O Brasil possui recursos naturais extremamente valiosos – terra cultivável, disponibilidade hídrica, clima, matriz energética etc. – difíceis de replicar que, na ótica do economista David Ricardo, revelavam-se vantagens comparativas do nosso país. Em razão disso, somos líderes mundiais nos segmentos de commodities agrícolas, proteína animal, mineração, petróleo, celulose, energia renovável, dentre outros.
Sob este prisma, portanto, não há
dúvida de que o Brasil é um país rico. Acontece que esta riqueza ainda não é
percebida por grande parte da população brasileira. De fato, somos um país rico
com uma população pobre. Neste sentido, para nos tornarmos efetivamente ricos
precisamos construir vantagens competitivas. Utilizando-se os conceitos de
Michael Porter, é preciso capturar valor a partir dos nossos recursos naturais
abundantes.
Neste breve ensaio, listo abaixo alguns
dos nossos “gargalos” que deveriam fazer parte dos planos estratégicos de
governo dos candidatos à Presidência da República no momento em que nos
aproximamos do pleito eleitoral:
(i) Baixa qualidade média da educação
básica e de formação técnica, resultando em mão de obra pouco qualificada, o
que impede o aumento estrutural da nossa produtividade e igualmente dificulta a
inovação tecnológica;
(ii) Infraestrutura ineficiente –
envolvendo saneamento, mobilidade urbana, rodovias, ferrovias, armazenagem,
portos –, o que produz reflexos diretos na competitividade sistêmica;
(iii) Instabilidade macroeconômica, decorrente de descontrole fiscal com impactos diretos nas taxas de inflação, no câmbio e nas taxas de juros, o que gera um alto custo de capital para as empresas e reduz investimentos e empreendedorismo no país;
(iv) Ambiente institucional desafiador,
em decorrência de complexidade tributária, insegurança regulatória, excesso de
contencioso judicial, gerando o famoso “custo Brasil”, que igualmente inibe
investimentos internos e estrangeiros;
(v) Insegurança pública, que afeta não
apenas a qualidade de vida no Brasil, mas também gera perda de eficiência por
meio de custos sistêmicos de “proteção” que são incorridos em toda a cadeia
produtiva, além de corroer a confiança e reduzir o horizonte temporal dos
agentes econômicos.
Em suma, às vésperas das eleições de 2026, já está na hora de o ‘país do futuro’ se tornar um ‘país do presente’. Procura-se um estadista com plano estratégico nacional para transformar as nossas vantagens comparativas naturais em riqueza efetiva para os cidadãos brasileiros.
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