O infectologista Dr. Bil Randerson Bassett, da Nina Saúde, aborda as principais dúvidas sobre as hepatites virais, explica como prevenir cada tipo da doença e destaca a importância da vacinação para frear o avanço das infecções
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública e ainda são cercadas por dúvidas que podem comprometer a prevenção e o diagnóstico precoce. Muitas pessoas acreditam que toda hepatite possui vacina, que a doença sempre provoca pele e olhos amarelados ou que só é necessário se preocupar quando surgem sintomas. Neste Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, o infectologista Dr. Bil Randerson Bassetti, da Nina Saúde, esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema e reforça que informação, vacinação e diagnóstico precoce são as principais estratégias para reduzir novos casos e evitar complicações.
Entre todas as formas de prevenção, a vacinação ocupa um papel central. Atualmente, as hepatites A e B podem ser prevenidas por meio da imunização, considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a circulação dos vírus e evitar complicações como cirrose e câncer de fígado. Já para as hepatites C, D e E, a prevenção depende de outras estratégias, como cuidados com a exposição ao vírus, diagnóstico precoce e acompanhamento médico. Além das vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a rede privada também oferece alternativas que ampliam as possibilidades de imunização conforme a idade, o histórico vacinal e as necessidades de cada paciente. Entre elas está a vacina combinada contra as hepatites A e B, que pode facilitar a atualização da carteira vacinal quando houver indicação médica, reforçando a importância de uma avaliação individualizada.
As hepatites virais também preocupam porque, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa durante anos. Com isso, o diagnóstico costuma acontecer apenas quando já existem danos importantes ao fígado. Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, reduzindo em 90% as novas infecções por hepatites B e C e em 65% a mortalidade relacionada às doenças. Segundo Bil Randerson Bassetti, ainda existe muito desconhecimento sobre as diferenças entre os tipos de hepatite, especialmente quando o assunto é prevenção. "Muitas pessoas acreditam que hepatite é uma única doença ou imaginam que todas podem ser prevenidas da mesma forma. Na realidade, cada vírus possui características próprias e conhecer essas diferenças é fundamental para adotar as medidas corretas de prevenção, incluindo a vacinação quando ela está disponível", explica.
Abaixo, Bill lista os principais mitos e verdades sobre o assunto
e auxilia na melhor forma de prevenção da doença: a vacinação.
Toda hepatite pode ser prevenida por vacina?
Mito. Atualmente, apenas as hepatites A e B possuem vacinas aprovadas.
A hepatite C ainda não conta com imunizante e sua prevenção depende de medidas
como não compartilhar objetos perfurocortantes, utilizar preservativos em
situações de risco e realizar a testagem quando houver indicação médica.
A vacinação contra hepatites é igual no SUS e na rede
privada?
Verdade, mas existem diferenças na oferta. A vacina contra hepatite B disponível
no SUS é a mesma utilizada na rede privada e oferece alta proteção contra a
doença. Já a vacina contra hepatite A integra o calendário infantil do SUS e
também é disponibilizada para grupos específicos. Na rede privada, além das
vacinas individuais, também existe a vacina combinada contra as hepatites A e
B, ampliando as possibilidades de imunização conforme a idade, o histórico
vacinal e a recomendação médica.
Para o profissional da Nina Saúde, a imunização é um dos caminhos
mais importantes para reduzir a incidência das hepatites virais e evitar
complicações associadas às doenças. Segundo o especialista, facilitar o acesso
também é uma estratégia importante para aumentar a cobertura vacinal. “A
possibilidade de receber vacinas em casa, por exemplo, tem contribuído para
reduzir o adiamento da imunização por falta de tempo ou dificuldade de
deslocamento”, destaca.
Só crianças precisam se vacinar contra hepatites?
Mito. Embora a vacinação faça parte do calendário infantil,
adolescentes e adultos que não receberam todas as doses recomendadas também
podem precisar atualizar a proteção. Revisar a carteira de vacinação é
importante em qualquer fase da vida e a necessidade de imunização deve ser
avaliada por um profissional de saúde.
Pele e olhos amarelados são sempre os primeiros sintomas da
hepatite?
Mito. A icterícia é um dos sinais mais conhecidos da doença, mas nem
sempre está presente. As hepatites B e C, por exemplo, podem permanecer
assintomáticas durante anos, fazendo com que muitas pessoas descubram a
infecção apenas em exames de rotina ou quando já existem complicações no
fígado.
É possível ter hepatite sem apresentar sintomas?
Verdade. Grande parte das infecções, especialmente as hepatites B e C,
pode evoluir de forma silenciosa por muitos anos.
Quem toma a vacina contra hepatite B também fica protegido
contra hepatite D?
Verdade. O vírus da hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B
para infectar o organismo. Por isso, ao se vacinar contra a hepatite B, a
pessoa também previne a infecção pela hepatite D.
Compartilhar copos, pratos e talheres transmite hepatite B e
C?
Mito. Esses vírus não são transmitidos pelo compartilhamento de
utensílios domésticos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com
sangue e outros fluidos corporais contaminados.
A hepatite C tem tratamento?
Verdade. Atualmente, existem medicamentos capazes de eliminar o vírus na
maioria dos pacientes, principalmente quando o diagnóstico é realizado
precocemente.
Nina Saúde

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