No Dia Mundial do Chocolate, especialista revela
como o DNA influencia a preferência pelo alimento, a percepção dos sabores e
até a vontade de comer mais açúcar
Esconder uma barra
de chocolate para não dividir, sentir vontade de comer um doce depois do almoço
ou simplesmente não conseguir gostar de chocolate amargo. Se alguma dessas
situações parece familiar, saiba que a explicação pode estar além do paladar:
ela também pode estar escrita no DNA.
No Dia Mundial do
Chocolate, celebrado em 7 de julho, estudos reforçam que a genética exerce um
papel importante na forma como cada pessoa percebe os sabores e desenvolve
preferências alimentares. Embora fatores como cultura, memória afetiva e
hábitos de vida tenham grande influência, variantes genéticas podem tornar
algumas pessoas mais sensíveis ao sabor amargo ou mais propensas a preferir
alimentos doces.
"É comum
pensar que gostar de chocolate é apenas uma questão de hábito, mas a ciência
mostra que a genética também influencia nossas preferências alimentares. Ela
ajuda a explicar por que duas pessoas podem experimentar o mesmo chocolate e
ter percepções completamente diferentes sobre o sabor", explica Ricardo Di
Lazzaro, médico geneticista, fundador da Genera e consultor em
genética da Dasa.
Por que algumas
pessoas odeiam chocolate amargo?
Um dos principais
responsáveis por essa diferença é o gene TAS2R38, ligado à percepção do
sabor amargo. Dependendo das variantes herdadas, algumas pessoas possuem
receptores mais sensíveis e percebem com muito mais intensidade o amargor
presente no cacau.
Na prática, isso
significa que um chocolate com 70% de cacau pode ser agradável para algumas
pessoas, enquanto para outras o sabor se torna intenso e pouco atrativo. O
mesmo acontece com alimentos como café sem açúcar, rúcula, brócolis, agrião e
cervejas mais amargas.
"Essa
diferença não significa que um grupo tenha um paladar melhor que o outro.
Apenas mostra que cada organismo interpreta os sabores de forma
diferente", afirma o especialista.
Existe um
"gene do chocolate"?
A resposta é não.
O desejo por chocolate é resultado de uma combinação de fatores biológicos,
emocionais e comportamentais. Ainda assim, estudos mostram que diferentes
variantes genéticas podem influenciar tanto a percepção dos sabores quanto a
preferência por alimentos ricos em açúcar.
Além disso, o
chocolate estimula a liberação de neurotransmissores relacionados à sensação de
prazer e recompensa, como a dopamina, o que ajuda a explicar por que muitas
pessoas recorrem ao doce em momentos de estresse, ansiedade ou busca por
conforto.
"A genética
não determina que alguém será apaixonado por chocolate, mas pode aumentar a
predisposição para determinadas preferências alimentares. O comportamento
alimentar é multifatorial e envolve também ambiente, educação, rotina e
emoções", explica Di Lazzaro.
O DNA pode ajudar
a personalizar a alimentação
Os avanços da
genômica permitem identificar características relacionadas ao metabolismo e às
preferências alimentares por meio de testes genéticos realizados a partir da
saliva. Entre as informações avaliadas estão predisposições ligadas à percepção
do sabor amargo, preferência por doces e resposta do organismo a diferentes
nutrientes.
Segundo o
especialista, conhecer essas características pode contribuir para estratégias
nutricionais mais individualizadas e sustentáveis.
"Quando entendemos melhor
como nosso organismo funciona, conseguimos fazer escolhas mais conscientes. A
genética não substitui uma alimentação equilibrada, mas oferece informações que
ajudam a construir hábitos mais compatíveis com cada pessoa", conclui.
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