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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Dentistas podem prescrever Mounjaro para apneia do sono ligada à obesidade

Mas, especialistas alertam para os riscos do uso indevido focado no emagrecimento rápido e nos danos à saúde bucal  


A Anvisa ampliou a autorização de uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para tratar apneia obstrutiva do sono ligada à obesidade e, permitiu que cirurgiões-dentistas também possam prescrevê-lo nesses casos. A mudança já gera dúvidas e pressões nos consultórios, onde a procura por estética e emagrecimento rápido muitas vezes se mistura à nova, e restrita, possibilidade de prescrição apenas para casos de apneia.
 

Diante disso, a dentista e educadora na Una Uberlândia, integrante do Ecossistema Ânima, o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade para o país, Dra. Thais Christina é categórica: “Mounjaro não é um medicamento estético”, enquanto o educador na Una Uberlândia e dentista Dr. Dhiancarlo Macedo afirma que “usar tirzepatida sem indicação e sem acompanhamento é assumir riscos reais”. 

Ambos reforçam que a autonomia prevista pela Lei 5.081/66 é válida, mas limitada: prescrever tirzepatida para fins estéticos é infração ética. “Devemos deixar claro para o paciente que a prescrição de tirzepatida não é para fins estéticos, mas sim de saúde e conscientizá-los que a perda de peso rápida é um risco à saúde oral e sistêmica. Além disso, devemos redirecionar o paciente para avaliação médica adequada, com endocrinologistas e nutricionistas, para orientações sobre hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, atividade física e mostrar que Mounjaro não é isento de riscos e não substitui estilo de vida saudável”, pontua Thais. 

Dhiancarlo orienta que os efeitos colaterais da tirzepatida, como náusea, reações gastrointestinais ou risco de desidratação, podem impactar a saúde bucal como possíveis efeitos adversos principais: redução do fluxo salivar, aumentando o risco de cárie, gengivite e halitose; erosão ácida do esmalte dental, principalmente devido aos quadros de vômito; e redução do pH salivar, deixando a saliva mais ácida. “Os efeitos adversos podem impactar negativamente tanto na saúde geral quanto na saúde bucal do paciente”, reforça ele. 

Diante de uma realidade em que a procura por soluções rápidas ameaça ultrapassar limites, a mensagem dos especialistas é direta: Mounjaro não é atalho, nem solução estética. É um tratamento sério, com riscos reais, que exige indicação precisa, acompanhamento adequado e responsabilidade compartilhada. E, diante dessas escolhas, cabe ao profissional, e ao paciente, lembrar que saúde não se negocia.
 
  
Una  

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