez torres que abrigarão o gabinete do governador e todas as
secretarias (cerca de 22 mil funcionários). Os prédios terão lojas, cafés e
restaurantes no térreo, abertos ao público, para garantir que a região não
fique deserta à noite.
O projeto prevê o restauro de
17 imóveis tombados na região. Haverá a ampliação de 40% das áreas verdes do
parque e o governo estadual planeja lançar, em paralelo, editais para a
construção de moradias de interesse social nas proximidades, para evitar que o
bairro se torne apenas uma zona de escritórios.
Mobilidade: Dentro do Programa de Metas 2025-2028, o ano de 2026 é considerado
um ano-chave para o Veículo Leve Elétrico (VLE), um bonde moderno que circulará
pelo Centro. O objetivo é conectar pontos estratégicos com um transporte
silencioso, elétrico e integrado à rede de ciclovias. Para o primeiro semestre
do ano, espera-se o início das obras físicas e a consolidação do traçado que
ligará os principais terminais e estações de metrô centrais.
No caso do VLT, em 2026, o foco
sairá dos estudos técnicos para o início das obras físicas e a realização das
licitações para operação. O sistema terá 12 quilômetros de extensão divididos
em duas linhas circulares que se conectam no Largo do Paissandú. Os trens
usarão o sistema Alimentação Pelo Solo (APS), o que significa que não haverá
fiação aérea, preservando a visão do patrimônio histórico. A expectativa é
substituir diversas linhas de ônibus que hoje congestionam as vias estreitas do
Centro, criando um transporte silencioso, elétrico e com intervalos de cerca de
seis minutos. Além disso, o VLT será integrado a nove estações de metrô, outras
duas da CPTM e cinco terminais de ônibus.
Enquanto o VLT circula
"dentro" do Centro, os sistemas de BRT e corredores de alta
capacidade garantem o fluxo de quem vem de outras regiões para o coração da
cidade. Um dos projetos mais aguardados, o BRT Radial Leste, deverá utilizar
faixas segregadas e embarque em nível para reduzir o tempo de viagem
drasticamente. Já o BRT Aricanduva, outro eixo fundamental que impacta a
chegada ao Centro, já teve seus acordos contratuais assinados e deve ter suas
obras aceleradas nos próximos meses. Sobre a eletrificação da frota, a meta da
Prefeitura é que, até 2026, uma parcela significativa dos ônibus que entram no
Centro seja elétrica ou movida a biometano, reduzindo a poluição sonora e
atmosférica na região requalificada.
Parques
urbanos e PPPs: Outra estratégia da Prefeitura e do
Governo do Estado para o Centro de São Paulo, em 2026, está em combinar grandes
concessões de infraestrutura com a criação de novas áreas verdes para atrair
moradores e investimentos. As Parcerias Público-Privadas (PPPs) e os novos
parques são os pilares para tentar reverter a degradação de áreas históricas.
A meta é transformar os
chamados "vazios urbanos" e áreas degradadas em espaços de
convivência. Um deles é o Parque do Bixiga que, após décadas de disputa, terá
em 2026 a consolidação do projeto, que teve seu concurso de arquitetura lançado
em 2025. O parque ocupará o terreno próximo ao Teatro Oficina, preservando o
último pedaço de terra livre do bairro.
O Parque Municipal do Minhocão
prevê a desativação gradual do Elevado Presidente João Goulart e a Prefeitura
projeta a expansão das intervenções de lazer (como novos acessos e jardins
suspensos) em trechos específicos, enquanto o tráfego de carros é reduzido. No
Parque Princesa Isabel, o ano de 2026 servirá como o período de maturação do
parque como equipamento de lazer e esporte para a região dos Campos Elíseos,
após a reforma entregue recentemente para retomar o espaço antes ocupado pela
Cracolândia.
Por meio da Área de Intervenção Urbana (AIU) do Setor Central, estão previstos planos de jardins de chuva e arborização. A meta é expandir a rede de drenagem sustentável, com mais de 500 jardins de chuva instalados para combater alagamentos localizados. O plano também prevê uma arborização intensiva com o plantio de árvores em 118 quilômetros de vias, criando corredores verdes que conectam praças como a da República, o Largo do Arouche e a da Sé. Além disso, são esperadas novidades sobre as PPPs para o Parque Dom Pedro II e a Nova Esplanada da Liberdade.
Mariana Missiaggia
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/as-obras-que-devem-movimentar-o-centro-de-sp-em-2026





