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quarta-feira, 8 de julho de 2026

8/7, Dia do Pesquisador Científico: na era da IA, desenvolver habilidades de pesquisa é desafio no Brasil

 

Inteligência artificial amplia o acesso à informação, mas não substitui pensamento crítico, curadoria humana e capacidade de formular perguntas

 

Em um cenário em que ferramentas de inteligência artificial são capazes de responder perguntas em segundos, produzir textos completos e reunir informações sobre praticamente qualquer assunto, saber pesquisar é uma habilidade que ganha ainda mais relevância. A chegada da IA transformou a forma como as pesquisas são realizadas, mas não eliminou a necessidade de competências humanas essenciais, como análise crítica, interpretação de dados e capacidade de questionamento. 

Celebrado em 8 de julho, o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico, instituídos pelas Leis nº 10.221/2001 e nº 11.807/2008, são um convite para refletir sobre a importância da investigação, da curiosidade e da construção do conhecimento em uma sociedade cada vez mais impactada pela tecnologia: fomentar o interesse dos jovens pela ciência e ampliar a valorização do conhecimento científico são fundamentais para enfrentar os desafios do presente e do futuro.
 

IA ajuda, mas o pensamento humano é mais importante 

"A IA tornou o acesso à informação mais rápido e democrático, mas isso não significa que todo conteúdo gerado seja necessariamente correto, relevante ou adequado. O grande desafio da educação hoje não é apenas ensinar os alunos a encontrar respostas, mas ajudá-los a formular boas perguntas, avaliar fontes e desenvolver critérios para interpretar aquilo que recebem", afirma Carla Mitsy, coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP). 

Segundo a educadora, a formação de pesquisadores vai muito além da preparação para a carreira acadêmica: trata-se de desenvolver competências que serão fundamentais em qualquer profissão, especialmente em um mundo marcado por transformações constantes e pelo surgimento acelerado de novas ocupações. 

"Vivemos em um contexto em que o conhecimento se atualiza o tempo todo. Por isso, uma das competências mais importantes para as novas gerações é a aprendizagem contínua, o chamado lifelong learning. O profissional do futuro precisará aprender, desaprender e reaprender diversas vezes ao longo da vida. E isso começa na escola, quando o estudante aprende a investigar, buscar evidências, comparar informações e construir conhecimento de forma autônoma", opina. 

A inteligência artificial, nesse contexto, pode atuar como uma importante aliada do processo educativo, desde que seja utilizada de forma consciente. Ferramentas digitais podem auxiliar na organização de informações, ampliar repertórios e apresentar diferentes perspectivas sobre um tema. No entanto, a etapa mais importante continua sendo a humana. 

"A tecnologia pode acelerar etapas da pesquisa, mas não substitui a reflexão, a criatividade, a capacidade de argumentação, nem a autoria. A curadoria humana continua sendo indispensável para identificar vieses, verificar a confiabilidade das fontes e transformar informação em conhecimento significativo", destaca a especialista. 

Dados divulgados pela Elsevier e pela Agência Bori mostram que, em 2024, foram publicados 73.220 artigos científicos no Brasil, um crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior. O País ocupa a 14ª posição no ranking global de produção científica – lista liderada pela China e pelos Estados Unidos, seguida por países como Índia, Reino Unido, Alemanha e Japão. Ainda assim, a produção científica brasileira não impacta tanto o nosso crescimento: o Brasil ocupa atualmente a 52ª posição no Índice Global de Inovação, o que reforça a importância de ampliar investimentos em educação, ciência e formação de novos pesquisadores.
 

Pesquisa como prática cotidiana 

No colégio Progresso Bilíngue, a formação investigativa é desenvolvida por meio do Trabalho de Pesquisa Individual (TPI), projeto que acompanha os estudantes em um percurso estruturado de investigação científica. 

Durante o processo, os alunos são incentivados a escolher temas de interesse, formular perguntas de pesquisa, buscar fontes confiáveis, analisar informações, organizar argumentos e apresentar suas conclusões com autoria. Mais do que um trabalho escolar, a iniciativa busca desenvolver habilidades relacionadas ao pensamento científico e à autonomia intelectual. 

"O TPI ensina algo que será cada vez mais valioso no século XXI: a capacidade de aprofundar um tema, conectar informações e construir uma visão própria sobre determinado assunto. Mesmo com todas as facilidades proporcionadas pela inteligência artificial, a curiosidade, o senso crítico e a disposição para investigar continuam sendo competências insubstituíveis", afirma Carla. 

Para a docente, a discussão sobre IA nas escolas não deve estar centrada na substituição do trabalho humano, mas na construção de uma relação equilibrada entre tecnologia e pensamento crítico. "Quanto mais avançadas se tornam as ferramentas digitais, mais importante se torna a formação de pessoas capazes de analisar, questionar e tomar decisões com responsabilidade. O verdadeiro diferencial não estará em acessar informações, mas em saber o que fazer com elas", conclui.
 

A especialista: Carla Mitsy é pedagoga e bacharel em Publicidade e Propaganda. Possui pós-graduação em Educação, Criatividade e Tecnologia, Artes Visuais e Metodologias Ativas. Atua há mais de 20 anos na área da educação, com experiência em docência, gestão pedagógica, formação de professores e inovação educacional. Ao longo de sua trajetória, trabalhou como assessora de tecnologia educacional, desenvolvendo ações voltadas à integração de tecnologias digitais e da inteligência artificial aos processos de ensino e aprendizagem. Atualmente, é coordenadora pedagógica dos Anos Finais no Colégio Progresso Bilíngue, em Indaiatuba, onde acompanha o desenvolvimento curricular, a aprendizagem dos estudantes e a formação continuada de educadores. Seus interesses de estudo e atuação concentram-se nas metodologias ativas, na cultura digital, na inteligência artificial aplicada à educação e no desenvolvimento de práticas pedagógicas que promovam aprendizagens significativas e competências para o século XXI.
  

International Schools Partnership - ISP
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