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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Frio piora a endometriose? Não. Mas pode intensificar a percepção da dor e agravar os sintomas

O cirurgião ginecológico Dr. Igor Chiminacio explica por que as baixas temperaturas aumentam a sensibilidade dolorosa em mulheres com endometriose e alerta que dor incapacitante nunca deve ser considerada normal

 

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, é comum que pessoas com doenças crônicas relatem uma piora nos sintomas. Entre as mulheres que convivem com a endometriose, a percepção de mais dor durante os dias frios costuma gerar uma dúvida recorrente: afinal, o frio faz a doença avançar? A resposta é não. O frio não acelera a progressão da endometriose nem provoca novas lesões. O que acontece é um aumento da sensibilidade do organismo à dor, tornando os sintomas mais intensos para quem já convive com a doença.

Segundo o cirurgião ginecológico Dr. Igor Chiminacio, habilitado em Endoscopia Ginecológica pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), essa diferença é importante para evitar interpretações equivocadas sobre a evolução da doença.

"O frio não faz a endometriose crescer nem cria novas lesões. O que acontece é um aumento da sensibilidade à dor. O organismo fica mais suscetível aos estímulos dolorosos, e isso faz com que muitas pacientes sintam os sintomas de forma mais intensa durante o inverno", explica Dr. Igor Chiminacio. 

A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Esse processo pode provocar dor pélvica intensa, alterações intestinais e urinárias, infertilidade e comprometimento da qualidade de vida. Mas a intensidade da dor nem sempre está diretamente relacionada ao tamanho ou à extensão das lesões.

Segundo Dr. Igor, fatores que aumentam a sensibilidade do sistema nervoso, como frio, estresse, ansiedade e depressão, podem amplificar significativamente a percepção dolorosa. "Quem apresenta ansiedade ou depressão costuma desenvolver um limiar de dor menor. A doença permanece a mesma, mas o cérebro interpreta os estímulos dolorosos de forma mais intensa. O frio funciona de maneira semelhante: ele não modifica a endometriose, mas aumenta a sensibilidade do organismo à dor."

Esse fenômeno ajuda a explicar por que muitas pacientes relatam piora dos sintomas durante o inverno, mesmo sem qualquer progressão da doença.


O que acontece no organismo feminino durante o frio?

As baixas temperaturas favorecem a contração muscular, reduzem a circulação periférica e aumentam a tensão corporal. Em pessoas que já convivem com dores crônicas, esse conjunto de fatores pode potencializar desconfortos existentes. No caso da endometriose, em que já há um processo inflamatório e frequentemente fibrose e aderências em diferentes regiões da pelve, qualquer aumento da sensibilidade dolorosa pode ser percebido de forma significativa.

Por isso, embora o frio não interfira na evolução da doença, ele pode tornar o período mais desafiador para quem convive com a condição. Alguns cuidados cotidianos podem contribuir para reduzir o desconforto durante os meses mais frios. Entre eles estão:

  • manter o corpo aquecido, especialmente as extremidades;
  • evitar exposição prolongada ao frio;
  • aquecer os ambientes sempre que possível;
  • realizar alongamentos ou exercícios leves antes de sair de casa;
  • manter uma rotina regular de atividade física de acordo com a indicação do seu médico;
  • utilizar bolsas de água quente ou bolsas térmicas sobre a região dolorosa, quando orientado pelo médico.

"A atividade física regular ajuda muito no controle da dor crônica. Mesmo um treino funcional leve ou alguns minutos de alongamento logo pela manhã já podem fazer diferença para muitas pacientes", afirma Dr. Igor. 


Dor intensa não deve ser normalizada

Embora a cólica menstrual ainda seja frequentemente tratada como um desconforto esperado, especialistas alertam que dores incapacitantes não fazem parte de um ciclo menstrual saudável. Quando a dor impede atividades diárias, compromete o trabalho, os estudos, a vida social ou exige uso frequente de medicamentos, é fundamental procurar avaliação médica.

"O principal alerta é que a dor incapacitante nunca deve ser considerada normal. Quanto mais cedo a paciente recebe um diagnóstico adequado, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida”, resume Dr. Igor. 

Nas últimas décadas, a compreensão científica da endometriose evoluiu significativamente. Atualmente, estudos mostram que a doença vai muito além da antiga teoria da menstruação retrógrada e possui características complexas relacionadas ao desenvolvimento embrionário e à resposta inflamatória do organismo.

Dr. Igor Chiminacio, com 18 anos de experiência em cirurgia ginecológica e membro da AAGL desde 2018, desenvolveu uma abordagem cirúrgica baseada na remoção da doença em bloco, respeitando os territórios anatômicos onde a endometriose costuma se desenvolver: "O objetivo é compreender toda a extensão da doença e não apenas remover lesões isoladas. Esse entendimento permite um tratamento mais completo, preservando órgãos e funções sempre que possível."

Apesar dos avanços científicos, o maior desafio continua sendo o diagnóstico precoce. Reconhecer que dores intensas não são normais e buscar avaliação especializada ainda representa um dos passos mais importantes para reduzir o impacto da doença na vida das mulheres. É importante procurar avaliação médica quando houver cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor especialmente no período menstrual, dor pélvica contínua ou dificuldade para engravidar. O diagnóstico é fundamental para controlar a progressão da doença, aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher.


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