A Itália enfrenta uma escassez crescente de médicos, especialmente em hospitais públicos e regiões fora dos grandes centros. Para suprir a demanda, o país tem ampliado a contratação de profissionais formados fora da União Europeia, colocando médicos brasileiros no radar a partir de 2026.
Segundo especialistas, o salário pode chegar a valores equivalentes a cerca de R$ 45 mil mensais em contratos de tempo integral. Além da remuneração, a estabilidade e os benefícios previstos na legislação italiana tornam o país uma opção atraente para profissionais que buscam experiência internacional.
No entanto, atuar legalmente na Itália exige atenção a regras específicas de reconhecimento do diploma médico, que incluem análise de elegibilidade, organização documental e cumprimento de prazos institucionais, que podem ser longos. “O erro mais comum é começar pelo caminho errado, sem entender as exigências legais. Isso pode gerar atrasos significativos e prejuízos financeiros”, explica a médica brasileira Gabriela Rotili, que atua no país desde 2021 e é CEO da DNN Learning, instituição voltada à orientação de médicos brasileiros.
Ela alerta que muitos profissionais iniciam o processo de forma improvisada, investindo em traduções, cursos e taxas antes de confirmar se são elegíveis para a revalidação. “Não existe atalho. Planejamento é essencial, porque se trata de uma mudança de país e de sistema de saúde completamente diferentes do brasileiro”, afirma.
Outro ponto pouco conhecido é que médicos que iniciaram a
organização da documentação no passado nem sempre precisam começar do zero.
Parte dos documentos pode continuar válida, enquanto outros precisam ser
atualizados. Uma análise criteriosa evita retrabalho e gastos desnecessários.
Com o aumento do interesse, também crescem promessas de aprovação rápida ou garantias irreais. “Processos sérios trabalham com legislação e prazos reais. Promessas fáceis costumam gerar frustração e prejuízo”, ressalta Gabriela.
Especialistas destacam que a Itália exige cuidado em cada etapa, entender os critérios para revalidação, organizar documentos corretamente, escolher regiões com maior demanda e planejar a transição com segurança jurídica. Mais do que rapidez, o foco deve ser construir uma carreira sustentável, evitando erros que possam atrasar a entrada no mercado de trabalho italiano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário