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quarta-feira, 8 de julho de 2026

O perigo após o tombo: por que quedas com repouso prolongado elevam o risco de trombose em idosos?

Entenda como a perda súbita de mobilidade e o repouso no leito reduzem o bombeamento de sangue pelas panturrilhas, criando o cenário ideal para a estase venosa e a formação de coágulos graves na terceira idade. 

 

Quando um idoso sofre uma queda, a preocupação imediata de qualquer família quase sempre se volta para a dor, os roxos na pele ou a suspeita de uma fratura. No entanto, o verdadeiro perigo costuma se esconder nos dias seguintes ao acidente, camuflado no silêncio do quarto onde ele vai se recuperar. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Agência Brasil, apenas nos primeiros quatro meses de 2025 o país registrou cerca de 62 mil internações de idosos decorrentes de quedas. O que pouca gente se dá conta é que esse recolhimento forçado para o repouso reduz drasticamente os movimentos e abre espaço para um inimigo silencioso: a má circulação.

 

Acontece que o nosso corpo depende do movimento para fazer o sangue correr do jeito certo. De acordo com o cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio, a musculatura da nossa panturrilha funciona como um verdadeiro segundo coração. "Quando o idoso fica acamado ou passa muito tempo sentado sem movimentar as pernas, essa bomba natural deixa de funcionar de maneira eficiente, fazendo com que o fluxo sanguíneo fique estagnado nas veias, fenômeno que chamamos de estase venosa", explica o especialista.

 

Esse sangue que fica parado, quase estacionado nas pernas, é o cenário perfeito para a formação de coágulos, dando origem à Trombose Venosa Profunda (TVP). Com o passar dos anos, as veias já não têm a mesma elasticidade de antes. Se somarmos a isso o impacto do próprio tombo e o fato de que muitos idosos bebem pouca água no dia a dia, o risco de o sangue engrossar e formar um coágulo aumenta consideravelmente. O pior é que essa complicação não avisa e costuma aparecer semanas após o susto inicial.

 

O grande medo dos médicos é o que esse coágulo pode fazer se decidir sair do lugar. O especialista alerta que o maior perigo está na viagem que esse pedaço de sangue coagulado pode fazer pela corrente sanguínea até chegar aos pulmões. "Esse deslocamento causa o embolismo pulmonar, uma emergência médica gravíssima que bloqueia a oxigenação do organismo e pode ser fatal caso o atendimento não seja imediato", adverte o cirurgião vascular.

 

Felizmente, existem caminhos simples para proteger quem a gente ama desse desfecho, e os cuidados precisam começar logo após o acidente. Mesmo sem sair da cama, pequenas ações fazem uma diferença enorme: incentivar o idoso a fazer movimentos circulares com os pés, manter as pernas um pouco mais elevadas com a ajuda de almofadas e, quando o médico recomendar, usar meias elásticas de compressão. Em situações em que a imobilidade é total, o uso de remédios anticoagulantes também entra como um escudo preventivo essencial.

 

Dessa forma, o olhar atento da família e dos cuidadores vale mais do que qualquer manual. É fundamental observar o corpo do idoso todos os dias durante a recuperação, prestando atenção se uma das pernas começou a inchar mais que a outra, se há alguma dor persistente na panturrilha ou se a pele ficou avermelhada e quente. Perceber esses pequenos sinais e buscar ajuda médica sem demora é o que garante que o tombo fique apenas na lembrança, e não se transforme em uma complicação maior.

 



Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular.
@dr.josualdo


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