O uso de tecnologia já é uma realidade consolidada no setor
educacional brasileiro, e seu impacto será ainda mais profundo e estratégico em
2026. Se antes discutíamos a implementação de ferramentas digitais, agora o
debate avança para a criação de ecossistemas de aprendizagem verdadeiramente
inteligentes, capazes de integrar a gestão, a pedagogia e toda a jornada do
estudante, de ponta a ponta.
Esse movimento, mais integrado e orientado a dados, prepara os
estudantes para as exigências de um mercado de trabalho em constante evolução e
responde a uma sociedade que demanda flexibilidade e eficiência. Ao mesmo
tempo, a transformação digital ainda apresenta seus desafios: a crescente
competitividade, marcada por fusões e pela expansão de grandes redes, eleva a
pressão por inovação e por modelos de negócio sustentáveis. Nesse contexto, a
diferença entre as instituições que lideram a transformação e aquelas que
apenas reagem a ela torna-se cada vez mais evidente.
Para avançar, é essencial capacitar o corpo docente para extrair o
máximo potencial das novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, e a
necessidade de navegar em um ambiente regulatório complexo, com novas regras
para a Educação à Distância (EaD) e os impactos da Reforma Tributária. Essas
barreiras demandam planejamento e investimento estratégico.
Apesar dos obstáculos, a evolução é inevitável e está em pleno
curso. É fundamental que as instituições de ensino estejam atentas às inovações
que definirão os próximos anos. Para 2026, três movimentos ganharão destaque no
setor educacional:
IA: da automação à análise preditiva
A Inteligência Artificial deverá deixar de ser uma promessa para
se tornar um componente central tanto na gestão administrativa quanto na
experiência pedagógica. Em 2026, devemos ver a IA, combinada com Learning
Analytics e Business Intelligence (BI), sendo usada não apenas para automatizar
tarefas, mas para gerar insights preditivos sobre o risco de evasão,
identificar lacunas de aprendizagem em tempo real e personalizar as trilhas de
conhecimento em escala. A tecnologia permitirá que gestores e coordenadores
tomem decisões mais rápidas e assertivas, otimizando recursos e melhorando os
indicadores de qualidade acadêmica.
A hiperpersonalização do ensino e da experiência do aluno
O modelo de "tamanho único" está com os dias contados. A
demanda por flexibilidade impulsionará a consolidação do ensino híbrido e a
proliferação de microcertificações e cursos de curta duração. Nesse contexto, a
Experiência do Aluno (CX) se torna o principal diferencial competitivo.
Instituições de sucesso tendem a ser aquelas que utilizarão plataformas de CRM
para mapear e gerenciar toda a jornada do estudante, desde a captação até a sua
vida como egresso. A capacidade de oferecer currículos flexíveis, incluindo
opções bilíngues e internacionais, e de comunicar esse valor por meio de um
storytelling institucional coeso será decisiva para a captação e,
principalmente, para a retenção de alunos.
Gestão integrada: o pilar para a sustentabilidade e o compliance
Toda essa inovação na linha de frente exige uma retaguarda robusta e integrada. A complexidade crescente das operações e do cenário regulatório torna um sistema de gestão (ERP) especializado em educação mais vital do que nunca. Em 2026, será impossível competir sem uma plataforma que centralize a gestão acadêmica, financeira e administrativa, garantindo o compliance com as novas exigências do MEC e da Reforma Tributária. Além disso, a tecnologia deverá apoiar o desenvolvimento docente, integrando planos de formação e gestão de competências diretamente à gestão de pessoas e folha de pagamento, assegurando que o corpo docente esteja preparado para liderar a transformação digital em sala de aula.
O setor educacional tem a missão de formar os profissionais e
cidadãos do futuro. Para cumprir esse papel em um mundo em constante mudança, é
preciso enxergar a tecnologia como aliada estratégica. As instituições que
integrarem processos, fortalecerem a inteligência de dados e qualificarem suas
equipes não apenas sobreviverão, como também tendem a liderar a nova era da
educação no Brasil. 2026 tende a ser um marco nesse caminho.
Eduardo
Pires - diretor de produtos para Educacional da TOTVS
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