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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Canetas emagrecedoras podem reduzir efeitos colaterais e melhorar resposta ao tratamento do câncer

Especialista do Oncoapp ressalta que os estudos são resultados de avaliações retrospectivas, porém o cenário é promissor
 

Os análogos de GLP-1, classe de medicamentos utilizada nas chamadas "canetas emagrecedoras" para o tratamento da obesidade e do diabetes, começam a despertar o interesse da comunidade científica também na oncologia. Durante a ASCO 2026 (Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica), realizado entre os dias 29 de maio e 2 de junho, em Chicago (EUA), pesquisadores apresentaram estudos que sugerem uma associação entre o uso desses medicamentos e uma melhor resposta de pacientes oncológicos à imunoterapia, além da redução dos efeitos adversos relacionados ao tratamento.
 

Para a oncologista Isadora Spricido, do OncoApp, aplicativo voltado ao acompanhamento de pacientes com câncer, o interesse pelo tema está diretamente relacionado ao fato de que a obesidade é reconhecida como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de tumores, entre eles os de mama, endométrio e intestino. "Além disso, o diabetes também é uma condição frequente entre pacientes oncológicos, seja como doença preexistente ou como consequência de determinados tratamentos. Os dados apresentados na ASCO indicam, de forma preliminar, que os análogos de GLP-1 podem exercer um impacto positivo nesse contexto", explica.

Embora os resultados sejam considerados promissores, a especialista ressalta que as evidências disponíveis ainda são provenientes de estudos retrospectivos, que identificam associações, mas não estabelecem uma relação de causa e efeito. "Ainda são necessários estudos clínicos para determinar quais pacientes realmente podem se beneficiar dessa estratégia e compreender se os análogos de GLP-1 poderão atuar como um adjuvante imunometabólico, potencializando a resposta do sistema imunológico durante o tratamento contra o câncer", afirma. 

Segundo os estudos apresentados na ASCO 2026, a hipótese é reforçada pelo conhecimento de que a obesidade interfere diretamente no funcionamento do sistema imunológico. Dessa forma, o controle metabólico proporcionado pelos análogos de GLP-1 pode representar, no futuro, uma ferramenta complementar para melhorar a resposta terapêutica em pacientes selecionados. No entanto, a utilização desses medicamentos com essa finalidade ainda depende de novas pesquisas que confirmem sua eficácia e segurança. 

"Apesar dos resultados promissores, o uso dos análogos de GLP-1 em pacientes com câncer deve ser sempre individualizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, para que o tratamento ofereça benefícios sem comprometer a terapia oncológica", destaca a médica. Segundo ela, quando utilizados antes do diagnóstico, esses medicamentos contribuem para o controle da obesidade e do diabetes, fatores reconhecidamente associados ao aumento do risco de diversos tipos de câncer. Já durante o tratamento oncológico, as pesquisas ainda buscam identificar quais pacientes realmente podem se beneficiar. "Os estudos preliminares apontam uma possível redução da recorrência da doença, da mortalidade e uma melhora na resposta ao tratamento. Agora, precisamos entender em quais perfis de pacientes e em quais cenários clínicos esses benefícios realmente se confirmam", conclui.


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