Junto com as férias de inverno também aparece um aumento das queixas comuns dessa época do ano: nariz entupido, garganta irritada, indisposição, alterações no sono e sintomas respiratórios. Antes de pegar a estrada ou embarcar em uma viagem, muitas famílias montam uma pequena farmácia dentro da mala. Mas será que colocar vários medicamentos “para garantir” é realmente a melhor escolha?
Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, o ideal é pensar em
uma “farmacinha consciente”: organizada, segura e adaptada às necessidades de
cada pessoa.
“O erro é transformar a mala de viagem em uma coleção de
medicamentos sem critério. Levar tudo porque um dia alguém pode precisar
aumenta o risco de uso inadequado. Natural não significa sem risco e
medicamento conhecido não significa que pode ser usado de qualquer forma”,
explica.
O que levar na mala de férias?
De acordo com o farmacêutico, alguns itens básicos podem ajudar a
família a lidar com situações simples durante a viagem.
Entre eles:
• Termômetro;
• Soro fisiológico para higiene nasal;
• Medicamentos de uso contínuo: Leve quantidade suficiente para toda a viagem e, se possível, alguns dias extras, para evitar problemas caso ocorram atrasos ou imprevistos;
• Prescrições médicas quando necessário;
• Itens de cuidado diário específicos para crianças e
idosos.
Transporte: “Sempre transporte os medicamentos em suas embalagens
originais, principalmente durante viagens aéreas, pois isso facilita a
identificação do produto e evita erros”, alerta Jamar que complementa: “Durante
viagens, os medicamentos devem ser transportados preferencialmente na bagagem
de mão, protegidos da luz e do calor. Medicamentos que necessitam refrigeração
devem ser mantidos em bolsas térmicas apropriadas com elementos refrigerantes,
evitando contato direto com o gelo e respeitando a temperatura indicada pelo
fabricante”, ensina.
Armazenamento: Medicamentos não devem ficar expostos ao calor
dentro do carro, diretamente no sol ou em locais com grande variação de
temperatura, pois isso pode comprometer sua conservação. “Um medicamento mal
armazenado pode perder qualidade. É preciso olhar validade, embalagem original
e seguir as recomendações do fabricante”, orienta.
A farmácia do inverno: os erros mais comuns nos dias frios
Com a queda das temperaturas e o aumento de sintomas
respiratórios, muita gente tenta resolver qualquer desconforto por conta
própria.
Para Jamar, esse é um dos grandes problemas da temporada.
Entre os erros mais comuns estão:
• Uso excessivo de descongestionantes nasais;
• Automedicação para sintomas de gripe e resfriado;
• Uso inadequado de antibióticos;
• Mistura de medicamentos sem orientação;
• Repetir tratamentos antigos sem avaliação.
“Nem todo nariz entupido, tosse ou mal-estar tem a mesma causa.
Usar algo que funcionou uma vez ou que funcionou para outra pessoa pode não ser
adequado naquele momento”, explica.
O perigo do “toma esse que funcionou comigo”
Nas viagens em família, é comum alguém oferecer um medicamento que
resolveu um sintoma parecido.
Mas crianças, adultos e idosos podem ter necessidades
completamente diferentes.
Peso, idade, doenças existentes, outros medicamentos em uso e histórico
de saúde interferem na escolha e na segurança de qualquer tratamento.
“Compartilhar medicamento parece uma atitude de cuidado, mas pode
trazer riscos. A mesma substância pode ter efeitos diferentes dependendo da
pessoa”, afirma.
Chá, mel e receitas da avó: tradição também precisa de
orientação
Os dias frios também trazem de volta receitas familiares: chás,
bebidas quentes e cuidados passados entre gerações.
Esses hábitos podem trazer sensação de conforto, ajudar na
hidratação e fazer parte de momentos de autocuidado.
“O calor de uma bebida, o cheiro de um chá e o ritual de parar alguns minutos têm um componente emocional importante. Mas é preciso lembrar que cuidados caseiros também têm limites e não substituem avaliação quando existe um problema de saúde”, reforça Jamar.
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