Sabe
o que é? Especialista explica o que um exame metabolômico pode revelar sobre a
saúde
De acordo com Dra. Annete Marum, especialista da Ciera Genomics, a
tecnologia ajuda a entender como o organismo funciona e apoia decisões mais precisas
em saúde, nutrição e prevenção
Por que será que duas pessoas que têm hábitos parecidos não têm o
mesmo resultado, por exemplo, em um processo de emagrecimento ou ganho de massa
muscular? Ou ainda, por que, muitas vezes, exames convencionais parecem normais
e a pessoa continua reportando que algo não vai bem? A resposta pode estar nas
informações que podem ser obtidas a partir do metabolismo de cada indivíduo e
que hoje já podem ser analisadas por meio de um exame chamado metabolômico.
Segundo Raphael Pelegrino, fundador e CEO da Ciera Genomics,
biotech brasileira especializada em ciências ômicas aplicadas à medicina e à
nutrição de precisão, a tecnologia permite observar sinais biológicos que
ajudam a compreender como o corpo está funcionando naquele momento.
"Costumamos dizer que a metabolômica funciona como uma fotografia
detalhada do organismo. Ela mostra como o metabolismo está respondendo à
alimentação, à rotina, ao estresse e a diversos outros fatores que influenciam
a saúde", explica Dra. Annete Marum, nutricionista e diretora científica
da Ciera Genomics.
AFINAL, O QUE É UM EXAME METABOLÔMICO?
De forma simples, o exame analisa
centenas de moléculas produzidas naturalmente pelo corpo durante metabolismo,
que é o conjunto de todas as reações químicas que ocorrem no corpo, por exemplo
a transformação dos nutrientes dos alimentos em energia para funções vitais
(como respirar, pensar e bombear sangue) e para construir e reparar tecidos,
como músculos e osso.
Um exame metabolômico fornece
informações relacionadas ao funcionamento do metabolismo, como deficiências
nutricionais, processos inflamatórios, resposta do organismo a alimentação,
fatores associados à dificuldade de emagrecimento, alterações metabólicas
relacionadas a condições como obesidade e diabetes. O exame ainda aponta
tendências ou predisposição ao desenvolvimento de doenças que podem ser
acompanhadas antes mesmo do surgimento de sintomas. "Nem sempre o objetivo
é identificar uma doença. Muitas vezes buscamos compreender desequilíbrios e
oportunidades de intervenção que podem contribuir para uma melhor qualidade de
vida", afirma Dra. Annete.
MESMA DIETA, RESPOSTAS DIFERENTES DO CORPO. POR QUE ISSO ACONTECE?
Essa é uma das perguntas que a metabolômica ajuda a responder!
Embora duas pessoas possam seguir hábitos semelhantes, o organismo de cada uma
reage de maneira diferente. Questões genéticas, ambientais, nutricionais e
metabólicas influenciam diretamente essa resposta. “Ao compreender essas
diferenças, profissionais de saúde conseguem desenvolver estratégias mais
personalizadas”, comenta a doutora.
Ainda segundo a profissional, ao entender melhor o funcionamento
do próprio organismo, é possível ter objetivos de saúde mais palpáveis, longe
de frustrações. Isso porque a metabolômica faz parte do universo da medicina de
precisão, abordagem que busca compreender as características individuais de
cada pessoa para direcionar decisões mais assertivas. Os dados de exames
metabolômicos podem ser integrados a outras análises, como genômica e de
microbioma, ampliando a compreensão sobre fatores que impactam a saúde.
"As diferentes camadas de informação permitem uma visão mais
completa e individualizada do paciente. Isso contribui para estratégias de
prevenção e acompanhamento cada vez mais precisas."
COMO ESSES EXAMES FUNCIONAM NA
PRÁTICA?
Muitos dos exames utilizados na medicina de precisão são realizados
por meio de amostras biológicas como sangue, urina, saliva e fezes. E com base
nessas coletas, são analisados diferentes aspectos do organismo, desde o
metabolismo, alimentação até fatores genéticos e características do microbioma.
As informações ajudam profissionais de saúde a entenderem melhor o
funcionamento do corpo de forma individualizada, o que permite identificar
fatores que podem influenciar a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida do
paciente. Em alguns casos, essas análises também auxiliam no acompanhamento de
condições já existentes, como diabetes, e na definição de estratégias mais
personalizadas de cuidado.
Segundo Dra. Annete, o avanço dessas tecnologias ajuda no acesso a
informações que antes estavam restritas ao ambiente de pesquisa. Hoje, parte
desses exames já pode ser solicitada por médicos e nutricionistas, e alguns
também estão disponíveis diretamente ao consumidor. No entanto, a especialista
destaca que a interpretação dos resultados deve ser feita com acompanhamento
profissional para que as informações sejam avaliadas dentro do contexto e das
necessidades de cada pessoa.
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