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quarta-feira, 8 de julho de 2026

HPV também é assunto de homem: mais de 80% dos casos de câncer de orofaringe previstos para 2026 ocorrerão em homens

 Estimativas do Inca reforçam o impacto da doença na população masculina; infectologista alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da vacinação

 

Quando o assunto é HPV, muitas pessoas ainda associam o vírus apenas ao câncer do colo do útero. No entanto, a infecção também representa um risco importante para a saúde masculina, isso porque, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 4.850 novos casos de câncer de orofaringe em 2026, sendo 3.910 entre homens e 940 entre mulheres. Em outras palavras, mais de 80% dos diagnósticos previstos da doença ocorrerão na população masculina.1

Embora o tabagismo e o consumo excessivo de álcool continuem sendo os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço, o HPV é reconhecido como um importante fator associado ao câncer de orofaringe. A infecção, que muitas vezes não provoca sintomas, pode permanecer no organismo durante anos antes do surgimento de lesões. 

Nos homens, o HPV também está associado ao surgimento de verrugas anogenitais, lesões que acometem o pênis e o ânus e diferentes tipos de câncer, entre eles o de orofaringe. Ao contrário do que acontece com as mulheres, que contam com o exame preventivo para o rastreamento do câncer do colo do útero, não existe um teste equivalente para identificar precocemente lesões relacionadas com o vírus na população masculina. Como consequência, muitos casos acabam sendo descobertos apenas quando surgem sintomas persistentes. 

“O HPV é extremamente comum e pode afetar pessoas sexualmente ativas ao longo da vida. Na maioria dos casos, o organismo elimina a infecção espontaneamente, mas quando ela persiste, pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer muitos anos depois do contato inicial com o vírus”, explica o dr. Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, no Rio de Janeiro. 

Ainda segundo o especialista, entre os sinais que merecem atenção estão dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, rouquidão prolongada, feridas na boca que não cicatrizam e aumento de gânglios no pescoço. Quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é importante procurar avaliação médica para investigação da causa.
 

Vacinação é a principal forma de prevenção 

A vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir a infecção pelos tipos de HPV mais frequentemente associados ao desenvolvimento de câncer. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para grupos especiais definidos pelo Ministério da Saúde, como pessoas que vivem com o HIV, transplantados, pacientes oncológicos e usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP), na faixa etária prevista pelo programa. Na rede privada, a imunização também está disponível para adolescentes e adultos, conforme avaliação médica. 

“Ainda existe a falsa percepção de que a vacina contra o HPV protege apenas as mulheres. Na verdade, ela também reduz o risco de doenças relacionadas com o vírus nos homens e contribui para diminuir sua circulação na população. Quanto maior a cobertura vacinal, maior o potencial de prevenção de diferentes tipos de câncer associados ao HPV”, destaca Chebabo.
 



Referência:

1INCA: Estimativa 2026

 

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