Estimativas do Inca reforçam o impacto da doença na população masculina; infectologista alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da vacinação
Quando
o assunto é HPV, muitas pessoas ainda associam o vírus apenas ao câncer do colo
do útero. No entanto, a infecção também representa um risco importante para a
saúde masculina, isso porque, segundo estimativas do Instituto Nacional de
Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 4.850 novos casos de câncer de
orofaringe em 2026, sendo 3.910 entre homens e 940 entre mulheres. Em outras
palavras, mais de 80% dos diagnósticos previstos da doença ocorrerão na
população masculina.1
Embora
o tabagismo e o consumo excessivo de álcool continuem sendo os principais
fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço, o HPV é reconhecido como
um importante fator associado ao câncer de orofaringe. A infecção, que muitas
vezes não provoca sintomas, pode permanecer no organismo durante anos antes do
surgimento de lesões.
Nos
homens, o HPV também está associado ao surgimento de verrugas anogenitais,
lesões que acometem o pênis e o ânus e diferentes tipos de câncer, entre eles o
de orofaringe. Ao contrário do que acontece com as mulheres, que contam com o
exame preventivo para o rastreamento do câncer do colo do útero, não existe um
teste equivalente para identificar precocemente lesões relacionadas com o vírus
na população masculina. Como consequência, muitos casos acabam sendo
descobertos apenas quando surgem sintomas persistentes.
“O
HPV é extremamente comum e pode afetar pessoas sexualmente ativas ao longo da
vida. Na maioria dos casos, o organismo elimina a infecção espontaneamente, mas
quando ela persiste, pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer
muitos anos depois do contato inicial com o vírus”, explica o dr. Alberto
Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de
Janeiro.
Ainda
segundo o especialista, entre os sinais que merecem atenção estão dor de
garganta persistente, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, feridas
na boca que não cicatrizam e aumento de gânglios no pescoço. Quando esses
sintomas persistem por mais de duas semanas, é importante procurar avaliação
médica para investigação da causa.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A
vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir a infecção pelos
tipos de HPV mais frequentemente associados ao desenvolvimento de câncer. Pelo
Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida gratuitamente para meninas e
meninos de 9 a 14 anos e para grupos especiais definidos pelo Ministério da
Saúde, como pessoas que vivem com o HIV, transplantados, pacientes oncológicos
e usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP), na faixa etária prevista pelo
programa. Na rede privada, a imunização também está disponível para
adolescentes e adultos, conforme avaliação médica.
“Ainda
existe a falsa percepção de que a vacina contra o HPV protege apenas as
mulheres. Na verdade, ela também reduz o risco de doenças relacionadas com o
vírus nos homens e contribui para diminuir sua circulação na população. Quanto
maior a cobertura vacinal, maior o potencial de prevenção de diferentes tipos
de câncer associados ao HPV”, destaca Chebabo.
Referência:
1INCA: Estimativa 2026
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