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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Inteligência Afetiva e Inteligência Artificial: Uma Perspectiva Humanizada

À medida que a tecnologia avança, a integração entre a inteligência afetiva e a inteligência artificial está emergindo como um tópico de interesse crescente. Com base nas reflexões do renomado psiquiatra, empresário e autor brasileiro Roberto Shinyashiki, essa relação promissora abre portas para a humanização da tecnologia e a melhoria das interações humanas.

Shinyashiki define a inteligência afetiva como a habilidade de entender, gerenciar e utilizar as emoções para promover o crescimento pessoal e melhorar as relações interpessoais. A ideia de conectar essa habilidade intrinsecamente humana com a inteligência artificial representa um grande passo na evolução da tecnologia.

É por isso que o tema Inteligência Afetiva se tornou, inevitavelmente, fundamental.

Para o escritor, a Inteligência afetiva é a habilidade de compreender, assimilar e usar afetivamente nossos pensamentos, emoções e ações nos vínculos interpessoais para cultivar relacionamentos plenos.  É o elo que conecta corpo, cognição, emoção e ação, permitindo-nos responder adequadamente às diversas situações que encontramos diariamente em todos os tipos de relacionamentos.

“Ela é a base de uma comunicação eficaz, compreensão empática e a promoção da harmonia em nossos relacionamentos. No mundo cada vez mais digital de hoje, é crucial interpretar corretamente as emoções e intenções por trás das palavras e ações, online ou offline.  Desenvolver essa inteligência é fundamental para estabelecer relacionamentos saudáveis e enriquecedores e nutrir nossas interações pessoais, profissionais e sociais, facilitando a colaboração e o entendimento”, reflete.

Segundo Shinyashiki, "A inteligência afetiva tem o potencial de revolucionar a maneira como a tecnologia interage conosco. Através da empatia, compreensão e conexão, podemos criar sistemas de IA que realmente entendam e atendam às necessidades humanas". Assim, a inteligência afetiva pode impulsionar o desenvolvimento de IA que seja mais adaptativa, responsiva e alinhada com as necessidades e emoções humanas.

A IA alimentada por inteligência afetiva também tem o potencial de transformar os ambientes que frequentamos. "Podemos imaginar um futuro em que a IA ajuda a criar ambientes mais saudáveis e produtivos, ao reconhecer e responder às emoções das pessoas", destaca Shinyashiki.

A inteligência afetiva também pode desempenhar um papel crítico no desenvolvimento de robôs sociais e assistentes virtuais. Shinyashiki afirma que "Com a inteligência afetiva, podemos dar um passo significativo em direção à verdadeira humanização da tecnologia, onde as máquinas podem entender e responder adequadamente às nossas emoções".

É claro que, à medida que navegamos nesse território inexplorado, existem desafios éticos e técnicos a serem considerados. No entanto, a perspectiva de Shinyashiki sugere que o potencial de integração entre inteligência afetiva e inteligência artificial é vasto e promissor.

Como Shinyashiki destaca, "É um equilíbrio delicado entre inovação tecnológica e compreensão humana. Mas com a inteligência afetiva, temos a oportunidade de fazer a tecnologia trabalhar para nós, em vez de nós trabalharmos para a tecnologia".

 

Roberto Shinyashiki - tem influenciado toda uma geração de administradores do nosso país. Por isso, é um dos nomes mais disputados no meio empresarial, fazendo palestras, participando de seminários e convenções no Brasil e no exterior. Sua formação como médico psiquiatra, pós-graduado em Administração de Empresas (MBA - Universidade de São Paulo), doutor em Administração e Economia, pela Faculdade de Administração e Economia–USP, o tem levado a conhecer e entender como ninguém a base de qualquer empresa: O SER HUMANO dentro da sua organização. Estudioso apaixonado, tem realizado vários cursos de especialização nos EUA, na Europa e no Japão. É um escritor importante em nosso meio empresarial, autor de vários best-sellers, dentre eles: Sem Medo de Vencer, A Revolução dos Campeões, O Sucesso É Ser Feliz, Os Donos do Futuro, Você, a Alma do Negócio, tendo vendido mais de 6,5 milhões de exemplares.

 

Rede de privilégios, o maior entrave à redução da pobreza

            O Brasil discute com frequência a necessidade de redução da pobreza, problema abordado de maneira recorrente nos períodos eleitorais e que se agravou substancialmente durante a pandemia do Covid-19: em 2021, chegou a 62,5 milhões a parcela de brasileiros com renda domiciliar per capita de até R$ 497,00 por mês chegou, o correspondente a 29,6% da população do país. 

            A discussão, entretanto, quase sempre deriva para a implantação de medidas meramente paliativas, dando margem a discursos assistencialistas e a propostas de programas que, se de um lado evita que milhões morram de fome, por outro passam longe da solução definitiva, capaz de devolver ou assegurar autonomia financeira a um enorme contingente de brasileiros, resgatando-lhes a dignidade de cidadãos. 

            É raro encontrar entre aqueles que se debruçam sobre esse antigo fantasma que assombra o país uma análise mais profunda a respeito de suas causas, suficientemente crítica para apontar razões além daquelas repisadas há décadas, muitas das quais verdadeiras, mas que não esgotam a questão. 

            Um olhar mais atento e menos míope a respeito revela que a grande rede de privilégios que o país criou há muito tempo - e continua a alimentar com generosos recursos públicos - constitui-se no maior entrave à redução da pobreza. 

            Distinções variadas criaram uma casta de donatários modernos. São indivíduos que se refestelam com seus privilégios usurpados – a conquista não lhes cabe -, sempre defendidos a unhas e dentes nas raras vezes em que a sociedade ensaia uma reação. Nada é abolido, somente acrescentado. Nunca foi tão atual o que escreveu o economista e cientista político norte-americano John Kenneth Galbraith: “As pessoas com privilégios preferem arriscar a sua própria destruição a perderem um pouco de sua vantagem material‘’. 

            Talvez o exemplo mais emblemático dessa deturpação de direitos seja o instituto do foro por prerrogativa de função, não por acaso mais conhecido como foro privilegiado. Garantia excepcionalíssima nos países desenvolvidos, no Brasil abarca cerca de 60.000 pessoas em razão dos cargos públicos que ocupam. São verdadeiros “monarcas” em plena República, com o direito de que seus eventuais crimes comuns e os praticados contra a administração pública tramitem desde o início nos tribunais superiores, ao contrário dos cidadãos comuns, cujos crimes são investigados e julgados em primeira instância. 

            Outra excrecência é a destinação de recursos públicos bilionários para o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário, financiadores de campanhas políticas. Esse dinheiro, distribuído de forma discricionária nas legendas, facilitam a perpetuação no poder e dificultam a renovação no Legislativo e no Executivo. Pior ainda é ver a descarada movimentação parlamentar em busca da aprovação de anistia para as multas aplicadas aos partidos que descumpriram as regras eleitorais aprovadas pelo próprio Legislativo. 

            Soma-se a isso a vitaliciedade de juízes, desembargadores, ministros das cortes superiores, promotores, procuradores de Justiça e membros dos tribunais de contas, cujos vencimentos, não raro, extrapolam o teto constitucional graças a penduricalhos acumulados. Assim, vai se formando o retrato das graves discrepâncias nacionais. 

            É possível lembrar, ainda, das polpudas e precoces aposentadorias concedidas a parlamentares, complementando seu desfrute com outras regalias oferecidas pelo cargo. 

            Se não bastasse, foi recentemente abrandada a lei que pune os agentes públicos em razão de atos de improbidade administrativa, fomentando na sociedade a sensação de impunidade e estimulando o falso e perigoso sentimento de que o crime compensa. 

            Experimentamos uma terrível deterioração dos valores éticos e morais, campo fértil para a corrupção, prática que custa caro ao país, porque desvia dos cofres públicos recursos preciosos para o atendimento das demandas da população em saúde, educação, saneamento básico, habitação e segurança. A anulação de número significativo de condenações de agentes públicos por atos de improbidade administrativa tornou o Brasil uma espécie de país de corruptores sem corrompidos, tendo em vista a devolução de bilhões de reais por empresas investigadas e condenadas pelo pagamento de propina a agentes públicos para favorecimento em licitações de empresas estatais. 

            A própria União se autoprivilegia quebrando o princípio federativo. Abocanha 57% a 60% de todos os recursos tributários gerados no país e devolve para os 26 estados, Distrito Federal e mais de 5.500 municípios apenas 40% a 43% do bolo arrecadatório, ignorando que o cidadão vive no município e cobra desse ente federativo economicamente mais fraco os serviços necessários ao seu bem-estar. 

            Há uma série de privilégios, escancarados ou disfarçados, responsáveis pelas desigualdades sociais e, portanto, pela pobreza que afeta uma massa enorme de brasileiros, cidadãos de segunda classe e condenados a essa situação por terem nascido ou por viverem em determinada região do país. Renúncias fiscais, que deveriam contribuir para a redução das desigualdades sociais, conforme manda a Constituição Federal, historicamente têm servido para privilegiar determinados setores da economia e favorecer os estados mais ricos. Para minimizar essa distorção, é necessária mudança legislativa para punir com penalidades severas os governantes que concederem renúncias fiscais ou os gastos tributários acima de 1,5% ou 2% do PIB, além de criar a obrigatoriedade de se destinar 70% ou 80% do valor das renúncias fiscais concedidas para a correção das desigualdades regionais. 

            O efetivo enfrentamento da pobreza somente se dará também com medidas que incluem a mudança do sistema tributário, tirando a regressividade dos impostos, aliviando a carga de tributos sobre o consumo e, assim, barateando os produtos de primeira necessidade. 

            É primordial, ainda, que o salário-mínimo seja corrigido anualmente pelo índice de inflação medido nos 12 meses anteriores, além de se corrigir substancialmente a tabela do Imposto de Renda, de modo a levar a zero, em poucos anos, a enorme defasagem acumulada, responsável por tirar compulsoriamente valor considerável do bolso dos contribuintes, em favor da União. 

            Não é, entretanto, uma luta que se trava apenas no campo da economia. É fundamental restabelecer a moral e a ética e um bom começo seria o restabelecimento da prisão em segunda instância (após sentença condenatória confirmada por órgão colegiado) e tornar imprescritíveis os crimes praticados contra a administração pública. 

            É indisfarçável. A rede de privilégios, enorme e intocável, transformou o Brasil em uma nação sui generis: um país de corruptores sem corruptos; uma República federativa sem federação autêntica e repleta de monarcas, em que a União se apodera da imensa maioria dos recursos, teimando em ignorar que o cidadão nasce, vive e morre no município. Um país que, via política fisco-tributária e de renúncias fiscais, mantém aberta a maior fábrica de pobreza; uma nação geradora de gigantescos e repetidos déficits públicos, e que não aceita a busca do equilíbrio fiscal por meio da redução dos desperdícios do dinheiro público. E também um país que rejeita a possibilidade de prisão em segunda instância e que não se movimenta para tornar imprescritíveis os crimes praticados contra a administração pública.  

            Há mais de 200 anos atrás, o pesquisador francês Yves Saint-Hilaire, espantado com a ação das formigas cortadeiras, advertiu: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Privilégios, clientelismo, e o inchaço da máquina pública são as novas saúvas que insistem em tentar acabar com o país. O célebre jurista e jornalista Joaquim Nabuco já advertia, no século 19, que “não há ponto novo de partida que não encontre incrédulos e inimigos”. Obviamente, qualquer proposta voltada à redução de privilégios sempre terá a oposição dos beneficiados pelas benesses do poder. Essa resistência precisa ser enfrentada e vencida, sem o que a pobreza e a fome continuarão sendo o grande flagelo social do Brasil. 

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br


Proteção da privacidade de crianças e adolescentes no mundo digital: um desafio atual e urgente

 O uso crescente de aparelhos tecnológicos e redes sociais tem suscitado diversas discussões em todo o mundo, principalmente sobre como efetivar a privacidade e a proteção de dados pessoais dos indivíduos. No Brasil, desde 2022, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais, é previsto como direito fundamental (artigo 5º, LXXIX da Constituição brasileira de 1988).

Nesse sentido, um dos principais pontos de atenção é como a exposição de dados de crianças e adolescentes no mundo digital pode afetá-los. A privacidade desses indivíduos pode ser exibida por meio de imagens, vídeos ou dados pessoais (como nome, idade, endereço ou números de documentos). As exposições podem ocorrer de diversas formas, incluindo de maneira voluntária pelas crianças e adolescentes ou por seus pais. Além disso, as empresas responsáveis por realizar o tratamento de dados pessoais podem fazê-lo de forma inadequada ou excessiva. A depender da maneira da exposição e dos dados que são compartilhados, podem existir diversos riscos vinculados para a saúde física e mental das crianças e adolescentes. Alguns exemplos dos perigos concretos que o mundo digital traz são os casos de pedofilia online e de ciberbullying.

No entanto, é inegável que o uso de tecnologias digitais pode ser extremamente benéfico e, mais do que isso, essencial para o uso e exercício de outros direitos, a exemplo da educação de crianças e adolescentes. Nesse sentido tem-se como exemplo a Lei n. 14.533 de 2023, a Política Nacional de Educação Digital (PNED), que busca aprimorar a inclusão digital e a educação digital escolar (artigo 2º, incisos I e II). Além disso, há inúmeros benefícios para esse público com a utilização da internet e dos recursos digitais para fins de entretenimento e socialização.

Os desafios e riscos presentes no mundo digital são variados, principalmente para crianças e adolescentes, que são considerados vulneráveis e, por isso, destinatários de proteção ampliada pelo ordenamento jurídico. A Constituição Federal brasileira de 1988 estabelece a obrigatoriedade da proteção desses indivíduos no artigo 227. Outra legislação relevante é a Lei n. 8.069 de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O supracitado artigo 227 da CF de 1988 prevê a responsabilidade compartilhada entre a família, a sociedade e o Estado na proteção das crianças, dos adolescentes e dos jovens, assegurando seus direitos e protegendo-os de violências e negligências. A mesma ideia está contida no artigo 4º do ECA, que reforça a necessidade de proteção ampla, realizada pela família, comunidade, sociedade e poder público.

Assim, percebe-se que o ordenamento jurídico brasileiro se preocupa em realizar uma proteção efetiva dos direitos de crianças e adolescentes. Sobre essa proteção no mundo digital, algumas legislações já existentes são relevantes.

A Lei n. 12.965 de 2014, conhecida como Marco Civil da Internet (MCI), estabelece os princípios, garantias direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. O artigo 29 do MCI traz previsões com relação ao controle parental sobre os conteúdos considerados impróprios para os filhos menores, respeitando os princípios do próprio MCI e do ECA. Além disso, é esclarecido que cabe ao poder público, aos provedores e a sociedade civil fornecer informações e promover educação sobre os programas de computadores, bem como possibilitar a inclusão digital de crianças e adolescentes.

Outro exemplo é a Lei n. 13.409/2018, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira. A LGPD preceitua sobre o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes em seu artigo 14, esclarecendo que tal tratamento deve ocorrer sempre considerando o seu melhor interesse.

Apesar das legislações mencionadas, o Poder Legislativo compreendeu que são necessárias novas discussões e a criação de legislação específica, voltada para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. É nesse sentido que está hoje em discussão o PL 2.628, de 2022.

A título comparativo, nos Estados Unidos da América também estão surgindo vários projetos de lei estaduais que visam assegurar a proteção da privacidade das crianças. Nos últimos anos, há iniciativas na California (California’s Age Appropriate Design Code), Utah e Arkansas. Há no país, por exemplo, discussões legais sobre a restrição da coleta de dados pessoais de crianças e adolescentes, além da possibilidade de controle parental sobre as mensagens desses indivíduos.

É inegável que há variados desafios no mundo digital para crianças, adolescentes e adultos. Sendo assim, a discussão sobre as melhores formas de tutelar crianças e adolescentes e os seus direitos à privacidade e à proteção de dados pessoais é necessária e urgente. No entanto, a questão deve ser respondida com razoabilidade, já que os extremos de “proibição total” e “acesso livre” costumam ser prejudiciais.

A legislação, sozinha, provavelmente não será capaz de proteger as crianças e adolescentes de maneira efetiva. Da mesma forma, não é razoável pensar que os genitores ou responsáveis, sozinhos, serão capazes de resguardar integralmente os seus filhos.

Conforme anteriormente mencionado, trata-se de responsabilidade conjunta e é essencial que a sociedade, o poder público e a família discutam sobre como proteger este público no mundo digital, principalmente em razão de sua vulnerabilidade. É um processo que deve incluir, por exemplo, campanhas de conscientização e o ambiente escolar.

No entanto, é inegável que a aprovação de legislação mais robusta tem um papel fundamental para conscientizar e estabelecer, de forma mais clara e com maior transparência, as responsabilidades e sanções pelas possíveis violações aos direitos das crianças e adolescentes.

É essencial que a sociedade se mobilize nessa iniciativa, buscando soluções para o presente e o futuro. É provável que o uso dos recursos digitais seja ainda mais fortalecido nos próximos anos. Desse modo, a única alternativa viável é tornar a internet um ambiente mais seguro para que crianças e adolescentes possam utilizá-la sem se colocar em risco, mas, ao contrário, podendo usufruir das possibilidades benéficas do mundo digital.

 

Marina Giovanetti Lili Lucena - advogada especializada em Direito e Inovação, pesquisadora do Legal Grounds Institute.

Volta às aulas: confira como aplicar a educação financeira para pagar a faculdade

Atitudes simples e hábitos conscientes sobre o uso do dinheiro é fundamental para atingir metas e objetivos, principalmente para arcar com os gastos dos estudos

 

A educação financeira seguramente é um dos tópicos mais importantes da vida adulta, principalmente para quem deseja aliar a qualidade de vida e os objetivos com os ganhos e gastos. Trata-se de um processo que auxilia qualquer cidadão a desenvolver sua compreensão sobre os conceitos e produtos financeiros, de maneira que assim consigam fortalecer as competências necessárias para tornar-se mais consciente sobre o uso do dinheiro, fazendo escolhas assertivas e que ajudam a alcançar as metas. 

Quando se está na universidade, as noções básicas de gestão financeira precisam ser triplicadas, já que é uma época marcada por muitos eventos, tanto em termos de aprendizado por conta das experiências vividas pelas disciplinas nas salas de aula, como o investimento em materiais e eventos sociais. Com isso, as despesas são várias e é preciso um controle ainda maior dos gastos. “Para começar, é necessário saber exatamente o quanto se ganha e o quanto é gasto. A conta precisa fechar. Se faltar dinheiro no fim do mês, é necessário avaliar o que pode ser reduzido no orçamento”, explica Felipe Chanes, head de controladoria do Pravaler. 

De acordo com o especialista, cada um tem uma forma de controlar a renda. Isso pode ser feito, por exemplo, pelo extrato do banco, por uma planilha ou mesmo em um caderno. O importante é começar. “Cada atitude no dia a dia pode contribuir para alcançar suas metas, seja ela qual for. Hoje, qualquer iniciativa é um sacrifício, mas que pode resultar em uma melhora na qualidade de vida futuramente”, reflete.  

As noções básicas de educação financeira, como gestão de dinheiro, poupança, investimentos e empréstimos, por exemplo, estabelecem uma base sólida para hábitos financeiros sustentáveis lá na frente e ajudam o estudante a ter uma qualidade de vida melhor. Poupar o orçamento vem com a disciplina e o foco nos objetivos, segundo Felipe Chanes, que recomenda avaliar as melhores opções de compras e evitar endividamentos de médio e longo prazo. “Essas atitudes contribuem para incorporar o hábito de poupar e a maioria delas não exigem muito esforço. Manter o foco em objetivos maiores, economizar uma porcentagem da receita a cada mês e definir metas e desafios mensais são alguns desses comportamentos que podem agregar e melhorar cada vez mais os rendimentos”, destaca o executivo. 

Essa prática facilita, ainda, a entrada de jovens no mercado de trabalho, e os ensina lições valiosas para a vida adulta, como estratégias de planejamento de dinheiro e gerenciamento de economia pessoal e hábitos de consumo, tornando-os mais conscientes, como por exemplo:

 ·       Estabelecer objetivos compatíveis com sua realidade, para saber onde alocar o dinheiro e acompanhar ao longo do tempo se as metas estão sendo cumpridas;

·       Não subestimar pequenos gastos (transporte por aplicativo, restaurantes, etc);

·       Evitar que se gaste além da conta e com itens que não agreguem valor, além de evitar o boicote em suas finanças;

·       Planejar gastos extras e “desnecessários”, como presentes e itens supérfluos desejados.

 

“Esse leque de conhecimentos é essencial para progredir entre diferentes estágios da vida. Estudantes, por exemplo, que acreditam não conseguir entrar em uma universidade privada por possuírem baixa renda para investimento ou veteranos que estão com alguma dificuldade econômica, sabendo dessas estratégias financeiras, podem ter o financiamento estudantil como uma solução para não desistir da graduação”, finaliza. 

Ao adotar opções como estas, é possível ter mais oportunidades de garantir o acesso à uma educação superior de qualidade, com chances ter boas perspectivas profissionais no futuro.


Dinheiro não pode ser prioridade no relacionamento entre pais e filhos artistas, diz educadora, sobre o caso Larissa Manoela

 Para Stella Azulay, mais do que a gestão financeira, pais devem priorizar o desenvolvimento emocional de crianças que fazem sucesso


O caso da atriz Larissa Manoela, que tornou público o rompimento com os pais por causa de divergências financeiras, expõe uma questão delicada na relação entre pais que administram a renda gerada pelos filhos, de acordo com a educadora parental Stella Azulay. “O dinheiro pode se transformar em um empecilho para que o relacionamento entre pais e filhos seja saudável. Acaba ficando tudo muito confuso”, observa.

Atualmente com 22 anos, Larissa iniciou sua carreira artística aos 4 anos e sempre foi representada juridicamente pelos pais, que cuidavam dos contratos publicitários e gestão do patrimônio da filha. Nos últimos meses, a atriz questionou a falta de autonomia financeira e manifestou a vontade de assumir a condução da sua carreira, gerando assim o desentendimento com os pais.

Sem acordo, Larissa decidiu abrir mão do patrimônio de R$ 18 milhões em favor dos pais e seguir por conta própria. Embora os dois lados tenham afirmado que mantêm o amor e consideração entre si, o distrato dos negócios está sendo discutido na Justiça.

Impacto emocional em crianças artistas

Para Stella, é “delicada” a situação de filhos crianças e pré-adolescentes que fazem sucesso artístico, pois muitos se transformam na principal fonte de renda da família e ainda ficam muito expostos nas redes sociais. “É delicado o impacto emocional na vida deles, na formação e construção de caráter futuro deles e como a família vai lidar com esse dinheiro no amanhã. Os pais se sentem no direito, afinal eles administram a carreira, mas os filhos tiveram fases da própria vida que foram prejudicados ou contaminados pela superexposição”, argumenta.

A educadora faz um alerta para que os pais pensem duas vezes antes de fazer com que os filhos se tornem a principal fonte de renda da família, “e o quanto isso amanhã pode se transformar em verdadeiro transtorno para ambos os lados.”

“Todos precisamos colocar a mão na consciência e entender a influência que nós (pais), responsáveis, temos quando expomos os nossos filhos. Quando transformamos eles em fonte de renda e como isso vai ser administrado, tanto na prática no amanhã, quanto emocionalmente para todos os lados.”

O insight da educadora sobre o caso, é de que as relações familiares precisam ser preservadas acima de tudo. “Esse caso ganhou as mídias e vem expor um lado negro da humanidade: o quanto o dinheiro corrompe o relacionamento de amor e vínculos entre pais e filhos, entre famílias.”


Stella Azulay - jornalista e educadora parental da Juntos Educação Parental com especialização em Análise de Perfil e Neurociência Comportamental. Escritora e palestrante. Analista de perfil formada pela Success Tools; extensão em Neurociência Comportamental pela Faculdade Belas Artes; coach de vida e carreira pela Sociedade Brasileira de Coaching; educadora parental pela Positive Discipline Association. Adotou o tema Educação como missão. É mentora e conselheira de pais e adolescentes. Em 2021 fundou e dirige a JUNTOS Educação Parental. É mãe de quatro filhos. Lançou seu primeiro livro em Junho de 2022: 'Como educar se não sei me comunicar' e também seu primeiro livro caixinha 'Conte sua história para seu filho'. Jornalista pela Fundação Cásper Líbero, trabalhou como repórter em emissoras como SBT e TV Record e foi correspondente em Jerusalém/Israel pelo SBT, onde morou por quatro anos.


Dados do Infosiga mostram aumento de 7% em mortes em acidentes com bicicletas no Estado de São Paulo

Indicadores demonstram necessidade de maior atenção a esse modal no trânsito, visando preservação de vidas

 

De acordo com dados do sistema Infosiga, gerenciado pelo Programa Respeito à Vida e coordenado pelo Detran-SP, o Estado de São Paulo registrou um aumento de 7% nos óbitos causados por acidentes envolvendo bicicletas, na comparação entre o primeiro semestre do ano passado e deste ano. Nos seis primeiros meses de 2022, ocorreram 163 mortes de ciclistas, contra 175 no mesmo período de 2023.

 

Também houve crescimento dos óbitos com ciclistas no comparativo entre os meses de junho de 2022 e 2023: no ano passado foram contabilizados 25 óbitos e, neste ano, 30.

 

Os acidentes sem vítimas fatais envolvendo ciclistas também tiveram aumento no mesmo período. No primeiro semestre de 2022 foram registradas 4.645 ocorrências em todo o Estado, contra 4.921 nos primeiros seis meses de 2023, um crescimento de 6%. Em junho de 2022 aconteceram 830 acidentes com bicicletas sem vítimas fatais no Estado, enquanto que, em junho de 2023, foram 904, um aumento de 9%.

 

Os números indicam necessidade de observação às leis e de atenção constante em relação a esse modal no trânsito, tanto por ciclistas, quanto pelos próprios motoristas, objetivando interação harmoniosa entre condutores e preservação de vidas.


A data

 

A data de 19 de agosto foi estabelecida como Dia Nacional do Ciclista em memória ao ciclista brasiliense Pedro Davison, de 25 anos, que foi atropelado em 2006, enquanto pedalava no Eixo Sul, em Brasília. Em novembro de 2017, por meio da Lei Federal 13.508, a data foi oficializada.

 

“O Dia do Ciclista é importante para promover o uso da bicicleta, um meio de transporte sustentável e viável. A data é, ainda, um convite a todos para que façam uma reflexão profunda das atitudes que cada um toma diariamente e, diante disso, um marco da busca incessante para tornarmos o trânsito mais seguro”, afirma o diretor-presidente do Detran.SP, Eduardo Aggio.

 

A atual gestão do Detran-SP tem feito diversas campanhas educativas para alertar todos os tipos de condutores para a importância de obedecer às leis e aumentar os cuidados no trânsito. Desde fevereiro de 2023, foram criadas inúmeras peças dirigidas a todos os condutores, com o intuito de conscientizar sobre o respeito aos limites de velocidade e manutenção prévia dos veículos, respeito às leis de trânsito e à vida (própria e a dos outros).

 

No Carnaval, o Governo de São Paulo apresentou ação com o mote “Palavras mentem. Números, não”, para o slogan “Neste Carnaval, não dê desculpas. Se beber, nem pense em dirigir”. Já na Semana Santa, em abril, o respeito aos limites de velocidade e manutenção prévia dos veículos foram as principais tônicas da campanha “Escute quem você ama, viaje com segurança”, com o objetivo de conscientizar os condutores sobre o respeito ao limite de velocidade e às leis de trânsito, assim como da atenção à manutenção dos veículos, antes de pegar a estrada no período do feriado.

 

Em maio, o foco da campanha sobre o Maio Amarelo foi “No trânsito, respeite a sua vida e a dos outros”, com o intuito de refletir diante de relatos reais de quem teve sua trajetória impactada por acidentes. E, em julho, circulou a campanha educativa “No trânsito, dê férias para a morte” voltada ao período de descanso escolar. As peças usaram o humor para ressaltar que só a partir de cuidados e respeito às leis de trânsito pelos motoristas é que a “morte” pode tirar férias.

 

Código de Trânsito Brasileiro

 

Muitos podem não se dar conta, pois muitas das bicicletas em circulação não possuem motor, mas o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) também rege os direitos e deveres dos ciclistas, além dos demais condutores e pedestres, com o intuito de contribuir para um trânsito mais seguro e uma boa convivência entre todos.

 

De acordo com o CTB, a bicicleta é um veículo de transporte. Assim, o ciclista deve trafegar nas vias e possui prioridade sobre os veículos automotores, segundo o artigo 29.

 

Enquanto isso, o artigo 58 diz que nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer - quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento ou ainda quando não for possível a utilização destas vias - nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a vida, com preferência sobre os veículos automotores. Já o artigo 59 informa: desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

 

O CTB também traz os acessórios de segurança que devem ser usados pelos ciclistas em seu artigo 105: campainha, sinalização noturna dianteira, na traseira, nas laterais e nos pedais das bicicletas, além do espelho retrovisor do lado esquerdo.

 

Dicas de segurança para ciclistas:

 

· A bicicleta também é um veículo e é necessário respeitar as regras de circulação

 

· Comunique-se: sinalize qualquer alteração de percurso com um dos braços

 

· Para a sua segurança, atente-se aos itens obrigatórios: campainha, capacete, faixas refletivas e retrovisor

 

· Respeito os pedestres. Desça da bicicleta ao atravessar em faixas de pedestres ou circular pela calçada

 

· Mantenha a distância de 1,5 metro dos carros, tanto nas laterais, quanto na dianteira e na traseira

 

·  Respeite sempre o semáforo

 

· Cuidado com o volume dos fones de ouvido; é fundamental perceber sons externos

 

· Esteja visível. Use roupas claras ao pedalar à noite e equipe-se com iluminação traseira e dianteira

 

· Não pegue carona na “rabeira” de ônibus, caminhão ou qualquer outro veículo.


Agosto: mês de conquista para as mulheres brasileiras


Recentemente, foi publicado o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, documento que se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública de todo o país. Mais uma vez os dados de violência contra mulheres e feminicídio assustam: 2022 registrou o maior número de estupros da história - um crescimento de 8,2% em relação a 2021, com 88,7% das vítimas do sexo feminino. Houve também crescimento de todos os indicadores de violência doméstica (aumento de 2,9% agressões, 7,2% ameaças, 49,7% de assédio sexual e 8,7% a mais de chamados ao 190 – cerca de 102 por hora). Os feminicídios cresceram 6,1%, resultando em 1.437 mulheres mortas no ano passado.

Apesar dessa realidade alarmante, onde somente o fato de ser mulher já nos coloca num lugar de constante alerta, é necessário pontuarmos que a sociedade e instâncias estatais não têm assistido a estes números de braços cruzados, sendo historicamente agosto um mês de conquistas para as mulheres:

- Lei Maria da Penha (LEI 11.340) sancionada em 7 de agosto de 2006, cria mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher em conformidade com a Constituição Federal (art. 226) e os tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro. Considerada até internacionalmente, como um dos instrumentos jurídicos mais completos na garantia dos direitos da mulher.

- Agosto Lilás - mês de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres em suas diversas formas: em 2016, lançada enquanto campanha da subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres estado do Mato Grosso do Sul, buscava através de diversas ações governamentais e da sociedade civil divulgar a lei Maria da Penha e os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência, a conscientização sobre os diferentes tipos de violência e os mecanismos de denúncia existentes. O sucesso foi tamanho que de lá para cá, vários estados brasileiros aderiram, culminando no ano passado na sanção da lei 14.448/22, que instituí a ação em âmbito nacional.

- Tese da legítima defesa da honra é invalidada pelo STF: 1º de agosto de 2023, por unanimidade os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declaram inconstitucional a alegação de “legítima defesa da honra” em crimes que envolvam agressão física e/ou assassinatos de mulheres (feminicídio). Na prática, absurdamente, essa alegação vinha permitindo a diminuição de pena ou até mesmo, a absolvição do réu. Segundo a argumentação dos ministros, tal alegação arcaica utilizada desde o Brasil colonial, feria os direitos humanos internacionais, a igualdade de gênero e os princípios constitucionais brasileiros, fortalecida por um discurso que considerava a honra masculina como bem jurídico de maior valor, que a vida da mulher.

Na ocasião, a ministra Rosa Weber declarou brilhantemente: “não há espaço para a restauração dos costumes medievais e desumanos do passado pelos quais tantas mulheres foram vítimas da violência e do abuso em defesa da ideologia patriarcal fundada no pressuposto da superioridade masculina pela qual se legitima a eliminação da vida de mulheres”. Também a ministra Carmém Lúcia resumiu os sentimentos de muitas: “A sociedade ainda hoje é machista, sexista, misógina e mata mulheres apenas porque elas querem ser donas de suas vidas”.

Em um país onde a feminicídio e demais violências contra as mulheres são destaque diário, é chocante e absurdo que tal prática ainda existisse. Comemoramos a decisão do STF e aguardamos, ansiosamente, o dia em que não precisaremos mais do AGOSTO LILÁS e demais iniciativas para defender o óbvio: o direito de mulheres viverem.



Relly Amaral Ribeiro - mestre em Serviço Social e Política Social pela Universidade Estadual de Londrina, professora e tutora dos cursos de pós-graduação em Serviço Social do Centro Universitário Internacional Uninter.


Gestão emocional é ferramenta essencial para líderes prepararem melhor suas equipes; saiba como fazer isso da melhor form

Dylan Gillis/ Unsplash
A psicóloga Blenda Oliveira levanta questões que ajudam a fazer com que as organizações tratem seus colaboradores com mais inteligência emocional e obtenha melhores resultados no trabalho


Altas demandas, prazos apertados, muitas cobranças e ansiedade a mil. A rotina das organizações não difere muito quanto a esses fatores. Com equipes precisando dar conta de tudo e mais um pouco, é difícil que o estresse emocional não se instale. No entanto, o clima de quem vem de cima pode mudar esse cenário - para melhor ou para pior.

Um levantamento feito pelo PageGroup mostra que as habilidades comportamentais mais valorizadas pelas grandes empresas atualmente no Brasil são: inteligência emocional (42,9%), trabalho em equipe (38,4%) e comunicação assertiva (31,1%). Todos os fatores podem estar interligados e depender do estilo de liderança.

"Embora a empresa não seja uma clínica psicológica, as organizações precisam cada vez mais ter uma atenção maior para algo que vai além do trabalho e da função executada, que é a vida emocional dos seus colaboradores, como eles reagem às suas demandas e cobranças e qual a maneira mais melhor de lidar os modos de trabalhar e se relacionar de cada um", explica a psicóloga Blenda Oliveira.

A especialista ressalta a importância e o impacto de uma boa gestão emocional dentro das empresas, ou seja, a capacidade de analisar, compreender e avaliar as próprias emoções e as dos funcionários. "Um bom líder é aquele que tem boa gestão emocional nele próprio. Para isso, é necessário perceber as próprias emoções e como elas afetam outras pessoas. O bom gestor tem uma condição de fazer uma boa gestão das emoções e assim transformar relações que são mais difíceis e desafiadoras, em vínculos mais saudáveis, ajudando também a obter melhores resultados no trabalho".

É importante compreender os colaboradores para além dos números. Prestar atenção na forma como se cobra resultados, como se dá feedbacks, interfere na percepção do trabalhador e, consequentemente, em sua própria maneira de lidar com o trabalho. "É necessário ter paciência, tolerância, e entender como seus liderados funcionam para que você possa fazer com que essa relação dentro do trabalho favoreça-os  a se desenvolverem e crescerem", afirma a psicóloga.

Para que líderes façam uma boa gestão emocional da melhor forma possível, é preciso ter consciência de que eles têm um papel importante e estão em uma posição de referência. "Para isso é preciso que toda pessoa que ocupe a liderança não perca de vista o processo de se manter num autoconhecimento, de autoconsciência, de gerir a si mesmo, seus estados emocionais, principalmente na interface com o trabalho", afirma Blenda.

E quais caminhos práticos podem fazer com que as empresas forneçam aos liderados uma boa condução dos negócios? A profissional exalta o engajamento dos líderes em todos os processos do trabalho dos liderados, fornecer a possibilidade de crescimento dentro da organização, boas condições de trabalho (prestando ainda mais atenção em mulheres e no que elas precisam para se sentirem acolhidas e seguras dentro do ambiente de trabalho), além de muita motivação ao time no dia a dia.

O trabalho em equipe e a comunicação assertiva, exaltados na pesquisa do PageGroup, também são pontos levantados por Blenda na boa gestão emocional. "A comunicação do líder com os seus liderados precisa ser assertiva. A comunicação está presente em tudo, assim como a saúde mental. As estratégias para que as informações sejam passadas e transmitidas tem que ser sempre claras e assertivas, às vezes esse descuido com a comunicação gera um ambiente mais tenso para se trabalhar".

"O trabalho em equipe também é importante. É fundamental e precisa ser estimulado. Às vezes as pessoas têm perfis diferentes, mas mesmo assim essa união é importante para que vá se formando uma equipe de trabalho. Quando há integração de equipe há mais fonte de conexão de troca de aprendizado", finaliza a psicóloga.


Blenda Marcelletti de Oliveira - doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. A especialista atua como psicoterapeuta em orientação de pais, famílias, casais e adultos. Além da prática presencial no consultório, Blenda escreve e troca ideias por meio das redes sociais. Você pode encontrá-la nos perfis @blenda_psi no Instagram e @oliveira_blenda no Twitter.


Processo de inclusão não pode ser mero enfeite estéril na escola

Freepik

Por ocasião da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla (21 a 27/08), vale a pena uma apresentação e breve reflexão sobre parte deste público. É importante falar sobre pessoas com deficiência intelectual e, especialmente, da forma como lidamos com estes indivíduos na educação brasileira, à luz do princípio de que a civilidade de uma sociedade é mensurada na maneira com que ela trata seus membros mais vulneráveis.

A deficiência intelectual, cujo nome formal mais contemporâneo é Transtorno do Desenvolvimento Intelectual – TDI, é uma condição apresentada por cerca de 1% da população. É, portanto, extremamente comum, com presença em todos os contextos sociais, principalmente nas escolas, onde se deposita nosso especial interesse nesta conversa. As causas para a condição são múltiplas, passando por genética, a presença de traumas, fatores gestacionais e desnutrição. O diagnóstico é sempre clínico, baseado na observação e testagem sistemática de um conjunto de aspectos cognitivos e comportamentais.

A criança com TDI apresenta uma redução significativa de Quociente de Inteligência – QI, com impacto nas habilidades adaptativas, quais sejam as funções sociais, práticas e conceituais, o que nos exige uma atenção e apoio especial no processo de desenvolvimento de habilidades escolares, com uma educação inclusiva que individualize processos pedagógicos, sob pena de um fracasso, que é pessoal, mas cuja responsabilidade é institucional, em decorrência de um apoio equivocado ou ausente.

Todos esses processos individualizados devem decorrer de uma rigorosa avaliação pedagógica, que considere as habilidades acadêmicas e também as pré-acadêmicas e estarem consolidadas em um Plano Educacional Individualizado – PEI, um produto escolar coletivo, com especial participação do professor de Educação Especial e o professor responsável pela sala de aula em que a criança esteja matriculada.

Mas, para além da existência de um PEI (cujo desenvolvimento e obrigatoriedade na Educação Especial os municípios devem regular em norma própria – legislação ou resolução), é preciso atender a dois aspectos essenciais: a) a elaboração dos procedimentos de ensino descritos no PEI devem se basear em evidências científicas e nunca em modismos derivados de ilações pedagógicas ou interesses contratuais de novas administrações, sempre à procura do Santo Graal das verbas carimbadas da educação; e b) estratégias de monitoramento, mensuração e tomada de decisão baseadas em dados acerca da implementação desses procedimentos de ensino, sem as quais qualquer processo de inclusão corre o risco de ser um mero enfeite estéril na escola.

Aproveitemos a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla para promover a conscientização, combater preconceitos e contribuir para a construção de uma realidade mais inclusiva, onde todas as pessoas possam viver com dignidade e participar plenamente da vida em comunidade. Esse é o momento de encontrarmos – e implantarmos – as melhores soluções nesse sentido.

É tempo de valorizar as habilidades e capacidades das pessoas com deficiência, mostrando que elas podem contribuir de maneira significativa para a sociedade e desempenhar papéis ativos em diversas áreas. Celebrar as conquistas desses indivíduos é parte da construção de um ambiente inclusivo e acolhedor para todos.

 

Lucelmo Lacerda - doutor em Educação, com Pós-doutorado em Psicologia e pesquisador de Autismo e Inclusão, autor do livro “Crítica à Pseudociência em Educação Especial – Trilhas de uma educação inclusiva baseada em evidências”.

 

Três comandos essenciais para obter o melhor do ChatGP

É essencial conhecer comandos que permitam interação eficaz e mais produtiva
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Fazer as perguntas certas pode fazer toda a diferença para obter o melhor da IA e se destacar


O Chat GPT, sistema de inteligência artificial da OpenAI, é a página mais visitada no mundo, na categoria Computers Electronics and Technology do SimilarWeb, site especializado em web analytics. No meio dessa avalanche de acessos, o Brasil se destaca. Estudo da Semrush, plataforma de gerenciamento de visibilidade online, apontou que, em janeiro deste ano, o País é o quinto no número de visitas, com 4.3% do total do tráfego mundial, atrás de Estados Unidos (19.5%), Alemanha (5.9%), França (5.7%) e Índia (4.7%). 

“Dentro desse cenário, cada vez mais é preciso saber aproveitar ao máximo essa ferramenta de comunicação. Na nossa experiência usando a IA, podemos fazer algumas observações pautadas pelo uso do recurso. Nesse sentido, acredito que é importante conhecer comandos que permitam interagir de maneira eficaz e mais produtiva com o ChatGPT”, diz Andréa Migliori, CEO da Workhub, HRtech que oferece soluções para portais corporativos (intranet e relacionamento B2B para redes e franquias) e foi a primeira do segmento a oferecer a inteligência artificial entre suas funcionalidades.  


1 - Pergunta direta

“Para obter informações específicas ou respostas diretas, você pode utilizar um comando de pergunta direta. Formule sua pergunta de maneira clara e concisa, para que o Chat GPT possa entender sua intenção e fornecer a resposta adequada”, detalha Andréa. No caso de uma pesquisa sobre a temperatura média em determinada cidade, pergunte: qual é a temperatura média em São Paulo no verão?


2 - Exemplo

“Quando você precisa que o Chat GPT forneça um exemplo ou demonstre algo, pode usar um comando de solicitação de exemplo. É muito prático quando o assunto não ficou bem entendido”, afirma a executiva. Se estiver discutindo algoritmos de classificação, solicite um exemplo prático: dê um exemplo de como funciona o algoritmo de classificação k-NN?


3 - Explicação

“Muitas vezes, mesmo com exemplos, o tópico não ficou claro ou a IA usa algum conceito ou termo desconhecido. Nessas situações, o indicado é pedir uma explicação detalhada sobre o que não está entendido, com comando de solicitação de explicação”, indica Andréa. Por exemplo, se encontrar uma palavra cujo significado se desconhece, peça mais esclarecimentos: o que significa o termo 'aprendizado de máquina'?

Utilizar o Chat GPT pode ser uma experiência valiosa para obter informações e suporte. “À medida que essa tecnologia assume tarefas tediosas, os profissionais podem direcionar seu tempo e esforço para atividades que exigem habilidades humanas únicas, como pensamento crítico, resolução de problemas e empatia”, diz Andréa. 

Segundo ela, em vez de eliminar empregos, a IA pode aumentar a eficiência e a produtividade, proporcionando oportunidades para trabalhadores se envolverem em tarefas mais gratificantes. É importante, portanto, que em vez de vê-la como uma ameaça, enxergá-la como aliada. Profissionais que aprendem a usá-la de maneira eficaz terão óbvias vantagens competitivas no mercado de trabalho. “Quem fizer essa lição de casa será capaz de acompanhar a evolução tecnológica e aproveitar as oportunidades que a tecnologia oferece, encarando-a como uma chance para aprimorar nossas habilidades e expandir as perspectivas profissionais”, frisa a executiva. 



Workhub
https://workhub.digital/


Semana de 4 dias: o que é e como funciona?

A semana de trabalho de 4 dias refere-se a uma estrutura na qual os empregados trabalham um total de quatro dias por semana, em vez dos tradicionais 5. Em alguns casos, significa trabalhar 4 dias mais longos, enquanto em outros envolve a redução do total de horas trabalhadas semanalmente para 32 horas, ao invés das tradicionais 44 horas. 

Em tese, a ideia da semana é tornar a hora trabalhada mais cara, porém mais produtiva. Um bom exemplo é pensar num empresário que possui 10 colaboradores e gasta R$100.000,00 mensais com salários e benefícios. Dessa forma, ele adquire 1.760 horas trabalhadas por mês, por esse valor, pagando R$56,82 pela hora trabalhada.

 

Nessa mesma empresa, sua produção mensal é de 1000 peças. Assim, só de mão de obra, sua peça terá um custo de 100 reais. Dessa forma, se a equipe conseguir produzir as mesmas peças, mas trabalhando apenas 4 dias, o aumento de produtividade compensaria o maior valor pago por hora trabalhada. Analisando em um parágrafo, parece simples, concorda, caro leitor?


 

Como surgiu o conceito?


As discussões sobre a redução da jornada de trabalho não são novas. No início do século XX, à medida que a Revolução Industrial avançava e a mecanização aumentava, houve movimentos para reduzir as jornadas. Naquela época, elas podiam ser extremamente longas, frequentemente durando 10-16 horas por dia.

 

Em meados do século XX, muitos países industrializados adotaram a jornada de trabalho de 40 horas como padrão. Isso foi o resultado de anos de campanhas de sindicatos e trabalhadores para melhores condições aos profissionais. No entanto, mesmo após a adoção da semana de 40 horas, a ideia de reduzir ainda mais essa carga permaneceu. No Brasil, a jornada foi estabelecida em lei pela Constituição Federal, em seu art. 7.º, como sendo de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Este é o limite máximo para o trabalho normal.

 

Nas últimas décadas, com o avanço da tecnologia e a automação, surgiram debates sobre a possibilidade de reduzir ainda mais a semana de trabalho. Estudos sugerem que trabalhar menos horas pode aumentar a produtividade, reduzir o estresse e melhorar a saúde mental e física dos trabalhadores.

 

Em vários lugares ao redor do mundo, empresas e até mesmo governos locais começaram a experimentar a semana de trabalho de 4 dias. Por exemplo, a Nova Zelândia realizou um experimento em que os funcionários trabalhavam 4 dias por semana, mas recebiam o salário de 5. O experimento foi considerado um sucesso, pois a produtividade se manteve e os trabalhadores relataram melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.


 

Qual o desafio para o conceito pegar?


O problema começa quando vamos para os aspectos práticos da vida. Empresa em que a demanda é constante todos os meses não existe. Como também desconheço aumento de produtividade sem investir consideráveis somas de dinheiro em equipamentos, sistemas, treinamento e automação. Além disso, há indústrias em que é vital ter colaboradores disponíveis 5 dias por semana ou mais. Implementar uma semana de 4 dias sem a devida rotação pode levar a lacunas na cobertura.

 

Além disso, para a produtividade aumentar, será necessária uma profunda revisão dos processos e dos sistemas envolvidos no dia a dia da empresa para garantir o melhor fluxo. Em uma jornada reduzida, o tempo dedicado a pausas e atividades que não agregam valor será menor. Reuniões desnecessárias terão de ser abolidas; alinhamentos e retrabalho, reduzidos, esperando-se melhor preparação e capacitação das pessoas.

 

Para concluir, acho o conceito interessante e possível, haja vista que 83% dos profissionais no país dizem fingir que trabalham para parecerem ocupados. Se quem finge diz que o faz quase metade do tempo, temos um universo de 22 horas disponíveis para aumentar a produtividade. Para isso, a gestão terá de mudar a forma dos colaboradores trabalharem e fazer algo mais desafiador: mudar o mindset. Possível chegar na semana de 4 dias? Sim. Fácil? Não, pois se fosse, já estaríamos nela.

 

Virgilio Marques dos Santos - sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria



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