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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Onda de calor extremo vira grande desafio na reta final da Copa do Mundo


Catherine Ivill
AMA
Getty via CNN Newsource

Com sensação térmica que pode superar os 43°C nos Estados Unidos, cientistas cobram a FIFA e médicos alertam para os riscos à saúde de atletas e torcedores

 

A reta final da Copa do Mundo de 2026 será disputada sob uma intensa onda de calor nos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre os impactos das temperaturas extremas na saúde de atletas e torcedores. De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, algumas cidades-sede podem registrar temperaturas próximas de 38°C, com sensação térmica superior a 43°C. Especialistas alertam que a combinação entre calor intenso e esforço físico pode aumentar significativamente o risco de desidratação, exaustão pelo calor e até golpe de calor, condição considerada uma emergência médica. 

O tema também mobiliza pesquisadores internacionais. Em carta aberta enviada à FIFA antes do torneio, um grupo de cientistas afirmou que as medidas de proteção contra o calor eram insuficientes diante das condições climáticas previstas. Entre as recomendações estavam pausas mais longas para resfriamento e critérios mais rigorosos para o adiamento de partidas em situações de calor extremo. 

Segundo o clínico geral, que atua como médico do esporte com foco em desidratação e prevenção de lesões decorrentes dela, Diego Reis, o calor intenso representa um desafio importante para o organismo, especialmente durante atividades físicas prolongadas. "Quando a temperatura ambiente está muito elevada, o organismo precisa trabalhar mais para manter sua temperatura corporal ideal. Isso aumenta a perda de líquidos e sobrecarrega o sistema cardiovascular, favorecendo quadros de desidratação, queda da pressão arterial, tontura, cãibras e, nos casos mais graves, o golpe de calor." 

O médico explica que atletas de alto rendimento contam com equipes preparadas para monitorar hidratação, reposição de eletrólitos e sinais de fadiga, mas ressalta que os torcedores também precisam adotar medidas preventivas. "Quem acompanha uma partida ao ar livre permanece por várias horas exposto ao sol e ao calor. É fundamental manter uma boa hidratação, utilizar roupas leves, aplicar protetor solar, procurar áreas de sombra sempre que possível e ficar atento a sintomas como dor de cabeça intensa, confusão mental, náuseas e fraqueza, que podem indicar um quadro de estresse térmico." 

Diego Reis, que também é professor do curso de Medicina da Afya Jaboatão, destaca ainda que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais exigem cuidados redobrados. "Esses grupos apresentam menor capacidade de adaptação às altas temperaturas e podem evoluir mais rapidamente para complicações. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para que o calor não transforme um momento de lazer em um problema de saúde." 

Com a previsão de temperaturas elevadas durante os próximos jogos, especialistas reforçam que o sucesso de grandes eventos esportivos também depende da adoção de medidas capazes de proteger atletas, profissionais envolvidos na competição e milhares de torcedores que acompanham as partidas presencialmente. 



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