Pesquisar no Blog

terça-feira, 7 de julho de 2026

Venda irregular de canetas emagrecedoras coloca em risco a conservação dos medicamentos

 

Magnific

Especialista do Grupo Polar alerta que falhas no transporte e armazenamento podem comprometer a estabilidade de medicamentos biológicos, mesmo quando não há alterações visíveis na embalagem 

 

O avanço do uso de medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade e do diabetes trouxe novos desafios para a cadeia logística da saúde. Além das preocupações relacionadas à comercialização irregular desses produtos, especialistas alertam para um aspecto que costuma passar despercebido: a conservação adequada durante o transporte e o armazenamento. Uma abordagem de rotina realizada em um ônibus de viagem na Bahia, em 29 de junho, terminou com a apreensão de 720 ampolas de medicamentos emagrecedores e outras caixas de comprimidos e canetas também usadas para perda de peso, além de medicações usadas em tratamentos de estética, todas acondicionadas em bagagens. 

Por se tratar de medicamentos biológicos termossensíveis, as chamadas canetas emagrecedoras precisam permanecer dentro de uma faixa de temperatura controlada desde a fabricação até o momento da aplicação. Qualquer interrupção nesse processo pode comprometer sua estabilidade e, consequentemente, a eficácia do tratamento. 

Para Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, empresa especializada em soluções para cadeia fria, a procedência do medicamento e a qualidade da logística devem ser analisadas em conjunto. 

“Quando falamos de medicamentos biológicos, não basta saber se o produto é original. É indispensável que ele tenha permanecido dentro das condições de temperatura recomendadas durante toda a jornada logística. A quebra da cadeia fria pode ocorrer em qualquer etapa, desde a armazenagem até o transporte e a entrega ao paciente, comprometendo um tratamento que, muitas vezes, representa um investimento significativo para quem o utiliza”. 

O alerta ganha ainda mais importância em um momento de forte expansão desse mercado. Com a popularização desses tratamentos e o aumento da demanda, cresce também a circulação de produtos adquiridos fora dos canais oficiais, o que dificulta a rastreabilidade das condições de armazenamento e transporte. 

Segundo Liana, diferentemente de outros medicamentos, os biológicos podem sofrer alterações em sua estrutura e eficácia sem apresentar sinais visíveis. 

“Na maioria das vezes, o paciente não consegue identificar que houve alguma exposição inadequada à temperatura. A embalagem pode estar intacta e o produto aparentemente normal, mas isso não significa que suas características foram preservadas. Por isso, a rastreabilidade e o controle térmico são tão importantes”. 

A executiva explica que manter a cadeia fria exige muito mais do que o uso de embalagens refrigeradas. É necessário empregar soluções térmicas qualificadas, monitoramento contínuo da temperatura, protocolos específicos para cada operação e planejamento logístico capaz de preservar as condições exigidas pelo fabricante durante todo o percurso. 

“A cadeia fria não é apenas uma exigência operacional; ela faz parte da segurança do paciente. À medida que medicamentos de alta complexidade se tornam mais presentes no mercado brasileiro, cresce também a necessidade de investir em processos logísticos que assegurem sua integridade até o momento da aplicação”, conclui. 

 

Grupo Polar


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados