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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A importância da Lei Maria da Penha para o combate à violência de gênero no Brasil

A Lei Nº 11.340, promulgada em 07 de agosto de 2006, também chamada Lei Maria da Penha, representou um importante marco jurídico na defesa dos direitos das mulheres brasileiras, por tratar de forma integral o problema da violência doméstica. A lei criou instrumentos de proteção e acolhimento emergencial à mulher em situação de violência, isolando-a do agressor, e ofereceu mecanismos para garantir a assistência social e psicológica à vítima e preservar seus direitos patrimoniais e familiares. Além disso, sugeriu aperfeiçoamento e efetividade do atendimento jurisdicional e previu instâncias para o cuidado do agressor.

É importante relembrar que Maria da Penha Fernandez é uma mulher que se transformou em símbolo da luta das mulheres contra a violência após ter buscado justiça durante 19 anos e 6 meses em relação à violência que sofreu dentro do seu matrimônio. Nesse tempo, ela foi vítima de tentativas de feminicídio, praticadas pelo seu esposo Marco Antônio Heredia Viveiros, gerando consequências irreparáveis. Infelizmente, Maria da Penha ficou paraplégica devido ao tiro que levou enquanto dormia, e após passar por várias cirurgias retornou para casa, onde seu agressor a esperava para uma nova tentativa de assassinato, posterior à cárcere privado e tortura. Ela procurou justiça durante esse tempo, entretanto, foi desacreditada pela polícia e negligenciada pelas leis que, até aquele momento, não consideravam a especificidade da violência praticada em relação às mulheres na sociedade brasileira.

Segundo dados do IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), em pesquisa publicada em fevereiro de 2021, no último ano, pode-se contabilizar que a cada 1 minuto, 25 mulheres brasileiras sofreram violência. Esse dado significa que, no último ano, 15% das brasileiras acima de 16 anos tiveram experiências de violência física, psicológica ou sexual praticadas por homens de dentro ou próximos à família, o que equivale a 13,4 milhões de brasileiras. A pesquisa pode ser considerada um retrato das desigualdades de gênero no país que faz com que os homens representem a grande maioria das vítimas de violência nos espaços públicos (95% das vítimas de homicídio são homens) e as mulheres as principais vítimas da violência doméstica.

Em estudo de avaliação da efetividade da Lei Maria da Penha, realizado por pesquisadores do IPEA, os resultados mostraram que a introdução da lei gerou efeitos estatisticamente significativos para fazer diminuir os homicídios de mulheres associados à questão de gênero. Segundo os pesquisadores, a implementação da lei afetou o comportamento de agressores e vítimas por três canais: aumento do custo da pena para o agressor; aumento do empoderamento e das condições de segurança para que a mulher pudesse denunciar; e aperfeiçoamento dos mecanismos jurisdicionais, possibilitando ao sistema de justiça criminal que atendesse de forma mais efetiva os casos envolvendo violência doméstica. A conjunção dos dois últimos elementos seguiu no sentido de aumentar a probabilidade de condenação do agressor.

Esse tema ganhou ainda mais relevância no contexto da pandemia de covid-19, trazendo novos desafios para o enfrentamento do problema. O relatório "Visível e Invisível, a vitimização de mulheres no Brasil", publicado em 2021 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicou um incremento do número de casos de violência doméstica em todo o mundo neste período, sendo as mulheres as principais vítimas. Segundo o relatório, 1 em cada 4 mulheres brasileiras acima de 16 anos afirmam ter sofrido alguma violência ou agressão nos últimos 12 meses. Tal aumento nas taxas de violência deve-se, ao mesmo tempo, ao maior convívio com o agressor relacionado às medidas de confinamento (72% dos agressores são conhecidos dessas mulheres); ao aumento do nível de estresse nas famílias oriundo das dificuldades econômicas e psicológicas decorrentes da pandemia e das políticas de combate a ela; e uma maior dificuldade no acesso à rede de proteção às mulheres devido à restrição de atendimento destes serviços durante a pandemia.

A violência doméstica é uma ameaça para a vida destas mulheres, para as famílias e a sociedade como um todo e representa um grande entrave na garantia do direito de mulheres em viverem com saúde e em condições de dignidade. Estudos internacionais revelam, de forma consistente, a associação entre a exposição à violência doméstica e a experiência de sofrimentos mentais e comportamentais nas mulheres e em seus filhos, tais como transtornos depressivos, ansiosos, abuso de substâncias, agressividade, problemas escolares, entre outros.

Se faz importante ressaltar a natureza das condutas que são consideradas como violência praticada contra a mulher. Segundo o Instituto Maria da Penha, a violência física é a mais conhecida, se caracteriza por qualquer comportamento que prejudique a saúde corporal da mulher, como episódios de agressão ou espancamento que envolvam atirar objetos, sacudir, apertar o braço, bem como práticas de estrangulamento, sufocamento, lesões com objetos cortantes, ferimentos causados por queimadura, armas ou ainda qualquer tipo de tortura. Por sua vez, a violência psicológica tem sido divulgada com mais frequência, embora a população muitas vezes não tenha clareza quanto as práticas que causam danos emocionais ou diminuição da autoestima da vítima. Qualquer ato usado para degradar ou controlar ações, crenças e comportamentos podem ser classificados como violência psicológica, como exemplos poderíamos citar ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, vigilância constante, perseguição, insultos, chantagem, exploração, limitação do direito de ir, vir, viajar ou falar com amigos, ridicularização, ou ainda, a prática conhecida por gaslighting (que se caracteriza por distorcer e omitir fatos para provocar dúvida da mulher sobre sua sanidade mental e memória).

Apesar da violência sexual ser bastante discutida pelas políticas de prevenção, muitas vezes ela ainda é vista de forma restrita, como a prática associada a situações que envolvem pessoas desconhecidas da vítima, raramente ela é associada a pessoas conhecidas ou dentro da relação conjugal, como no estupro marital. Esse tipo de abuso pode ser entendido como qualquer comportamento que provoque intimidação da mulher a participar de relação sexual ou prática que cause desconforto ou repulsa. Também é considerado violação as práticas de impedir o uso de métodos contraceptivos, forçar a mulher a abortar, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição, seja pelo uso da coação, chantagem, suborno ou manipulação. A violência patrimonial pode ser considerada como a menos conhecida dentre as violências perpetradas contra a mulher, embora seja bastante recorrente, principalmente em casos de divórcio ou conflitos conjugais. Essa prática se caracteriza por atos de retenção, subtração e destruição de objetos da mulher, como instrumentos de trabalho e documentos pessoais. Alguns exemplos dessa conduta são controlar o dinheiro da mulher, deixar de pagar pensão, furtar objetos ou dinheiro, e ainda, praticar extorsão ou estelionato. E por fim, a violência moral configura ações de calúnia, difamação ou injúria, como acusar a mulher de traição, fazer críticas mentirosas ou expor a vida íntima. Também são considerados atos abusivos os xingamentos que incidam sobre sua índole ou desvalorizem a mulher pelo seu modo de se vestir.

As causas da violência doméstica são complexas e envolvem dimensões pessoais, conjugais, familiares, sociais e programáticas. Diversos fatores devem ser considerados no enfrentamento da violência doméstica, pois ela coloca em cena uma série de experiências emocionais difíceis de serem elaboradas pela mulher, tais como o medo, a vergonha, o desamparo, o luto pela quebra dos vínculos conjugais e familiares, entre outras. É uma questão tanto familiar quanto social, que muitas vezes necessita de intervenções externas, seja de alguém de fora da família, seja do poder público.

A denúncia da violência esbarra em inúmeras dificuldades. Nem sempre é simples identificar o que é violência, inclusive pela própria vítima, que, muitas vezes demora para dar este sentido ao vivido. Outra dificuldade é o medo das consequências da denúncia como o receio de que ela destrua os laços familiares, ou mesmo que intensifique as agressões. Quando a denúncia é realizada, nem sempre ela é acolhida de forma eficaz e a partir de escuta qualificada para as suas demandas. Neste sentido, foi implementado no Serviço Escola do curso de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) o Projeto Juntas que, em parceria com a rede de atenção às mulheres em situação de violência, oferece atendimento psicológico às mulheres e famílias em situação de violência. São atendimentos realizados por alunos do 5º ano do curso de Psicologia e supervisionados por professores/pesquisadores desta temática, com o objetivo de ampliar o acolhimento do sofrimento emocional da mulher e ajudá-la no enfrentamento desta condição, com o auxílio da rede intersetorial de assistência jurídica, social e da saúde.

 


Fernando da Silveira - professor do curso de Psicologia da UPM e é membro do Projeto Juntas.

Julia Garcia Durand - professora de Psicologia da UPM, pós-doutora pelo IPUSP e autora de diversos artigos sobre violência doméstica.

Aline Souza Martins - professora de Psicologia da UPM, doutora pelo IPUSP, membro do GEPEF (Grupo de Estudos, Pesquisas e Escrita Feminista) e da Redippol (Rede Interamericana de Pesquisa em Psicanálise e Política).

 

Lições do Vale do Silício: Especialistas apontam aprendizados valiosos na terra da inovação tecnológica

Mais de um ano de pandemia, empresas de tecnologia nunca precisaram tanto dos seus cérebros e ideias para continuar inovando e criando soluções em um mundo que mudou rapidamente. Nesses últimos meses, o contato pessoal teve que ser mínimo, mas nunca as soluções "além da caixa" foram tão valiosas. E, segundo especialistas, a busca por esses resultados foi o motor das empresas e pessoas que trabalham no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), maior polo industrial em inovação e tecnologia que existe na atualidade.

Pesquisas sugerem que a busca de soluções para amenizar os impactos da pandemia será cada vez mais necessária. No Brasil, a cultura em relação a importância da inovação para a sobrevivência dos negócios também vem crescendo. Segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 83% das empresas acreditam que investir na área será vital na pós-pandemia. Esse número vem se consolidando desde o início da década de 2010. Em 2012, haviam 2.519 startups cadastradas na Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Em apenas cinco anos, o número saltou para 5.147, mais que o dobro.

Se já naquela época, criar soluções tecnológicas tinha uma importância fundamental para o avanço da economia e do mercado como um todo, agora, isso fica ainda mais evidente. E trata-se de dominar um mundo que "está começando do zero", ou em "renascimento", como define Natasha de Caiado Castro, CEO da Wish International.

"O mundo está recomeçando, vivemos uma oportunidade única, de mudarmos para melhor, mas com uma bagagem importante, de conhecimento e com a maturidade que adquirimos até aqui. Estar no local mais disruptivo do globo, convivendo com as pessoas mais engajadas em causas, e que dominam as tecnologias mais revolucionárias é inspirador. Testemunhar a história é revolucionário. Muitos dos cérebros mais criativos estão aqui, com pessoas que naturalmente questionam e mudam o status quo no nosso dia a dia", considera ela.



Networking e Generosidade

Para Natasha, trazer sua empresa, a Wish International, para o Vale foi recolocar a companhia como uma ponte entre os clientes dentro desse ecossistema que é inovador, segundo a executiva.

"Há mais de 20 anos, quando eu estudava em Berkeley, vi a generosidade nas trocas de informações, no networking, característica principal que nasceu com a vinda da família Stanford para o Oeste, bem relacionada no universo político e econômico. Como eles criaram um ambiente de diversidade, fundando uma universidade sem ensino religioso e aceitando mulheres, trouxeram espíritos livres, como dos fundadores da HP e todos que vieram na sequência. Nosso objetivo na Wish é ajudar a conectar os pontos, achar os caminhos e soluções", diz a CEO da empresa especializada nos segmentos de MICE - Meetings, Incentives, Conventions and Exhibitions - e IDX - Innovation and Disruptive Experience.



Imunização com sopro de vida

"Estamos com 85% de vacinados agora, imunização de rebanho de verdade e com capacidade de ajudar quem precisa. Com isso, já estamos reabrindo o mundo e conseguimos ver o futuro no nosso dia a dia, sem máscaras, sem medos", aposta Natasha. Os "pequenos prazeres" da vida, como define a empresária, estão ganhando a importância que tiveram em outros momentos de situações extremas. A pandemia pela qual acabamos de passar é um deles, aponta ela. As relações pessoais ou networking, que ficaram de lado por tantos meses, agora são prioridade.

"Recentemente estive com cinco amigas em uma mesa novamente e conseguimos perceber como aquele momento do reencontro e das interações sociais era histórico e importante. Trabalhamos em diferentes setores e, como mulheres, representamos parte dessa revolução em lideranças das empresas. Mas estávamos lá falando também de outros assuntos. Precisamos do networking para trabalhar, mas também das relações sociais como um tudo, em nossa vida. E é esse momento que estamos vivendo, da redescoberta das relações pode ser uma chance para recomeçar de uma outra forma, melhor", finaliza.



Capital intelectual e reinvestimento

Bret Waters, professor de empreendedorismo em Stanford e investidor profissional em diversos segmentos de negócios, concorda com Natasha, da Wish: a capacidade dos agentes que trabalham no Vale do Silício de se reinventar ensina a importância da "cultura do reinvestimento".

"Reinvestimento de capital financeiro e reinvestimento de capital intelectual. Aconteceu quando Leland Stanford decidiu pegar todo o dinheiro que ganhou como empresário e investi-lo na criação de uma grande universidade. Aconteceu quando um garoto de 16 anos chamado Steve Jobs ligou para Bill Hewlett (da HP) e pediu algumas peças de reposição e um emprego", exemplifica. Aconteceu quando os fundadores do PayPal pegaram os US $1,5 bilhão que conseguiram do eBay e, em vez de se aposentar, financiaram e/ou fundaram o Yelp, LinkedIn, Tesla, Facebook, SpaceX e um monte de outras empresas".

Para ele, essa ‘reciclagem do capital’ e a mentalidade de crescimento contínuo, de reutilizar o capital e não acumulá-lo apenas em grandes fortunas é uma visão que será cada vez mais importante em um mundo como o de agora, em que nos percebemos muito próximos e sabemos que a atitude de alguém do outro lado do globo também pode nos afetar.

"Todos no Vale do Silício hoje querem ganhar algum dinheiro e depois se tornar um investidor anjo. É essa cultura de reinvestimento que criou o motor econômico que é hoje", constata.



Não há inovação sem "algum fracasso"

"O fracasso é aceito no Vale do Silício. Porque a inovação não acontece sem algum fracasso. Somente quando você desiste do medo do fracasso, a verdadeira inovação pode acontecer. (...) A grande empresa de empreendimentos Andreessen Horowitz está construindo um novo escritório em San Francisco e os sócios não terão mais escritórios designados, porque a expectativa agora é que todos trabalhem remotamente e só venham ao escritório de vez em quando. Então, estamos entrando em um mundo "independente de locais", onde não importa mais de onde você faz negócios. Isso é realmente um grande negócio", elogia.



Mais rápido do que nunca

Não é só a capacidade de reinvenção que mostra a resiliência do Vale do Silício, como apontaram Natasha e Brent. Para Edward Leaman, um dos maiores especialistas em branding do mundo e professor da Universidade de Stanford,a velocidade com que o Vale muda e se adapta de forma eficaz e inovadora, é o que permitiu que as empresas da região conseguissem continuar produzindo o que fazem de melhor.

"O Vale do Silício nunca parou durante o Covid-19. Reagiu à pandemia aumentando a velocidade da inovação, flexibilidade, adaptação e resiliência, trazendo para o presente o que parecia no futuro. O Vale do Silício possui uma incrível inteligência e visão sobre como criar um mundo melhorado por meio do empreendedorismo é um lugar que mantém a tensão em torno disso, recompensando a vitória incrivelmente bem", analisa.

"É um ambiente totalmente aberto às possibilidades. Um lugar onde não existem fronteiras e limites para que inovações possam ser criadas através de empreendedores de coragem, trabalho árduo e energia. É realmente um ambiente de sistemas abertos para mudança e inovação", conclui.



Construir com pessoas

Construir com o cliente e não para o cliente. Diversidade de pessoas e ideias. A abertura que as empresas do Vale do Silício sempre deram para todos, desde colaboradores até estudantes e empresários, é um dos alicerces que explicam o seu sucesso, afirma Felipe Lamounier, da Startse e Head de Operações internacionais, além de responsável de operações no Vale do Silício, China, Israel, Portugal, e outros países fora do Brasil.

"Vivo no Vale do Silício há seis anos e, basicamente nas últimas cinco décadas, tudo que impactou nossa vida, no sentido de tecnologia, foi criado aqui: desde computadores, até a primeira conexão da internet, smartphones, até tecnologias mais recentes como Facebook, Google, Arbn, Twitter, Uber, todas criadas aqui", revela.



Simplicidade no dia a dia

"Eu sou formado em Computação, e aqui é a Meca da tecnologia. Todo mundo ligado a essa área quer estar e conviver com esse lugar, e estar entre os melhores do mundo nessa área. Antes de vir para cá, a minha cabeça era muito voltada para tecnologia, o que eu conseguiria desenvolver do ponto de vista tecnológico, técnico, hard skills, etc. e quando eu cheguei aqui o que mais me surpreendeu foi a forma como as pessoas, os empreendedores, pensam e agem. O que eu aprendi no Vale com as pessoas é envolver o cliente na construção do seu produto desde o primeiro dia, construindo junto com ele e fazendo melhorias incrementais a partir dos feedbacks posteriores à construção", detalha.

Outro ponto, segundo ele, é a simplicidade: "Fazer melhorias incrementais a cada dia. A cada dia evoluir o seu produto, não pensar na solução pronta, trabalhar com o conceito de MVP, que é Minimum Viable Product. Aquilo que é minimamente viável para lançar, ou testar e colocar no mercado, é uma das coisas mais legais que eu fui impactado quando eu cheguei aqui. É que uma das primeiras pessoas que eu conheci foi o Reid Hoffman, fundador do Linkedin.

Hoje à frente de uma das maiores Venture Capital daqui do Vale do Silício, ele diz: se você tem vergonha da primeira versão do seu produto é porque você lançou o seu produto tarde demais. Esse é o mindset, (...) um dos grandes ensinamentos", fundamenta.



Uma boa obsessão

"O Vale tem me ensinado a importância de ser obcecada por atingir uma experiência de cliente excepcional. Atingir isso passa por se reinventar o tempo inteiro tendo um growth mindset, uma atenção incrível aos detalhes e continuamente sonhar grande.

O Vale ensina que o impacto que você pode ter no mundo é uma função do nível de esforço que você e o seu time colocam ao longo de anos de estudo e dedicação para uma causa", Mirelly Vieira de Moraes, CEO e cofundadora da Verbena Flores.



Nunca foi sorte

"Você pode achar que as histórias de Elon Musk, Jeff Bezos, ou outros empreendedores menos conhecidos, aconteceram por acaso ou por sorte. Mas não existe over night success, mágica ou sorte. Todas as histórias de sucesso ocorrem depois de anos de obstinação e dedicação pura a um objetivo. A grande vantagem do Vale é que ele agrega dezenas de milhares de pessoas com esse nível de work ethic e criatividade empresarial, criando um ambiente de alta performance e inovação onde essas conexões e sinapses se potencializam", avalia Antônio Ermírio de Moraes Neto, CEO e cofundador da XP Health.



Pensar grande não é arrogância

"O Vale do Silício nos ensinou que pensar grande não é arrogância e que somos capazes de construir coisas incríveis. Aprendemos que há limite para a criatividade humana e isso só é possível porque aqui existem todos os recursos necessários para inovar. O Vale tem o mais poderoso ecossistema de empreendedorismo do mundo", comenta Alê Hadade, CEO da Birdie, Board Member da Privalia e da Arizona, Endeavor Entrepreneur.

A diversidade de pensamentos e o ambiente de negócios também são pontos levantados pela palestrante Giuliana Hadade, da Betafly Brandmakers: "Aqui o que mais importa é o que você está construindo e não qual roupa você usa, ou qual carro está dirigindo, ou o tamanho da sua conta bancária. A competição aqui é muito grande e lidar com a pressão é necessário para a saúde mental e física.

É o conjunto desses valores, explicitados por quem está no Vale, que faz deste local único no mundo, resume Natasha de Caiado Castro, da Wish International, empresa cuja missão é também unir esses cérebros. "É um ambiente que une o que há de melhor no mundo em termos de negócio, inovação e tecnologia: diversidade, valores, ambiente de competição de alto nível e abertura para novas ideias e mentes. Não há nada parecido por aí e, por isso mesmo, há grandes lições a serem aprendidas".

 

Lei brasileira que defende a amamentação é pouco respeitada

Compostos lácteos são vendidos em lojas físicas e online como substitutos do leite materno e sem os avisos exigidos pela NBCAL


A NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras) está em vigor há 15 anos (Lei nº 11.265/2006), mas segue sendo desrespeitada. O último monitoramento da norma realizado pela Ibfan (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) em parceria com o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) identificou 389 infrações praticadas por lojas físicas e online. 

A maior parte dos desrespeitos à NBCAL está relacionada a promoções comerciais proibidas (54%), como a oferta de substitutos do leite materno como melhores e mais apropriados para a alimentação infantil, ou similares ao leite materno. Já 44% das infrações são relacionadas a promoções em desacordo com a exigência de expor frases de advertência do Ministério da Saúde. Este é o caso do composto lácteo – produto ultraprocessado campeão de infrações nessa categoria –, que deve conter uma frase “o Ministério da Saúde informa: após os 6 (seis) meses de idade, continue amamentando seu filho e ofereça novos alimentos”,  para recomendar a continuidade da amamentação após os seis meses de idade e o oferecimento de novos alimentos. 

"Durante a pandemia verificamos que as violações aumentaram ainda mais, porque houve aumento do número de grandes lojas online que passaram a vender esses produtos que são regulados pela lei", explicou a nutricionista Laís Amaral, pesquisadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec. Além das violações de promoções e falta de advertências, os outros 2% das infrações foram identificadas em materiais educativos. 

O último monitoramento foi realizado entre os meses de julho e outubro de 2020 e, justamente devido à crise sanitária causada pela Covid-19 e o isolamento social, teve como foco sites e redes sociais, mas também visitou estabelecimentos comerciais presencialmente. O monitoramento de 2021 está em andamento e deve ser divulgado até o final do ano. 


A NBCAL

O Brasil tem uma das leis mais fortes e completas do mundo em defesa do aleitamento materno, de acordo com dados do relatório Comercialização de substitutos do leite materno: implementação nacional do Código Internacional, lançado em junho de 2020 pela OMS (Organização Mundial da Saúde), Ibfan e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).  

A cada dois anos, a OMS pergunta a 194 países como está, em seu território, a implementação do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e das resoluções subsequentes que atualizaram alguns artigos. Assim, o relatório atual traz informações referentes a 2018 e 2019.

A lei brasileira baseada no Código Internacional é a NBCAL. Ela regula a fabricação, a comercialização, a publicidade e a rotulagem de produtos que podem "competir" com a amamentação, como fórmulas infantis artificiais, leites em geral, papinhas, além de bicos, chupetas e mamadeiras. 

"Embora a legislação tenha entrado em vigor em 2006, ela ainda é desconhecida por boa parte dos consumidores e também por fabricantes e comerciantes, conforme verificou, mais uma vez, o nosso monitoramento anual. Temos uma lei bastante forte e que é um exemplo lá fora, mas na prática ela ainda precisa melhorar", declara Laís.

O descumprimento da NBCAL constitui infração sanitária e tem penalidades previstas na Lei nº 6.437, de 1977. Incluem multas que podem chegar a R$ 1,5 milhão, apreensão do produto, suspensão das vendas ou da fabricação. A fiscalização cabe à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e aos órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária.


Expectativa para vendas no Dia dos Pais é 32% maior do que no mesmo período no ano passado

De acordo com pesquisas, a perspectiva é que o crescimento do número de pessoas vacinadas irá oxigenar a comemoração da data especial. Especialista do Sebrae recomenda o investimento em canais de vendas tanto presenciais como online


Com o avanço da campanha de vacinação contra o coronavírus, com a primeira dose aplicada em quase 50% da população, cresce a expectativa dos pequenos negócios pela retomada do nível de faturamento anterior ao início da pandemia. O Dia dos Pais, celebrado no próximo domingo (8), promete aquecer o varejo. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), a estimativa é que ocorra um aumento médio de 32%, em relação às vendas do ano passado, no mesmo período. Esse crescimento corresponde a um faturamento de R$ 870 milhões a mais no caixa das empresas.

A mesma pesquisa mostra que a intenção de presentear a figura paterna também cresceu, assim como o valor dos presentes comprados. O tiket médio aumentou 11,6%, em relação ao ano passado, com expectativa que fique em R$ 192. Tradicionalmente, os setores que mais movimentam produtos e serviços nessa temporada são os de artigos esportivos, eletrônicos, calçados e alimentos.

A analista de competitividade do Sebrae, Verônica Couto, chama a atenção para a importância de investir nas formas presenciais e online de venda. “Sem dúvidas, o comportamento de compra online se intensificou enormemente com a pandemia. Para compra de produtos eletrônicos, já havia uma boa familiaridade e aceitação por parte do consumidor. Agora, essa prática já está consolidada em praticamente todos os segmentos. As pessoas compram desde itens para o vestuário até o jantar para o Dia dos Pais. Por isso, é importante que o dono de micro e pequenos negócios se prepare para o atendimento presencial e online. Todo o relacionamento que foi construído durante a pandemia, pode ser usado agora com aquelas pessoas que já se sentem mais encorajadas a sair de casa”, indica.

“Uma outra tendência que tem se mostrado positiva é a compra online, com a busca pelos produtos presencialmente. Os micro e pequenos negócios também devem investir nisso, pois é mais uma prática que favorece as vendas”, destaca Verônica. A analista reforça a necessidade constante do investimento nos meios digitais para favorecer o processo de atração e prospecção de vendas. “É preciso estar atento às novas possibilidades de venda e relacionamento abertas pelas redes sociais. As empresas precisam aprender a utilizar o marketing digital como ferramenta de conexão com seus consumidores. Quanto mais personalizada a comunicação com seu cliente, maiores as chances de engajamento e de compra. As datas comemorativas são ótimas oportunidades para ganho de novos clientes e fidelização dos que já fazem parte da sua rede, uma vez que há recorrência anual”, diz.


Kits personalizados e adequados à crise

A microempreendedora Patcha Pietrobelli, criadora do @PãodaPatcha, com operação em São Paulo, vem investindo no relacionamento online com os clientes durante a pandemia. Segundo ela, o Dia dos Pais tem movimentado os pedidos, e, por isso, ela também já aumentou a produção. “Já cheguei no meu limite de produção para sábado e abri uma agenda extra no domingo para pegar ainda mais pedidos. Estou recebendo encomendas tanto de quem irá passar o Dia dos Pais em família, como de quem vai viajar e mandar uma lembrança. Sinto que tanto as comemorações estão aumentando, como também as viagens. Tenho uma relação afetiva com meus clientes então acabo sabendo sua programação completa. Mesmo muitos tendo tomado só uma dose já se sentem confortáveis para sair mais de casa e encontrar amigos e família, com todos os cuidados necessários, é claro”, afirma.

Aproveitando a proximidade com os consumidores, criada através de listas de transmissão personalizadas no Whatsapp e nas redes sociais, a microempreendedora lançou kits personalizados, com menores quantidades e, consequentemente, com valores mais atrativos. “Tomei uma decisão bem acertada de reduzir o tamanho e valor das cestas, além de montar uma alternativa mais em conta que são os kits. As vendas estão aumentando sim, mas a crise continua. Os clientes estão negociando e escolhendo opções mais baratas. Eu preciso vender e eles desejam comprar”, completa Patcha.


"Uma luz ao final do túnel para a retomada da economia"

Os últimos números de Abril do IBGE já mostram que o efeito da vacinação e a diminuição do lockdown em alguns locais já traz números positivos a vários setores da economia.

 

Os últimos números de Abril do IBGE já mostram que o efeito da vacinação e a diminuição do lockdown em alguns locais já traz números positivos a vários setores da economia. 

O consumidor aos poucos vai retornando ao comércio e aos escritórios, as viagens também vão sendo restabelecidas e o consumidor vai em busca do consumo represado. Represado para comprar coisas que nos últimos meses não fizeram sentido, mas também ele vai em busca de adquirir produtos que viu que eram importantes nas residências e que não tinha. 

Analisando os números, vemos o crescimento muito acentuado na área de vestuário, papelaria e artigos pessoais, o que corrobora que temos sim uma demanda reprimida e que com a diminuição do isolamento e o aumento da vacinação os clientes vão novamente se aventurando as compras. O retorno, mesmo que ainda faseado, de volta aos escritórios também faz com que as pessoas queiram se preparar para o retorno com roupas e acessórios novos. 

O período de isolamento também fez com que as pessoas vissem a necessidade de aprimorar suas residências para que possam ter mais conforto através da aquisição de novos produtos ou reorganizando a casa com obras. Este movimento está espelhado no aumento de vendas no item de materiais de construção e eletrodomésticos. 

O curioso também é ver que pelo lado de tendências, antes da pandemia existia um movimento muito forte pelo aumento do transporte público e a utilização de táxis e ubers. Vemos que o aumento de vendas na área de veículos foi muito significativo em Abril e com o trauma da pandemia e a necessidade das pessoas retornarem aos escritórios e ao comércio de forma em geral, elas estão preferindo investir num modelo de transporte próprio para reduzir o risco de contaminação. 

O consumidor mudou e o mundo das vendas do varejo está mudando de maneira muito rápida. A disparada pelo consumo via ecommerce não é apenas um modismo causado pela pandemia. Esta parcela de consumo já era esperada no médio prazo, mas foi acelerada. Aquelas pessoas que não tinham o hábito ou preferiam a zona de conforto e não comprar pelo meio digital, foram obrigadas a migrar para estas plataformas. E, a maioria gostou, pois, a compra digital libera tempo para que foquem em coisas mais importantes. 

Por outro lado, a competição varejista que antes era “no porta a porta”, se transformou numa batalha global. Os clientes agora compram pelo ecommerce do outro lado do mundo e com preços muito mais acessíveis que compram aqui. O seu concorrente agora pode ser um vendedor na China, na Índia... e, não pense que são para produtos de alto valor, a grande massa de pedidos importados tem um ticket médio baixo. 

Logo, vemos que as vendas estão retornando, que vemos uma luz no final do túnel para que a economia retorne a girar, mas não ache que o consumidor é o mesmo. Competição agressiva, busca por fidelização e encantamento ao cliente, serviço de alta performance e principalmente a presença no mundo digital serão primordiais para a sobrevivência neste período pós pandemia.

 

 

Marcelo Reis - Founder da MR16, Consultor empresarial especializado em gestão e vendas.

 

MR16: http://mr16.com.br/

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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

"Descasque mais, desembale menos". Nutricionista da dicas de alimentação saudável para crianças

A nutricionista Renata Branco chama a atenção para a importância de tentar trazer uma alimentação saudável para o cardápio das crianças. A profissional da dicas importantes sobre o assunto é ainda como inserir alimentos na dieta dos pequenos de forma criativa. 

 

 1- A alimentação saudável na infância é o que vai determinar um envelhecimento saudável. Sabemos que na gestação a criança já tem contato com a alimentação da mãe, e essa memória pode ser levada para criança para o resto de sua vida, podendo a criança ter ou não hábitos saudáveis, tendência à obesidade e doenças crônicas. A rejeição da criança a alimentos é normal. A fase mais comum é nos 2 anos e na fase pré escolar. O processamento sensorial é o responsável por organizar o significado das sensações, seja um toque, um sabor ou um cheiro maravilhoso de um prato. quando a criança rejeitar algum alimento não desista de apresentá-lo novamente, tente mudar a textura, a forma de preparo do alimento ou um temperinho diferente.Não deixe essa seletividade da criança se tornar um problema a melhor solução é ter calma, não demonstrar nervosismo e caprichar da introdução alimentar pois é que ela vai levar na memória para o resto da vida dela

 

2-A alimentação saudável na infância e na adolescência é determinante para o desenvolvimento saudável de uma criança; ela pode ter influência em seu futuro intelectual e físico devido ao papel que os nutrientes representam nas habilidades cerebrais.É importantíssimo para a prevenção de doenças, tais como a anemia por deficiência de ferro, obesidade, e cárie dental, e prevenção de doenças crônicas como doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, osteoporose e outras.
Uma alimentação saudável não significa uma alimentação cara ou de difícil acesso. Fazem parte de uma alimentação de verdade, a maioria dos alimentos “in natura” sem ser industrializados, tais como: feijão, arroz, milho, trigo, frutas, legumes e verduras, sementes e castanhas, onde devem ser consumidos em porções adequadas todos os dias para garantir os nutrientes essenciais ao organismo. Sempre visando descascar mais e desembalar menos.Calorias vazias só irão trazer problemas à saúde e não irá determinar o crescimento saudável de seu filho por isso a qualidade é mais importante que a quantidade. As crianças além de macronutrientes como proteínas e carboidratos ela precisa das vitaminas e minerais para seu desenvolvimento. Por isso, se seu filho não quiser comer não troque por um lanche ( pães, biscoitos, bolos, massas, embutidos), espere um outro momento e ofereça um outra refeição saudável.

 

3-Para o crescimento e desenvolvimento das crianças e quanto mais variedade nutrientes melhor. Entre os nutrientes mais importantes  estão os carboidratos, proteínas, vitaminas A e C, ferro, zinco e cálcio, fibras e gorduras boas.Não pode faltar o arroz com feijão, tubérculos como batata doce , aipim, inhame, frutas como abacate, banana, laranja, maçã, frutas vermelhas; legumes e verduras como: cenoura, chuchu, abóbora, berinjela, couve, brócolis, oleaginosas, carne, frango, peixe e ovos e gorduras boas como azeite.  Sempre variando o cardápio e utilizando temperos naturais como alecrim, salvia, cheiro verde, salsa, curcuma, orégano.

 

4- Existem várias receitas atrativas e práticas que podem ser feitas. Usar os alimentos para fazer desenhos como flores, carinhas... , se um tipo de preparação não agradar não é porque ele não gosta daquele alimento, pode ser simplesmente a textura daquele alimento. Lembrando nunca desista de oferecer os alimentos a seu filho e não alimente o vendo televisão ou tablete pois a comida será empurrada e ele não aprenderá a se alimentar de forma saudável. Paciência nessa fase é o principal. De a colher ou o garfinho para ele ter o prazer de se alimentar sozinho e sempre mostre os alimentos a ele.  Faça que a refeição seja um momento agradável para ele.

 

5- Se o seu filho recusar algum alimento, não force ou ameace ou até mesmo utilize recompensas. Devemos sempre ter criatividade nos pratos e persistência. Mesmo a criança recusando aquele alimento não deixa de colocar no prato dele. Muitas mães gostam de fazer misturinhas escondendo os legumes e verduras, não tem problema fazer isso! Mas não deixe de sempre apresentar aquele alimento ao seu filho;  fazer com que ele participe da elaboração dos pratos, leva o ao hortifruti ou supermercado, assim irá despertar a curiosidade, será um momento descontraído entre família, onde os pais poderão explicar ao filhos a importância de cada alimentos de uma forma que a criança nunca associe a alimentação  a algo negativo. Sempre que possível ofereça a fruta e não o suco para a criança ter mais contato com o alimento e ingerir as fibras daquela fruta. Nos dois primeiros anos de vida alimentos não saudáveis como açúcar, alimentos  industrializados não devem ser oferecidos, pois reduzem o apetite e competem com alimentos mais nutritivos, além de determinar o paladar dos filhos muitas das vezes até a idade adulta, já que os alimentos industrializados recebem aditivos para ressaltar o sabor gerando sensações que não estão presentes no alimentos naturais, e quando a criança vai comer um legume diz que não tem gosto ou faz cara feia. Esses aditivos podem deixar a criança hiperativa e levar à obesidade.
E o mais importante disso tudo é a criança ter o exemplo dentro de casa pois a criança é o reflexo do que ela vê em casa. Não adianta os pais fazerem uma comida saudável para seu filho e comer comidas industrializadas, biscoitos, doces, não comer frutas, verduras e legumes.


Nutricionista Adriana Stavro fala da importância da nutrição durante a amamentaçã

A Semana Mundial da Amamentação é comemorada todos os anos de 1 a 7 de agosto para incentivar a amamentação e melhorar a saúde dos bebês em todo o mundo.


A amamentação proporciona uma experiência única para mãe e filho. O aleitamento é o comportamento parental que somente a mãe pode fazer pelo bebê, criando uma conexão física e emocional ímpar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS)recomenda iniciar a amamentação nos primeiros 60 minutos de vida e continuar de forma exclusiva até 6 meses de idade. Alimentos nutritivos complementares devem ser adicionados ao longo da amamentação, por até 2 anos ou mais.

O leite humano (LH) é um fluido dinâmico especialmente adequado ao bebê, tanto em sua composição nutricional quanto nos fatores bioativosnecessários para a saúde e o desenvolvimento adequado. O LH possui centenas de moléculas distintas que protegem contra infecções, inflamações e contribuem para a maturação imunológica, desenvolvimento de órgãos e colonização microbiana saudável. A composição do LH é determinada por fatores genéticos, estilo de vida, dieta e idade da mãe. Além disso, a composição de macronutrientes do LH varia ao longo da lactação.

Segundo a nutricionista Adriana Stavro, durante os primeiros seis meses o bebê é alimentado apenas com LH, e depende da mãe para todos os requisitos nutricionais. A alimentação da mãe determina a qualidade do leite. A demanda de nutrientes nesta fase são maiores e podem ter um impacto negativo para mãe e filho se não forem atendidas. Por isso, planejaras refeições é importante. Frutas frescas, vegetais, leite e derivados, peixe, aves, nozes, grãos integrais, feijão e lentilha são fundamentais.

Quanto comer - Pode ser necessário ingerir de 500 a 600 calorias a mais por dia. No 6º mês, quando o bebê começar a comer outros alimentos, a mãe produzirá menos leite e poderá reduzir sua ingestão calórica.

• Álcool - É melhor evitar. Não existe quantidade segura de álcool para bebês.

• Cafeína - Se seu neném não estiver dormindo bem ou estiver irritado, diminua ou evite, pois a cafeína passa para o leite. Os recém-nascidos são mais sensíveis à substância.

• Alergias - Os alimentos mais comuns que causam alergias são laticínios, soja, trigo e ovos. Manter um diário alimentar pode ajudar identificar quais alimentos estão causando desconforto.

• Água - A água é responsável por 85-95% do volume total de leite. Existe uma crença generalizada que o aumento da ingestão de água aumentará a produção de leite, mas vários estudos mostraram que forçar a ingestão de líquidos além do necessário não tem efeitos benéficos na lactação. Beba de 40 a 50 ml por kg de peso ao dia.

• Alimentação variada - O sabor dos alimentos também é transferido para o bebê através do leite. Isso pode influenciar na aceitação do bebê por novos alimentos durante o desmame, e as primeiras experiências com a alimentação.

• Proteína - Inclua alimentos proteicos de 2 a 3 vezes ao dia, como carne e aves (magras) peixes, ovos, laticínios, feijão, nozes e sementes.

• Frutas, verduras e legumes - Coma 5 porções. A OMS recomenda no mínimo 400g ao dia.

• Carboidratos - Inclua grãos integrais, pães, massas, cereais e aveia

• Dietas vegetarianas- São compatíveis com a amamentação. Porém a mãe precisará tomar um suplemento de vitamina B12, para garantir a demanda.


Os benefícios maternos da amamentação incluem:

• Mães que amamentam se recuperam do parto mais rápido. O hormônio oxitocina, liberado durante a amamentação, atua para retornar o útero ao seu tamanho normal e pode reduzir o sangramento pós-parto.

• Pesquisas mostraram que as mulheres que amamentaram apresentam taxas reduzidas de câncer de mama e ovário.

• Alguns estudos apontaram que a amamentação pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2, artrite reumatoide e doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão e colesterol elevado.


Estima-se que o aumento da amamentação possa evitar 20.000 mortes maternas a cada ano devido ao câncer de mama

Os benefícios do aleitamento para o bebê:

• Riscos reduzido de:

• Asma
• Leucemia (durante a infância)
• Obesidade (durante a infância)
• Infecções de ouvido
• Eczema (dermatite atópica)
• Diarreia e vômito
• Infecções respiratórias inferiores
• Enterocolite necrosante (uma doença que afeta o trato gastrointestinal em bebês prematuros ou bebês nascidos antes das 37 semanas)
• Síndrome da morte súbita do lactente (SMSL)
• Diabetes melitos tipo 2 (na adolescência e vida adulta)
• Gastroenterite
• QI mais elevado


Amamentar pode salvar mais de 800.000 vidas a cada ano, sendo a maioria crianças menores de 6 meses.

A lactação é um momento biológico que mereceatenção especial com a alimentação e com algumas vitaminas e minerais que exigemdemanda aumentada, confira:

Ferro - Confira a lista de alimentos fontes:
• Carne vermelha
• Vegetais verde-escuros, como brócolis, espinafre e couve
• Leguminosas: grão-de-bico, lentilha e feijão
• Tofu
• Cereais integrais, como aveia e quinoa
• Uva passa

A vitamina C - Ajuda a aumentar a absorção do ferro não-heme (dos vegetais), por isso, inclua na mesma refeição alimentos fontes de vitamina C
• Caju
• Goiaba
• Manga
• Morango
• Pimentão
• Tomate
• Laranja
• Tangerina
• Acerola
• Limão

Por outro lado, evite consumir alimentos ricos em cálcio (leite e derivados), café e chás na mesma refeição pois eles prejudicam a absorção do ferro.

Ácidos gordurosos de omega-3 - O cérebro e outros tecidos neurais, incluindo a retina, são amplamente compostos por fosfolipídios, ricos em ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa, especialmente o ácido docosahexaenóico (DHA). O feto e o bebê recém-nascido dependem de um suprimento materno de DHA. Os peixes gordurosos como salmão, anchova, robalo, truta, linguado, atum e sardinha são as principais fontes.

As mulheres que amamentam são aconselhadas a não comer mais de duas porções por semana de peixes para reduzir a exposição a poluentes e metais pesados, incluindo mercúrio, que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê

Vitamina A - A Vitamina A é um micronutriente essencial para vários processos metabólicos, como ciclo visual, crescimento, reprodução, sistema antioxidante e imunológico. Apresenta especial importância durante os períodos de proliferação e rápida diferenciação celular, como no período neonatal e infância. As fontes de incluem queijo, folhosos verde-escuros, frutas e legumes de cor laranja,fígado, gema de ovo e óleos de peixes.

Vitamina D - A vitamina D ajuda o corpo a absorver cálcio, importante para ossos e dentes saudáveis. A principal fonte é através da ação da luz solar na pele.

Vitamina B2 - A vitamina B2 também conhecida como Riboflavina, ajuda a liberar energia dos alimentos e a manter a saúde das membranas mucosas, como as da boca e do intestino. É encontrada em levedura, fígado, vegetais folhosos (couve, brócolis, espinafre, repolho, agrião, entre outros), ovos, carne, semente de girassol, ervilha, soja, leite e frutos do mar.

Vitamina B12 - A vitamina B12 ajuda a produzir glóbulos vermelhos e mantém o sistema nervoso saudável. A vitamina B12 está presente nos alimentos de origem animal, especialmente nos peixes de água fria e profundas, como salmão, truta e atum. Fígado, carne de porco, carne vermelha, leite e derivados e ovos também são fontes.Dietas vegetarianas e veganas provavelmente precisam de suplementos devitamina B12.

Cálcio- O cálcio é essencial durante a lactação, porque é necessário para a produção de leite. Além disso é importante para a mãe manter sua saúde óssea. Leite e derivados, soja, tofu, sementes de gergelim, sardinha, folhas verdes escuras (espinafre, couve, agrião, rúcula, brócolis, quiabo), grão-de-bico são fontes deste mineral.

Magnésio - O magnésio é importante para a saúde óssea, função muscular e nervosa. As principais fontes alimentares são cereais, leite e derivados, vegetais, batatas e carnes.

Zinco - É um micronutriente necessário à reprodução, diferenciação celular, crescimento, desenvolvimento, reparação tecidual e imunidade. É encontrado em muitos alimentos, incluindo carne vermelha, leite, queijo, ovos, frutos do mar, cereais integrais, nozes e leguminosas.


Interação de Vitamina A, ferro e zinco

É reconhecida a interação entre o metabolismo da vitamina A, do ferro e do zinco, pois a deficiência de um desses nutrientes pode prejudicar a utilização dos demais pelo organismo humano.

O zinco é utilizado para a síntese hepática e secreção da proteína responsável pelo transporte da vitamina A. Portanto, em situações de deficiência de zinco, a produção desta proteína está reduzida, resultando em carência secundária da vitamina A, que é caracterizada pelos baixos níveis séricos de retinol.

A deficiência de ferro também influencia os níveis séricos de retinol, pois a carência de ferro pode comprometer o funcionamento normal da mucosa intestinal, dificultando a absorção da vitamina A proveniente da dieta e prejudicando a sua biodisponibilidade.

 


Adriana Stavro - Nutricionista Funcional e Fitoterapeuta. Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein - Mestranda do Nascimento a Adolescência pelo Centro Universitário São Camilo.

Instagram -@adrianastavronutri


Saiba 8 hábitos e alimentos que aceleram o metabolismo

Paulo Lessa, médico pós-graduado em Nutrologia, separou alguns estratégias simples e também elencou alimentos que ajudam a deixar o seu metabolismo mais acelerado

 

Metabolismo é o processo responsável pela transformação das calorias em energia. Alguns fatores como envelhecimento, má alimentação, sedentarismo ou obesidade, por exemplo, podem deixar o metabolismo mais lento.

Por isso, quem quer perder peso e ter mais disposição precisa adotar alguns hábitos simples, além de incluir alguns alimentos que contribuem para acelerar o metabolismo. O médico Paulo Lessa elencou alguns deles:

 

Pratique exercícios físicos regularmente

Quanto mais músculos você tiver, mais rápido será seu gasto calórico. Mas segundo o profissional, os benefícios diretos dos exercícios físicos para o metabolismo vão muito além dessa relação. 

"Durante a prática de exercícios físicos, obviamente seu corpo gastará mais energia para se manter em movimento. Mas esse gasto não se restringe apenas à prática do exercício. Exercícios mais intensos, como bicicleta, corrida ou crossfit, aumentam em até 25% a taxa metabólica durante um período que se prolonga por até 15 horas", completa. 

 

Dormir em média 8 horas por dia 

Segundo uma pesquisa publicada na Annals of Internal Medicine de 2004, apenas duas noites maldormidas já são capazes de alterar todo o metabolismo do organismo, aumentando um hormônio que causa fome (ghrelina) e diminuindo os índices da substância que inibe o apetite (leptina). Na prática, a pessoa acaba comendo até 20% a mais do que comeria se tivesse dormido bem.

"Além disso, não dormir bem reduz os níveis certos hormônios como testosterona e GH, principais responsáveis pela formação da musculatura e aumenta a produção do cortisol, o hormônio do stress, o que colabora com o acúmulo de gordura abdominal e catabolismo (perda de massa magra)", completa Lessa.

 

Aposte em alimentos ricos em proteínas 

"Alimentos ricos em proteínas e pobre em gorduras, como ovos e peito de frango, fazem o organismo gastar mais energia no processo de digestão'', explica o médico. 

 

Beba café ou outros bebidas com cafeína

A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que pode acelerar o seu metabolismo em 5 a 8%, o que significa a queima de cerca de 90 a 170 calorias por dia.

"Além de café, chá verde, chá mate e chá preto são bebidas ricas em cafeína. Só cuidado com o exagero, que pode prejudicar a saúde", aconselha. 

 

Beba água

Um estudo alemão de 2003 mostrou que o metabolismo tanto de homens quanto de mulheres acelerou 10 minutos após beber água – chegando no auge metabólico cerca de 30 ou 40 minutos depois.

"De qualquer forma, é aconselhável beber no mínimo dois litros de água por dia, pois ela ajuda na desintoxicação do organismo, na regulação corpórea e no bom funcionamento do intestino."

Uma pesquisa publicada no periódico American Journal of Clinical, descobriu que os participantes do estudo que consumiram alimentos com grãos integrais, dentro da dose diária de fibra recomendada, perderam quase 100 calorias a mais por dia do que os que se alimentaram com a versão refinada. 

"Os grãos integrais têm nutrientes e carboidratos complexos, que aceleram seu metabolismo e estabilizam os níveis de insulina", explica o médico. 

 

Pimenta  

"A pimenta faz com que o corpo aumente a produção de calor e queime mais energia. Além disso, ela estimula a produção de certos hormônios que aceleram a frequência cardíaca e o metabolismo", pontua. 

 

Canela 

A canela contribui com o aceleramento do metabolismo porque tem a capacidade de aumentar a temperatura corporal.

 

Gengibre 

"Assim como a canela, o gengibre tem substâncias termogênicas que aumentam a temperatura corporal, acelerando o metabolismo e a queima de gordura”, completa.


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