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terça-feira, 7 de julho de 2026

Chocolate vicia? A genética pode explicar por que algumas pessoas não conseguem resistir ao doce

No Dia Mundial do Chocolate, especialista revela como o DNA influencia a preferência pelo alimento, a percepção dos sabores e até a vontade de comer mais açúcar
 

Esconder uma barra de chocolate para não dividir, sentir vontade de comer um doce depois do almoço ou simplesmente não conseguir gostar de chocolate amargo. Se alguma dessas situações parece familiar, saiba que a explicação pode estar além do paladar: ela também pode estar escrita no DNA. 

No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, estudos reforçam que a genética exerce um papel importante na forma como cada pessoa percebe os sabores e desenvolve preferências alimentares. Embora fatores como cultura, memória afetiva e hábitos de vida tenham grande influência, variantes genéticas podem tornar algumas pessoas mais sensíveis ao sabor amargo ou mais propensas a preferir alimentos doces. 

"É comum pensar que gostar de chocolate é apenas uma questão de hábito, mas a ciência mostra que a genética também influencia nossas preferências alimentares. Ela ajuda a explicar por que duas pessoas podem experimentar o mesmo chocolate e ter percepções completamente diferentes sobre o sabor", explica Ricardo Di Lazzaro, médico geneticista, fundador da Genera e consultor em genética da Dasa.
 

Por que algumas pessoas odeiam chocolate amargo? 

Um dos principais responsáveis por essa diferença é o gene TAS2R38, ligado à percepção do sabor amargo. Dependendo das variantes herdadas, algumas pessoas possuem receptores mais sensíveis e percebem com muito mais intensidade o amargor presente no cacau. 

Na prática, isso significa que um chocolate com 70% de cacau pode ser agradável para algumas pessoas, enquanto para outras o sabor se torna intenso e pouco atrativo. O mesmo acontece com alimentos como café sem açúcar, rúcula, brócolis, agrião e cervejas mais amargas. 

"Essa diferença não significa que um grupo tenha um paladar melhor que o outro. Apenas mostra que cada organismo interpreta os sabores de forma diferente", afirma o especialista.
 

Existe um "gene do chocolate"?

A resposta é não. O desejo por chocolate é resultado de uma combinação de fatores biológicos, emocionais e comportamentais. Ainda assim, estudos mostram que diferentes variantes genéticas podem influenciar tanto a percepção dos sabores quanto a preferência por alimentos ricos em açúcar. 

Além disso, o chocolate estimula a liberação de neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e recompensa, como a dopamina, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas recorrem ao doce em momentos de estresse, ansiedade ou busca por conforto. 

"A genética não determina que alguém será apaixonado por chocolate, mas pode aumentar a predisposição para determinadas preferências alimentares. O comportamento alimentar é multifatorial e envolve também ambiente, educação, rotina e emoções", explica Di Lazzaro.
 

O DNA pode ajudar a personalizar a alimentação 

Os avanços da genômica permitem identificar características relacionadas ao metabolismo e às preferências alimentares por meio de testes genéticos realizados a partir da saliva. Entre as informações avaliadas estão predisposições ligadas à percepção do sabor amargo, preferência por doces e resposta do organismo a diferentes nutrientes. 

Segundo o especialista, conhecer essas características pode contribuir para estratégias nutricionais mais individualizadas e sustentáveis. 

"Quando entendemos melhor como nosso organismo funciona, conseguimos fazer escolhas mais conscientes. A genética não substitui uma alimentação equilibrada, mas oferece informações que ajudam a construir hábitos mais compatíveis com cada pessoa", conclui.


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