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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Dedos pálidos, azulados ou dormentes no frio podem ser sinal do Fenômeno de Raynaud

 

Condição provoca contração exagerada dos vasos sanguíneos nas extremidades e pode exigir avaliação vascular quando os sintomas são frequentes, dolorosos ou associados a feridas

 

Com a queda das temperaturas, algumas pessoas percebem que a ponta dos dedos fica pálida, azulada, fria, dormente ou dolorida após contato com o frio. Embora o desconforto possa parecer apenas sensibilidade à baixa temperatura, esses sintomas podem estar relacionados ao Fenômeno de Raynaud, condição em que pequenos vasos sanguíneos sofrem uma constrição exagerada, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para as extremidades. 

O fenômeno costuma afetar principalmente dedos das mãos e dos pés, mas também pode ocorrer em regiões como nariz e orelhas. Em uma crise típica, a pele pode ficar esbranquiçada pela redução da circulação, depois arroxeada ou azulada, e, ao reaquecer, avermelhada, com sensação de formigamento, dor ou pulsação. 

De acordo com o Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o frio é um dos principais gatilhos, mas não é o único. 

“No fenômeno de Raynaud, os vasos das extremidades reagem de forma exagerada a estímulos como frio ou estresse. Essa contração reduz a passagem de sangue e pode causar mudança de cor, dormência, dor e formigamento nos dedos. Em muitos casos, o quadro é benigno, mas precisa ser avaliado quando é frequente, intenso ou assimétrico”, explica. 

O especialista destaca que há formas primárias e secundárias da condição. A forma primária costuma ser mais comum e menos grave. Já a secundária pode estar associada a doenças reumatológicas, autoimunes, alterações vasculares, uso de determinados medicamentos ou exposição ocupacional a vibração, por exemplo. 

“A avaliação médica é importante para diferenciar um Raynaud primário, que geralmente tem evolução mais tranquila, de um quadro secundário a outras doenças. Quando há feridas nos dedos, dor intensa, alteração persistente da cor, piora progressiva ou sintomas em apenas uma mão, o paciente deve procurar atendimento”, alerta Steinbruch. 

Entre os cuidados que ajudam a prevenir crises estão proteger mãos e pés do frio, usar luvas, evitar mudanças bruscas de temperatura, manter o corpo aquecido, não fumar e observar se os episódios estão se tornando mais frequentes ou duradouros. Em alguns casos, além das medidas de proteção, pode ser necessário tratamento medicamentoso e investigação complementar. 

“Não se deve banalizar a ponta do dedo que fica branca, roxa ou dormente repetidamente. O sintoma mostra que a circulação naquela região está sendo temporariamente reduzida. Quando isso acontece com frequência, o ideal é investigar para evitar complicações e identificar se existe alguma doença associada”, conclui.

  


Fonte:
Dr. Márcio Steinbruch - Médico com especialização em cirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, além disso, é membro titular e possui título de especialista pela SBAVC - Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pode participar de pautas sobre varizes, tromboses, problemas derivados destas doenças, cirurgias e problemas vasculares no geral.
Dr. Márcio Steinbruch | Cirurgião vascular (@livredevarizes) • Instagram


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