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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A importância do marketing do pedaço para o fortalecimento dos negócios locais


Em um mundo cada vez mais globalizado e digital, onde gigantes do varejo parecem dominar cada esquina virtual e física, é extremamente importante voltar nossos olhos e nosso poder de compra para aquilo que está mais próximo: o nosso pedaço, o nosso bairro, a nossa comunidade. O marketing do pedaço não é apenas uma estratégia de negócios; é um movimento de revitalização social e econômica. 

Dessa forma, gostaria de  ressaltar a importância das conexões e conveniência de usarmos produtos e serviços da comunidade local. O conceito é simples, mas seu impacto é profundo: priorizar os vizinhos da comunidade. O açougue da esquina, a padaria artesanal, a loja de roupas da rua lateral, o pequeno café, o mercadinho local. Estes estabelecimentos são a espinha dorsal da nossa vida cotidiana e a alma do bairro. 

Ao prestigiarmos esses comerciantes, criamos um ciclo virtuoso. Primeiro, ganhamos em conveniência. Resolver nossas necessidades a uma curta caminhada ou pedalada economiza tempo e recursos, além de reduzir nossa pegada de carbono ao evitar o deslocamento desnecessário para grandes centros ou shopping centers distantes. 

Segundo, fomentamos a conexão humana. O comerciante local conhece seu nome, sabe do que você gosta e oferece um atendimento personalizado que a frieza das grandes redes raramente consegue replicar. Essa relação de confiança e proximidade é um ativo inestimável que transforma uma transação comercial em um laço comunitário. 

Um dos argumentos mais fortes a favor do marketing do pedaço é o seu impacto econômico direto. Quando compramos em uma loja local, o dinheiro tende a circular mais vezes dentro da própria comunidade. O dono da loja paga seus funcionários (que moram no bairro), compra insumos de fornecedores locais (se possível) e, ele próprio, gasta esse dinheiro em outros serviços do bairro. 

Esse efeito multiplicador garante que a riqueza gerada beneficie diretamente a área, ao contrário do que acontece quando compramos em grandes cadeias ou plataformas internacionais, onde o lucro é, em sua maioria, drenado para sedes distantes. Fortalecer o comércio local significa garantir mais empregos e mais qualidade de vida para todos os vizinhos. 

É claro que a praticidade e a variedade dos grandes centros ou do comércio online têm seu lugar. A premissa do marketing do pedaço não é o isolamento, mas a prioridade consciente.Devemos ter o senso crítico de buscar as soluções para nossas necessidades primárias e recorrentes no mercado local primeiro. O deslocamento para os grandes centros, ou a busca por produtos fora do bairro, deve ser reservada para a ausência do produto no mercado local — quando a loja do vizinho realmente não oferece o item ou o serviço especializado que buscamos. Essa é uma atitude de responsabilidade cívica: dar a chance ao vizinho, verificar se ele tem o que precisamos e, só depois, procurar alternativas mais distantes. 

O marketing do pedaço, no fundo, é um chamado à ação. É um lembrete de que somos co-responsáveis pelo sucesso e pela vitalidade do lugar onde vivemos. Não basta apenas morar no bairro; é preciso viver o bairro. Ao abraçar essa mentalidade, estamos investindo em nossa própria qualidade de vida. Um bairro com comércio forte é mais seguro, mais vibrante e mais acolhedor. Portanto, da próxima vez que precisar de algo, antes de ligar o carro ou abrir o aplicativo, dê uma chance ao seu vizinho. Você estará comprando mais do que um produto; estará investindo no futuro do seu pedaço. E uma forma de fortalecermos essa premissa e impulsionarmos essa prática é a participação em grupos de networking locais, onde podemos conhecer os produtos e serviços existentes na região e criarmos um micro-sistema econômico onde todos se beneficiem.

  

Lucas Vinicius Salomé - advogado especialista em Direito do Trabalho pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, sócio no Raposo Soares e Salomé Advogados e presidente do BNI Sigma, grupo de networking que se reúne semanalmente em Moema


Pesquisa global do Santander revela que 9 em 10 brasileiros gostariam de ter aprendido sobre finanças na escola

§ Levantamento feito em parceria com a Ipsos UK aponta que, na média, 84% da população de 10 países desejaria ter recebido educação financeira no sistema de ensino 

§ Com cerca 20 mil entrevistados, a pesquisa indica como as pessoas aprendem e se relacionam com o dinheiro em um mundo cada vez mais digital 

§ Números também apontam que o brasileiro tem mais confiança ao utilizar ferramentas tecnológicas para gerir suas finanças

 

O Santander, em parceria com o instituto Ipsos UK, realizou a Pesquisa Global de Educação Financeira 2025 com o objetivo de compreender como pessoas em diferentes países lidam com o dinheiro, aprendem sobre finanças e percebem a importância da educação financeira. O estudo, que ouviu 19.906 pessoas em dez países na Europa e nas Américas, faz parte do compromisso global do banco com a inclusão e a autonomia financeira por meio do conhecimento. No Brasil, foram 2.028 entrevistados. 

O levantamento expõe a carência percebida pela população em relação à educação financeira: 84% dos entrevistados gostariam de ter aprendido sobre o tema na escola, mas não se lembram de ter tido acesso a esse conteúdo. Entre os brasileiros, esse percentual sobe para 91%, embora a população do país siga a média mundial ao apontar a educação financeira como segunda disciplina mais importante para o sistema educacional, atrás apenas da Matemática. 

Os entrevistados também revelaram uma tendência, em nível global, a acreditar que têm um bom conhecimento de assuntos financeiros: 73% dos entrevistados afirmam ter confiança em sua capacidade de gerir suas próprias finanças – em linha com a média global, de 72%. Porém, há um descompasso entre autoconfiança e entendimento real, exposto a partir das respostas a duas perguntas sobre conceitos básicos de economia.

A primeira questão avaliava o entendimento sobre inflação: “Suponha que a taxa anual de inflação no seu país caia pela metade, mas permaneça acima de zero. O que acontecerá com o custo geral de bens e serviços daqui a um ano?”. A resposta correta era que os preços continuariam subindo, mas em ritmo mais lento. A maioria dos entrevistados totais (68%) errou a resposta. No Brasil, o índice de erro chegou a 73%, indicando desconhecimento sobre o impacto da inflação positiva. 

A segunda pergunta abordava juros: “Quanto dinheiro você esperaria ter se colocasse US$100 em uma conta poupança com juros anuais de 2%, após um ano?”. A alternativa correta era que o valor seria mais de US$100, considerando o rendimento. Na média global, 48% dos entrevistados erraram a resposta, e esse índice sobe para 67% no Brasil, evidenciando uma fragilidade no entendimento de conceitos financeiros básicos. 

“A principal conclusão a que chegamos, a partir de um dos maiores levantamentos já feitos globalmente sobre educação financeira, é que este tema materializa um desejo e uma necessidade da maioria da sociedade. Vemos isso em todos os países em que temos presença, e especialmente no Brasil, onde há uma clara oportunidade de evoluir em nossa atuação”, afirma Mario Leão, CEO do Santander Brasil. “Como agentes financeiros, temos um papel fundamental neste processo, porque somos capazes de mobilizar agentes públicos e privados para levar conhecimento financeiro à população.” 

Há também um forte desejo de controle e autonomia: no Brasil, 84% dos entrevistados disseram acompanhar seus gastos mensais (acima da média global de 79%). Contudo, apenas 47% dos brasileiros declararam poupar recursos suficientes para honrar suas despesas por um período de três meses. 

Embora a participação em ações formais de educação financeira ainda seja baixo, o Brasil aparece acima da média: 27% dos entrevistados afirmam ter feito algum curso sobre o tema, ante apenas 20% no conjunto dos países. Mesmo assim, a população reconhece os benefícios de acumular conhecimento financeiro: para 64% dos entrevistados globalmente, esta modalidade de ensino amplia a capacidade de tomar as melhores decisões financeiras (66% no Brasil), 59% acreditam que podem gerir de forma mais eficaz seus recursos e dívidas (ante 57% entre os brasileiros) e 52% apontam a possibilidade de criar um orçamento doméstico bem estruturado (apontada por 61% dos brasileiros). 

Os participantes da pesquisa também indicam as áreas de maior interesse para aprendizado. Globalmente, os temas mais desejados foram investimentos (63%), poupança (61%) e impostos (51%), enquanto no Brasil os mais citados são investimentos (67%), poupança (67%) e orçamento doméstico (53%).O levantamento também evidencia o protagonismo do Brasil na digitalização financeira. 

O Brasil é o único país do levantamento no qual a confiança no uso de ferramentas on-line para gerir as finanças pessoais se equipara a outros meios de gestão. Além disso, mais da metade dos brasileiros (59%) utilizam ferramentas digitais semanalmente para acompanhar suas finanças, enquanto apenas 13% nunca usam recursos on-line para esse fim. O PIX é responsável pela abertura ao uso da tecnologia na área financeira, sendo utilizado pela maioria absoluta (87%) da população.

 

Metodologia

A pedido do Santander, a Ipsos UK entrevistou amostras representativas da população em dez mercados usando seus serviços online i:omnibus e ad hoc. Foram ouvidas 2.139 pessoas entre 16 e 75 anos no Reino Unido; 2.099 entre 18 e 75 anos nos EUA; 1.970 entre 16 e 65 anos em Portugal; 2.001 entre 18 e 65 anos no Chile; 2.002 entre 18 e 65 anos na Argentina; 1.454 entre 18 e 55 anos no Uruguai; 2.022 entre 18 e 65 anos no México; 2.028 entre 18 e 65 anos no Brasil; 2.118 entre 16 e 75 anos na Espanha e 2.073 entre 16 e 75 anos na Polônia.

O trabalho de campo foi realizado entre 25 de abril e 21 de maio de 2025. As amostras obtidas são representativas das populações nacionais, com cotas de idade, gênero, região e situação profissional. Os dados foram ponderados de acordo com as proporções conhecidas das populações offline de cada mercado — levando em conta idade, situação profissional, classe social, região administrativa e nível educacional — para refletir com precisão o perfil adulto de cada país pesquisado.


https://drive.google.com/file/d/1pW8C3EBJFOds45hxkwb1Ou-BcLLIOK8m/view?usp=drive_link 


Quatro tendências de tecnologia para 2026


Disruptivo. Essa é a palavra que representa bem como foi e vem sendo o ano de 2025. Se ainda existiam dúvidas de que a IA viria para ficar, hoje, a cada dia que passa, seu uso faz parte da rotina das pessoas, desde assistentes virtuais até novas ferramentas integradas em diversos aparelhos. E, no mundo empresarial, essa transformação também não poderia ficar de fora.

Certamente, o que vemos até agora continuará em alta em 2026, uma vez que essas inovações têm um papel fundamental para gerar insights, revisar e analisar dados e, principalmente, gerar resultados. Ou seja, desde a IA até outras ferramentas que despontam a todo instante no mercado, o intuito é tornar as operações estratégicas.

É aquela velha história: o ser humano não será substituído. Cabe a nós o papel de utilizar a tecnologia como aliada e fazer seu uso eficiente, buscando otimizar processos e obter ganhos de eficiência. Nesse cenário, destaco aqui quatro tendências que terão força no próximo ano:

#1 Inteligência Artificial: a principal tendência que já é uma realidade. Como prova disso, segundo a McKinsey, em 2024, 72% das empresas do mundo já adotaram essa tecnologia. Esse resultado é um reflexo do quanto esse recurso já está intrínseco na rotina das pessoas, promovendo ganhos significativos. A expectativa é que sua presença nas organizações cresça ainda mais.

#2 Segurança dos dados: esse aspecto torna-se relevante considerando que vivemos a era do mundo digital. Nesse sentido, as operações têm sido migradas para o ambiente em nuvem, o que reforça a importância dos investimentos na proteção de dados e informações sensíveis.

#3 Cloud Computing: complementando o tópico anterior, o cloud, mesmo não sendo uma tecnologia nova, continuará crescendo. Segundo o Gartner, a expectativa é que essa movimentação atinja o patamar de US$723,4 bilhões em 2025 e que, até o final de 2027, 90% das empresas já tenham adotado soluções de nuvem para alguma necessidade de seus negócios.

#4 Conectividade: ficar sem sinal? Isso é coisa do passado. Desde a expansão da rede 5G para melhorar a comunicação em setores como o agronegócio, até a IoT, o que veremos daqui para frente é, cada vez mais, tudo conectado. Isso ajuda a dar maior precisão e controle sobre as operações.

Todas essas tendências não são consideradas novidades, pois já fazem parte do mercado. No entanto, mesmo diante da crescente transformação digital, quando falamos sobre tecnologia, ainda existem desafios a serem superados. Isso é, vivemos uma era em que somos bombardeados todos os dias por novos recursos, ferramentas e opções. E, em meio a este cenário, temos como obstáculo preparar as pessoas para utilizarem, de forma correta, o que está sendo disponibilizado.

Afinal, por mais revolucionária que seja uma tecnologia, ela ainda precisa do fator humano para guiá-la. Do contrário, são fornecidos resultados imprecisos que geram insights errados e não permitem que a empresa escale. Na prática, o fator principal que, sem dúvidas, irá garantir o sucesso ou o fracasso dos negócios, continua sendo as pessoas.

Neste sentido, é importante prepará-las e capacitá-las, pois estamos em um caminho sem volta. Ter o apoio de equipes especializadas nessa abordagem — que ajudem desde no treinamento até na integração desses recursos nos softwares de gestão — é um auxílio importante para tornar a empresa mais eficiente e estruturada para a transformação.

Não devemos nos iludir: 2026 será um ano desafiador, desde o início com a transição da Reforma Tributária, até o final com as eleições que impactam a cadeia operacional como um todo. Diante desse contexto de urgência, é fundamental que as organizações invistam em atualizações e acompanhem de perto as mudanças, buscando adquirir conhecimento. Afinal, o futuro não espera e, para muitos, já começou.

  

Felipe Almeida - diretor comercial da ABC71


4 em cada 10 idosos já caíram em fraudes financeiras: Serasa lança ferramenta para denúncias

  • Nova funcionalidade permite que vítimas formalizem uma denúncia completa em poucos minutos;
  • Pesquisa realizada pela Serasa e Silverguard investiga principais comportamentos dos brasileiros acima de 60 anos em relação a golpes no país;
  • Principais fraudes em nome da Serasa acontecem por e-mail, seguido por mensagens no Whatsapp;
  • Serasa reforça únicos canais para negociação de dívidas: empresa não cobra taxas e nem solicita depósitos em nomes de terceiros.


Em meio ao Feirão Limpa Nome, quando milhões de consumidores buscam oportunidades para quitar dívidas, golpistas têm intensificado ataques usando o nome da Serasa para enganar especialmente brasileiros acima de 60 anos. Uma pesquisa realizada em parceria com a Silverguard e o Instituto Opinion Box mostra que 4 em cada 10 idosos já foram vítimas de golpes financeiros, e quase metade sofreu ao menos uma tentativa recente. 

O período de maior procura por acordos tem se tornado terreno fértil para criminosos que copiam a linguagem e a identidade visual de marcas conhecidas para transmitir credibilidade. Segundo o estudo, entre os que já foram vítimas, 40% passaram por mais de um golpe, e 80% registraram perdas financeiras — em mais da metade dos casos, acima de R$ 1.000. 

Os danos, porém, vão além do prejuízo monetário: os entrevistados relatam frustração (29%), raiva (25%), medo (19%), vergonha (11%) e impactos na saúde, como ansiedade e insônia (16%). Mesmo aqueles que não caíram em algum golpe ou não chegaram a perder dinheiro relatam mudança de hábitos: 57% deixaram de cadastrar cartão em sites pouco conhecidos, e 49% evitam abrir links, mesmo enviados por familiares.


Golpes que usam o nome da Serasa seguem um padrão

Para além da pesquisa, a Silverguard analisou os golpes que se passam pela Serasa e identificou os principais canais usados pelos criminosos: 45% das fraudes ocorrem por e-mail, seguidas por WhatsApp (21%), anúncios em sites e aplicativos (11%), redes sociais (9%), apps de busca (5%) e SMS (2%).

O modo de atuação costuma ser semelhante. Os golpistas iniciam o contato oferecendo supostos “descontos exclusivos” válidos por tempo limitado e enviam links que direcionam o consumidor para páginas falsas ou números de atendimento que simulam equipes oficiais. Nessas conversas, solicitam dados pessoais e enviam boletos adulterados ou chaves Pix falsas. Após o pagamento, o contato é encerrado, e a dívida permanece ativa, já que nada foi negociado pelos canais oficiais.

“Criminosos se aproveitam do período do Feirão para copiar a linguagem da Serasa e usar urgência como ferramenta de persuasão, induzindo o consumidor mais vulnerável ao erro”, afirma Marcia Netto, fundadora e CEO da Silverguard. “Eles sabem que muitos brasileiros estão buscando acordos e tentam mascarar sinais claros de fraude com ofertas irresistíveis e links enganosos.”
 

Como fugir e denunciar golpes em nome da Serasa

A Serasa reforça seus únicos canais oficiais para negociação de dívidas:

“Alguns sinais devem acender o alerta aos consumidores: nunca solicitamos depósitos para contas de pessoas físicas e não cobramos taxas antecipadas para liberar descontos”, reforça Patrícia Camillo, gerente da Serasa. “Na dúvida, não clique em links suspeitos e não compartilhe seus dados sem checar os canais oficiais e selos de verificação nas redes sociais.” 

Diante desse cenário, a empresa também disponibiliza aos consumidores a Central Serasa no SOS Golpe, em parceria com a Silverguard. A ferramenta permite que vítimas formalizem uma denúncia completa em poucos minutos, enquanto aciona imediatamente o banco recebedor para solicitar o bloqueio preventivo do valor. 

O atendimento funciona para qualquer golpe financeiro, mesmo aqueles que não envolvem diretamente a Serasa. Consumidores com mais de 60 anos entram automaticamente em uma fila prioritária, e as instituições financeiras recebem alertas específicos quando se trata de vítimas idosas. 

“Não prometemos o dinheiro de volta, mas aumentamos as chances de recuperação com a velocidade e a qualificação do dossiê que enviamos gratuitamente para a instituição de destino. Ao mesmo tempo, com a Central SOS Golpe, garantimos uma jornada mais digna e empática para vítimas de golpes de engenharia social, que muitas vezes se sentem perdidas e envergonhadas”, finaliza Márcia Netto.
 

Para denunciar, a Serasa orienta:

  • Se for uma tentativa de golpe, acesse serasa.com.br/contra-fraudes. Esse canal é indicado para denunciar sites, links ou números falsos que utilizam indevidamente a marca.
  • Se for um golpe com perde financeira, acesse
  • central.sosgolpe.com.br/serasa. A vítima pode relatar o caso, anexar provas e receber um passo a passo que aumenta as chances de recuperar o seu dinheiro. Ao incluir a denúncia na Central Serasa do SOS Golpe, ela segue sendo acompanhada no WhatsApp do SOS Golpe.


Metodologia

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 07 e 13 de novembro de 2025, com mais de 1000 entrevistas online em todo o Brasil, com pessoas de 60 anos ou mais. Margem de erro de 3.1 pontos percentuais
  

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Silverguard - principal plataforma brasileira de inteligência contra golpes. Por meio do SOS Golpe e da solução de MED-as-a-Service, já apoiou centenas de milhares de vítimas e contribuiu para a recuperação de milhões de reais, conectando vítimas, bancos, fintechs e plataformas em uma rede colaborativa de resposta rápida e prevenção.

 

38% dos brasileiros já se endividaram consumindo produtos geek, revela Serasa

  • O maior gasto desse público é com streamings e assinaturas (57%);
  • 69% dos entrevistados afirmam que “ser nerd” é motivo de orgulho;
  • 50% enxergam o consumo como uma forma de expressar sua identidade;
  • 32% consideram que os nerds atuais são mais sociáveis do que os das gerações anteriores.

 

De filmes que dominaram o cinema mundial a franquias de games que viraram fenômenos culturais, a cultura geek deixou de ser nicho e se tornou um dos pilares mais influentes do entretenimento atualmente. Uma pesquisa inédita da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que mais da metade dos entrevistados (51%) reservam mensalmente um valor para seus hobbies e produtos deste universo, sendo que destes, 73% destinam até R$300 para essas compras. 

Quanto aos universos favoritos dos entrevistados, filmes e séries aparecem no topo (53%), seguidos por tecnologia (43%), games (38%) e animes (33%). Não à toa, entre os maiores gastos, se destacam streaming e assinaturas (57%), tecnologia e gadgets - dispositivos eletrônicos (31%), e livros e histórias em quadrinhos (29%). 

Apesar da paixão, o entusiasmo nem sempre vem acompanhado de planejamento: 38% dos entrevistados admitem já ter se endividado por conta de compras ou experiências, enquanto 15% afirmam ter atrasado ou deixado de pagar contas básicas por este motivo.  

“Os dados mostram que a relação do público com a cultura geek é muito emocional, e isso impacta diretamente o modo como ele consome. Entender esses hábitos é essencial para conseguir equilibrar o hobby e a organização financeira, evitando comprometer o orçamento”, conclui Laisse Francisco, especialista da Serasa em educação financeira.

 

Nerd x geek 

Tradicionalmente, “nerd” é um termo associado a pessoas profundamente interessadas por temas acadêmicos, tecnológicos e intelectuais. Já o “geek” está mais ligado à cultura pop, tecnologia, games, quadrinhos, entre outros. Na prática, as duas identidades se misturam e se complementam, unindo paixão e conexão com a comunidade. 

A pesquisa mostra que essa identidade carrega muito significado pessoal. 69% desse público afirmam que, hoje, “ser nerd” é motivo de orgulho, e 50% enxergam o consumo destes produtos como uma forma de expressar essa identidade. 

Para os entrevistados, a imagem do nerd mudou com o tempo, 35% acreditam que o termo virou “mainstream”, ou seja, uma tendência. Além disso, 32% consideram que os nerds atuais são mais sociáveis do que os das gerações anteriores e 21% afirmam que eles são mais respeitados hoje. A identidade nerd também traz benefícios práticos para 71% dos respondentes que apontam que isso os ajudou a desenvolver habilidades úteis para o trabalho ou estudos. 

“Nerd ou geek, cada pessoa tem no consumo uma forma de expressar quem é, e isso é parte essencial desse universo. A chave é garantir que essas escolhas caibam no orçamento, reforçando a importância de consumir com consciência, sem transformar a fonte de entretenimento em preocupação”, finaliza a especialista.

 

Metodologia 

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box com 501 entrevistados em todo o país, entre 30 de outubro e 10 de novembro de 2025. Margem de erro: 4,4 pontos percentuais.



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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Dentistas podem prescrever Mounjaro para apneia do sono ligada à obesidade

Mas, especialistas alertam para os riscos do uso indevido focado no emagrecimento rápido e nos danos à saúde bucal  


A Anvisa ampliou a autorização de uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para tratar apneia obstrutiva do sono ligada à obesidade e, permitiu que cirurgiões-dentistas também possam prescrevê-lo nesses casos. A mudança já gera dúvidas e pressões nos consultórios, onde a procura por estética e emagrecimento rápido muitas vezes se mistura à nova, e restrita, possibilidade de prescrição apenas para casos de apneia.
 

Diante disso, a dentista e educadora na Una Uberlândia, integrante do Ecossistema Ânima, o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade para o país, Dra. Thais Christina é categórica: “Mounjaro não é um medicamento estético”, enquanto o educador na Una Uberlândia e dentista Dr. Dhiancarlo Macedo afirma que “usar tirzepatida sem indicação e sem acompanhamento é assumir riscos reais”. 

Ambos reforçam que a autonomia prevista pela Lei 5.081/66 é válida, mas limitada: prescrever tirzepatida para fins estéticos é infração ética. “Devemos deixar claro para o paciente que a prescrição de tirzepatida não é para fins estéticos, mas sim de saúde e conscientizá-los que a perda de peso rápida é um risco à saúde oral e sistêmica. Além disso, devemos redirecionar o paciente para avaliação médica adequada, com endocrinologistas e nutricionistas, para orientações sobre hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, atividade física e mostrar que Mounjaro não é isento de riscos e não substitui estilo de vida saudável”, pontua Thais. 

Dhiancarlo orienta que os efeitos colaterais da tirzepatida, como náusea, reações gastrointestinais ou risco de desidratação, podem impactar a saúde bucal como possíveis efeitos adversos principais: redução do fluxo salivar, aumentando o risco de cárie, gengivite e halitose; erosão ácida do esmalte dental, principalmente devido aos quadros de vômito; e redução do pH salivar, deixando a saliva mais ácida. “Os efeitos adversos podem impactar negativamente tanto na saúde geral quanto na saúde bucal do paciente”, reforça ele. 

Diante de uma realidade em que a procura por soluções rápidas ameaça ultrapassar limites, a mensagem dos especialistas é direta: Mounjaro não é atalho, nem solução estética. É um tratamento sério, com riscos reais, que exige indicação precisa, acompanhamento adequado e responsabilidade compartilhada. E, diante dessas escolhas, cabe ao profissional, e ao paciente, lembrar que saúde não se negocia.
 
  
Una  

Fadiga cognitiva aumenta no fim do ano e neuropsicóloga explica por que o “cansaço mental” se intensifica em dezembro


Com a chegada de dezembro, a sensação de esgotamento mental parece atingir grande parte da população. Aumento das demandas profissionais, fechamento de ciclos, excesso de compromissos sociais e a pressão por entregar tudo antes do recesso contribuem para o que especialistas chamam de fadiga cognitiva — um estado de sobrecarga mental que compromete atenção, memória, organização e regulação emocional.


Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, é comum que o volume de queixas aumente justamente nas últimas semanas do ano.


“O cérebro tem um limite de processamento. Quando acumulamos muitas tarefas, decisões e responsabilidades, especialmente em um curto espaço de tempo, entramos em uma sobrecarga cognitiva. É por isso que, em dezembro, as pessoas relatam mais lapsos de memória, irritabilidade, dificuldade de foco e sensação de ‘cabeça cheia’”, explica.


A especialista destaca que o fenômeno é resultado direto do estilo de vida contemporâneo, marcado pela multitarefa e pela pressão constante por produtividade. “Passamos o ano inteiro funcionando no modo acelerado e, quando o fim do ano chega, existe uma cobrança interna e externa para ‘fechar tudo’, o que aumenta ainda mais a exigência sobre o nosso sistema executivo — a parte do cérebro responsável por planejamento, tomada de decisões, priorização e controle emocional”, afirma.


Aline Graffiette também lembra que a fadiga cognitiva não é apenas mental, mas afeta o corpo como um todo. “Quando o cérebro está exausto, todo o organismo sente. O sono fica prejudicado, a ansiedade aumenta, e tarefas simples parecem mais difíceis. Não é falta de competência — é fisiologia. O cérebro precisa de pausas para reorganizar informações e recuperar energia”, diz.


De acordo com a neuropsicóloga, o fim do ano ainda reúne fatores emocionais que intensificam o cansaço: balanços pessoais, expectativas para o próximo ciclo e pressões sociais relacionadas a encontros familiares e festividades.


“Muitas pessoas chegam a dezembro com a sensação de que precisam dar conta de múltiplos papéis ao mesmo tempo. É um período que combina demandas práticas com cargas emocionais, e isso contribui para o esgotamento”, observa.


Para minimizar os efeitos da fadiga cognitiva, Aline recomenda estratégias simples, mas eficazes: pausas programadas, organização das tarefas por prioridade, redução do excesso de estímulos e, principalmente, momentos de descanso real.


“O cérebro não se recupera enquanto continua recebendo estímulos. A pausa verdadeira — longe do celular, do trabalho e das cobranças — é essencial para restaurar a energia mental. Entrar em janeiro mais equilibrado depende das escolhas que fazemos em dezembro”, reforça. 


A expectativa é que, com maior conscientização sobre o tema, pessoas e empresas adotem práticas mais saudáveis na reta final do ano, prevenindo o esgotamento e favorecendo um início de ciclo mais leve e produtivo.



Vai para a praia? Veja as doenças que mais aparecem no fim do ano e como se protege

 

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Calor, comidas não refrigeradas e aglomerações favorecem surtos de gastroenterites e infecções respiratórias 


Sol, mar, confraternizações e muita comida. O cenário típico das festas de fim de ano também cria condições ideais para o aparecimento de doenças como gastroenterites, intoxicações alimentares e infecções respiratórias. De acordo com Carla Kobayashi, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, o aumento das temperaturas, a má conservação de alimentos e o contato intenso entre pessoas explicam o crescimento dos casos nesse período.

As doenças gastrointestinais lideram as ocorrências, segundo a especialista. Elas estão relacionadas à contaminação por bactérias e vírus que se proliferam com facilidade em ambientes quentes e úmidos, especialmente quando há falhas na higiene das mãos ou na conservação de alimentos. “A principal complicação das gastroenterites é a desidratação. Por isso, é fundamental procurar atendimento médico diante de sinais como diminuição do volume urinário ou dificuldade para ingerir líquidos”, reforça Carla.

A médica explica que quando os alimentos ficam muito tempo fora da refrigeração ou em temperatura inadequada, como nas festas ou na praia, há maior risco de proliferação de microrganismos, como a Salmonella e a Escherichia coli.

De acordo com um estudo do Global Burden of Disease (GBD), publicado no The Lancet Infectious Diseases em 2024, as doenças diarreicas continuam sendo uma das principais causas de morte no mundo, especialmente entre crianças e idosos, apesar de uma redução expressiva nas últimas três décadas[1]. Os principais sintomas incluem diarreia, vômitos, febre, dor abdominal e mal-estar.

Já as infecções respiratórias também se tornam mais comuns nesta época. Mesmo com o calor, vírus como influenza, rinovírus, vírus sincicial respiratório e o próprio coronavírus seguem em circulação. As aglomerações típicas de fim de ano, festas de empresa, encontros familiares e viagens, aumentam o risco de transmissão.

“É um período em que há mais contato entre as pessoas, o que facilita a propagação de vírus respiratórios”, reforça Kobayashi. Os sintomas mais frequentes são febre, dor de cabeça, dor de garganta, coriza, tosse e dores no corpo.

O Ministério da Saúde alerta para o aumento do risco de arboviroses, como Dengue, Zika e Chikungunya, nos meses mais quentes e chuvosos. Mesmo diante de uma queda de mais de 70% nos casos de dengue em 2025, o período de aparente tranquilidade não significa segurança garantida. Entre janeiro e outubro deste ano, foram registrados aproximadamente 1,3 milhão de casos prováveis de dengue e, segundo a especialista, o combate ao mosquito vetor continua sendo a melhor estratégia para enfrentar a doença.

Dicas simples para prevenir doenças de verão:

  • Higienizar bem as mãos antes do preparo dos alimentos, antes e após comer e após tossir ou espirrar.
  • Evitar alimentos que ficaram muito tempo fora da geladeira, especialmente os que levam ovos ou maionese.
  • Usar água potável e consumir apenas frutas bem lavadas.
  • Manter-se hidratado, já que o calor favorece a desidratação.
  • Evitar aglomerações se estiver com sintomas gripais.
  • Cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e não compartilhar copos ou talheres.
  • Usar repelente e eliminar criadouros do mosquito da dengue.

Além disso, Carla recomenda atenção redobrada à hidratação e à alimentação leve, com preferência por frutas e alimentos frescos. “Evitar excessos e manter o cuidado com os alimentos são atitudes simples que fazem diferença para aproveitar o verão com saúde”, finaliza a infectologista.

 

Hospital Sírio-Libanês
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Dezembro Laranja 2025 mobiliza mutirão nacional de prevenção ao câncer de pele

Marcelo Matusiak

Ação do dia 13/12 terá atendimentos gratuitos em mais de 100 postos no Brasil, incluindo quatro cidades gaúchas


No sábado, 13/12, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza o Dia do Atendimento Gratuito, uma das maiores ações da Campanha Dezembro Laranja, dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de pele — o tipo de câncer mais frequente no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O mutirão ocorrerá das 9h às 15h, reunindo cerca de 2.000 dermatologistas voluntários em mais de 100 postos distribuídos por todo o país, com avaliações gratuitas e exclusivas para lesões suspeitas.

No Rio Grande do Sul, a mobilização será conduzida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio Grande do Sul (SBD-RS), com atendimento simultâneo em Porto Alegre, Alvorada, Caxias do Sul e Santa Cruz do Sul. Para o presidente da SBD-RS, Dr. Juliano Peruzzo, o Dia do Atendimento cumpre um papel essencial de prevenção.

“O Dezembro Laranja é mais do que uma campanha: é um chamado para a responsabilidade com a própria saúde. Avaliar pintas e manchas uma vez por ano e buscar diagnóstico precoce salva vidas. O mutirão do dia 13 é uma oportunidade concreta para que a população gaúcha tenha acesso ao cuidado especializado e gratuito”, afirmou.

A SBD destaca que o objetivo central da iniciativa é identificar precocemente lesões suspeitas de câncer de pele e orientar sobre hábitos de proteção solar — um ponto crítico no país. Em 2024, dados nacionais apontam que 62,51% dos atendidos declararam se expor ao sol sem proteção e apenas 31,63% utilizam filtro solar regularmente. Os números reforçam a urgência da conscientização: naquele ano, entre os pacientes avaliados, 14,84% apresentaram carcinoma basocelular, 11,51% pré-neoplasias, 4,68% carcinoma epidermoide e 2,31% melanoma maligno — os tipos mais comuns de câncer de pele.

A coordenadora nacional da campanha nacional, Dra. Bianca Costa Soares de Sá, lembra que a fotoproteção diária — unindo filtro solar, barreiras físicas e visitas regulares ao dermatologista — é o caminho mais efetivo para reduzir novos casos. Desde 1999, o mutirão nacional já realizou mais de 600 mil atendimentos, identificando mais de 75 mil casos suspeitos.

A Campanha Dezembro Laranja 2025 reforça o autocuidado, a atenção às próprias pintas, o cuidado com familiares e a importância do check-up anual com o dermatologista. Embora a atenção à pele deva ocorrer o ano inteiro, é no verão que os riscos aumentam e a SBD intensifica o alerta. A projeção 2023-2025 do INCA estima aproximadamente 220,49 mil novos casos de câncer de pele por ano no Brasil.


Como participar

Qualquer pessoa pode buscar atendimento, especialmente aquelas com fatores de risco como histórico familiar, muitas pintas, sardas, pele muito clara ou episódios de queimadura solar. Basta comparecer ao posto de atendimento mais próximo levando documento de identidade.


Serviço – Locais de Atendimento no Rio Grande do Sul

Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele – 13/12/2025


Porto Alegre

Ambulatório de Especialidades IAPI

Rua Três de Abril, 90 – Passo d’Areia

Informações: (51) 3289.5759


Alvorada

PAM 8

Rua Roberto Feijó, 147 – Bela Vista

Informações: (51) 3411.8093


Caxias do Sul

Centro Clínico da Universidade de Caxias do Sul (CECLIN)

Rua Ernesto Graziotin, 29–129 – Petrópolis

Informações: (54) 99704.6537


Santa Cruz do Sul

Ambulatório Acadêmico – Hospital Santa Cruz

Rua Marechal Deodoro, 861 – Centro

Informações: (51) 9713.7439

Em casos de suspeita, procure um médico dermatologista. Profissionais habilitados podem ser conferidos no site da SBD-RS: http://www.sbdrs.org.br


Marcelo Matusiak

 

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência expõe retrocessos na participação social; Autistas Brasil denuncia violação ao princípio constitucional “Nada Sobre Nós Sem Nós”9

Criada por movimentos sociais há 40 anos, a data renova a luta por direitos, igualdade e inclusão
 

Instituído pela ONU em 1992, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro, tem como objetivo promover a inclusão plena e os direitos humanos de mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo. No Brasil, a data assume especial relevância: desde 2008, com a ratificação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) com status de emenda constitucional, o país assumiu o compromisso de garantir que nenhuma política pública seja formulada sem a participação direta das pessoas com deficiência.

No entanto, apesar dos avanços normativos, a prática institucional revela um cenário preocupante: Executivo e Legislativo continuam a produzir decretos, portarias e projetos de lei sem consulta adequada às pessoas com deficiência — como no recente caso do Decreto 12.686/2025 — violando frontalmente o artigo 4.3 da CDPD, que exige participação ativa e qualificada das pessoas com deficiência e de suas organizações representativas em qualquer medida que as afete. 

A Autistas Brasil, organização nacional de defesa dos direitos das pessoas autistas, afirma que a exclusão sistemática das pessoas com deficiência dos processos decisórios constitui violação constitucional, retrocesso democrático e ameaça direta à legitimidade de políticas públicas. 

“A exclusão das pessoas com deficiência do processo de elaboração das políticas que lhes dizem respeito virou conduta reiterada do Estado brasileiro. O Decreto 12.686/2025 apenas evidencia o problema: foi construído sem participação, em contradição com a Constituição e com a retórica da inclusão. Não é exceção — é invisibilização.” Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil. 

Segundo a entidade, políticas públicas construídas sem participação direta tendem a reproduzir modelos capacitistas, medicalizantes ou tutelares, além de invisibilizar demandas específicas que só são reconhecidas por quem vive a experiência da deficiência na primeira pessoa.
 

Uma distorção específica da pauta autista: a identidade substitutiva da “mãe atípica”

A Autistas Brasil chama atenção para um fenômeno cada vez mais frequente no campo do autismo: a substituição da identidade da pessoa autista pela identidade de sua mãe ou cuidador, frequentemente apresentada sob o rótulo de “mãe atípica”. 

Enquanto nos movimentos históricos de pessoas com deficiência familiares se identificam como “mãe de uma pessoa surda”, “pai de uma pessoa cega” ou “mãe de uma pessoa com paralisia cerebral”, na pauta autista cresce a apropriação identitária em que mães passam a ocupar simbolicamente o lugar do próprio sujeito de direitos. 

“As famílias são fundamentais para o cuidado, para o apoio e para a luta cotidiana. Mas, por mais importantes que sejam, elas não podem ocupar o lugar de fala das pessoas autistas. Isso não é uma crítica às famílias — é apenas o reconhecimento de que o lugar de fala decorre da experiência vivida, e não do vínculo afetivo. Assim como uma mulher branca, por mais amor e compromisso que tenha, não vive o que seus filhos negros vivem, uma mãe ou um pai também não vivenciam a condição autista em primeira pessoa. Por isso, quando o Estado ouve apenas familiares e não escuta autistas, ele desloca a política pública do ponto de vista de quem vive a experiência para o ponto de vista de quem a observa. E políticas construídas a partir de olhares substitutivos violam o princípio constitucional da participação direta previsto na CDPD e fragilizam a legitimidade democrática das decisões.” Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil. 

Essa prática, segundo a entidade, apaga a voz autista, fortalece mecanismos de tutela emocional, cria barreiras à autodefesa e legitima políticas públicas construídas sem os próprios autistas — tornando o princípio internacional Nada Sobre Nós Sem Nós esvaziado de sentido.
 

Dados reforçam urgência de políticas inclusivas e participação direta

Os dados destacam a relevância do tema: segundo o Censo 2010 do IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de deficiência. No Censo 2022, pela primeira vez foram incluídas informações sobre autismo, identificando 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) — cerca de 1,2% da população, com maior prevalência entre crianças de 5 a 9 anos. 

Para a Autistas Brasil, entidade que desde 2020 atua na defesa dos direitos das pessoas autistas e na promoção de políticas públicas de inclusão, a data reforça a necessidade urgente de ampliar a participação direta desse grupo nas instâncias de controle social, nos processos de formulação normativa e nas pautas nacionais de direitos humanos. 

A organização participa de fóruns, pesquisas e instâncias consultivas em diversas áreas e alerta que qualquer avanço só se sustenta quando a autonomia e a representatividade das pessoas com deficiência são respeitadas. 

Mais do que uma data no calendário, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é um chamado para renovar o compromisso coletivo com uma sociedade realmente acessível, democrática e plural. Assim como a metáfora da árvore — símbolo de renascimento — essa data marca a necessidade permanente de reafirmar o protagonismo das pessoas com deficiência e garantir que nenhuma decisão sobre elas seja tomada sem elas.
 

Sobre a Autistas Brasil

A Autistas Brasil atua desde 2020 na defesa dos direitos das pessoas autistas e pela efetivação de políticas públicas inclusivas em todo o território nacional. A entidade é referência no debate sobre educação inclusiva e direitos humanos, participando de instâncias consultivas e fóruns de controle social em diversas áreas.


Caso da leoa expõe como falhas institucionais deixam pessoas em sofrimento psíquico sem proteção


A morte do jovem de 19 anos que entrou na área de uma leoa no zoológico de João Pessoa (PB) levou a discussões sobre o sofrimento psíquico severo e a fragilidade das redes de cuidado no Brasil. De acordo com familiares e documentos divulgados pela imprensa, o jovem vivia com histórico de vulnerabilidade, possível condição neurológica e passagens por diferentes setores públicos, uma trajetória que ajuda a contextualizar o risco extremo que culminou no episódio. 

Para Karen Scavacini, psicóloga, pesquisadora e fundadora do Instituto Vita Alere, compreender casos como esse exige deslocar o olhar do ato em si para tudo o que o antecedeu. “Quando situações extremas como essa acontecem, é comum que o debate público se concentre apenas no episódio. Mas o que realmente precisamos enxergar é o cenário anterior que permitiu que aquela tragédia se tornasse possível”, afirma. 

Esses episódios raramente acontecem de forma isolada. Na maioria dos casos, são consequência de vulnerabilidade social combinada com falhas sucessivas das instituições públicas. Pessoas em sofrimento intenso passam por escolas, unidades de saúde, assistência social, segurança pública e até pelo sistema judiciário, mas quase nunca encontram uma política que integre essas áreas ou assegure continuidade de cuidado. 

O Brasil teve avanços importantes com a luta antimanicomial, mas isso não elimina a necessidade de estruturas qualificadas para casos graves e episódios como o de João Pessoa evidenciam a necessidade urgente de políticas consistentes e não apenas respostas pontuais. “Precisamos de mecanismos claros de busca ativa, encaminhamento, monitoramento entre setores e responsabilização compartilhada entre saúde, assistência e justiça. Jovens e adultos em sofrimento psíquico severo não podem ser tratados como casos isolados, mas como indicadores de falhas sociais acumuladas”, diz. 

O debate público precisa mudar de foco: a questão não é apenas compreender as ações da pessoa, mas apontar onde falharam as instituições responsáveis por sua proteção. Sem respostas sistêmicas, tragédias anunciadas continuam sendo tratadas como imprevisíveis. 

Casos como este funcionam como alerta para reforçar políticas de proteção, integrar de forma efetiva diferentes setores e garantir acompanhamento contínuo. O objetivo é criar um sistema em que pessoas em sofrimento grave não dependam do acaso para receber apoio. 

 

Karen Scavacini - psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em pós‑venção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.

 

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