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O
câncer de próstata, segundo tumor mais frequente entre homens, pressiona de
forma crescente o orçamento do SUS. Levantamento da LifesHub, especializada em
inteligência de dados, mostra que as internações pela doença consumiram R$ 99
milhões em 2018. Em 2024, o valor chegou a R$ 130 milhões, aumento de 31%. No
mesmo período, o número de casos diagnosticados variou 15,5%. Neste ano, entre
janeiro e setembro, as despesas com hospitalizações relacionadas à doença já
alcançaram R$ 116 milhões.
Despesas com cirurgias para tratamento também cresceram. Saltaram de R$ 72,9
milhões em 2021 para pouco mais de R$ 111 milhões no ano passado. Em dez meses
de 2025, os procedimentos cirúrgicos custaram R$ 102 milhões ao SUS. A alta é
impulsionada por fatores como o envelhecimento populacional, que reflete em
maior incidência da doença, e pelo diagnóstico em estágios mais avançados.
Em 2018, 17 de cada 100 diagnósticos eram feitos apenas quando a doença já
estava no chamado estadiamento 4, quando o câncer já alcançou estruturas
vizinhas à próstata. Em 2024 o número subiu para 18,4, o que significa que mais
de 1500 pacientes fizeram o diagnóstico com grande atraso.
“A demora no diagnóstico prejudica demais o paciente, que precisa ser submetido
a tratamentos mais invasivos, e impacta a curva de custos, que hoje cresce de
forma acelerada. É preciso incentivar a realização de exames, organizar
linhas de cuidado e usar inteligência de dados para gerenciar os
pacientes e garantir que a maioria faça a prevenção adequada”, diz o CEO da
LifesHub, Ademar Paes Júnior.
O PSA, análise laboratorial que complementa -- mas não substitui -- o exame de
toque, avançou de forma importante nos últimos anos. Os procedimentos
realizados no SUS saltaram de 344 mil em 2018 para 784 mil em 2024, crescimento
de 127%. Na saúde privada, a alta foi ainda maior, de 318%.
Os dados da LifesHub mostram que foram 472,9 mil exames em 2018 e 1,978 milhão
em 2024. Os gastos com o exame na saúde suplementar foram de R$ 83,7 milhões.
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