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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Primeiros sinais do Alzheimer podem passar despercebidos; saiba identificá-los

Alterações de memória, linguagem e orientação podem ser confundidas com envelhecimento normal, atrasando o diagnóstico e o início dos cuidados

 

Esquecer onde colocou as chaves, confundir os nomes dos netos ou repetir histórias contadas dezenas de vezes são rotina para os avós de qualquer um. Esses esquecimentos, muitas vezes, fazem parte do envelhecimento normal. Mas quando se tornam frequentes e vêm acompanhados de outros sinais, pode ser hora de prestar mais atenção. 

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência. Ela provoca alterações no cérebro que afetam a memória, o raciocínio e o comportamento, podendo evoluir a ponto de dificultar até mesmo as tarefas simples do dia a dia1. No entanto, segundo o neurologista Antônio Eduardo Damin, médico consultor da Libbs, a semelhança entre sintomas iniciais do Alzheimer e comportamentos normais decorrentes do envelhecimento dificultam o diagnóstico da doença em tempo oportuno, ou seja, nas fases iniciais. 

“Quanto mais cedo é feito o diagnóstico correto, maior é a possibilidade do paciente e a família planejarem os cuidados e se preparem para enfrentar a doença, garantindo um acompanhamento médico e emocional mais adequado, além do tratamento correto”, explica. 

As causas diretas do Alzheimer ainda não são claras, mas essa é uma das principais áreas de pesquisa na medicina. Estudos indicam que duas proteínas estão por trás dos danos cerebrais: a beta-amiloide, que se acumula formando placas, e a Tau, que se acumula formando emaranhados dentro das células nervosas1. 

Embora essas alterações possam acontecer em algumas pessoas à medida que envelhecem, quem desenvolve doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, apresenta uma quantidade maior desses depósitos1. O acúmulo atinge inicialmente as áreas do cérebro responsáveis pela memória e, com o tempo, se espalha, afetando outras funções1. 

Antes mesmo de surgirem os primeiros sintomas do Alzheimer, alterações silenciosas já estão em curso no cérebro. Por exemplo, pesquisas indicam que o acúmulo exagerado das placas e emaranhados das proteínas começam até uma década antes dos primeiros sinais da doença. Esse estágio é conhecido como Alzheimer pré-clínico2. 

Quando os sintomas aparecem, eles variam de pessoa para pessoa. Em geral, os primeiros sinais do Alzheimer envolvem perda de memória recente, como esquecer conversas ou eventos que aconteceram há pouco tempo2. Mas outras áreas cognitivas também podem ser afetadas nesse início, levando a dificuldades para encontrar palavras, compreender imagens, tomar decisões e até se orientar no tempo e no espaço2,3. 

Com o avanço da doença, o paciente tem cada vez mais dificuldade em entender o mundo ao seu redor. Os sinais da doença ficam mais reconhecíveis para amigos e familiares2 e surgem sintomas mais marcantes, como confusão mental e desorientação, comportamento repetitivo ou impulsivo, delírios, desconfiança, problemas de linguagem, alterações no sono e no humor, dificuldade para calcular distâncias e até alucinações3. Nessa fase moderada, supervisão e cuidados mais intensivos podem se tornar indispensáveis2. 

Na fase mais grave do Alzheimer, os sintomas se tornam cada vez mais acentuados, podendo causar angústia para a pessoa com a doença e para seus cuidadores, amigos e familiares2,3. Nessa fase, é comum ter perda da comunicação verbal, desorientação total, perda de peso e apetite, crises epilépticas, deterioração física geral, dificuldade para engolir, incontinência, e sono excessivo2,3. 

Entre os sintomas mais desafiadores estão as alucinações e delírios, que podem aparecer e desaparecer a qualquer momento, piorando à medida que a condição avança³. Além disso, os pacientes perdem a capacidade de responder ao ambiente, de manter uma conversa e, eventualmente, de controlar os movimentos4. 

Se você ou alguém próximo apresentar um ou mais dos sintomas mencionados, é fundamental buscar orientação médica. Abordar essas mudanças pode ser desafiador ou desconfortável, mas é crucial que recebam a devida atenção4. “Mesmo que ainda não afetem a rotina, os sinais não devem ser ignorados. Quanto antes o diagnóstico correto é efetivado, melhores são as possibilidades para o bem-estar do paciente e de seus familiares”, reforça Damin.

 

Referências: 

1. Valdez-Gaxiola CA, Rosales-Leycegui F, Gaxiola-Rubio A, Moreno-Ortiz JM, Figuera LE. Early- and Late-Onset Alzheimer's Disease: Two Sides of the Same Coin? Diseases. 2024;12(6):110. 

2. National Institute on Aging. What Are the Signs of Alzheimer's Disease? 2022 [Internet]. [acesso em 18 ago 2025]. Disponível em: https://www.nia.nih.gov/health/alzheimerssymptoms-and-diagnosis/what-are-signs-alzheimers-disease 

3. National Health Service (NHS). Symptoms- Alzheimer's disease. 2024 [Internet]. [acesso em 18 ago 2025]. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/alzheimers-disease/symptoms/ 

4. Alzheimer's Association. 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer's and Dementia. 2025 [Internet]. [acesso em 18 ago 2025]. Disponível em: https://www-alzorg.translate.goog/alzheimersdementia/10_signs?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

 


AME: quando a ciência abre caminhos, o acesso precisa acompanhar

A história da atrofia muscular espinhal (AME) tem sido reescrita nos últimos anos. O que antes era um diagnóstico com poucas perspectivas, hoje apresenta um cenário diferente, com inovações terapêuticas que permitem que pessoas com AME vivam com autonomia, estudem, trabalhem e se relacionem com qualidade de vida. O Brasil já conta com diferentes tipos de inovações, o que amplia as possibilidades de cuidado e oferece abordagens diferentes para cada necessidade do paciente.


Mesmo diante dessa evolução, o acesso pleno e equitativo ainda é um desafio urgente. Segundo a pesquisa "Retrato da AME no Brasil" — conduzida pela Editora Abril, com apoio do Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal (INAME) e da Roche Farma Brasil —, para mais de 54% dos participantes, as terapias medicamentosas e de suporte melhoram consideravelmente o convívio com a condição. Para que os avanços científicos se traduzam em uma vida plena, o cuidado adequado, acessível e centrado no paciente é o elo indispensável.

Nesse sentido, a abordagem descentralizada, com cuidados em locais de menor complexidade, é um marco importante. Além de melhorar a experiência clínica e a adesão ao tratamento, ela reduz a dependência de deslocamentos e hospitalizações, mostrando como a inovação pode tornar o cuidado mais próximo, inclusivo e sustentável.

Estudos demonstram que o acesso a um tratamento mais próximo da residência não apenas facilita a rotina dos familiares e melhora os desfechos clínicos, mas também otimiza custos para o sistema de saúde. Conforme a consultoria L.E.K., a economia dos tratamentos realizados em casa pode chegar a 80% em comparação com internações hospitalares.

Complementando essa visão, um estudo apresentado no XVIII Congresso Internacional de Custos demonstrou que a economia ocorre em cerca de 30% dos casos de alta complexidade e até 80% nos de baixa, principalmente devido à adoção de tecnologias de monitoramento remoto.

A AME não afeta apenas a pessoa diagnosticada, mas toda a estrutura familiar. A falta de acesso a um tratamento contínuo e humanizado sobrecarrega os cuidadores, compromete sua saúde mental e pode resultar na perda de renda.

De acordo com a pesquisa "Retrato da AME no Brasil", 64% dos cuidadores precisam reduzir ou até deixar o trabalho para se dedicar integralmente ao familiar com AME, e nove em cada dez relatam impactos físicos ou mentais decorrentes dessa responsabilidade.

Além do desafio do cuidado, a equidade no acesso permanece como uma barreira. As leis e políticas de saúde ainda não acompanham a velocidade das descobertas científicas. Segundo o levantamento, oito em cada dez entrevistados sentem dificuldades para conseguir medicamentos e seis em cada dez para agendar terapias de suporte, dificultando a cobertura de tratamentos que comprovadamente melhoram a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes.

O cenário atual da AME no Brasil mostra que estamos em um momento de avanços significativos, mas que só terão impacto real se acompanhados de políticas públicas, infraestrutura de cuidado descentralizada e equidade no acesso.

Acreditamos em uma nova era no cuidado, em que os pacientes tenham acesso a uma jornada que priorize a inclusão, a equidade e a escuta ativa da comunidade. Sabemos que ainda há muito a ser feito para garantir que os avanços científicos se traduzam em acesso real e continuado para todos. A Roche segue empenhada em colaborar com a ciência, a indústria, os órgãos regulatórios e as comunidades para que ninguém fique para trás nessa caminhada.

 


Michelle França - Diretora Médica da Roche Farma Brasil

 

Referências:

  1. Pesquisa Retrato da AME no Brasil Link
  2. Terapias Domiciliares em Doenças Raras: Regulamentação e Acesso no Século XXI Link
  3. XVIII Congresso Internacional de Custos: a estratégia de home care para redução de custos de internação hospitalar: o caso de uma operadora de plano de saúde Link

Crianças passam até 3 horas por dia nas telas, aponta Datafolha, e má postura já preocupa especialista

Pesquisa revela uso acima do recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria; fisioterapeuta alerta para impactos do hábito na coluna infantil e dá orientações práticas aos pais

 

O uso de telas entre crianças brasileiras segue muito acima do recomendado pelos especialistas. Uma pesquisa Datafolha realizada em abril com 2.206 pessoas em todo o país, sendo 822 responsáveis diretos por crianças de até 6 anos, revela que pequenos de 0 a 6 anos passam, em média, de duas a três horas por dia diante de celulares, tablets ou computadores. O uso diário atinge 78% das crianças com até 3 anos e 94% daquelas entre 4 e 6 anos. Os índices destoam das diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que orienta zero exposição a telas até os 2 anos e no máximo uma hora diária entre 2 e 5 anos. 

Segundo a fisioterapeuta Aryane Silva, mestre e pós-graduada em Fisioterapia Neurofuncional Adulto e Infantil e professora do curso de Fisioterapia do UniBH – integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima - o cenário acende um alerta não apenas cognitivo, mas físico: o uso precoce e prolongado de dispositivos tem provocado alterações posturais cada vez mais comuns na infância e adolescência. “Estamos observando um volume muito grande de vícios, como aumento de casos de curvatura anormal e acentuada na região torácica da coluna vertebral (hipercifose), protrusão cervical e encurtamentos importantes da musculatura peitoral”, afirma. Quadros de escoliose também têm sido identificados com frequência. 

A especialista destaca ainda que a situação se agrava especialmente entre pré-adolescentes e adolescentes de 10 a 15 anos, fase marcada pelo estirão de crescimento. “É um período de intensa mudança corporal. Se a má postura se mantém, ela influencia diretamente no desenvolvimento das estruturas da coluna”, explica. 

Entre os problemas que surgem com o uso prolongado das telas Silva também cita a chamada síndrome do pescoço de texto, caracterizada pela flexão excessiva da cabeça e sobrecarga da musculatura cervical. “Ela gera dor, tensão importante na região dos ombros e dificuldade de manter o alinhamento adequado”, descreve Aryane. 

A fisioterapeuta reforça que a má postura infantil pode repercutir na vida adulta. “Com o tempo, essas alterações podem se estruturar, gerar dores crônicas, fraqueza muscular e impactar diretamente a qualidade de vida”, alerta.

 

Onde a postura piora? 

Segundo a docente do UniBH, as posições mais críticas são as sentadas no sofá, cama ou carro, nas quais a criança tende a projetar a cabeça para baixo. Deitar-se de barriga para cima pode ser menos prejudicial, desde que haja apoio adequado, mas não elimina o risco. “É difícil manter o alinhamento cervical quando a criança segura o aparelho com as mãos; a tendência é sempre curvar a cabeça”, destaca. 

Para minimizar impactos, Aryane orienta ajustes simples de rotina e ergonomia, entre eles usar mesa, apoio para as mãos e cadeira adequada, sempre que possível; pausas frequentes a cada uma hora, no máximo; e alongamentos rápidos com extensores da coluna e flexores cervicais, que podem ser feitos em qualquer ambiente. “Alongamentos simples já reduzem tensões musculares importantes, especialmente na região do pescoço e do tronco”, diz.

 

Quando procurar um fisioterapeuta? 

Para Aryane, a fisioterapia não deve ser vista apenas como tratamento, mas como prevenção. “Qualquer sinal de dor, desconforto ou alteração postural já justifica uma avaliação. E mesmo sem sintomas, o acompanhamento preventivo ajuda a manter o alinhamento e evitar problemas futuros”, afirma. 

Entre os tratamentos mais utilizados estão fortalecimento muscular, mobilidade articular e orientações ergonômicas personalizadas. A melhora costuma ser rápida. “Em muitos casos, três sessões já fazem grande diferença para o alívio de dor e evolução funcional”, relata.

 

Dezembro Vermelho: prevenção de ISTs vai além do teste de HIV e exige check-up completo

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Especialistas alertam que infecções silenciosas como sífilis, HPV e hepatites podem causar danos graves se não diagnosticadas a tempo. A testagem regular é um pilar essencial da prevenção, ao lado do uso de preservativos  

 

A campanha Dezembro Vermelho é um momento crucial para ampliar o debate sobre a prevenção ao HIV/Aids. No entanto, especialistas alertam que o cuidado com a saúde sexual deve ser mais abrangente, incluindo um check-up periódico para diversas outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) que, muitas vezes, não apresentam sintomas. Infecções como sífilis, clamídia, HPV e as hepatites virais podem evoluir silenciosamente e, quando não tratadas, levar a consequências graves como infertilidade, câncer e danos neurológicos. 

O check-up de ISTs é um ato de autocuidado e de responsabilidade, pois permite o diagnóstico precoce, o tratamento eficaz e a quebra da cadeia de transmissão. "Muitas pessoas associam a testagem de ISTs apenas ao HIV, mas há um universo de outras infecções que precisam de atenção. A sífilis, por exemplo, tem registrado um aumento alarmante de casos no Brasil e pode ser facilmente diagnosticada e tratada com um simples exame de sangue", explica Luciana Campos, consultora médica e infectologista do Sabin Diagnóstico e Saúde. 

"A testagem periódica é uma das mais importantes ferramentas de cuidado, pois permite que o indivíduo conheça sua condição de saúde, receba o tratamento correto e proteja seus parceiros”, complementa.

 

O que incluir em um check-up de saúde sexual? 

Após uma conversa com um médico de confiança, um check-up completo para ISTs deve contemplar os seguintes exames:

  1. HIV 1 e 2: Testes de quarta geração já conseguem detectar o vírus em uma janela imunológica menor, agilizando o diagnóstico.
  2. Sífilis (VDRL e testes treponêmicos): Essenciais para identificar a bactéria Treponema pallidum em seus diferentes estágios.
  3. Hepatites Virais (B e C): Infecções que atacam o fígado e podem se tornar crônicas. O diagnóstico precoce é vital para evitar danos hepáticos severos.
  4. HPV (Papilomavírus Humano): Testes moleculares e o exame Papanicolau são cruciais para a detecção do vírus, principal causador do câncer de colo de útero.
  5. Clamídia e Gonorreia: Duas das ISTs bacterianas mais comuns, frequentemente assintomáticas e com grande potencial para causar doença inflamatória pélvica e infertilidade.
  6. Herpes Simples (Tipo 1 e 2): O diagnóstico sorológico pode identificar a infecção mesmo fora dos períodos de crise.
  7.  

Prevenção combinada é a estratégia mais eficaz 

A testagem, no entanto, é um pilar que complementa os métodos mais eficazes de prevenção: o uso do preservativo (camisinha masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (oral, vaginal e anal) e, para quem tem indicação, a utilização da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), um medicamento que reduz significativamente o risco de infecção pelo HIV quando usado corretamente. A combinação de testagem regular, uso de preservativos, acesso à PrEP, vacinação (como para HPV e Hepatite B) e diálogo aberto com parceiros e profissionais de saúde forma a base da chamada "prevenção combinada". 

“Mais do que uma campanha de conscientização, o Dezembro Vermelho é um lembrete sobre o valor do autocuidado. Informação, prevenção e testagem são pilares para uma vida saudável e responsável”, conclui Luciana.

 

Situação epidemiológica das ISTs 

O Brasil enfrenta um cenário complexo e preocupante em relação às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Enquanto há avanços significativos no tratamento do HIV, observa-se uma explosão de casos de outras infecções, especialmente a sífilis. A subnotificação de doenças como clamídia e gonorreia mascara uma realidade ainda mais grave. 

Segundo o Boletim Epidemiológico de 2023, o Brasil registrou cerca de 36,7 mil novos casos de HIV. Observa-se uma tendência de queda no número de novos casos de Aids (estágio avançado da infecção), graças ao sucesso da terapia antirretroviral. A epidemia continua concentrada em populações-chave, com um aumento preocupante entre os jovens de 15 a 29 anos. 

Já a sífilis vive uma epidemia no país. Em 2022, foram notificados mais de 213 mil casos de sífilis adquirida, registrando um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. O cenário é ainda mais alarmante na sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê), com o registro de 27 mil casos em 2022, resultando em uma alta taxa de mortalidade infantil e sequelas graves.   

Sobre o HPV, estima-se que mais de 50% da população jovem sexualmente ativa no Brasil esteja infectada pelo vírus. Por ser frequentemente assintomático, é uma das ISTs mais prevalentes. O HPV é o principal responsável por quase todos os casos de câncer de colo do útero, que, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), é o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, com mais de 17 mil novos casos estimados por ano.  

Em 2022, o Brasil registrou cerca de 13,5 mil novos casos de Hepatite B e 23,7 mil de Hepatite C. A vacina contra a Hepatite B é altamente eficaz. Para a Hepatite C, existem tratamentos que levam à cura, mas o desafio é diagnosticar as pessoas que não sabem que têm o vírus. 

Clamídia e gonorreia são as ISTs bacterianas mais comuns, mas não fazem parte da lista de agravos de notificação compulsória no Brasil — sejam casos graves ou não graves — o que gera um cenário de ampla subnotificação em todo o território nacional.  



Grupo Sabin
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Calor persistente pede atenção redobrada à saúde nos próximos dias

Clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz orienta sobre prevenção diante das altas temperaturas

 

O calor deve marcar presença ao longo desta semana. Em São Paulo capital, segundo a Climatempo, os termômetros podem chegar a 33 °C nos próximos dias, com variações ao longo da semana, mas mantendo sensação térmica elevada. O mesmo padrão é esperado para outras áreas da região Sudeste. 

Mesmo sem condições extremas de ar seco, a elevação das temperaturas já é suficiente para provocar impactos no organismo, especialmente em pessoas mais vulneráveis. O calor favorece a perda de líquidos, aumenta o risco de desidratação e pode agravar quadros de doenças crônicas, como problemas respiratórios e cardiovasculares.

No sistema cardiovascular, por exemplo, as altas temperaturas exigem um esforço maior do organismo para manter a regulação da pressão arterial e da temperatura corporal, o que pode sobrecarregar o coração, sobretudo em pacientes com histórico de hipertensão, arritmias ou insuficiência cardíaca. 

A médica Dra. Leticia Jacome, clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, reforça que a hidratação é a principal medida de proteção durante períodos de calor. “A ingestão regular de água ao longo do dia é essencial, mesmo sem sentir sede. O calor aumenta a perda de líquidos e pode causar desidratação de forma silenciosa”, explica. 

A alimentação também merece atenção especial. Segundo a especialista, refeições leves e de fácil digestão ajudam o corpo a lidar melhor com as altas temperaturas. “Alimentos mais leves, com boa combinação de carboidratos, frutas, legumes e verduras, evitam desconfortos como azia, náuseas e sensação de mal-estar, comuns nos dias muito quentes”, orienta. 

Idosos e crianças exigem cuidados ainda mais rigorosos. “São dois grupos que, em geral, não percebem a sede com facilidade e desidratam mais rapidamente. Além disso, lidam pior com variações térmicas, o que torna a atenção à hidratação, ao vestuário e à exposição ao sol ainda mais importante”, alerta a médica. 

Orientações para enfrentar o calor com mais segurança

  • Use protetor solar diariamente: protege a pele contra os efeitos nocivos da radiação solar.
  • Prefira roupas leves e claras: tecidos frescos facilitam a transpiração e auxiliam no controle da temperatura corporal.
  • Mantenha-se hidratado: a ingestão frequente de água é indispensável para o bom funcionamento do organismo.
  • Evite atividades físicas nos horários mais quentes do dia: especialmente entre 10h e 16h.
  • Higienize nariz e olhos com soro fisiológico: ajuda a reduzir o ressecamento e a irritação das mucosas.
  • Mantenha os ambientes limpos e arejados: a ventilação adequada contribui para o conforto térmico e para a saúde respiratória.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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Coração fora do compasso: saiba quando as arritmias merecem atençã

 

No Brasil, estima-se que mais de 20 milhões de pessoas convivam com algum tipo de arritmia, segundo a SOBRAC (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas). Caracterizadas por batimentos acelerados, lentos ou irregulares, elas podem surgir em diferentes momentos e idades, mas merecem atenção especial em grupos com histórico de doenças coronarianas. 

De acordo com o cardiologista Wlademir dos Santos Junior, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), as arritmias podem aparecer em qualquer faixa etária, embora sejam mais frequentes em adultos com algum problema cardíaco prévio. “Os primeiros sinais geralmente são palpitações, tontura e episódios de desmaio. Esses sintomas indicam que o ritmo cardíaco pode estar fora do normal e precisam ser investigados”, explica. 

Alguns sinais, no entanto, costumam ser confundidos com situações corriqueiras. “Há casos de arritmias graves que se manifestam com sintomas semelhantes aos da labirintite, como vertigem e desequilíbrio. O perigo está em ignorar esses episódios, pois em algumas situações eles podem evoluir até uma parada cardíaca”, alerta o especialista. 

A semelhança entre os sintomas de arritmia e os de ansiedade, estresse ou cansaço também dificulta a percepção do problema. De acordo com o médico, o ideal é sempre realizar exames cardiológicos, pois só com uma avaliação adequada é possível diferenciar o que é emocional do que é uma alteração do coração.
 

É importante estar atento aos sinais 

Nos últimos anos, aparelhos de pressão de uso doméstico e relógios inteligentes começaram a apontar irregularidades nos batimentos cardíacos. Embora não substituam o diagnóstico médico, o cardiologista afirma que esses dispositivos funcionam como importantes sinalizadores. “Quando o equipamento indica arritmia, é fundamental procurar um médico e realizar exames específicos”, orienta.

Mesmo na ausência de sintomas, Dr. Wlademir reforça a importância da prevenção. “É prudente que adultos façam check-ups cardíacos anuais, especialmente quem tem fatores de risco como hipertensão, colesterol alto, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas", finaliza. Sendo assim, o alerta é simples, mas essencial: ouvir o próprio corpo e estar atento aos sinais pode fazer toda a diferença.
 

 

Hospital Evangélico de Sorocaba


Maternidade tardia no Brasil: aumento de filhos após os 40 anos e o papel do congelamento de óvulos

Segundo o IBGE, o número de mães acima dos 40 anos quase dobrou em duas décadas. O congelamento de óvulos surge como alternativa segura para viabilizar a maternidade tardia 


O número de mulheres que tiveram filhos após os 40 anos quase dobrou nos últimos 20 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em maio de 2025. Em 2003, foram registrados 57.832 nascimentos de mães nessa faixa etária (2,1% do total). Já em 2023, o número chegou a 109.170 (4,3% do total). A tendência reflete mudanças sociais e o acesso a tecnologias médicas que permitem adiar a maternidade, como o congelamento de óvulos. 

O congelamento de óvulos, ou criopreservação, consiste em coletar óvulos maduros e preservá-los em baixas temperaturas para uso futuro. A técnica evoluiu com a vitrificação, que aumenta a taxa de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento e melhora as chances de fertilização. Segundo análises publicadas no Physicians Weekly, os avanços laboratoriais tornaram o procedimento mais seguro e eficaz, ampliando sua adoção em diferentes países. 

Qualidade dos óvulos é determinante

A ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, , alerta para a importância da preparação antes do congelamento: “Não vale a pena congelar óvulos de qualquer jeito. É preciso preparo, como se fosse engravidar agora. Se houver deficiência nutricional, desequilíbrio hormonal ou intoxicação por metais pesados, os óvulos podem não estar aptos a gerar um embrião saudável.” 

Apesar dos avanços, o congelamento de óvulos ainda é um procedimento caro e pouco acessível no Brasil. Nos Estados Unidos, segundo dados da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) publicados pelo Physicians Weekly, os custos variam entre US$ 10 mil e US$15 mil por ciclo, sem incluir taxas de armazenamento.
 

Riscos e limitações médicas

O congelamento não garante uma gestação futura. Há riscos relacionados à estimulação ovariana, como a síndrome de hiperestimulação, além da possibilidade de baixa qualidade dos óvulos coletados. Mesmo com a vitrificação, especialistas reforçam que o sucesso depende de múltiplos fatores, incluindo idade da mulher no momento da coleta e saúde reprodutiva geral.
 

Avanços tecnológicos complementares

Além da vitrificação, técnicas como a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides) e melhorias no cultivo embrionário aumentaram as taxas de sucesso da reprodução assistida. Isso mostra que o congelamento de óvulos faz parte de um conjunto de soluções tecnológicas que evoluíram para apoiar a maternidade tardia.
 

Aspectos éticos e sociais

O adiamento da maternidade levanta debates éticos: até que idade é seguro tentar engravidar? A American Society for Reproductive Medicine (ASRM) destaca que o congelamento deve ser acompanhado de informação clara para evitar falsas expectativas. O tema envolve não apenas ciência, mas também responsabilidade social e individual.

O aumento da maternidade tardia no Brasil mostra uma tendência irreversível. O congelamento de óvulos, quando realizado com preparo adequado e informação de qualidade, é uma ferramenta poderosa para garantir que mulheres possam decidir o momento certo de engravidar sem abrir mão da saúde e da segurança.

 

Dra. Ana Maria Passos - Com mais de 19 anos de experiência como ginecologista e obstetra, Dra. Ana Maria Passos oferece um atendimento especializado em saúde da mulher, com foco na prevenção e promoção de um envelhecimento saudável. Atuando na AME Clínica, em Porto Alegre (RS), ela é especialista em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e gestação. A Dra. Ana Maria é reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utilizando reposição hormonal e suplementação para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos.



Aquecimento global causa 20% dos casos de catarata, diz OMS

 

No Brasil a exposição dos olhos ao sol sem proteção causa 100 mil novos casos de catarata ao ano. Entenda. 

 

A estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que o aquecimento global e aumento da radiação UV (ultravioleta) emitida pelo sol já responde por 20% dos casos de catarata no mundo. Isso significa que no Brasil que 100 mil dos 500 mil novos casos de catarata que anualmente surgem no País, conforme censo do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), são decorrentes do aquecimento global. 

De acordo com oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Instituto Penido Burnier de Campinas a catarata é o turvamento do cristalino que perde a transparência conforme envelhecemos. Maior causa de perda da visão tratável, responde no mundo por 51% dos casos de cegueira e no Brasil por 49%. De fato, já é bastante conhecido pela Oftalmologia os efeitos da radiação solar na saúde dos olhos, mas a maioria dos brasileiros não tem hábito de proteger os olhos do sol. Uma evidência disso é o número de pessoas circulando nas ruas sem qualquer proteção nos olhos. cristalino, provoca estresse oxidativo e faz a lente do olho perder antioxidantes naturais do humor aquoso como a glutationa e a vitamina C que previnem a desnaturação de suas proteínas. conforme envelhecemos.


Outros fatores de risco

• Diabetes

• Fumar

• Obesidade

• Pressão alta

• Lesão ou inflamação ocular anterior

• Cirurgia ocular anterior

• Uso prolongado de medicamentos corticosteróides

• Beber quantidades excessivas de álcool


Como escolher os óculos de sol

O oftalmologista afirma que o mais importante na escola dos óculos é conferir no selo da haste as informações - 100% UV (UV400) e se os óculos têm selo ABTN NBR ISSO 12321-1 principal garantia de conformidade com os padrões de segurança.


Diagnóstico e sintomas

Queiroz Neto afirma que o diagnóstico de catarata é feito em uma consulta oftalmológica de rotina. A maioria das pessoas nem desconfia ter a doença logo no início porque a visão não sofre alterações perceptíveis. Por isso, é comum a cirurgia só acontecer depois de meses e em alguns casos mais de um ano após o diagnóstico. O especialista afirma que o momento certo de operar é quando começa ficar difícil realizar as atividades cotidianas. Os sinais de que está na hora de operar são: troca frequente de óculos, dificuldade de enxergar ou dirigir à noite, perda da visão de contraste, fotofobia e maior ofuscamento com faróis contra


Tratamento

A cirurgia é o único tratamento para catarata. Consiste em substituir o cristalino opaco pelo implante de uma lente intraocular. “Pode ser feita com cortes manuais ou com um laser ultrarrápido. Nas duas técnicas a anestesia é local, mas na cirurgia a laser o olho fica menos tempo exposto ao calor do ultrassom utilizado para retirar o cristalino”, afirma. Por isso, a perda de células irrecuperáveis da córnea é menor. O oftalmologista ressalta que o tipo de lente usada na operação depende do vício refrativo do paciente e do estilo de vida de cada um. Toda cirurgia é personalizada de acordo com suas expectativas e características de seus olhos, conclui.


Dezembro vermelho

Campanha nacional de conscientização sobre o HIV/Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)


Pessoas soropositivas são mais vulneráveis a uma série de condições proctológicas devido à imunossupressão associada ao HIV. A afirmação é do médico cirurgião do aparelho digestivo e proctologista, Dr. Rodrigo Barbosa, da capital paulista. “As pessoas vivendo com HIV têm demandas específicas de saúde digestiva e proctológica, já que são mais vulneráveis a uma série de condições proctológicas devido à imunossupressão associada ao HIV”, explica.

Entre os problemas mais comuns, Dr. Rodrigo destaca as infecções anais e retais causadas por agentes como HPV, clamídia e gonorreia, que podem ser mais agressivos em pessoas imunossuprimidas. “Além disso, algumas doenças inflamatórias do intestino como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, também são mais prevalentes em pacientes com HIV assim como o câncer anal, especialmente se houver infecção concomitante pelo HPV”, alerta o médico.

Rodrigo explica que essas condições podem evoluir de forma mais grave em pacientes soropositivos, tornando o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo indispensáveis.

“Por isso que a realização de exames como a anuscopia de alta resolução é especialmente importante em pacientes com fatores de risco para infecções e lesões anais, câncer de anal e doenças inflamatórias intestinais, para que seja possível realizar intervenções precoces que ajudam a reduzir complicações”, fala o médico. 

O especialista também reforça a necessidade de combater o estigma que pode afastar as pessoas soropositivas de consultas médicas. “Buscar acompanhamento regular é um ato de cuidado consigo mesmo e uma forma de prevenir problemas sérios no futuro”, conclui Dr. Rodrigo Barbosa. 



Dr Rodrigo Barbosa - Cirurgião Digestivo sub-especializado em Cirurgia Bariátrica e Coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco e coordenador do Canal ‘Medicina em Foco’ no Youtube Link


Verão eleva risco de erosão dentária, alerta especialista

WayHome Studio
Com mais sucos cítricos, energéticos e refrigerantes no dia a dia, o verão se torna o período em que a erosão dentária mais progride sem dar sinais. 

 

Estudos in vitro já comprovaram a relação direta entre bebidas ácidas e erosão dentária. Um levantamento do Journal of Conservative Dentistry mostrou que dentes expostos a bebidas carbonatadas — como refrigerante, água com gás, água tônica, espumantes, kombucha gaseificada e soda italiana — por 20 dias apresentaram perdas de peso entre 3,2% e 44,5%, dependendo do tipo de bebida e do nível de acidez. 

“O verão é um período crítico para o avanço da erosão dentária”, afirma o dentista Marcelo Moreira, cirurgião-dentista da Clínica Ateliê Oral. Segundo o especialista, o principal gatilho no verão é o consumo elevado de alimentos e bebidas ácidas, que podem provocar perda ou amolecimento do esmalte, camada que protege os dentes.  

“No calor, as pessoas ingerem mais vezes ao dia refrigerantes, bebidas energéticas, água com gás, além de sucos de frutas e as próprias frutas cítricas, como limão, abacaxi, laranja e maracujá. Essa exposição contínua reduz o pH da boca de 6,4 para 5,5, amolece o esmalte e deixa os dentes mais vulneráveis ao desgaste”, explica Moreira.  


Invisível a olho nu e indolor 

Segundo o especialista, em seus estágios iniciais, a erosão dentária é invisível a olho nu e indolor. Ele explica que, muitas vezes, quando o paciente sente a sensibilidade, o desgaste já está avançado. Por isso, o diagnóstico preventivo com imagens de alta resolução e magnificação [termo usado quando são utilizados lupas e microscópios para aumentar o tamanho das imagens] é crucial para identificar essa perda mineral antes que ela comprometa a estrutura do dente.” Além da tecnologia, é preciso um olhar treinado”, enfatiza. 

Para a redução de danos, Moreira reforça uma orientação essencial: aguardar 30 minutos para escovar após alimentos cítricos. “Quando a boca está mais ácida, a escovação pode acelerar ainda mais a perda do esmalte. O ideal é esperar para que a saliva neutralize o pH”, orienta. 

Além disso, ele recomenda: 

Preferir o uso de canudo ao consumir bebidas ácidas, reduzindo o contato direto com os dentes;

Manter-se hidratado ao longo do dia, já que a saliva é fundamental para neutralizar ácidos e ajudar na remineralização;

Evitar ‘beliscar’ a bebida por muito tempo, ingerindo em momentos delimitados para diminuir o tempo total de exposição ao ácido;

Enxaguar a boca com água após bebidas ou alimentos ácidos para ajudar a normalizar o pH;

Usar cremes dentais e produtos remineralizantes indicados por um profissional, especialmente quando já existe sensibilidade;

Realizar acompanhamento periódico para monitorar sinais iniciais de erosão e ajustar os cuidados conforme a necessidade.


Blefarite, a doença crônica que exige limpeza diária dos cílio

Imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/
O oftalmologista Luiz Brito explica que ocorre uma inflamação das bordas das pálpebras e alguns dos sintomas são ardor, coceira e vermelhidão 


Realizar a higienização dos cílios é fundamental para a prevenção e o controle da blefarite, uma doença ocular bastante comum que pode persistir por um longo tempo ou causar episódios periódicos. Ocorre uma inflamação das bordas das pálpebras que provoca sintomas como ardor, coceira, sensação de corpo estranho nos olhos, vermelhidão, secreção e sensibilidade à luz. Muitas vezes o paciente também pode apresentar crostas visíveis na base dos cílios, por causa do acúmulo de oleosidade e detritos. 

De acordo com o Dr. Luiz Brito, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One, “a blefarite não tem uma cura definitiva e demanda cuidados diários, além de acompanhamento médico constante. O objetivo é promover bem-estar ao paciente e evitar que a condição se agrave e evolua para um quadro crônico de olho seco ou conjuntivite, uma inflamação da córnea (ceratite) ou outro tipo de complicação ocular”. 

O médico dá algumas dicas para realizar a higienização das pálpebras e cílios:
 

- comece aplicando compressas mornas sobre os olhos fechados por cerca de 5 a 10 minutos para ajudar a amolecer as crostas e secreções oleosas;

- utilize um produto oftalmológico específico para higiene palpebral, conforme orientação do especialista;

- a limpeza pode ser feita com os olhos abertos, com o uso dos dedos, previamente limpos, do cotonete e de lenços específicos;

- faça um movimento do nariz para a orelha, no sentido horizontal, deslizando suavemente o produto de limpeza pela borda palpebral e cílios;

- o ideal é realizar pelo menos 5 repetições da higienização em cada pálpebra. 

As causas da doença crônica são multifatoriais, ou seja, resultado da combinação de diferentes fatores. “Na maioria dos casos, a blefarite está relacionada com o desequilíbrio da microbiota palpebral, que ajuda a proteger o olho de invasores, e a disfunção das glândulas de Meibômio, responsáveis por secretar o componente oleoso que evita que a parte aquosa das lágrimas evapore”, esclarece o médico. 

O Dr. Luiz Brito diz quais são os principais fatores de risco para blefarite: 

- excesso de oleosidade nos cílios e na borda palpebral;

- proliferação de patógenos, como bactérias ou fungos;

- infestação de ácaros, entre eles o Demodex, parasita microscópico que vive nos folículos capilares e se alimenta de oleosidade;

- doenças como dermatite seborreica ou rosácea;

- fatores ambientais como o clima e a poluição. 

O médico reforça que “a principal estratégia de tratamento é manter a assepsia para controlar a quantidade de gordura e de patógenos e, dessa forma, prevenir novas crises inflamatórias. Dependendo da causa da blefarite poderão ser indicadas pomadas, colírios antibióticos e, nos casos mais graves, antibióticos orais e procedimentos com luz pulsada, aquecimento e drenagem das glândulas. O acompanhamento regular com um oftalmologista é indispensável para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento eficaz”. 

Durante as crises é crucial evitar o uso de maquiagem na região dos olhos e ter cautela com produtos cosméticos em geral, pois eles podem agravar a obstrução das glândulas e a irritação ocular. Vale lembrar que embora a blefarite não seja contagiosa, é importante nunca compartilhar toalhas, óculos de sol ou outros utensílios de uso pessoal.


Sistema de saúde enfrenta alta de custos com câncer de próstata

 

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Enquanto número de diagnósticos cresceu 15,5% desde 2018, despesas com internações subiram 31% no mesmo período



O câncer de próstata, segundo tumor mais frequente entre homens, pressiona de forma crescente o orçamento do SUS. Levantamento da LifesHub, especializada em inteligência de dados, mostra que as internações pela doença consumiram R$ 99 milhões em 2018. Em 2024, o valor chegou a R$ 130 milhões, aumento de 31%. No mesmo período, o número de casos diagnosticados variou 15,5%. Neste ano, entre janeiro e setembro, as despesas com hospitalizações relacionadas à doença já alcançaram R$ 116 milhões.

Despesas com cirurgias para tratamento também cresceram. Saltaram de R$ 72,9 milhões em 2021 para pouco mais de R$ 111 milhões no ano passado. Em dez meses de 2025, os procedimentos cirúrgicos custaram R$ 102 milhões ao SUS. A alta é impulsionada por fatores como o envelhecimento populacional, que reflete em maior incidência da doença, e pelo diagnóstico em estágios mais avançados.

Em 2018, 17 de cada 100 diagnósticos eram feitos apenas quando a doença já estava no chamado estadiamento 4, quando o câncer já alcançou estruturas vizinhas à próstata. Em 2024 o número subiu para 18,4, o que significa que mais de 1500 pacientes fizeram o diagnóstico com grande atraso.

“A demora no diagnóstico prejudica demais o paciente, que precisa ser submetido a tratamentos mais invasivos, e impacta a curva de custos, que hoje cresce de forma acelerada. É preciso incentivar a realização de exames, organizar  linhas de cuidado e usar inteligência de dados para gerenciar os pacientes e garantir que a maioria faça a prevenção adequada”, diz o CEO da LifesHub, Ademar Paes Júnior.

O PSA, análise laboratorial que complementa -- mas não substitui -- o exame de toque, avançou de forma importante nos últimos anos. Os procedimentos realizados no SUS saltaram de 344 mil em 2018 para 784 mil em 2024, crescimento de 127%. Na saúde privada, a alta foi ainda maior, de 318%.

Os dados da LifesHub mostram que foram 472,9 mil exames em 2018 e 1,978 milhão em 2024. Os gastos com o exame na saúde suplementar foram de R$ 83,7 milhões.


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