Especialista alerta que o planejamento deve ir além das passagens e hospedagem para evitar que o lazer comprometa despesas como IPVA, material escolar e as compras de fim de ano
Viajar durante as férias de julho é um dos
principais objetivos de milhares de famílias brasileiras. No entanto, entre
passagens, hospedagem, alimentação, passeios e compras, o custo do descanso
pode continuar pesando no orçamento muito depois do retorno para casa. O
principal risco, segundo especialistas, é tratar a viagem como um gasto
isolado, sem considerar os compromissos financeiros que ainda virão no segundo
semestre.
A preocupação ganha força porque, além das despesas
típicas das férias, os próximos meses concentram uma série de compromissos
importantes para as famílias, como IPVA e IPTU de 2027, matrícula e material
escolar, seguros, tributos, além das compras de Natal e Ano-Novo. Quando a
viagem é financiada sem planejamento, especialmente por meio do cartão de
crédito, o impacto pode comprometer o orçamento por vários meses.
Para André Bobek, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro e consultor financeiro eleito o 11º melhor do mundo pelo MDRT (Million
Dollar Round Table), viajar faz parte da qualidade de vida, mas deve estar
inserido dentro de um planejamento financeiro. "O problema não é viajar. O
problema é transformar um momento de lazer em uma dívida que acompanha a
família durante boa parte do segundo semestre. Antes de fechar qualquer pacote,
é preciso entender como aquela despesa vai conversar com todos os compromissos
que ainda estão por vir", afirma Bobek.
O preço da viagem não termina
quando ela acaba
Segundo Bobek, muitas pessoas calculam apenas o
valor das passagens e da hospedagem, mas esquecem dos gastos diários durante o
passeio. Alimentação, transporte, passeios, compras e pequenas despesas
normalmente fazem o orçamento crescer acima do previsto. Além disso, quando boa
parte desses custos é parcelada no cartão, o consumidor compromete parte da
renda futura. "Parcelar pode fazer sentido quando existe planejamento. O
problema é assumir parcelas sem saber se haverá espaço no orçamento dos
próximos meses. A viagem acaba, mas a fatura continua chegando", explica o
CEO da Mhydas Planejamento Financeiro.
Ainda dá para planejar uma
viagem de última hora?
Mesmo para quem ainda não definiu o destino, o
especialista afirma que ainda é possível viajar sem comprometer as finanças,
desde que algumas regras sejam respeitadas. A primeira delas é estabelecer um
limite máximo de gastos antes de começar a pesquisar opções. Também vale
priorizar destinos próximos, viajar em dias de menor demanda e aproveitar
programas gratuitos ou de baixo custo. Outra recomendação é evitar financiar
toda a viagem. "Quem decide viajar de última hora precisa ser ainda mais
disciplinado. O ideal é adequar o destino ao orçamento disponível, e não fazer
o orçamento se adaptar ao destino escolhido", orienta André Bobek.
Como equilibrar lazer e
responsabilidade financeira
Segundo Bobek, algumas perguntas ajudam a identificar
se a viagem cabe no planejamento da família.
- Existe
reserva de emergência?
- As
contas dos próximos meses já estão previstas?
- O
parcelamento comprometerá uma parcela importante da renda?
- Haverá
recursos para despesas como impostos, escola e fim de ano?
Se a resposta for negativa para parte dessas
perguntas, talvez seja o momento de reduzir o orçamento da viagem ou adiar os
planos. "O lazer também faz parte do planejamento financeiro. O objetivo
não é deixar de viajar, mas garantir que a experiência termine junto com as
férias e não se transforme em um problema financeiro pelos meses
seguintes", afirma o especialista.
Como evitar que as férias
prejudiquem o restante do ano
Para o especialista, algumas medidas simples podem
reduzir o impacto da viagem sobre o orçamento:
- definir
um teto de gastos antes da viagem;
- registrar
todas as despesas durante o passeio;
- evitar
parcelamentos longos;
- utilizar
parte da restituição do Imposto de Renda ou recursos já reservados para
lazer, quando houver;
- manter
a reserva de emergência intacta.
"O maior erro é usar dinheiro destinado a emergências ou assumir dívidas para financiar momentos de lazer. Viajar deve ser uma conquista do planejamento financeiro, e não um motivo para começar o segundo semestre desequilibrado", conclui Bobek.
Mhydas Planejamento Financeiro
https://mhydas.com.br/

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