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terça-feira, 7 de julho de 2026

Poluição e inverno: a combinação que faz disparar alergias e problemas respiratórios

 

Baixa umidade do ar, inversão térmica e maior concentração de poluentes agravam sintomas de rinite, sinusite e asma nos meses mais frios do ano 

 

Julho marca o período de maior atenção para quem sofre com alergias respiratórias. Além das temperaturas mais baixas e da queda da umidade do ar, o inverno traz um agravante muitas vezes invisível: o aumento da concentração de poluentes na atmosfera. 

A combinação ajuda a explicar por que, nesta época do ano, crescem as queixas de espirros, congestão nasal, tosse, crises de rinite e agravamento da asma. O alerta ganha ainda mais relevância na semana que ocorre o Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, data dedicada à conscientização sobre doenças alérgicas e seus impactos na saúde. 

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, a qualidade do ar exerce papel fundamental na saúde das vias aéreas. "A poluição funciona como um agente irritante permanente para a mucosa respiratória. Quando ela se associa ao clima seco do inverno, observamos um aumento importante dos sintomas alérgicos e das doenças respiratórias, especialmente em pessoas que já possuem alguma predisposição", explica.

 

Um problema que afeta milhões de pessoas 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a poluição atmosférica está associada a aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, a própria OMS estima que as doenças alérgicas afetem entre 30% e 40% da população mundial, tornando-se um dos problemas de saúde crônicos mais frequentes da atualidade. 

No Brasil, a rinite alérgica está entre as condições mais comuns. Estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% dos brasileiros apresentam sintomas relacionados à doença.

 

Por que a poluição piora no inverno? 

Durante os meses mais frios, a dispersão dos poluentes se torna mais difícil. A redução das chuvas diminui a limpeza natural da atmosfera, enquanto fenômenos como a inversão térmica impedem que os poluentes se dispersem adequadamente. 

Como resultado, partículas provenientes da queima de combustíveis, emissões industriais e fumaça permanecem mais concentradas próximas ao solo. "Essas partículas entram em contato direto com as vias respiratórias, provocando irritação, inflamação e aumento da produção de secreções. Em pessoas alérgicas, essa resposta costuma ser ainda mais intensa", afirma a médica.

 

O nariz é a primeira barreira de defesa 

O nariz funciona como um filtro natural do organismo. A mucosa nasal produz secreções capazes de reter partículas, enquanto pequenos cílios microscópicos ajudam a eliminar impurezas. No entanto, a exposição constante à poluição e ao ar seco pode comprometer esse mecanismo. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • espirros repetitivos;
  • congestão nasal;
  • coriza;
  • coceira no nariz;
  • irritação na garganta;
  • tosse persistente;
  • agravamento de crises de rinite e asma.

Além disso, a maior permanência em ambientes fechados favorece a exposição a ácaros, poeira e mofo, agravando ainda mais o quadro.

 

Crianças e idosos exigem atenção redobrada 

Embora qualquer pessoa possa sentir os efeitos da poluição, alguns grupos são mais vulneráveis. Entre eles estão crianças, idosos, pessoas com rinite alérgica, pacientes asmáticos e indivíduos com doenças respiratórias crônicas. 

Nesses grupos, a inflamação provocada pelos poluentes pode resultar em sintomas mais intensos e maior risco de complicações.

 

O que fazer para reduzir os impactos? 

Embora seja impossível eliminar completamente a exposição à poluição, algumas medidas ajudam a proteger as vias respiratórias. Entre as principais recomendações estão:

  • manter boa hidratação ao longo do dia;
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico;
  • manter ambientes ventilados;
  • evitar exposição prolongada em horários de pico de poluição;
  • acompanhar os índices de qualidade do ar;
  • manter o tratamento das alergias respiratórias em dia.

"A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas mais simples e eficazes para remover partículas inaladas e manter a mucosa hidratada. Ela ajuda a reduzir a irritação causada tanto pela poluição quanto pelo ar seco", orienta a especialista.

 

Quando procurar ajuda médica? 

A avaliação especializada é recomendada quando os sintomas se tornam frequentes ou persistentes. Entre os sinais de alerta estão: crises alérgicas recorrentes, congestão nasal constante, tosse persistente, chiado no peito, falta de ar e piora progressiva dos sintomas respiratórios. 

"Muitas pessoas se acostumam a conviver com sintomas respiratórios e acabam normalizando o desconforto. Mas nariz entupido constante, crises frequentes de rinite ou dificuldade para respirar merecem investigação médica", conclui a Dra. Cristiane.

  

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


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