![]() |
| Magnific |
A caneta emagrecedora tem ganhado
espaço importante no tratamento da obesidade crônica nos últimos anos. Com essa
popularização, cresceram também os relatos de complicações ligadas ao uso sem
acompanhamento médico e à compra de produtos sem procedência segura.
Originalmente desenvolvidos com
semaglutida ou tirzepatida para tratar pacientes com diabetes tipo 2, esses
fármacos tiveram posteriormente seu potencial para o emagrecimento amplamente
divulgado nas redes sociais, impulsionando a procura sem prescrição.
"O que vemos hoje é gente
comprando a caneta como quem compra um suplemento, sem passar por avaliação
médica nenhuma. Cada organismo reage de um jeito diferente, e ignorar isso abre
espaço para efeitos colaterais que vão além de um mal-estar passageiro, como
pancreatite aguda, desidratação grave e outros quadros gastrointestinais",
explica o cirurgião plástico Dr.
Rafael De Fina, da Clínica
De Fina.
Consequências da caneta
emagrecedora sem acompanhamento
Um estudo de 2025, liderado por
pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e publicado
na revista científica Obesity mostra que o
medicamento é indicado para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a
comorbidades. Fora desse contexto, o uso pode provocar náuseas, vômitos e
diarreia, podendo evoluir para desidratação. Sem planejamento nutricional e
prática de exercícios, o emagrecimento acelerado também favorece a perda de
massa muscular, comprometendo o metabolismo. Em fevereiro de 2026, a Anvisa
emitiu um alerta e abriu investigação sobre o aumento de casos de pancreatite
aguda relacionados ao uso por conta própria.
Paralelamente, o mercado informal
agrava esse cenário: produtos sem procedência conhecida, muitas vezes
armazenados fora das condições ideais, ampliam o risco de complicações. Já
houve, inclusive, casos de formulações adulteradas com metformina associadas a
internações por acidose láctica.
"Há relatos de pacientes que
chegaram com sintomas graves depois de usar uma caneta comprada por fora, sem
nenhum controle de origem ou de conservação. Além do risco da substância fora
de contexto, ainda existe a incerteza sobre o que realmente está sendo aplicado
no corpo da pessoa", ressalta o Dr.
Rafael De Fina.
Emagrecimento ético com estratégias
consistentes
Sem acompanhamento clínico desde o
início, identificar e tratar complicações se torna difícil. O auxílio de um
especialista é o que faz o processo mais adequado a cada organismo.
"Defendemos um emagrecimento
que faça sentido para a vida inteira do paciente, não só para o próximo mês.
Isso passa por avaliação individual, ajuste de rotina, acompanhamento
nutricional e, quando indicado, uso responsável da medicação, sempre com
prescrição e monitoramento. Sem esse conjunto, o resultado tende a ser passageiro
e o risco, desnecessário", afirma o Dr.
Rafael De Fina.

Nenhum comentário:
Postar um comentário