SOBOPE e SBOP reforçam importância da identificação de sintomas, tratamento em centros especializados e abordagem multidisciplinar no enfrentamento da doença
Raro,
agressivo e frequentemente diagnosticado tardiamente, o câncer ósseo
na infância e na adolescência representa um dos maiores desafios da oncologia pediátrica. Apesar de corresponder a uma pequena parcela dos tumores nessa faixa etária, sua gravidade e complexidade exige diagnóstico precoce e tratamento altamente especializado. Esse alerta é reforçado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) na campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre os sarcomas.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer, no geral, representa a primeira causa de morte por doenças entre crianças e adolescentes de 1 ano a 19 anos no Brasil. Já dados do Ministério da Saúde apontam que o país registra oito mil novos casos de câncer infantojuvenil por ano. No entanto, quando o diagnóstico é feito em estágios iniciais e o tratamento ocorre em centros especializados, as chances de cura chegam a 80%, o que reforça a importância de ampliar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta da doença.
Entre os tumores ósseos mais frequentes estão o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing, que atingem principalmente adolescentes e acometem, com maior incidência, os ossos dos membros inferiores, especialmente na região dos joelhos.
Segundo
a presidente da SOBOPE e oncologista pediátrica, Dra. Mariana Bohns
Michalowski, a semelhança dos sintomas com quadros mais comuns da infância contribui
para a dificuldade no reconhecimento da doença. “Um dos maiores desafios é que
os sintomas costumam ser confundidos com situações comuns da infância e da
adolescência, como lesões esportivas ou as chamadas ‘dores do crescimento’”,
explica.
Sinais de alerta
Dor óssea ou articular persistente, geralmente com duração superior a um mês e sem melhora com analgésicos comuns, além de inchaço localizado, merece atenção. Alterações na marcha, como mancar sem causa aparente, fraturas após traumas leves e sinais inflamatórios na região afetada também exigem investigação médica. “Reconhecer sintomas persistentes e buscar avaliação médica o quanto antes pode fazer diferença no desfecho clínico e nas chances de cura do câncer ósseo na infância e na adolescência”, afirma a especialista.
Dra.
Mariana também lembra que, apesar do impacto inicial do diagnóstico, os avanços
terapêuticos têm ampliado as possibilidades de controle da doença, com
protocolos que combinam quimioterapia, cirurgia e acompanhamento especializado,
permitindo, em muitos casos, preservar o membro afetado. “Hoje, quando o tumor
é identificado precocemente, temos maiores chances de realizar cirurgias
conservadoras, controlar a doença e proporcionar uma boa qualidade de vida após
o tratamento”, diz a médica, lembrando a importância da atenção de pais,
responsáveis e educadores diante de queixas persistentes. “A dor não deve ser
normalizada apenas por estar associada à prática esportiva ou ao crescimento.”
Tratamento integrado
O tratamento do câncer ósseo na infância e na adolescência envolve uma abordagem integrada, que articula diferentes especialidades médicas ao longo das etapas terapêuticas. Enquanto o oncologista ortopédico se concentra na remoção segura do tumor, o ortopedista pediátrico atua na preservação do crescimento e da função do esqueleto em desenvolvimento. “Essa cooperação se reflete especialmente no planejamento cirúrgico, que tenta preservar as placas de crescimento dos ossos, estruturas responsáveis pelo alongamento do esqueleto durante a infância e a adolescência. Como muitos tumores surgem próximos a essas regiões, o desafio é retirar a lesão sem comprometer o desenvolvimento ósseo futuro”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP), Dra. Susana dos Reis Braga.
Quando não é possível preservar essas estruturas, são adotadas estratégias para prever e corrigir eventuais diferenças no comprimento ou deformidades nos membros ao longo do crescimento.
Outro
ponto central da atuação conjunta está nas cirurgias de reconstrução óssea. “O
esqueleto infantil apresenta alta capacidade de regeneração e adaptação, o que
permite o uso de diferentes técnicas reconstrutivas, revela, ao reforçar que
cada paciente traz uma história única, e o cuidado vai além da doença. “O
objetivo é que essas crianças possam brincar, estudar e seguir seu
desenvolvimento com autonomia e qualidade de vida”, conclui a presidente da
SBOP.
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