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O
sucesso das canetas emagrecedoras transformou o tratamento da obesidade e
ajudou milhões de pessoas a perder peso. Mas, por trás dos resultados na
balança, tem sido observado um fenômeno que merece atenção: o aumento do risco
de desnutrição e deficiência nutricional em pacientes que reduzem drasticamente
a ingestão alimentar durante o tratamento.
Conhecida por "fome oculta", essa condição ocorre quando
o organismo recebe menos nutrientes essenciais do que necessita, mesmo em
pessoas que não aparentam estar desnutridas. O problema tem ganhado relevância
à medida que cresce o uso de medicamentos que promovem saciedade prolongada e
reduzem significativamente o apetite.
Uma revisão narrativa publicada em Clinical Obesity analisou
estudos envolvendo centenas de milhares de adultos e concluiu que a supressão
do apetite e a redução significativa da ingestão alimentar podem levar a
déficits nutricionais relevantes.¹
Segundo a Dra. Renata Bussuan, coordenadora da pós-graduação em
Endocrinologia da Afya Educação Médica, os efeitos podem se refletir inclusive
na pele, nos cabelos e nas unhas, estruturas altamente dependentes de
nutrientes para sua manutenção:
“Embora as canetas emagrecedoras sejam ferramentas eficazes para o controle da obesidade, alguns pacientes acabam consumindo uma quantidade muito pequena de alimentos ao longo do dia. Nesses casos, observamos baixa ingestão proteica, deficiência de ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D, além de perda de massa muscular. Essas alterações podem comprometer não apenas os resultados do tratamento, mas a saúde de forma geral”, explica.
Outro levantamento, publicado na revista científica Obesity Pillars ouviu mais de 461 mil pacientes em uso de GLP-1 e identificou que cerca de 22% desenvolveram algum tipo de deficiência nutricional em até um ano de tratamento, com destaque para baixos níveis de vitamina D e redução de ferritina, marcador importante do estoque de ferro no organismo.²
A preocupação dos especialistas é que muitos pacientes associem o
sucesso do tratamento exclusivamente à velocidade da perda de peso. No entanto,
evidências científicas mostram que a qualidade dessa perda é tão importante
quanto a quantidade. A redução excessiva de massa muscular, por exemplo, pode
diminuir a força física, aumentar o risco de quedas, dificultar a manutenção do
peso no longo prazo e prejudicar o metabolismo.
Além disso, deficiências de ferro e vitamina B12 podem favorecer
quadros de fadiga, dificuldade de concentração e queda de cabelo. Já níveis
inadequados de vitamina D e zinco podem afetar a imunidade e a recuperação dos
tecidos.
Para evitar essas complicações, a recomendação é que o uso das
canetas seja acompanhado por avaliação médica e nutricional periódica, com
monitoramento de exames laboratoriais e orientação alimentar individualizada.
“O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas preservar a
saúde. Uma alimentação equilibrada, rica em proteínas e micronutrientes, é
fundamental para que o organismo se adapte adequadamente ao emagrecimento e
mantenha suas funções em pleno funcionamento”, reforça a Dra. Renata.
Diante da crescente popularização desses medicamentos, o alerta é
claro: emagrecer não pode significar nutrir menos o corpo. Em muitos casos, o
maior desafio não é perder peso, mas garantir que o organismo continue
recebendo tudo o que precisa para funcionar de forma saudável.
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Referências
1. Link
2. Link

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