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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Como inovar no onboarding?

 

Se antes o RH era visto como uma área de Departamento Pessoal, hoje já não é mais assim. O que temos presenciado é, cada vez mais, essa frente desempenhar um papel estratégico nas organizações, atuando como um verdadeiro orquestrador. No entanto, à medida que o mercado se torna mais dinâmico, é preciso inovar, principalmente no onboarding. 

Segundo a 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas do Great Place to Work (GPTW), que mapeia as prioridades e desafios da área, para 57,4% dos respondentes o desenvolvimento e a capacitação da liderança aparecem como principal obstáculo e prioridade para as organizações. Na sequência, estão a transformação e/ou evolução da cultura organizacional e o engajamento e comprometimento das pessoas. 

Outro ponto de destaque do estudo foi que a contratação de profissionais qualificados ganhou relevância entre as prioridades dos entrevistados, saltando de 12% para 27,9%. Os dados do relatório corroboram a atual realidade do mercado: a gestão de pessoas não se trata mais de uma vertente apenas operacional, mas está assumindo um papel central na estratégia dos negócios. Deste modo, inovar no onboarding é um passo fundamental para eliminar as burocracias e gerar criatividade, contribuindo assim para que a jornada do colaborador se torne mais leve e efetiva. 

Esse posicionamento ganha ainda mais relevância considerando que, atualmente, as organizações precisam administrar contextos diferentes. Em se tratando da equipe, o fenômeno da diversidade geracional tem evoluído cada vez mais. Isto é, pela primeira vez na história, existem até quatro gerações coexistindo no mercado de trabalho. É importante destacar que cada grupo traz consigo valores, competências e formas de pensar e agir diferentes. Deste modo, compreender essas diferenças e, sobretudo, saber lidar com elas é algo fundamental não apenas para contratar, mas também para reter talentos. 

Em suma, é necessário enfatizar que a customização é o elo essencial para garantir essa compreensão. Por sua vez, além do aspecto geracional, um outro contexto também está presente no dia a dia dos gestores: afinal, como garantir que o onboarding seja efetivo considerando os atuais modelos de trabalho? 

Esse é mais um desafio, mas a boa notícia é que também é possível inovar em cada modelo. No remoto, é necessário que a empresa saiba transmitir o senso de pertencimento para o colaborador pela tela, de forma que a pessoa consiga entender que não é mais um número, mas sim um profissional que possui uma história e está em um ambiente seguro para compartilhá-la. Para isso, a realização de agendas e rodas de conversa online são elementos indispensáveis para criar proximidade com a liderança. 

No presencial, a palavra-chave para esse processo é a empatia. É aqui que o "olho no olho" se destaca, de modo a compreender formas de praticar o acolhimento — tanto no horário flexível, a depender do deslocamento do profissional até a empresa, quanto ter um olhar de acessibilidade, o cuidado de entender a atual realidade do próximo e aplicar os propósitos e valores da marca, criando um ambiente do qual a pessoa tenha o prazer de fazer parte. 

Já o híbrido pode ser considerado o modelo mais saudável, desde que haja equilíbrio. Nesse formato, o profissional não está todos os dias na organização, mas é importante que, ao definir os dias presenciais, ele faça parte de agendas e vivencie experiências que promovam a troca de conhecimento e deem celeridade para que eventuais dúvidas sejam resolvidas com rapidez. 

Por mais que o RH seja o elo estratégico entre pessoas e negócios, a liderança tem um papel crucial para garantir que o onboarding seja inovador. Até porque é a vivência e o relacionamento no dia a dia que serão capazes de mostrar ao colaborador se tudo aquilo que foi apresentado no ato da contratação é aplicado na prática, bem como trazer segurança e, consequentemente, a permanência desse talento. 

Existem diversas formas de inovar, mas é preciso garantir que a estratégia está dando resultados. Quanto a isso, a aplicação de pesquisas com intervalos de 30 a 90 dias é um ótimo parâmetro para medir o clima, realizar análises e tomar ações rápidas. Outra abordagem que também merece destaque é o Growth Hacking, que se trata de um conjunto de estratégias e técnicas focadas no crescimento rápido e escalável de negócios utilizando poucos recursos. 

Olhando para o futuro, é inevitável questionar o impacto que tendências como a Inteligência Artificial generativa devem ter na personalização dessa jornada. A resposta é clara: a tecnologia faz parte do processo, mas ela representa o "como executar", e não o "porquê". Por mais que surjam ferramentas inovadoras a cada dia, a IA chega para apoiar e agilizar as ações, atuando em uma frente desenvolvedora e operacional, enquanto o papel de orquestrar, administrar e tomar decisões permanece estritamente humano. Do protagonismo das pessoas não há como fugir. 

O grande segredo está em como fomentamos essa inovação. Em vez de enxergar a tecnologia apenas sob a ótica operacional, as organizações precisam entender como utilizá-la para suportar e potencializar uma experiência positiva. Ao delegar o que é burocrático e repetitivo para as ferramentas, liberamos o bem mais precioso do RH e das lideranças: o tempo. É esse tempo livre que permite enxergar as pessoas de verdade, praticar a empatia e criar conexões. Afinal, por mais digital que o mercado se torne, ainda é necessário inspirar. 

 

Tatiane Roque - Business Partner Especialista da Numen, e eleita a Profissional de RH do Ano pelo RH Awards 2026, premiação conduzida pelo RH Summit.


Numen
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