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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Metade do ano: o esgotamento das equipes pode ser um sinal de alerta para a gestão

Acúmulo de demandas, pressão por resultados e ausência de pausas efetivas ajudam a explicar por que junho se tornou um período crítico para produtividade e engajamento 


A chegada do segundo semestre costuma ser acompanhada por um aumento da pressão por resultados, revisões de metas e aceleração dos planos de negócio. Mas, para muitas organizações, esse período também revela um problema menos visível: equipes que chegam à metade do ano operando no limite da capacidade emocional e produtiva.

Embora o burnout represente o estágio mais grave do esgotamento profissional, especialistas observam que existe uma zona intermediária de desgaste que muitas vezes passa despercebida pelas empresas. Queda de engajamento, menor participação em reuniões, dificuldade de concentração, aumento de conflitos internos e redução da capacidade de inovação costumam surgir muito antes de um afastamento formal ou de um pedido de desligamento.

O desafio é que esses sinais frequentemente são interpretados como falta de comprometimento ou baixa performance individual, quando podem indicar problemas estruturais na forma como o trabalho está sendo organizado.

Para Hosana Azevedo, Gerente de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o desgaste das equipes deve ser analisado como um indicador de gestão.

“Quando várias pessoas começam a apresentar sinais de exaustão ao mesmo tempo, dificilmente estamos falando apenas de uma questão individual. É importante que as empresas observem se existem sobrecarga recorrente, falta de clareza sobre prioridades, metas incompatíveis com os recursos disponíveis ou lideranças que acabam reforçando uma cultura de pressão constante.

”A discussão ganha relevância em um momento em que os riscos psicossociais passaram a ocupar espaço mais estratégico dentro das organizações. Com as atualizações da NR-1, empresas são estimuladas a incorporar fatores relacionados à saúde mental em seus processos de identificação e gestão de riscos ocupacionais.

Isso significa olhar para elementos que muitas vezes ficam fora dos indicadores tradicionais de desempenho, como excesso de jornadas prolongadas, dificuldade de desconexão, ambientes de trabalho marcados por conflitos frequentes, comunicação pouco transparente ou ausência de suporte das lideranças.

Segundo Hosana, um erro comum é tratar ações de bem-estar como solução isolada para problemas que têm origem na própria dinâmica de trabalho.

“Muitas organizações investem em iniciativas voltadas ao bem-estar, o que é positivo, mas nem sempre analisam as causas do desgaste. Se a estrutura continua gerando sobrecarga constante, nenhuma ação pontual será suficiente para resolver o problema.

”Entre as práticas recomendadas por especialistas estão a revisão periódica da distribuição de demandas, a definição clara de prioridades, o treinamento de lideranças para identificação precoce de sinais de esgotamento, pesquisas regulares de clima organizacional e a criação de canais seguros para que os colaboradores possam reportar situações de sobrecarga.

O tema também tem impacto direto na retenção de talentos. Em um mercado onde profissionais valorizam cada vez mais qualidade de vida, flexibilidade e ambientes psicologicamente seguros, organizações que negligenciam a saúde mental tendem a enfrentar mais dificuldades para atrair e manter equipes engajadas.

“Saúde mental não pode ser tratada apenas quando surge um problema. As empresas mais preparadas são aquelas que conseguem atuar preventivamente, criando ambientes sustentáveis para que as pessoas entreguem resultados sem comprometer seu bem-estar ao longo do caminho”, conclui Hosana.

Infojobs


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