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terça-feira, 7 de julho de 2026

Estudo reforça impacto da vacina contra o HPV na redução de mortes por câncer de colo do útero

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o
 HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos
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Pesquisa realizada na Inglaterra aponta efeitos da imunização na mortalidade pela doença; oncologista explica a importância da prevenção
 

Nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu em decorrência do câncer de colo do útero na Inglaterra entre 2020 e 2024. O dado faz parte de um estudo publicado na revista científica The Lancet e, segundo os pesquisadores, está associado à ampla cobertura da vacinação contra o HPV iniciada no país ainda na adolescência. 

A descoberta chama a atenção diante do cenário brasileiro. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero devem ser registrados por ano no país entre 2026 e 2028. A doença é o terceiro tipo de tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras, quando desconsiderados os casos de câncer de pele não melanoma. 

Para o oncologista Diocésio Andrade, a pesquisa traz evidências importantes sobre os efeitos da imunização contra o HPV na prevenção do câncer. 

“Estamos começando a observar um impacto que vai além da redução das infecções pelo HPV e chega à mortalidade pelo câncer. É um resultado muito relevante para a oncologia porque mostra, na prática, que a prevenção iniciada precocemente pode mudar o cenário da doença ao longo dos anos”, afirma. 

A infecção persistente por tipos de alto risco do HPV está associada à maioria dos casos de câncer de colo do útero. A vacinação atua contra o vírus antes que ele possa desencadear alterações celulares e, posteriormente, evoluir para a doença. 

No Brasil, a imunização é recomendada pelo Ministério da Saúde para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em Ribeirão Preto, jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina também podem participar da estratégia de resgate, prorrogada até 31 de dezembro. A aplicação é gratuita e está disponível na rede pública de saúde. 

Segundo Diocésio, a vacinação de meninos e meninas é fundamental porque o HPV também pode causar outros tipos de câncer. 

“Ainda existe a percepção de que a vacina contra o HPV está relacionada apenas à prevenção do câncer de colo do útero, mas o vírus também está associado a tumores de pênis, ânus e orofaringe. Por isso, a imunização de meninos e meninas tem um papel importante tanto na proteção individual quanto na redução da circulação do vírus”, explica o oncologista. 

Mesmo com os benefícios proporcionados pela vacina, o acompanhamento ginecológico e a realização dos exames preventivos permanecem fundamentais. A medida reduz o risco de infecção pelos principais tipos de HPV associados ao câncer, enquanto o rastreamento permite identificar alterações antes da evolução da doença. 

“Imunização e acompanhamento periódico são estratégias complementares. Enquanto uma atua na prevenção da infecção, os exames permitem identificar alterações precocemente, quando as possibilidades de tratamento e cura são maiores. Essas medidas reforçam a importância de uma prevenção consistente contra o câncer de colo do útero”, conclui Andrade.


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